quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A VIDA PARECE UM EMARANHADO

Por Celson Coêlho


A vida parece um emaranhado. São pessoas, acontecimentos e decisões. Bons e ruins. Intensos e suaves. Tudo se misturando e resultando no “eu” que somos.

Creio na verdade nos propósitos em tudo. Algo parecido com o trabalho de um tecelão que realiza uma obra de arte com vários fios que isolados parecem não ter valor. A beleza está em conseguir contemplar o todo e não cada fio.

Ravi Zacharias propôs isso no livro o Grande Tecelão. Sendo indiano, fez analogia com os tecelões indianos:

“Ora, se um tecelão comum pode pegar uma poção de fios coloridos e criar uma vestimenta para embelezar a aparência, não seria possível o Grande Tecelão ter um projeto em mente para você, um projeto que lhe adorna, enquanto ele vai usando a sua própria vida para moldá-la segundo o seu propósito, utilizando todos os fios ao seu alcance?” (p. 16)
E assim seguimos nas mãos do Grande Tecelão, Deus. Que Ele nos cuide e faça sua grande obra de arte com todos os fios.

“Nossa vida contém fontes mil,
E morre se uma se esgotar;
Estranho que uma harpa de cordas mil
Mantenha a harmonia por tanto tempo sem parar!” (Estrofe do hino de Isaac Watts, citado por Zacharias, p. 17)


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O FILME “ASSASSIN’S CREED” E O OBJETIVO DA RELIGIÃO

Por Celson Coêlho


Por esses dias assisti ao filme “Assassin’s Creed”. Achei interessante sua forma ficcional de interpolar a inquisição espanhola com a atualidade. Por isso procurei assisti-lo.

O filme é uma adaptação do game com mesmo nome, mas de pouco interesse para nosso objetivo. Também não pretendo recorrer aos detalhes históricos da inquisição, não cabe aqui.

Resumidamente: o enredo mostra um detento atual sendo usado num projeto que, numa viagem no tempo, tenta encontrar um artefato desejado, a Maçã do Éden. Para isso faz-se necessário um descendente de um membro da irmandade Credo dos Assassinos. Pois assim será possível reviver as memórias do seu ancestral e descobri onde esconderam o artefato.

Sem antecipar o filme para os que desejam assistir, se desenrola “insights” entre a inquisição espanhola por volta de 1400 e os dias atuais. Na verdade o fio condutor é o interesse pela Maçã do Éden. Interesse que fez parte da história e ainda gera disputas na atualidade, conforme o filme.
Isso serviu para ambientar. Vamos ao que interessa: o que tem nessa bendita Maçã do Éden? Nela existe um código/poder que pode gerar o controle do livre arbítrio da humanidade (também esclareço que não interessa aqui os conceitos teológicos sobre livre arbítrio e predestinação, têm aos montes no “Google”).

Se bem entendi o enredo, um dos grupos, os Templários, o braço armado da religião, tenta encontrá-la para erradicar a violência. Tendo o controle sobre o livre arbítrio se controlará a violência. Para eles o livre arbítrio impede a paz. Por isso é melhor controlá-lo.

Rapaz!!! Não parece que é assim mesmo que fazem uso da religião. Têm o objetivo de controlar a liberdade de escolha das pessoas. Parece que esse é o objetivo de muitos que “comandam” as religiões. Criam-se normas de condutas pesadíssimas para manter as pessoas presas.

O outro grupo, os “Assassin’s Creed”, lutam para manter a maça protegida, pois para eles a paz é alcançada defendendo a liberdade de escolha. Como contrariam os interesses dos que comandam a religião instituída são chamados de assassinos. Lógico que o filme é de ação e tem assassinatos sim. Mas o outro grupo também mata. Mas não são chamados de assassinos. São Templários. Defensores do templo. Entende? Os contrários são assassinos...

Não parece um pouco com o que vemos por aí?

