terça-feira, 30 de dezembro de 2008

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sábado, 20 de dezembro de 2008

EVANGELHO QUADRANGULAR, uma perspectiva da educação cristã

Por Celson Coêlho*

Lembro-me que alguns anos atrás meu antigo pastor em Manaus falava que nossos professores pregavam quando deveriam dar aula. Essa constatação o preocupava. Era a visão de um homem de Deus com mais de 15 anos de experiência docente, tanto na Escola Bíblica como no ITQ (atual diretor do ITQ-AM). Um corolário de seu pensamento pode ser: Temos bons pregadores, mas não bons professores. Não sei se a observação era válida apenas ao âmbito local da IEQ no Amazonas. Não posso aceitá-la passivamente como conclusiva. Também não devo ignorá-la...
O espaço nesse texto pretende refletir a Educação Cristã na IEQ. Fornecer uma perspectiva do ensino.



I – DEFININDO CONCEITOS

Por que Educação Cristã e não Educação Bíblica? Optamos pelo termo Educação Cristã, pois traz uma compreensão mais abrangente da educação na igreja. A Educação na igreja pode ser Teológica, Ministerial ou Bíblica (referente à educação na igreja local).

Educação Ministerial – Aqui compreendemos a educação ou o departamento da igreja que visa à preparação para o ministério. Boa parte das denominações evangélicas tem seu instituto ou seminário (algumas chamam de escola de líderes ou termo similar). Tem uma metodologia mais voltada para a prática ministerial. Seus professores são pastores.

Educação Teológica – Compreendemos a educação superior confessional. Nem todas as denominações dispõem de curso superior teológico. Alguns cursos são oferecidos por instituições para-eclesiásticas ou até mesmo não confessionais[1]. Entendemos que na Educação Teológica também temos formação ministerial, porém a formação teológica é mais abrangente. A preparação profissional é seu alvo maior. Sua metodologia é mais voltada para a pesquisa (científica). Seus professores devem ter formação superior e pós-graduação.

Educação Bíblica – Neste conceito encontramos, principalmente, a bicentenária e eficaz Escola Bíblica. Enquanto os outros dois níveis de educação o alvo é o cristão adulto[2] , aqui alcançamos todas as faixas etárias. Sua metodologia visa alcançar a prática cristã, fornecendo bases bíblicas para as ações do dia-a-dia. Seus professores são líderes da igreja local.

Essa divisão tem função didática para facilitar o desenrolar do texto. Na verdade, elas podem e devem se relacionar. Assim a Educação Bíblica também é teológica e ministerial (vice-versa).
“A Secretaria Geral de Educação e Cultura [SGEC] é o órgão destinado a desenvolver a ação educativa na Igreja [IEQ]...” Tem como secretária a Pastora Mara Cristina Lau. Nos estados, temos as Secretarias Estaduais de Educação e Cultura (SEEC).



II – EDUCAÇÃO BÍBLICA

Consideramos que a Educação Bíblica é mais abrangente que aulas ou até mesmo que a própria Escola Bíblica. Assim, temos educação bíblica na pregação, numa peça teatral, numa música, etc. Para delimitar nosso texto e visando os educadores que visitam NOSSO BLOG, trataremos exclusivamente de Escola Bíblica.
Na IEQ, a Escola Bíblica desembarcou no Brasil junto com Harold Willian. Desde cedo entendeu-se a importância de crentes alicerçados na Bíblia. A responsável por sua implantação e desenvolvimento inicial foi a missionária Lucille Marie Jonhson. Até 1974 a EBD esteve sob sua orientação. Em 1963 foi criada a coordenação nacional. A partir de 2000 a EBD ficou sob tutela da SGEC.
Nesses 58 anos de historia da Escola Bíblica vemos o alicerce bíblico fornecido aos nossos membros. Compreendemos que a Escola Bíblia é primordial para o crescimento da igreja. A Escola tem capacidade evangelística e discipuladora. O novo convertido tem necessidade de questionar sua nova fé, a classe é o espaço apropriado para isso. O amadurecimento espiritual de crentes também é fornecido através das aulas dominicais. A interação permite o educando trazer inquietações do dia-a-dia e lhe fornece princípios bíblicos. (VEJA: Razões Por que Ainda Acredito na Escola Bíblica, clique AQUI)


III – EDUCAÇÃO MINISTERIAL

Com alvo a formação ministerial, temos na IEQ o Instituto Teológico Quadrangular (ITQ), a Missão Quadrangular Cristo Para as Crianças (MQCC) e o Centro de Treinamento Missionário Quadrangular (CTMQ).
O Instituto teve seu início no Brasil em 1957. Com o decorrer dos anos foi reformulado e adaptado a situação de nossa igreja. Anteriormente chamado Instituto Bíblico Quadrangular, hoje o ITQ dispõe de dois cursos: o Fundamental em teologia (12 disciplinas) e o Médio em teologia (35 disciplinas). (Detalhes clique AQUI e AQUI ).
A MQCC tem com alvo fornecer formação pastoral para educadores no ministério infantil. Foi fundado em 1985 em Curitiba. Seu currículo tem como base o primeiro ano do ITQ, acrescido disciplinas voltadas para o ministério infantil. (Detalhes clique AQUI ou AQUI).
O CTMQ-PR foi fundado em 1998, visa primariamente à formação missionária. Dispõe dos cursos Fundamental em Teologia e Missões Urbanas e Transculturais. É o órgão oficial da IEQ para formação missionária. (Detalhes clique AQUI).
Os cursos desses três departamentos fornecem a condição básica para ingresso no ministério, ou seja, para entrar no ministério Quadrangular precisa ter concluído um desses cursos.
A formação ministerial tem alcançado seu objetivo: fornecer a preparação inicial para os futuros obreiros. Os ITQs estão em todos estados brasileiros, são aproximadamente 250 em todo Brasil. A MQCC não desfruta do mesmo alcance. Seu objetivo é excelente, o ideal é que em cada ITQ funcionasse uma MQCC, ao menos em cada cidade houvesse uma MQCC. Dispomos de um dos melhores centros de formação de missionários, quem dera funcionasse um em cada região geográfica do País e que seus recém formados missionários pudessem atuar nessas regiões.


IV – EDUCAÇÃO TEOLÓGICA

A partir de 1999 os Cursos de Teologia alcançaram o reconhecimento do Ministério de Educação em nosso país. Anteriormente, apesar dos evangélicos disporem de boas faculdades teológicas, não contavam com a aceitação da academia brasileira. O parecer CNE/CES 241/99 trouxe novos ares ao conhecimento teológico tupiniquim. (Ver Conselho Federal de Teologos, clique AQUI)
A IEQ, num trabalho muito louvável da SGEC, também abriu as portas para esse novo momento da teologia brasileira. Em convênio com UNIASSELVI deu-se início a Faculdade Teológica Quadrangular (FATEQ) a partir de agosto 2007. Sua modalidade é semi-supervisionada, com um encontro semanal.
A formação teológica abre algumas portas para atuação do formado: Ensino em escolas ou Faculdades; atuação em ONGs ou instituições para-eclesiásticas; atuar como pesquisador; capelão nas Forças Armadas, hospitais, etc; realização de concursos públicos e ministério pastoral.

ATENÇÃO: Existe na Internet uma faculdade dita como Faculdade Quadrangular. Não é a FATEQ e, tudo indica, não tem vínculo com a SGEC. (Clique AQUI)

PESQUISE AQUI OS CURSOS SUPERIORES AUTORIZADOS E/OU RECONHECIDOS PELO MEC, TANTO TEOLÓGICO COMO OUTROS (CLIQUE AQUI)


V – DESAFIO...

Não pretendo esgotar o assunto com essa postagem. Tentei “abrir portas” para a interação.
Muitos educadores da IEQ, como de outras igrejas também, podem colaborar com essa interação.
O desafio que lanço é que você que visita NOSSO BLOG compartilhe comentários que possam enriquecer o tema.



[1] A educação teológica, como qualquer curso superior, está disponível para qualquer confissão religiosa ou instituição não religiosa. Assim temos instituições católicas, umbandistas (para ver clique AQUI), universidades públicas (Universidade Federal do Piauí, clique AQUI), etc.
[2] Em algumas denominações a Educação Ministerial não é apenas para cristãos adultos, essa formação também é restrita ao sexo masculino.


PRÓXIMO TEXTO SOBRE O EVANGELHO QUADRANGULAR: Marcas da Educação Quadrangular (Aguardem!!!)


*Celson Coêlho
Diretor Estadual DEBQ-PE
Editor do Blog


(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

sábado, 15 de novembro de 2008

EVANGELHO QUADRANGULAR, uma perspectiva teológica.


