quinta-feira, 18 de setembro de 2008

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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

PASTORES E CRENTES NO DIVÃ

Entrevista com Gina Strozzi

Para ler esta entrevista você terá que abdicar de preconceitos antigos do tipo “psicólogo é para loucos”, “a psicologia vai te fazer perder a fé” ou ainda “os psicólogos são liberais e acham que tudo é normal”.

Já há algum tempo a psicologia e fé não são mais consideradas campos opostos. Quem ganha com isso? Principalmente os crentes que necessitam de ajuda que vai além do aconselhamento e podem ser encaminhados para um tratamento mais adequado e profissional.

Quem fala conosco sobre isso é Gina Strozzi. Ela é graduada em Psicologia e Teologia com Mestrado e Doutorado pela PUC de São Paulo. Atualmente leciona na Universidade Mackenzie. Entre outras afirmações ela alerta “Qualquer cuidador ou pastor precisa se dispor a ser cuidado”.

A fé e a psicologia podem ser amigas? Não estariam elas em campos opostos?

Gina - A distância entre elas se estabelece na presunção de respostas absolutistas de uma sem a cooperação da outra. Ou ainda, de uma em detrimento à outra. Uma “psicologia” que pratica a fé, fundada no Evangelho, por exemplo, eu a chamaria de psicoterapia interparticipativa e confrontacional. Defendo as abordagens interdisciplinares. Acredito na justaposição dos saberes. Esquizofrênicos, de um grau ou outro, todos nós somos. Pode-se até não ver coisas ou ouvir vozes, porém, o elemento de falsificação do real habita as mentes de todos nós. Sim! Nossas mentes são desconfiadas e cheias de impressões falsificadas. Pensamos coisas sobre os outros que não são reais e interpretamos a vida com critérios de uma subjetividade que raramente casa com os fatos reais da existência. É assim que o tímido é visto como arrogante silencioso, o falante é percebido como metido, o quieto é olhado como fraco, o prestativo enxergado como interesseiro, o recluso como anti-social, o triste como infeliz, o belo como bom, o feio como mal e o simples como tolo. De fato quem se entrega à sua própria “disposição mental”, acaba enlouquecendo dentro do padrão social aceitável da loucura, mas nem por isto fica livre de ver, ouvir, pensar e interpretar de modo equivocado a vida e o próximo. Dito isto, a questão é: Quem nos ajudaria a nos ver como realmente somos? Os crivos da subjetividade lançados pela psicologia, ou a Cruz e a Palavra da Verdade? Ou ainda, quais das duas não nos põem numa vereda de ilusões?

O pastor e o psicólogo devem trabalhar juntos? Quais os limites de atuação de cada um na sua visão?

Gina - Uma equipe com diferentes olhares é sempre bem-vinda, porém, não podemos tolerar abusos como o exercício ilegal da profissão. Um psicólogo não pode cobrar para atender, se o negócio dele é “pregar”. Lembrando que existem muitos pastores que são também psicólogos. A missão de um psicólogo é ajudar as pessoas a se enxergarem e não a de enxergar por elas. O pastor domina um discurso, o psicólogo não, ele trabalha sobre o discurso do paciente. Quando se invertem os papéis pode ser perigoso. Ao psicólogo constitui função privativa a utilização de métodos e técnicas psicológicas para: diagnóstico psicológico; orientação e seleção profissional; orientação psico-pedagógica; e solução de problemas de ajustamento. São atribuições próprias que não devem ser exercidas por outro profissional.

E quanto ao psicoterapeuta, psiquiatra e psicanalista? De que forma estes profissionais podem apoiar o trabalho de um pastor?

Gina - Apesar da formação diferente, psicólogos, psiquiatras e psicanalistas têm um objetivo comum: o bem estar psíquico, seja pelo uso de terapias ou com a prescrição de medicamentos pelo psiquiatra. É comum que a (nem sempre fácil) decisão de procurar auxílio psicológico venha acompanhada de dúvidas sobre qual profissional escolher. Informar-se sobre a formação e as atribuições destes profissionais, garantindo ética e qualidade no serviço oferecido, ajudam a assegurar um tratamento adequado ao problema e às necessidades de cada um. Em geral os profissionais de saúde mental seguem um modelo ampliado que inclui aspectos culturais, psicológicos, comportamentais e sociais, ao lado dos biológicos. Esses profissionais observam e atuam na dinâmica existente entre a equipe de saúde, o paciente, seus familiares e seus líderes religiosos, contribuindo para o equacionamento dos transtornos relacionais. A intenção de qualquer um deles é promover a integralidade e a integração dos cuidados.

Aconselhamento e terapia dão o mesmo resultado? Qual a diferença?

Gina - O aconselhamento é para indicação feita aos sujeitos que necessitam de uma orientação sobre uma situação que não inclui aspectos de saúde mental. Ou seja, o aconselhamento é de caráter não terapêutico. Já a psicoterapia praticada por um psicólogo constitui-se como um processo científico, devendo ser utilizados métodos e técnicas psicológicas reconhecidos pela ciência, pela prática e ética profissional. Têm como fim promover a saúde mental e propiciar condições para o enfrentamento de conflitos e/ou transtornos psíquicos de indivíduos ou grupos. Alguns tipos de terapia, dentre outros, são: terapia individual, de casal, em grupo, ludo-terapia, terapia sexual e terapia psico-motora.

Em que momento um pastor deveria encaminhar uma ovelha para um psicólogo? E para um psiquiatra? Os próprios pastores devem procurar este tipo de atendimento?