Em um dos diálogos entre o “assassino” cobaia e a “doutora” responsável pelo projeto ele relembra que o objetivo é salvá-lo do “gene” da violência. Na sequência ele questiona: “e quem salvará você?”

“Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.” (Disse Jesus em Mateus 23.4)


Trailer do Filme
https://www.youtube.com/watch?v=jTgzJ79KDsg

Críticas sobre o filme
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-198730/criticas-adorocinema/
http://cinema10.com.br/filme/assassins-creed-movie


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Lucas 6: CUIDADO COM A PRESUNÇÃO


 Por Celson Coêlho

Vivemos uma época que o espírito de conquista nos é imposto. Desde a infância somos impulsionados a competir. A cada momento parece estarmos nessa busca de “quanto mais, melhor”.

Ao formar seu grupo de discípulos Jesus sabia disso. Em Lucas 6 ele vai demonstrar preocupação nesse sentido, pois quando o espírito de conquista impera as vidas são ignoradas.

Tendo uma multidão que o seguia e vendo a repercussão de seus milagres, achou por bem de início alertar seus discípulos mais próximos: “O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre” (Lc 6.40).

Existe uma corrida para ser o melhor em todas as áreas. Estar acima é o alvo. Chegar ao topo. Com isso se cria a presunção de ser melhor que o outro. Lembremos que presunção significa opinião excessivamente boa acerca de si.

Jesus continuou com seu alerta: se você se achar o melhor, sabe o que vai acontecer? Você vai enxergar um cisco no olho do outro, mas não enxergará uma trava no seu. Ou seja, você vai assumir uma posição de superioridade moral. Isso impedirá de ajudar o teu irmão (Lc 6.41, 42). Agindo assim você será como um cego guiando outro cego, o fim dos dois será um barranco, será a queda (Lc 6.39).

A presunção torna a leve imperfeição do outro mais aparente que uma grande imperfeição em nós.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Lucas 5: MAIS DO QUE PALAVRAS


 Por Celson Coêlho

A segregação impõe fortes dores psicológicas ao ser humano. Os diferentes, os “defeituosos” sempre são de alguma forma segregados; separados do convívio e evitados.

Na leitura do evangelho de Lucas vimos que tentaram fazer isso com Jesus. “Os da sinagoga”, com a força das suas regras, demonstraram que ele não era bem vindo. Agora, após a chamada dos seus discípulos mais próximos, Jesus tem uma grande oportunidade de desfazer o sentimento de segregação que imperava.

Um leproso vem ao encontro de Jesus (Lucas 4.12-16). Causa estranheza, pois ele deveria estar fora da cidade e ao caminhar deveria gritar: “Imundo! Imundo!” Para que todos se afastassem dele. A lepra era uma doença terrível e temida. Desfigurava a pessoa e, muitas vezes, era fatal. A proteção dos “saudáveis” era afastar o leproso do convívio. Além do mal físico causado pela doença, era imposto um grande peso psicológico.

Encontrando-se com Jesus o homem clama: “purifica-me!” Seu desejo é deixar de ser imundo, não apenas curar-se. É deixar de viver isolado e não ter mais que gritar “Imundo! Imundo!” e ver as pessoas se afastando dele. “Purifica-me!” Torna-me uma pessoa comum novamente. Restitui-me ao convívio entre os outros.

Jesus poderia apenas declarar: “seja curado.” Com certeza assim ocorreria. Porém ele demonstra amor e mostra o exemplo tocando nele. Jesus não precisava de proteção contra os “defeituosos”.

Ele demonstrou com atitude o que afirmou nas palavras: “O médico deve estar onde está o doente e não entre os saudáveis. O salvador deve estar entre os pecadores e não abraçado com os bons” (Lc 5.31, 32).

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Lucas 4: VOCÊ NÃO É DA NOSSA PANELA! NELA VOCÊ NÃO ENTRA!