Por Celson Coêlho*
No primeiro texto sobre a Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), tentei jogar luz sobre a perspectiva histórica de nossa igreja. Observando as raízes do nosso surgimento.
Neste texto pretendo olhar pela ótica teológica da IEQ. O que nos dá essa base é a história, que já vimos um pouco, a declaração de fé da igreja, a literatura produzida por nossos pastores (principalmente o livro Fundamentos da Teologia Pentecostal ) e a prática atual de nossas igrejas.
Uma pergunta inicial é necessária: o que significa teologia? Recorramos aos manuais!
Floreal Ureta, em Elementos de Teologia Cristã, cita algumas definições: “é a ciência de Deus e das relações de Deus e o universo”; “Teologia cristã é o estudo da religião cristã” (p. 8). No livro que virou referência no Brasil (Para Que Serve a Teologia?), Roldán é abrangente, menos acadêmico e mais útil para nosso objetivo: “... a partir do momento em que começamos a refletir e falar acerca de Deus, estamos fazendo teologia.” (p. 24)
A verdade é que todos nós fazemos teologia, consciente ou inconsciente; bem ou mal; preparado ou não. A partir do momento que tentamos explicar as ações de Deus, explicar a Bíblia (e isso fazemos freqüentemente), realizamos um discurso teológico, ou seja, fazemos teologia.
Sendo assim, pessoas têm visões teológicas diferentes. Por conseguinte, igrejas também têm visões teológicas diferentes. Aqui está a validade de vermos e refletirmos sobre a nossa visão teológica como igreja.

I – A TEOLOGIA DAS IGREJAS PENTECOSTAIS

Como vimos na postagem anterior (EVANGELHO QUADRANGULAR, uma perspectiva histórica), nossa igreja é uma igreja pentecostal, ou seja, surgiu do ramo pentecostal da igreja evangélica.
O nome pentecostal vem de Pentecostes, a festa judaica onde, em Atos 2.1-4, houve o derramamento do Espírito Santo sobre a Igreja Primitiva. Este revestimento concedeu uma nova dimensão para a vida da Igreja (a seqüência do livro de Atos revela isso).
As igrejas chamadas pentecostais são aquelas que acreditam que esse revestimento está disponível para os salvos de hoje, da mesma forma e intensidade como foi para os crentes do Novo Testamento.
Por outro lado temos as igrejas chamadas tradicionais (ou históricas) , igrejas que acreditam que a ação do Espírito Santo com poder e milagres visíveis, semelhante aos acontecidos nas páginas do Novo Testamento, não são mais comuns. Eram exclusivos daquela época.
A perspectiva teológica (o pensar sobre as ações de Deus) das igrejas pentecostais é permeada por essa visão da ação do Espírito Santo.

II – NOSSAS DOUTRINAS PRINCIPAIS

A mensagem Quadrangular está fundamentada em quatro doutrinas principais: 1) A salvação, 2) O batismo no Espírito Santo, 3) A cura divina, e 4) A segunda volta de Cristo. Isso não quer dizer que não acreditamos ou não professamos as outras doutrinas. Sendo que muitas outras doutrinas estão ligadas a essas. (Veja nossa declaração de fé, clique AQUI) Essas quatro doutrinas são vistas e proclamadas como uma ação de Cristo. Jesus salva, Jesus Batiza, Jesus Cura e Jesus Voltará. Assim, a visão doutrinária da IEQ é cristocêntrica. Cristo é o centro da visão teológica.

CRISTOLOGIA
“O Filho - Co-existente e Co-eterno com o Pai que, concebido pelo Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, assumiu a forma de homem [...] pelo derramamento de Seu precioso sangue sobre a cruz do calvário, adquiriu a redenção para todos os que n’Ele creiam [...]levantou-se da sepultura e subiu às alturas levando cativo o cativeiro, para que, como o grande Mediador entre Deus e o homem, pudesse estar à direita do Pai intercedendo por aqueles por quem entregou a sua vida.” (Declaração de Fé, p. 7)
Nossa declaração de fé revela como vemos e acreditamos na pessoa de Cristo:
Co-existente e Co-eterno – Cremos na deidade de Jesus (Cl 1.15-20). Ele é a segunda pessoa da trindade. Isso o habilitava a ser o Redentor da humanidade caída e distante de Deus (Hb 10.11 e 12). Quem morreu não foi um simples homem ou um animal (como no Antigo Testamento).
Forma de homem – Cremos também na humanidade de Cristo quando ele esteve aqui na Terra. Para que a humanidade tivesse sua comunhão com Deus renovada, era necessário haver a união Homem-Deus. Isso foi possível em Cristo.

Mediador – Ele é o único e suficiente mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5)
“Ninguém pode ser sinceramente quadrangular se negar ou sequer duvidar levemente dos conceitos fundamentais ligados à pessoa de Cristo.” (COX, p. 52)

A SALVAÇÃO
“Cremos que a salvação dos pecadores é inteiramente pela graça, que não temos justiça alguma ou bondade em nós mesmos, por onde procurar o divino amparo, havendo que lançarmo-nos, portando, à inabalável misericórdia e amor daquele que nos comprou e nos lavou no seu próprio sangue, clamando os méritos e a justiça de Cristo o Salvador, firmados na sua palavra e aceitando o livre dom de seu amor e perdão.” (Declaração de Fé, p. 10)
Salvação... pela graça – Cremos na salvação como dom de Deus. Não por mérito humano. As obras humanas são válidas e devem ser realizadas pois revelam nossa verdadeira fé (Tg 2.17), mas não são suficientes para a salvação. A graça divina nos resgata da perdição. “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 6.23)
“Nós pecamos, mas Jesus morreu por nós. Fomos sentenciados à morte, mas Ele morreu para que pudéssemos viver. Fomos condenados, mas ele suportou nossa condenação. Glória ao seu nome!” (Aimeé Semple McPherson)

O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO
“Cremos que o batismo no Espírito Santo é o recebimento do prometido Consolador, em poderosa e gloriosa plenitude, a fim de revestir o crente com poder do alto [...] e que, sendo esta ainda a dispensação do Espírito Santo, tem o crente todo direito de esperar o seu recebimento da mesma maneira pela qual o receberam judeus e gentios igualmente, nos dias bíblicos, conforme se encontra registrado na Palavra, de modo que possa ser dito de nós o que foi com respeito à casa de Cornélio; o Espírito Santo caiu sobre eles, no princípio, assim como em nós agora.” (Declaração de Fé, p. 16)

O recebimento... em poderosa e gloriosa plenitude – Podemos considerar que o Espírito Santo foi, por algum tempo, o Deus esquecido da igreja. Não vemos na história da igreja uma atenção a terceira pessoa da trindade até o momento do reavivamento pentecostal em 1900 (ver postagem anterior, clique AQUI). Entendemos que é uma experiência definida, subseqüente a salvação. (Fundamentos da Teologia Pentecostal, p. 61) É a ação do Espírito com poder na vida cristã. (At. 1.8; 2.4, 15, 21; 11.15).

Sendo esta a dispensação do Espírito – Assim Aimee expressou essa verdade sobre a atuação do Espírito: “O poder de Deus e os ‘sinais e prodígios’ sobrenaturais operados pelo seu Espírito não cessam, não conhecem limites nem fronteiras, exceto os colocados para eles pela nossa falta de fé.”

A CURA DIVINA
“Cremos que a cura divina é o poder do Senhor Jesus Cristo para curar os enfermos e os aflitos, em resposta à oração sincera; que Ele, sendo o mesmo ontem, hoje e para sempre, jamais mudou; mas é, ainda, um auxílio plenamente suficiente na hora da dor, capaz de saciar as necessidades, vivificar o corpo, a alma e o espírito a uma novidade de vida, em resposta à fé daqueles que oram com submissão à sua vontade divina e soberana.” (Declaração de Fé, p. 21)

Curar os enfermos – A cura divina fez parte do ministério de Cristo sobre a Terra (Mt 8.16, 17). Também faz parte do ministério da Igreja. Jesus comissionou os 12 com esse propósito (Lc 9.1, 2 e 6), depois os 70 (Lc 10.1, 8, 9 e 19). Ele também concedeu esta autoridade à igreja pós-apostólica (Mc 16.17, 18).

Vontade divina – Cura está à disposição da igreja, devemos desejá-la e ministrá-la. Mas lembremos que Deus é quem é “o” Deus, não nós. Tudo ocorre conforme sua vontade soberana.

A 2ª VOLTA DE CRISTO
“Cremos que a segunda vinda de Cristo é pessoal e iminente; [...] E que, nesta hora, a qual ninguém sabe antecipadamente, os mortos em Cristo se levantarão, e os remidos que estiverem vivos serão levados acima, junto com eles, nas nuvens a encontrar o Senhor nos ares, para estarem sempre com o Senhor [...] cada dia deve ser vivido como se Ele fosse esperado aparecer antes de findar o dia. Todavia, em obediência à sua ordem categórica ‘trabalhai até que eu venha’ [...]” (Declaração de Fé, p. 21)
Pessoal e iminente – A segunda vinda de Cristo, como Rei, não será invisível, também não é a morte do crente. Ele virá buscar sua igreja e julgar os ímpios de forma visível e gloriosa. (Jo 14.13; At 1.11). Apesar de ser seguida de sinais (Mt 24.15, 21 e 29), não sabemos o tempo exato desse acontecimento. A consumação da História da humanidade se dará. O mal terá seu salário, a fé e fidelidade receberão sua recompensa.


REFERÊNCIAS

McPHERSON, Aimeé Semple. DECLARAÇÃO DE FÉ DA IGREJA DO EVANGELHO QUADRANGULAR. São Paulo: Quadrangular.
DUFFIELD, Guy. e CLEAVE, Nathaniel. FUNDAMENTOS DA TEOLOGIA PENTECOSTAL. São Paulo: Quadrangular. 1991. V. I e II.
COX, Raymond L. O EVANGELHO QUADRANGULAR. São Paulo: Quadrangular. 1991.
MARQUES, Cairo. e PRESTES, Nelson Oliveira. DOUTRINAS BÍBLICAS. Quadrangular. 1999.

PRÓXIMA POSTAGEM SOBRE A IEQ: UMA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO BÍBLICA (AGUARDEM!)

*Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog



(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.ebqrecife.blogspot.com/)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

QUADRANGULAR BRASIL - 57 ANOS

A IGREJA QUADRANGULAR ESTÁ EM FESTA.
PARABÉNS IEQ!
MINHA SEGUNDA CASA.
"Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente." Hb 13.8







VEJA UM POUCO DA NOSSA HISTÓRIA CLICANDO AQUI

sábado, 8 de novembro de 2008

FOTOS 2ª EXPO QUADRANGULAR

PASTOR VALDIR E PASTORA SUELI
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NOSSO DIRETOR
CELSON COÊLHO
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O CENÁRIO DA 2ª EXPO QUADRANGULAR
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OS ALUNOS NA EQUIPE DE APOIO
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CLASSE PATRULHEIROS (CRIANÇAS)
PROFESSORAS: MARIA VITÓRIA, LÍVIA ELIAS E MUNIK EVANS
ESPAÇO KIDS: A FESTA DAS CORES
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CLASSES MULHERES GUERREIRAS E MULHERES VITORIOSAS
PROFESSORAS: LIZETE FERREIRA E NEUZA MARIA / EDJANE MORAIS E VERÔNICA NUNES
HISTÓRIA DA IGREJA E BIOGRAFIA DE AIMEE SEMPLE
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CLASSES ATALAIAS E ROCHEDOS (JOVENS)
PROFESSORAS: ALCIONE SOARES, ALBA VALÉRIA E KARINA CARRERA / MARIA FERNANDA E MARIA DOLORES
1ª DOUTRINA: JESUS SALVA
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CLASSES NOVA GERAÇÃO E GLADIADORES (JOVENS)
PROFESSORES: ROSANA SOUZA (FERNANDA) E PAULA COELY / DIEGO
2ª DOUTRINA: JESUS BATIZA COM O ESPÍRITO SANTO
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CLASSE EBENEZER (HOMENS)
PROFESSORES: ROBERTO CÂMARA E RAUL JOSÉ
3ª DOUTRINA: JESUS CURA
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CLASSE ARREBATADOS (ADOLESCENTES)
PROFESSORAS: JOSIANE LIMA E PATRÍCIA SANTANA
4ª DOUTRINA: JESUS VOLTARÁ
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A REFORMA PROTESTANTE, seus principais personagens.

Ninguém realiza uma grande obra sozinho!
O nome de Lutero obteve maior popularidade nos últimos anos devido ao filme com seu nome. Alguns acreditam que ele foi o único responsável pela Reforma Protestante. No âmbito humano, vários homens contribuíram para o início e desenvolvimento da Reforma. Com certeza os mais conhecidos são Martinho Lutero e João Calvino, nessa ordem. No entanto, homens de Deus contribuíram tanto antes como durante e após o estopim na igreja Católica.
Proponho nessa postagem considerarmos um pouco sobre esses personagens que vivenciaram um dos fatos mais importantes da Igreja.

I – OS PRÉ-REFORMADORES
JOÃO WYCLIFFE (1328-1384) – Foi aluno e professor em Oxford. Tinha como desejo reformar a igreja despojando os padres das propriedades (fonte da corrupção) e afastando os imorais. Criticava a falta de moral na liderança. Defendeu Cristo e não o Papa como cabeça da Igreja, autoridade da Bíblia e não da igreja. Possibilitou ao povo o entendimento dessas verdades realizando a primeira tradução da Bíblia para o inglês.

JOÃO HUSS (1373-1415) – Seguidor dos ensinos de Wycliffe, estudou na Universidade de Praga, onde também foi professor e reitor. Rejeitou as indulgências, considerava sem valor para o verdadeiro perdão divino. Em 6 de junho de 1415 foi condenado e queimado vivo. Seus seguidores deram continuidade a sua obra. Pelo seu testemunho de coragem exerceu grande influência sobre a vida de Lutero.

SAVONAROLA (1452-1498) – Desistiu da medicina e dedicou-se a vida monástica. Baseou sua ação em Florença. Atacou o mau caráter e a falta de governo do Papa Alexandre VI. Não o teve mesmo desenrolar de Wycliffe e Huss. Foi condenado e enforcado a mando do Papa em 23 de maio de 1498. Seu corpo depois fora queimado.

II – MARTINHO LUTERO, O Estopim da Reforma

O homem e a ocasião para Reforma se encontraram na Alemanha do século XVI. Assim expressa
CAIRNS (p. 233) ao falar sobre Lutero.
Tendo um pai com boas condições, nasceu no dia 10 de novembro de 1483. Teve uma educação rigorosa. Sofreu grande influência de sua mãe, uma crente supersticiosa.
Na universidade de Erfurt graduou-se em artes em 1502, obteve o título de mestre em 1505. Encaminhava-se para o estudo do direito, desejo do seu pai. Interrompeu seu trajeto por ocasião de uma grande tempestade onde sua vida esteve sob perigo. Prometera tornar-se monge se permanecesse vivo.
Ordenado em 1507 celebrou sua primeira missa. Em 1512 recebeu o grau de doutor em Teologia. Passara a ser professor. Destacou-se no ensino e na pregação. O reitor da Universidade declarou: “Este frade derrotará todos os doutores; introduzirá uma nova doutrina e reformará toda a igreja; pois ele se funda sobre a palavra de Cristo e ninguém no mundo pode combater em destruir esta palavra.” (FERREIRA, 24)
O estudo das Escrituras o incomodava. Sentia um clamor em sua alma. Romanos 1.17 abriu sua mente para a salvação pela fé somente.
Pregou veementemente contra as indulgências. Considerava uma relação reta e pessoal com Deus suficiente para trazer a salvação. Na porta da igreja do castelo de Wittenberg, local que servia para colocar os boletins da universidade, foi afixado seu protesto em forma de 95 teses. “Atacara a hierarquia, os sacramentos e a teologia da Igreja Romana.” (CAIRNS, p. 237)
Seu principal opositor era Tetzel, responsável pelas indulgências na igreja Católica. Lutero foi excomungado em junho de 1520, teve seus livros queimados. Levado por seus amigos passou algum tempo escondido. Nesse ínterim, traduziu o Novo Testamento para o alemão em 1 ano. Depois concluiu a tradução de toda a Bíblia.
WALKER descreve Lutero como “um dos poucos homens de quem se pode dizer que sua obra alterou profundamente a história do mundo. Não era organizador nem político. Movia os homens pelo poder de profunda fé religiosa resultante de inalterável confiança em Deus e relação direta, imediata e pessoal com ele.” (p. 9, V 2)
Faleceu em 18 de fevereiro de 1546, com 62 anos. Seu fúnebre fora realizado por seu substituto, Felipe Melanchton.


III – JOÃO CALVINO, O Sistematizador da Reforma

Enquanto Lutero foi a voz profética da Reforma, Calvino foi o organizador.
Seu nascimento ocorreu em Noyon, França, em 10 de julho de 1509. Estudou direito, filosofia e teologia. Era um humanista. Antes de sua dedicação aos tratados teológicos, já se destacava como humanista.
Em 1936, aos 26 anos, concluiu sua grande obra, reconhecida até hoje: As Institutas da Religião Cristã. Na teologia de Lutero se destacava a justificação pela fé, na de Calvino a soberania de Deus. Após a morte de seu pai, dedicou-se ao estudo do grego e hebraico. Isto permitiu que ele elaborasse excelentes comentários sobre os livros da Bíblia.
Foi um grande exegeta, teólogo e pastor. É considerado o pai da exegese moderna. Além de reformador foi um grande incentivador da educação. “Em substituição à Academia, ele criou em Genebra um sistema de educação em três níveis, hoje conhecida como Universidade de Genebra, fundada em 1559. Sua ênfase sobre a educação chegou aos Estados Unidos, quando algum tempo depois os puritanos, calvinistas, criaram escolas no novo mundo.” (CAIRNS, p. 254)
Sua obra, As Institutas, tornou-se a principal referência em termos de teologia reformada. A teologia decorrente de seus ensinos ficou conhecida como calvinismo, o que também servia para diferenciá-la da teologia luterana. A forma de governo de igreja concebido por ele ficou conhecida por presbiterianismo.
Seu último sermão foi pregado em 6 de fevereiro de 1564, quando muito enfermo, foi levado a igreja em uma cadeira de rodas. Em uma reunião com os ministros em Genebra, um mês antes de sua morte, declarou: “A respeito de minha doutrina, ensinei fielmente e Deus me deu graça de escrever. Fiz isso de modo mais fiel possível e nunca corrompi uma só passagem das Escrituras, nem conscientemente as distorci. Quando fui tentado a requintes, resisti à tentação e sempre estudei a simplicidade. Nunca escrevi nada com ódio de alguém, mas sempre coloquei fielmente diante de mim o que julguei ser a glória de Deus.” (FERREIRA, 54)
Faleceu em 27 de maio de 1564.


"Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;
visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé." (Rm 1.16 e 17)

Veja também:
O Justo Viverá Pela Fé, princípios da Reforma Protestante
A Reforma Protestante, por quê e como aconteceu?