Por Celson Coêlho

“Você é daqui mais aqui você não entra!” Talvez isso que eles realmente queriam afirmar. Uma das necessidades do ser humano é aceitação em grupo, a socialização. Só que nem sempre isso ocorre com facilidade.

No capítulo 4 de Lucas, Jesus é chamado para ler uma parte das Escrituras. Mas ele complica a situação. Já existia um grupo formado ali e ele parece fugir dos ditames dos homens da sinagoga.

Primeiro afirmou que sua leitura de Isaias, indicando a ação do Messias esperado, se cumprira naquele momento. Acho que pensaram: “foi só fazer uma leitura bíblica e já está querendo aparecer.” 

Então resolveram colocar Jesus no lugar dele: “Não é este o filho de José?” (Lc 4.22) Não é este o filho do carpinteiro? Como quer inventar moda aqui na sinagoga?

Completando a confusão Jesus demonstrou que eles na verdade não sabiam de nada: “Olhem a história de Israel. Na época de Elias existiam várias viúvas em Israel. Mas o profeta foi enviado apenas a Viúva de Sidom. Existiam muitos leprosos na época de Eliseu. Mas o sírio Naamã que foi purificado” (Lc 4.25-27). Vocês não sabem de nada inocentes! Está acontecendo o agir de Deus fora das panelas e vocês não entendem isso.

“Todos na sinagoga ouvindo essas coisas se encheram de ira” (Lc 4.28). Após isso expulsaram Jesus e tentaram matá-lo.

Hoje devemos ter muita cautela. Corremos o risco de expulsar e “matar” a mensagem de Deus entre nós...

Observação: Jesus era de Nazaré e os de Nazaré não o aceitaram.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Lucas 3: PAU QUE NASCE TORTO NÃO MORRE TORTO!

Por Celson Coêlho

No início da vida cristã vi uma analogia de como seria o arrependimento: é você estar em um ônibus e ao saber que ele vai para o caminho errado, pedir parada e tomar o ônibus certo. Uma ilustração válida, porém simples para uma atitude não tão simples assim.

Arrependimento é o centro na mensagem de João Batista em Lucas capítulo 3. Sua pregação afirma: “todo vale se encherá, e se abaixara todo monte e outeiro; e o que for tortuoso ficará direito, os caminhos irregulares ficarão planos” (Lc 3.5). Temos um ditado que diz: “pau que nasce torto morre torto.” Falando hoje João Batista diria: “nada disso meu amigo! Pau que nasce torto será endireitado.”

Devemos lembrar que a perspectiva bíblica não é abstrata; não apenas teoria. Quando interrogaram João sobre o que fazer, ele foi claro: “repartir o que tem com o próximo. Não cobrar o desnecessário. Não maltratar o outro” (Lc 3.10-14). Ou seja: “tenham atitude!”

Arrependimento é uma palavra de destaque no Evangelho. Mas também é uma atitude necessária para vida cristã.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Lucas 2: VÁ PRIMEIRO AO MENINO


Por Celson Coêlho

No evangelho de Lucas, no capítulo 1 os anjos trouxeram novas notícias. No 2º capítulo, mais uma vez por orientação divina, o anjo aparece. Agora os agraciados são pastores em Belém.

Os criadores estavam com os mesmos animais de sempre, envoltos nas mesmas tarefas. Mas a rotina deles foi quebrada, pois “o anjo desceu onde eles estavam” (Lc 2.9). Com isso eles foram impactados devido à “glória do Senhor”.

Depois desse impacto eles foram “apressadamente” a procura do menino. Procuram ver e entender quem era o menino. Ou seja, eles vão a Jesus. A primeira coisa que fizeram após ser impactados pela glória divina foi olhar para Jesus.
Por fim, depois de ver o menino, vão as pessoas (Lc 2.17). Às vezes temos esquecidos dessa lógica: impactados com a glória divina; ir a Jesus; e ir às pessoas.

Quando você achar que foi impactado pela glória divina, vá ao menino. Vá primeiro a Jesus...