Nota:
[1] Outro personagem importante foi Huldreich Zwínglio. Realizou grande obra na Suíça e também foi um dos organizadores do pensamento da Reforma. Não foi possível considerá-lo nessa postagem para não torná-la muito grande. Sobre Zwínglio veja AQUI ou AQUI.



REFERÊNCIAS:

CAIRNS, Earle E. O CRISTIANISMO ATRAVÉS DO SÉCULO. São Paulo: Vida Nova, 1984.
FERREIRA, Franklin. TEOLOGIA DA REFORMA. Apostila do Mestrado em Teologia da Faculdade Batista de Teologia do Amazonas, 2001.
OLSON, Roger. HISTÓRIA DA TEOLOGIA CRISTÃ. São Paulo: Vida, 2001
WALKER, Williston. HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ. Rio de Janeiro e São Paulo: JUERP/ASTE. 4ª Ed, 1983.

Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog



(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O EVANGELHO QUADRANGULAR, uma perspectiva histórica

“Olhe, olhe, é o E-v-a-n-g-e-l-h-o Q-u-a-d-r-a-n-g-u-l-a-r!”[1]
Essa foi a constatação de Aimee Semple McPherson. Ocorreu em Oakland, Califórnia, findando o mês de julho de 1922. Estava realizando uma grande campanha evangelística, uma das marcas de seu ministério. Acontecera antes da inauguração do Templo Ângelus em Los Angeles. A frase rompeu quando pregara em uma grande tenda, o tema era “A Visão de Ezequiel”. Aproximadamente 8 mil pessoas lotavam o recinto[2].
Passados mais de 80 anos, o Evangelho Quadrangular tem percorrido o Mundo. São 150 países já alcançados[3]. Como surgiu nossa igreja? Como estava o mundo evangélico no seu surgimento? Quais fatores podem ter influenciado a visão da fundadora de nossa igreja?
Esses questionamentos são válidos para melhor compreensão de nossas raízes. Neste texto, veremos pontos que reforcem nossa visão histórica sobre a Igreja do Evangelho Quadrangular, principalmente sobre seu surgimento. Ele é o primeiro de uma série de 4 postagens.[4]


I – O ÂMBIENTE EVANGÉLICO NA ÉPOCA

A fundadora da IEQ[5] internacional nasceu em 09 de outubro de 1890. Na adolescência participava da igreja Metodista. Sua conversão deu-se aos 17 anos. Casou-se com Robert Semple em 22 de agosto de 1908. Neste ano ingressou no campo evangelístico. Suas primeiras grandes campanhas evangelísticas ocorreram entre 1915 e 1918.
Com essas informações iniciais sobre o desenvolvimento de Aimee e o surgimento de nossa igreja, poderemos ver alguns fatores que, possivelmente, colaboraram para as raízes da IEQ mundial.

FATOR 1: O Metodismo
Aimee teve suas bases cristãs na igreja metodista. Realizava visitas desde criança com seus pais.
CAIRNS revela que a igreja Metodista era uma das que mais cresciam no fim do século 19. Assim ele retrata: “Estima-se que cerca de 500.000 e 1.000.000 de pessoas foram acrescentadas à igreja, com os metodistas ganhando a maioria dos novos membros.” (p. 399)
Inicialmente não sendo uma igreja, esse movimento era um grupo de oração liderado por John Wesley (1703-1791). Receberam o nome de metodistas devido ao seu estudo bíblico metódico. Com surgimento na Inglaterra, não concordavam com a letargia e frieza que a igreja passara. Por isso desejavam uma piedade prática e não apenas doutrinária. Buscavam sua inspiração no estudo bíblico e na oração. Ao chegar aos Estados Unidos, tornou-se uma grande igreja. Conforme WALKER (p. 231, v. 2), sua ênfase religiosa era conversão, tendo uma fé confiante e vida religiosa demonstrada em obras ativas.

FATOR 2: Os Grandes Evangelistas
Os anos anteriores ao nascimento de Aimee caracterizaram-se com o surgimento das missões modernas. Seu precursor fora William Carey (1761-1834). Várias organizações missionárias surgiram nessa época, seus alvos principais eram Índia e China. Este clamor por vidas salvas acendeu a chama em crentes dedicados. Assim surgiram grandes evangelistas. “A ênfase reavivadora do protestantismo americano foi continuada fortemente” (WALKER, p. 280). Dwight L. Moody (1837-1899), seu expoente, fora evangelista leigo e pregador agressivo. Teve seus métodos de reavivamento largamente copiados. Tinha como característica a evangelização de massas, urbana e profissional, em lugares públicos.

FATOR 3: O Surgimento do Pentecostalismo
Podemos definir assim o pentecostalismo: “Movimento de reforma carismática evangélica que usualmente acha suas raízes num irrompimento do falar em outras línguas em Topeka, Kansas, em 1901, sob liderança de Charles Fox Parham, que tinha sido um pregador metodista.” (Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, p. 131)
O também chamado, carinhosamente, de avivamento da rua Azusa deu início a uma nova fase na vida da igreja. Surgiu um grande interesse pela pessoa e obra do Espírito Santo. Enfatizava-se o revestimento de poder com o batismo com Espírito Santo. Este renovo possibilitava a busca da cura divina e dos milagres semelhante àqueles ocorridos nas páginas da Bíblia.
O Rev. Durham, que tinha nossa fundadora em suas cruzadas evangelísticas, é citado por SYNAN (p. 132) como um dos pioneiros do movimento. O mesmo pastor, continua SYNAN (p. 133), influenciou as primeiras denominações pentecostais, inclusive a nossa.

II – AS BASES DO INÍCIO

Não pretendo ser conclusivo na apresentação dos fatores anteriores. Entretanto, acredito serem importantes para entendermos nosso início como igreja. Eles permeiam as ações primeiras de nossa fundadora.
Por ocasião de sua conversão e de seu batismo com o Espírito Santo, vemos uma inquietação e uma busca quase infindável, possível influência do metodismo. Foi marca das ações posteriores no ministério de Aimee. Também do metodismo pode ter herdado o interesse de encontrar respostas nas Escrituras. Assim fora quando desejou descobrir a poder para conquistar almas (estudou com afinco o livro de Atos) e quando procurou na Bíblia as bases para o Evangelho Quadrangular.
A inovação e dedicação evangelísticas também eram marcantes em sua vida. Assim não se contentou com poucas pessoas no início de suas campanhas e protagonizou um dos atos mais curiosos do seu ministério. Levou uma cadeira a uma esquina movimentada, com braços erguidos orou em silêncio. Chamou atenção de muitas pessoas que estavam próximas e as atraiu para local da pregação. Suas primeiras reuniões foram realizadas em grandes tendas. Fundou uma das primeiras rádios evangélicas.
A marca pentecostal também fazia parte de seu ministério. Milagres eram realizados por Deus através da vida de Aimee. Assim noticiavam os jornais da época[6]: “Mulher cega teve sua visão instantaneamente restaurada no avivamento no Lírico; Milagres acontecendo atualmente; Paralítico anda sem muletas; Surdo ouve instantaneamente.” Ante as manifestações de milagres e curas, sempre colocava em primazia o ministério de salvação de vidas.

III – O INÍCIO NO BRASIL

O fundador da nossa igreja no Brasil foi Harold Williams. Antes de se tornar pastor era ator de filme de “farwest”. Nasceu em 27 de novembro de 1913, em Hollywood, EUA.
O início da IEQ nacional foi em São João da Boa Vista, em 15 de novembro de 1951. Inicialmente chamou-se Igreja Evangélica do Brasil. Ficou famosa como igreja da tenda e igreja da cruzada. Isto por que no início os primeiro cultos eram realizados em tendas e grandes cruzadas evangelísticas eram feitas ao ar livre.
Algumas marcas que estiveram no início da IEQ com Aimee também permearam o início da IEQ no Brasil: (1) A utilização de tendas para dar início às primeiras obras; (2) A realização de grandes campanhas evangelísticas, com muitas pessoas sendo salvas; (3) A ênfase na cura e milagres como benção de Deus para seu povo; (4) Grande fervor missionário.
Nesse ano de 2008 completamos 57 anos de história. Contamos com aproximadamente 2 milhões e meio de membros distribuídos em mais de 8.300 igrejas no território nacional (confira os dados AQUI).

“Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.” (Sl 115.1)

“Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.” (Hb 13.8)

[1] COX, p. 13
[2] Evangelho Quadrangular, p. 5
[3] http://www.ieqmissoes.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=44:bases-historicas&catid=34:sgm&Itemid=53 (consultado em 26/10/2008 as 22:00)
[4] Os próximos serão: Uma Perspectiva Teológica, Uma Perspectiva da Educação Cristã e Marcas de Uma Educação Bíblica Quadrangular.
[5] Igreja do Evangelho Quadrangular.
[6] Apostila Evangelho Quadrangular, p. 19.

REFERÊNCIAS:

APOSTILA EVANGELHO QUADRANGULAR, Utilizada no Nível Avançado do DEBQ. Compilada pela SGEC, tendo como organizadoras Pastoras Mara Cristina Lau e Pastora Edinéia Pires Domingues. 2005.
CAIRNS, Earle E. O CRISTIANISMO ATRAVÉS DO SÉCULO. São Paulo: Vida Nova, 1984.
CAVICHIOLO, Norma Luiza Lau. EVANGELHO QUADRANGULAR. Apostila utilizada no ITQ. 2002.
COX, Raymond L. O EVANGELHO QUADRANGULAR. São Paulo: Quadrangular. 1991.
SYNAN, Vinson. PENTECOSTALISMO. In Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova.1990.
WALKER, Williston. HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ. Rio de Janeiro e São Paulo: JUERP/ASTE. 4ª Ed, 1983.

Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog



(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com/)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

VEM AÍ...


domingo, 19 de outubro de 2008

A REFORMA PROTESTANTE, Por quê e como aconteceu?

Não é novidade para ninguém que o cristianismo tem mais de 2000 anos de história. O que parece ser novidade são alguns fatos dessa história, por vezes tão mal conhecida por nós cristãos.
CAIRNS afirma que “a história da igreja é, pois, um assunto de enorme relevância para o cristão que deseja estar informado sobre sua herança espiritual, para imitar os bons exemplos do passado, e evitar os erros que a igreja freqüentemente tem cometido.” (p. 13)
Outro historiador da igreja, Roger Olson, alerta-nos: “aqueles dentre nós que se chamam de cristãos são moldados pela história cristã... Cristão é todo aquele que se identifica com essa história e procura viver segundo a visão da realidade que ela expressa. (OLSON, Roger. História da Teologia Cristã, p. 11).
Reconhecendo a importância de nossa herança cristã e aproveitando o ensejo da comemoração da Reforma Protestante (31 de outubro), proponho, em algumas postagens, tratar pontos importantes daquilo que foi o maior acontecimento da igreja cristã pós-apostólica.
Como nosso alvo primário são educadores das igrejas, na última postagem iremos abordar os desafios que a Reforma nos faz para a prática de nossa docência.

I – O QUE SIGNIFICA REFORMA PROTESTANTE?

É normal sermos chamados, nós evangélicos, de protestantes. Alguns se perguntam o porquê disso.
O termo tem origem no ato de um monge Católico Romano conhecido por nós como Martinho Lutero . Ele não concordava com os rumos que estava tomando a igreja em sua época. Em 31 de outubro de 1517, ele fixou na porta da igreja do castelo de Wittenberg suas 95 teses que protestavam contra algumas ações do Papa e dos clérigos de sua época. Esse foi o estopim.
Lutero foi despertado por Deus para realizar Sua vontade em uma igreja que estava decadente. Alguns dizem que ele dividiu a igreja. Não era seu alvo. Seu desejo era reformar a liturgia e teologia da igreja.
A Reforma Protestante pode ser definida, conforme CAIRNS (p. 224), como o movimento religioso, ocorrido entre 1517 e 1563, que procurava levar o Cristianismo de volta à pureza original do Novo Testamento e que findou com a ruptura da Igreja.


II – POR QUE ACONTECEU?

Poderíamos afirmar: VONTADE de Deus! Pronto!
Com certeza foi. Assim também cremos. No entanto, fica mais belo entendermos essa vontade vendo o Senhor guiando os acontecimentos dessa história. Vejamos alguns fatores que contribuíram com a Reforma:

A RENASCENÇA – Foi um movimento intelectual ocorrido entre 1350 e 1650 que marca a transição da idade medieval para a era moderna. Influenciou transformações na cultura, sociedade, economia, política e religião. Tinha como eixos principais o (1) interesse pelas fontes do passado, o (2) “destaque dos seres humanos como entidades humanas com direito a desenvolver suas próprias personalidades” (CAIRNS, p. 214) e (3) possibilidade das mentes humanas interpretarem os dados aos quais são submetidas. Esses três pontos contribuíram com a Reforma: o primeiro levou os reformadores a estudarem a Bíblia na língua original; o segundo permitiu voltarem à doutrina do sacerdócio de todos os crentes expressa no Novo Testamento (1ª Pe 2.9), ou seja, o cristão não está obrigado a ter o Papa como mediador entre ele e Deus; Por fim, descobriram a grandeza de interpretarem a Bíblia sozinhos sem terem que enxergar apenas o que o Magistério Católico ditava como interpretação.

O DECLÍNEO MORAL DOS CLÉRIGOS – A decadência moral permeava a igreja. Quanto à (1) sexualidade, os sacerdotes romanos contrariavam o celibato. Não conseguiam vencer a natureza humana. Por não poderem casar, possuíam concubinas. Começaram a surgir filhos dessas relações. Quanto ao (2) dinheiro, estavam mais preocupados com as propriedades que a igreja angariava e com as vendas de indulgências (prática adotada pela igreja católica para conceder perdão dos pecados). Também compravam e vendia cargos livremente. Esse declínio, despertou no povo o desejo de mudança.

A CRISE DE AUTORIDADE NA IGREJA – Você sabia que houve uma época em que a igreja católica tinha mais de um Papa? Você sabia que a sede do Papa, por um período, deixou de ser Roma? A saída de Roma ocorreu no pontificado de Clemente V, um francês que foi escolhido pelos cardeais em 1305. Sendo “de caráter fraco e moral duvidosa” (WALKER, p. 366), foi grandemente influenciado pelo rei da França, Filipe IV. Por solicitação deste, transferiu o papado para Avingon, França, em 1309. Foi um incomodo para o restante da Europa. Por volta de 1377, de volta a Roma, o pontificado foi assumido Urbano VI que contrariou os cardeais franceses, que era maioria. Estes elegeram outro Papa em pé de igualdade com Urbano. Sendo assim, a igreja dispunha de dois representantes divinos na Terra. Qual seria o verdadeiro?

Com esta realidade, a igreja clamava por mudanças...

III – COMO ACONTECEU?

A reforma não aconteceu de um fato isolado. Foi um somatório de fatos e pessoas a disposição da vontade divina. Podemos parafrasear Paulo em Gálatas 4.4: vindo a plenitude dos fatos, Deus levantou seu filho, Lutero, nascido sob a túnica papal.
A Reforma surgiu dentro da igreja Católica, era uma ação interna. Lutero era um sacerdote católico, ensinava Bíblia na universidade Wittenberg e celebrava missa no castelo. Ele sabia o que a igreja estava passando, conhecia sua realidade.
Dedicando-se ao estudo da Bíblia, percebeu a disparidade entre a igreja e aquilo que Deus desejava para ela.
A faísca iniciou com a inquietação de Lutero com Romanos 1.17: “a justiça de Deus se revela no Evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.” Culminou com as suas 95 teses fixadas na porta do castelo em Wittenberg. O ato tinha um significado: revelava o anseio de debate por parte do seu autor.

P.S.: NÃO PERCA A PRÓXIMA POSTAGEM SOBRE O MESMO TEMA ( Conheça mais sobre os personagens da Reforma: Lutero, Calvino e outros)

REFERÊNCIAS:


CAIRNS, Earle E. O CRISTIANISMO ATRAVÉS DO SÉCULO. São Paulo: Vida Nova, 1984.
WALKER, Williston. HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ. Rio de Janeiro e São Paulo: JUERP/ASTE. 4ª Ed, 1983.

Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
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(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

HOMENAGEM AOS PROFESSORES

"PROFESSORES APAIXONADOS"
Texto de Gabriel Perissé



(Vídeo capturado no blog: www.altairgermano.blogspot.com)

domingo, 12 de outubro de 2008

PADROEIRA DO BRASIL?

“Escolhendo por essencial padroeira e advogada da nossa Pátria, nós queremos que ela seja inteiramente Vossa. Vossa sua natureza sem par, Vossas as suas riquezas, Vossos os campos e montanhas, os vales e os rios. Vossa a sociedade, Vossos os lares e seus habitantes, com seus corações e tudo que eles têm e possuem; Vosso, enfim, é todo o Brasil... Por Vossa intercessão, temos recebidos todos os bens das mãos de Deus e todos os bens esperamos ainda e sempre por Vossa intercessão...”[1]

Estas palavras foram proferidas em 31 de maio de 1931. Na capital federal, na época o estado do Rio de Janeiro. Estavam reunidos Getúlio Vargas, o então Presidente da República, Ministros de Estado, membros do Corpo Diplomático, autoridades civis, militares e eclesiásticas. O ato de proclamação da senhora Aparecida como Padroeira do Brasil foi realizado pelo Cardeal Dom Sebastião Leme. No ano anterior, o Papa Pio XI assinara o decreto declarando Conceição Aparecida como Padroeira do Brasil.

I – O APARECIMENTO DA IMAGEM, uma história controversa.

Conforme FONSECA (p. 19 e 20) existem ao menos cinco hipóteses sobre o aparecimento da imagem.
A versão oficial da Igreja Católica Romana diz que em 1719 três pescadores lançavam suas redes próximas ao Porto de Itaguassu, no Rio Paraíba, norte do estado de São Paulo. Em uma das tentativas, juntamente com alguns peixes, ficaram surpresos ao encontrarem uma imagem sem cabeça. Numa tentativa seguinte, conseguiram encontrar a cabeça da imagem. De forma “milagrosa”, ao aproximar a imagem da sua cabeça, viram as duas partes colarem-se de forma exata.
Ainda conforme a Igreja Católica, outro milagre acontecera naquele momento. A frustração que imperava na pescaria até aquele momento fora transformada em uma pesca abundante após o aparecimento da imagem.
O ex-padre Aníbal Pereira dos Reis, ordenado em 1949, relata em seu livro, A Senhora Aparecida, que toda essa história não passou de uma grande armação de José Alves Vilela, padre da igreja em Guaratinguetá, que desejava chamar a atenção de Dom Pedro de Almeida, Conde Assumar, o então Governador das Capitanias de São Paulo e Minas Gerais, que passara pela localidade. O governante poderia sugerir ao Rei Dom João V, que o tal padre fosse indicado a ao cargo de bispo.

II – O BRASIL DE TANTOS SANTOS

Nosso país é respeitado por sua liberdade religiosa (não foi sempre assim). Essa autonomia pessoal permite que cada um faça suas escolhas, às vezes até mais de uma escolha de religião. Assim temos o sincretismo religioso. Nesse sistema, as pessoas aceitam e vivem os princípios de duas ou mais religiões.
Por isso temos tantos católicos em nossa pátria. São católicos-espíritas, católicos-ubandistas e até católicos-evangélicos (pasmem).
A facilidade de estar no catolicismo é que ele oferece um santo para cada tipo de problema (ou um santo para cada dia. Veja você mesmo: clique AQUI ou AQUI)
SOUZA nos fala que os mais requisitados estão ligados a soluções imediatistas. Ele traz em seu artigo, Os Santos de Cada Dia, a declaração de um padre da Arquidiocese de São Paulo: “Os santos que vêm sendo mais cultuados são aqueles diretamente ligados à questão econômica. Pode-se dizer que os quatros preferidos são os que atendem às urgências do povo: Santo Expedito, Santa Edwiges, São Judas Tadeu e Santa Rita de Cássia.”[2] (SOUZA, Márcio. p. 41) Para completar o quinteto, acrescenta-se a devoção a Senhora Aparecida. Temos assim os “intercessores” das causas do povo.
Para não esquecer nenhum, a editora Paulus chegou a publicar um anuário contendo os santos para todos os dias do ano.

III – UM PARALELO BÍBLICO

“...todos, a uma voz, gritaram por espaço de quase duas horas: Grande é a Diana dos efésios!” (At 19.34)

Poderíamos fazer algumas citações de versículos bíblicos que desaprovam a idolatria, são muitos e sem necessidade de longas interpretações.
Porém, acredito que o relato em Atos 19.23-41 é comparável com a situação da senhora Aparecida. Paulo se depara com uma região dominada por uma deusa, a Diana. Ela era adorada em pelo menos 33 locais da antiguidade. Éfeso era a sede da sua adoração.
Seu templo era uma das sete maravilhas do mundo antigo. “Media 67 por 130m, com 127 colunas de mármore, tendo cada uma 19m de altura. As bases inferiores das 36 colunas do lado oeste eram esculpidas em relevo.” (Bíblia de Estudo de Genebra, p 1300).
É dito em At. 19.35 que sua imagem “... caiu de Júpiter”, ou seja, do céu. Essa imagem deve ter sido encontrada por alguém, reverenciada e colocada em local de destaque para receber adoração, algo que perdurou por séculos. Semelhante ao caso da Aparecida.
O que abalou essa estrutura idólatra foi a pregação de Paulo por um período de 2 anos naquela localidade (At. 19.10).
Um ourives chamado Demétrio sentiu-se prejudicado pela aceitação do Evangelho por parte daquele povo que não adquiria mais as imagens. Na verdade, ele tentou convencer seus pares argumentando sobre o descrédito da profissão e depois, sutilmente, demonstrou a possibilidade de Diana e seu templo serem destruídos (At. 19 27). Nesse segundo momento, o artífice recebeu apoio da população (At 19.29).

IV – O QUE APRENDEMOS?

1. Devemos saber escolher líderes políticos que possam estar debaixo de princípios bíblicos;
2. A fé da maioria das pessoas está alimentada pelo imediatismo. Sirvo ao deus que responder primeiro;
3. O interesse de alguns não está na religião que pratica, antes, no lucro que pode conceder;
4. A massa, em quase sua totalidade, é influenciada por argumentos infundados; e
5. A pregação do Evangelho tem o poder de libertar as pessoas dos seus cativeiros.


[1] REIS, Aníbal Pereira dos. A SENHORA APARECIDA. São Paulo: Caminho de Damasco. 20ª Ed 1988. Pg 12.
[2] Santo Expedito: das causas urgentes; Santa Edwiges: dos endividados; São Judas Tadeu e Santa Rita de Cássia: das causas impossíveis.

REFERÊNCIAS

FONSECA, Alberto Alves. CONCEIÇÃO APARECIDA. Revista Defesa da Fé. Ano 4. Nº 26.
LADD, George E. COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY (Atos dos Apóstolos). São Paulo: Batista Regular. 1980.
MARSHALL, I. Howard. ATOS. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão. 1982.
SOUZA, Márcio. OS SANTOS DE CADA DIA. Revista Defesa da Fé. Ano 5. Nº 39.
SOUZA, Hélio de. CULTO À DEUSA MÃE. Revista Defesa da Fé. Ano 7. Nº 49.
REIS, Aníbal Pereira dos. A SENHORA APARECIDA. São Paulo: Caminho de Damasco. 20ª Ed 1988.


Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog


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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

DATAS IMPORTANTES

“As pessoas vivem das histórias que moldam suas identidades.”
(Roger Olson)

Olharmos para o passado e aprendermos com nossa história é um exercício de grande importância, principalmente para nós cristãos.
Penamos quando não conhecemos nossas raízes; Não valorizamos nosso presente!
Na Bíblia nós vemos o imperativo divino ao recomendar ao povo de Israel: Lembrai-vos! Assim Deus revela ao seu povo a importância de rever os marcos do passado, a exemplo do Êxodo.

Nos meses de outubro e novembro contemplamos duas datas revestidas de grande importância. Em 31 de outubro é considerada a comemoração da Reforma Protestante. Nesse dia, em 1517, o até então monge Martinho Lutero, fixou suas 95 teses na porta da igreja castelo em Wittenberg. Iniciou-se publicamente seu ato de protesto.
A outra data é 15 de novembro, esta é mais restrita a Igreja do Evangelho Quadrangular. De grande importância para nós quadragulares e para Igreja evangélica no Brasil. Nosso pioneiro em terras tupiniquins foi Pastor Harold Edwin Willians que, em 15 de novembro de 1951, fundou a IEQ brasileira.

Para lembrarmos, interagirmos e aprendermos com os acontecimentos dessas datas iremos postar em nosso blog textos que lhes façam alusão e que nos relembrem os desafios que esses eventos nos deixaram.

ESCLARECIMENTO

Nessas últimas semanas, nossa igreja estava imbuída em uma grande obra. Estávamos, juntamente com nosso pastor, na batalha eleitoral. Agora estamos de volta a todo vapor. Iremos atualizar algumas postagens no blog e estaremos mais ativos em seu funcionamento.

Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O CRISTÃO E A POLÍTICA

"O Cristão deve ter coerência e ética na hora de votar."
Entrevista com : Pr. Ronaldo Fonseca - Presidente do Conselho Político da CGADB

Com a aproximação das Eleições Municipais, os debates sobre a coerência na hora de votar se acentuam. Em entrevista ao MP, o Pr. Ronaldo Fonseca, Presidente do Conselho Político da CGADB, fala sobre a postura do cristão na hora de escolher seus representantes.


MP- Qual a importância do cristão saber em quem votar? O brasileiro deve escolher bem seu representante. Como cristãos essa responsabilidade aumenta. Não se deve escolher apenas o melhor, ele tem que possuir caráter íntegro e ser temente a Deus.o brasileiro não deve decidir o voto apenas pelas informações veiculadas na mídia, pois o marketing eleitoral é muito forte e tenta persuadir a votar sem reflexão. Meus irmãos, não vamos comer gato por lebre.

MP - Como as igrejas devem lidar com assédio dos candidatos em busca de votos?
A primeira orientação é aos pastores: é preciso não aceitar candidatos que não tenham vínculos maduro e transparente com a igreja, bem como não receber ofertas financeiras de candidatos em troca de votos. Por outro lado, quem indica o candidato é o pastor, mas quem vota é o membro. Se a membresia perceber que o candidato é corrupto, leva uma vida pregressa e usa o poder econômico para ganhar votos, não vote nele.

MP - As igrejas devem indicar um candidato próprio?
Se a igreja puder oferecer um bom nome para ser representante, é ótimo. E se ele for cristão melhor ainda. Mas, não se pode indicar alguém só porque ele é evangélico e membro da igreja. É necessário saber se ele tem condições para ocupar este cargo, se o poder não vai lhe subir a cabeça e se é realmente incorruptível. A igreja não pode decidir de forma cega e apaixonada.

MP – Qual a postura do cristão em cobrar o cumprimento das promessas eleitorais?

O cristão deve fiscalizar as atitudes do prefeito e principalmente as dos vereadores, porque eles propõem leis que podem prejudicar principalmente os cidadãos evangélicos. A igreja não deve olhar para o próprio umbigo, mas para a sociedade onde está inserida. Muitos cristãos também devem parar com a busca por vantagens pessoais.


(Fonte: Mensageiro da Paz – Ano 78 – N° 1479 – Agosto de 2008)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

VEJA! REFLITA! COMENTE!



sexta-feira, 12 de setembro de 2008

PASTORES E CRENTES NO DIVÃ

Entrevista com Gina Strozzi

Para ler esta entrevista você terá que abdicar de preconceitos antigos do tipo “psicólogo é para loucos”, “a psicologia vai te fazer perder a fé” ou ainda “os psicólogos são liberais e acham que tudo é normal”.

Já há algum tempo a psicologia e fé não são mais consideradas campos opostos. Quem ganha com isso? Principalmente os crentes que necessitam de ajuda que vai além do aconselhamento e podem ser encaminhados para um tratamento mais adequado e profissional.

Quem fala conosco sobre isso é Gina Strozzi. Ela é graduada em Psicologia e Teologia com Mestrado e Doutorado pela PUC de São Paulo. Atualmente leciona na Universidade Mackenzie. Entre outras afirmações ela alerta “Qualquer cuidador ou pastor precisa se dispor a ser cuidado”.

A fé e a psicologia podem ser amigas? Não estariam elas em campos opostos?

Gina - A distância entre elas se estabelece na presunção de respostas absolutistas de uma sem a cooperação da outra. Ou ainda, de uma em detrimento à outra. Uma “psicologia” que pratica a fé, fundada no Evangelho, por exemplo, eu a chamaria de psicoterapia interparticipativa e confrontacional. Defendo as abordagens interdisciplinares. Acredito na justaposição dos saberes. Esquizofrênicos, de um grau ou outro, todos nós somos. Pode-se até não ver coisas ou ouvir vozes, porém, o elemento de falsificação do real habita as mentes de todos nós. Sim! Nossas mentes são desconfiadas e cheias de impressões falsificadas. Pensamos coisas sobre os outros que não são reais e interpretamos a vida com critérios de uma subjetividade que raramente casa com os fatos reais da existência. É assim que o tímido é visto como arrogante silencioso, o falante é percebido como metido, o quieto é olhado como fraco, o prestativo enxergado como interesseiro, o recluso como anti-social, o triste como infeliz, o belo como bom, o feio como mal e o simples como tolo. De fato quem se entrega à sua própria “disposição mental”, acaba enlouquecendo dentro do padrão social aceitável da loucura, mas nem por isto fica livre de ver, ouvir, pensar e interpretar de modo equivocado a vida e o próximo. Dito isto, a questão é: Quem nos ajudaria a nos ver como realmente somos? Os crivos da subjetividade lançados pela psicologia, ou a Cruz e a Palavra da Verdade? Ou ainda, quais das duas não nos põem numa vereda de ilusões?

O pastor e o psicólogo devem trabalhar juntos? Quais os limites de atuação de cada um na sua visão?

Gina - Uma equipe com diferentes olhares é sempre bem-vinda, porém, não podemos tolerar abusos como o exercício ilegal da profissão. Um psicólogo não pode cobrar para atender, se o negócio dele é “pregar”. Lembrando que existem muitos pastores que são também psicólogos. A missão de um psicólogo é ajudar as pessoas a se enxergarem e não a de enxergar por elas. O pastor domina um discurso, o psicólogo não, ele trabalha sobre o discurso do paciente. Quando se invertem os papéis pode ser perigoso. Ao psicólogo constitui função privativa a utilização de métodos e técnicas psicológicas para: diagnóstico psicológico; orientação e seleção profissional; orientação psico-pedagógica; e solução de problemas de ajustamento. São atribuições próprias que não devem ser exercidas por outro profissional.

E quanto ao psicoterapeuta, psiquiatra e psicanalista? De que forma estes profissionais podem apoiar o trabalho de um pastor?

Gina - Apesar da formação diferente, psicólogos, psiquiatras e psicanalistas têm um objetivo comum: o bem estar psíquico, seja pelo uso de terapias ou com a prescrição de medicamentos pelo psiquiatra. É comum que a (nem sempre fácil) decisão de procurar auxílio psicológico venha acompanhada de dúvidas sobre qual profissional escolher. Informar-se sobre a formação e as atribuições destes profissionais, garantindo ética e qualidade no serviço oferecido, ajudam a assegurar um tratamento adequado ao problema e às necessidades de cada um. Em geral os profissionais de saúde mental seguem um modelo ampliado que inclui aspectos culturais, psicológicos, comportamentais e sociais, ao lado dos biológicos. Esses profissionais observam e atuam na dinâmica existente entre a equipe de saúde, o paciente, seus familiares e seus líderes religiosos, contribuindo para o equacionamento dos transtornos relacionais. A intenção de qualquer um deles é promover a integralidade e a integração dos cuidados.

Aconselhamento e terapia dão o mesmo resultado? Qual a diferença?

Gina - O aconselhamento é para indicação feita aos sujeitos que necessitam de uma orientação sobre uma situação que não inclui aspectos de saúde mental. Ou seja, o aconselhamento é de caráter não terapêutico. Já a psicoterapia praticada por um psicólogo constitui-se como um processo científico, devendo ser utilizados métodos e técnicas psicológicas reconhecidos pela ciência, pela prática e ética profissional. Têm como fim promover a saúde mental e propiciar condições para o enfrentamento de conflitos e/ou transtornos psíquicos de indivíduos ou grupos. Alguns tipos de terapia, dentre outros, são: terapia individual, de casal, em grupo, ludo-terapia, terapia sexual e terapia psico-motora.

Em que momento um pastor deveria encaminhar uma ovelha para um psicólogo? E para um psiquiatra? Os próprios pastores devem procurar este tipo de atendimento?

Gina - Logo que percebe que sua disposição em aconselhar não será suficiente para estabelecer o bem-estar do sujeito, vendo que este necessita de um diagnóstico preciso e de um tratamento. O crente que é desmotivado a fazer um tratamento psicológico em geral usa toda a sorte de inseguranças e mecanismos de barganha para com a fé. E mais, nitidamente sabemos que mecanismos de auto-afirmação expressam-se como legalismos, modismos, fantasias, moralismos, e um surto freqüente de megalomania. E, sim, muitos pastores necessitam de tratamento, são em geral pacientes que sofrem com complexos de onipotência, angústias com neurose culposa e paranóias persecutórias. Qualquer cuidador ou pastor, precisa se dispor a ser cuidado.

Ainda existe o conceito de que “psicólogo é para loucos”? Preconceitos como esses dificultam a relação crente-psicólogo?
Gina - Não só, mas também já ouvi coisas do tipo: “psicólogos são liberais e vêem tudo como normal”. Esta não é uma verdade, pois, ao psicólogo é vedado dentre outras coisas a “induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais”, segundo o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Assim, nós psicólogos devemos atuar segundo os princípios éticos da profissão notadamente aqueles que disciplinam a não-discriminação e a promoção e bem-estar das pessoas e da humanidade.

(Entrevista extraída na íntegra e com autorização de Instituto Jetro http://www.institutojetro.com.br/, acesso realizado em 26/08/2008 às 20:55h)

sábado, 6 de setembro de 2008

VOCÊ JÁ PENSOU EM ALUGAR UM LIVRO?

“Que tal alugar um livro?”

Li, gostei da opção e estou divulgando.

Você gosta de ler?
Sente-se impossibilitado por não poder comprar livros freqüentemente?
SEUS PROBLEMAS ACABARAM!

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(fonte: jornal Diário de Pernambuco, 17 de agosto de 2008)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

“O ZELO DO TOLO O MATA” (Jó 5.2) Considerações bíblicas sobre o zelo cristão - Parte 2

(Parte 2)

"O caminho da santidade pode levar ao farisaísmo!"

III - Os Discípulos e o zelo do Mestre (Lc 9.51-56)

Tudo o que Jesus ensinara aos seus seguidores era diametralmente oposto ao que fazia e ensinava os escribas e fariseus. Foi de Cristo essa declaração: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.” (Mt 5.20)
No seu discurso do Sermão do Monte (Capítulos 5 a 7 de Mateus), o Mestre vai comparar os ensinos dos escribas e fariseus com os seus. Por 6 vezes ele salienta “ouvistes o que foi dito aos antigos... eu, porém, vos digo...” Cristo queria que seus discípulos distinguissem o que era ensinado pelos doutores da lei judaica e o que realmente era vontade de Deus para suas vidas. A vontade do Pai estava expressa nos Seus ensinamentos.
Os discípulos do Salvador não deveriam incidir nos mesmos erros dos “sepulcros caiados” (Mt 23.27). Porém, eles, como nós hoje, corriam o risco desse mal.

No relato de Lucas 9, temos os irmãos Tiago e João. Este considerado o discípulo do amor. Eles propõem uma solução para um possível problema que estavam enfrentando. Os samaritanos não quiseram receber Jesus (Lc 9.53). Lembremos que os dessa etnia não eram bem aceitos pelos judeus, não seguiam suas regras de culto a Deus (Jo 4.1-30).
Os discípulos foram incisivos: “queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?” Que forma mais zelosa de tratar as coisas de Deus. Vemos aqui uma expressão do zelo cristão, uma atitude que até parece boa, louvável. Homens íntegros. Compromissados.

Mas, qual é a posição de Cristo quanto a isso?
Aquele que realmente sabia quaç era a vontade do Pai e como praticá-la. O que ele tinha a dizer disso?
A resposta do Mestre é uma repreensão. Aquele que tinha ensinado a tolerância nos versículos anteriores (Lc 9.49, 50). O mesmo que disse “não proibais”, agora reprova o excesso de zelo dos seus imitadores. Parece-me que a orientação dos versículos anteriores não surtiu efeito. Precisavam ser repreendidos, advertidos, reprovados. Com essa atitude não estavam imitando a Cristo. Estavam mais parecidos com aqueles que O perseguiam.

Duas considerações são úteis aqui:

1) “Vós não sabeis que espírito sois” (v 55) – Parafraseando: “vocês não sabem que sentimento está em vocês”. O entendimento equivocado já começara a ser revelado no verso 46 quando interrogam a Jesus sobre quem é o maior no Reino. A regra do Reino de Deus é inversa da concepção humana, “aquele que entre vós for menor de todos, esse é que é grande.” (v 48) O zelo humano muitas vezes também não coincide com o divino.
O critério que os discípulos estavam usando não era o adequado. Estavam avaliando de forma extrema. Pensavam que fossem donos da verdade, por isso poderiam eliminar aqueles que não correspondiam a “sua verdade”.

2) “Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (v 56) – Acredito que a parte mais dura da repreensão é essa. A função de Cristo não era, nem é, destruir. O agente da destruição, Satanás, já faz a sua parte. Jesus veio para salvar, restaurar as vidas. Veio para levantar o caído, não para massacrá-lo de vez.
A função da igreja não é destruir. A função dos discípulos de Cristo, seus seguidores e imitadores, também não é destruir. Se assim agirmos, estaremos seguindo os passos de outro mestre, o mestre do mal, o destruidor (Jo 10.10).

IV - Conclusão

Nessas considerações sobre o zelo de homens de Deus na Bíblia, vimos o zelo mal. “O zelo do tolo o mata!” Não é o zelo por si só, mas o zelo do tolo. O tolo é a pessoa de pouca inteligência, não sabe discernir; é facilmente enganada. É “uma pessoa que não criou juízo discriminador quanto ao que é certo ou errado.”

Zelo sem conhecimento é perigoso! Precisamos conhecer Deus através da sua Palavra!
Não podemos deixar que nosso zelo humano nos torne destruidores.
Que nosso zelo não seja auto-destrutivo, como quase estava sendo o zelo de Elias.
Que nosso zelo não tenha o poder de destruir aqueles que não se enquadram em nossas regras.
Que ele não distorça nossa função...

Tenhamos o mesmo sentimento de Paulo:

"Portanto, escrevo estas coisas, estando ausente, para que, estando presente, não venha a usar de rigor segundo a autoridade que o Senhor me conferiu para edificação e não para destruir." (2Co 13.10, negrito meu)

CONFIRAM A 1ª PARTE DESSE TEMA: CLIQUE AQUI

Celson Coêlho
Editor do Blog


(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

EM BUSCA DE UM MILAGRE...


“Igreja tem de devolver R$ 60 mil a incapaz”

Esse foi o título da reportagem no jornal Diário de Pernambuco, um dos maiores em circulação em Pernambuco.

A situação diz respeito a uma igreja evangélica de grande porte no país e uma família com um portador de deficiência mental que residem em Belo Horizonte.
Segundo o jornal, a família da “vítima” requereu na justiça a indenização pelos problemas causados.

A 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais decidiu que a igreja deveria pagar R$ 5 mil por danos e devolver todas as doações feitas desde 1996 que podem totalizar R$ 60 mil.
O Porteiro de 44 anos, que fazia tratamento psiquiátrico desde 1999, “foi convencido a abandonar os remédios e recebia uma pequena pedra branca para guardar em frascos, diante das promessa (sic) de que seria curado por Jesus”.

Conforme relatado pela mãe do porteiro, a situação do filho só veio a piorar depois que ele largou o tratamento.

(fonte: jornal Diário de Pernambuco, 23 de agosto de 2008)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

“O ZELO DO TOLO O MATA” (Jó 5.2) Considerações bíblicas sobre o zelo cristão - Parte 1

(Parte 1)
Quando adentramos na vida cristã, parece que uma das poucas coisas que realmente sabemos é que teremos que ser pessoas diferentes. Muitas vezes não sabemos que diferença é essa que deveremos ter em nossa vida a partir da conversão. Outro sentimento que acompanha essa “quase” certeza é a consciência de críticas por parte daqueles que não compartilham de nossa decisão.
Essa vida diferente do cristão alguns chamam de fanatismo, outros de santidade. Alguns dizem que é coisa de iniciante, o neófito. Poderemos ser apelidados de santarrões. A verdade é que o chamado para seguir a Cristo requer mudanças. Mudanças que, para mim, vem do interior e se revela em nosso exterior.
A nossa vontade de seguir a Cristo pode nos colocar em dois extremos. O primeiro é o estado de apatia. Indiferença diante da necessidade de mudanças. Pessoas a expressam pelo jargão: “Deus só quer meu coração”. O outro extremo é o do fanatismo. Aqui desrespeitamos as pessoas e suas diferenças.
Devemos estar atentos ao alerta: “o caminho da santidade é parecido com caminho do farisaísmo.”

Por que falar do zelo cristão?
A Bíblia nos fala da sublimidade do primeiro amor. Parece ser mais vívido, mais real, mais sincero. Esta sinceridade, sem o balizamento dos princípios bíblicos, tem conduzido algumas pessoas a ações extremas. Crentes que, em nome do zelo cristão, exercem o jejum (abstinência de alimentos) por períodos tão longos que debilitam seus corpos, deixando seus familiares e amigos preocupados e acarretando consequências maléficas a sua saúde.
O que dizer de seguidores de Cristo que entram em surto por “buscarem” a Deus de forma tão extrema? Cristãos que só vêem falhas em sua volta e em seus líderes, pois não são tão consagrados como eles.
Será que é esse tipo de zelo que a Bíblia nos ensina?
Proponho olhar o que a Bíblia nos ensina sobre o cuidado com atitudes extremas em nome do zelo cristão.

I - A Palavra Zelo na Bíblia

A palavra zelo ocorre na Bíblia cerca de 38 vezes (Versão Almeida Revista e Corrigida), sendo 25 vezes no Antigo Testamento (AT) e 13 no Novo Testamento (NT). O adjetivo zeloso (e derivados) aparece 12 vezes no AT e 8 vezes no NT (não foi analisada a ocorrência do verbo). Algumas observações são necessárias quando olhamos essas passagens. Em relação ao AT, a maior parte das vezes o termo é usado com relação a Deus. Ele se mostra como “Deus zeloso” (Dt 5.9). Nessa ênfase revelada no texto do AT, temos o zelo como uma virtude; se é algo inerente ao nosso Deus, logo, deve ser desejado por nós.
Ainda no AT, existem três ocorrências que devemos analisá-las. Fazem referência ao zelo no âmbito humano. Uma delas é o título desse texto (Jó 5.2), que nos ecoa como alerta. As outras passagens são relativas ao profeta Elias. Depois de ter realizado grandes feitos em nome do Senhor (ver 1Rs 18), ele temeu os riscos desses feitos. As passagens em que o profeta arroga para si a qualidade de zeloso são 1Rs 19.10 e 14. No contexto desses versículos vemos atitudes do profeta que nos revela a que ponto chegou seu zelo.

II - Um Exemplo do Antigo Testamento, o Profeta Elias

Vejamos as atitudes do profeta que foram condenadas por Deus:


(1) Se achar o único entre os da sua classe – Elias se achava o único profeta entre todo o povo de Deus (1Rs 18.22; 19.10 e 14). Talvez impressionado pela fama que alcançara por ser um homem zeloso (1Rs 18.17). Entretanto ele não sabia que Deus ainda contava com 7.000 homens dignos de serem chamados profetas (1Rs 19.18). Quando nos vemos com muitas virtudes cristãs, não conseguimos enxergar as virtudes do próximo. O profeta chegou a se avaliar tão bom que não queria se contaminar com os outros. Acredito que, como bom judeu, o profeta conhecia a história de Enoque (Gn 5.18-24). Possivelmente essa história o tenha inspirado. Desejou ser retirado dentre os seus irmãos (1Rs 19.4). Sei que ele teve o fim que desejou (2Rs 2.9-14), mas vemos que quando se deu o seu traslado, foi Deus quem o levou. Deus que o avaliou e achou digno de tomá-lo para si. Não foi um desejo próprio do profeta. Vemos nessa situação que o excesso de zelo não nos permite fazer uma avaliação real da nossa situação. Ele nos cega. Achamos-nos melhores que as outras pessoas que nos cercam.


(2) Não fazer análise da situação, fixar-se nos mesmos argumentos – Nas duas vezes que o mensageiro divino fala com Elias ele usa a mesma reposta (1Rs 19.10 e 14). Quase não mudam as palavras, apenas na última reposta é acrescentado o termo “extremo” para relembrar ao anjo o nível do seu zelo. Quando somos tomados por esse zelo perigoso, não conseguimos fazer leituras realistas de nossos problemas. Somos levados a ter as mesmas atitudes, mesmo sabendo que elas não trarão resultados. Somos inflexíveis.


(3) Por fim, o mau zelo nos faz entender que só existe uma forma de se achegar a Deus – Essa forma é a que estamos condicionados. Em 1Rs 19.11 e 12 Deus chama o profeta para uma experiência com Ele. Elias pensara que Deus iria se mostrar da forma a qual ele estava “viciado”. A Bíblia diz que “Deus não estava” nessas intempéries, antes, Deus estava no “quase silêncio”. Nada pior para o extremista que ter suas convicções contrariadas. A exclusão que o extremista faz do seu próximo é exatamente por ele não seguir suas regras de relacionamento com Deus.

CONFIRAM A 2ª PARTE DESSE TEMA: CLIQUE AQUI

Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog


(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

PASTOR QUE ADULTERA COM BASE NA BÍBLIA

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