Gina - Logo que percebe que sua disposição em aconselhar não será suficiente para estabelecer o bem-estar do sujeito, vendo que este necessita de um diagnóstico preciso e de um tratamento. O crente que é desmotivado a fazer um tratamento psicológico em geral usa toda a sorte de inseguranças e mecanismos de barganha para com a fé. E mais, nitidamente sabemos que mecanismos de auto-afirmação expressam-se como legalismos, modismos, fantasias, moralismos, e um surto freqüente de megalomania. E, sim, muitos pastores necessitam de tratamento, são em geral pacientes que sofrem com complexos de onipotência, angústias com neurose culposa e paranóias persecutórias. Qualquer cuidador ou pastor, precisa se dispor a ser cuidado.

Ainda existe o conceito de que “psicólogo é para loucos”? Preconceitos como esses dificultam a relação crente-psicólogo?
Gina - Não só, mas também já ouvi coisas do tipo: “psicólogos são liberais e vêem tudo como normal”. Esta não é uma verdade, pois, ao psicólogo é vedado dentre outras coisas a “induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais”, segundo o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Assim, nós psicólogos devemos atuar segundo os princípios éticos da profissão notadamente aqueles que disciplinam a não-discriminação e a promoção e bem-estar das pessoas e da humanidade.

(Entrevista extraída na íntegra e com autorização de Instituto Jetro http://www.institutojetro.com.br/, acesso realizado em 26/08/2008 às 20:55h)

sábado, 6 de setembro de 2008

VOCÊ JÁ PENSOU EM ALUGAR UM LIVRO?

“Que tal alugar um livro?”

Li, gostei da opção e estou divulgando.

Você gosta de ler?
Sente-se impossibilitado por não poder comprar livros freqüentemente?
SEUS PROBLEMAS ACABARAM!

Você pode contar com a locadora Loc Livros. Há dois anos no mercado e com cerca de 400 clientes cadastrados, a Loc Livros disponibiliza mais de dois mil títulos para serem locados.

O serviço só é disponibilizado pela internet. Os livros são dos mais variados gêneros.
O cliente pode optar por pagar R$ 10 mensais, podendo alugar um título por semana, ou escolher ser diarista. Com R$ 0,80 por dia o cliente pode locar qualquer livro.

Para incrementar ainda mais o serviço, os usuários não precisam sair de casa para locar os livros. Para entrega e devolução dos livros, o cliente conta com o serviço de motoqueiro que realiza a entrega em toda Região Metropolitana do Recife, custando apenas R$ 3.

Se você não pode comprar todos os livros que deseja ler; Se não tem onde guardar tantos livros que lê ou se nem todos livros você deseja guardar... ESSA É UMA BOA OPÇÃO!

SERVIÇO:
http://www.loclivros.com.br/
Telefones: (81) 3242-0374 ou (81) 8854-2424

(fonte: jornal Diário de Pernambuco, 17 de agosto de 2008)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

“O ZELO DO TOLO O MATA” (Jó 5.2) Considerações bíblicas sobre o zelo cristão - Parte 2

(Parte 2)

"O caminho da santidade pode levar ao farisaísmo!"

III - Os Discípulos e o zelo do Mestre (Lc 9.51-56)

Tudo o que Jesus ensinara aos seus seguidores era diametralmente oposto ao que fazia e ensinava os escribas e fariseus. Foi de Cristo essa declaração: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.” (Mt 5.20)
No seu discurso do Sermão do Monte (Capítulos 5 a 7 de Mateus), o Mestre vai comparar os ensinos dos escribas e fariseus com os seus. Por 6 vezes ele salienta “ouvistes o que foi dito aos antigos... eu, porém, vos digo...” Cristo queria que seus discípulos distinguissem o que era ensinado pelos doutores da lei judaica e o que realmente era vontade de Deus para suas vidas. A vontade do Pai estava expressa nos Seus ensinamentos.
Os discípulos do Salvador não deveriam incidir nos mesmos erros dos “sepulcros caiados” (Mt 23.27). Porém, eles, como nós hoje, corriam o risco desse mal.

No relato de Lucas 9, temos os irmãos Tiago e João. Este considerado o discípulo do amor. Eles propõem uma solução para um possível problema que estavam enfrentando. Os samaritanos não quiseram receber Jesus (Lc 9.53). Lembremos que os dessa etnia não eram bem aceitos pelos judeus, não seguiam suas regras de culto a Deus (Jo 4.1-30).
Os discípulos foram incisivos: “queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?” Que forma mais zelosa de tratar as coisas de Deus. Vemos aqui uma expressão do zelo cristão, uma atitude que até parece boa, louvável. Homens íntegros. Compromissados.

Mas, qual é a posição de Cristo quanto a isso?
Aquele que realmente sabia quaç era a vontade do Pai e como praticá-la. O que ele tinha a dizer disso?
A resposta do Mestre é uma repreensão. Aquele que tinha ensinado a tolerância nos versículos anteriores (Lc 9.49, 50). O mesmo que disse “não proibais”, agora reprova o excesso de zelo dos seus imitadores. Parece-me que a orientação dos versículos anteriores não surtiu efeito. Precisavam ser repreendidos, advertidos, reprovados. Com essa atitude não estavam imitando a Cristo. Estavam mais parecidos com aqueles que O perseguiam.

Duas considerações são úteis aqui:

1) “Vós não sabeis que espírito sois” (v 55) – Parafraseando: “vocês não sabem que sentimento está em vocês”. O entendimento equivocado já começara a ser revelado no verso 46 quando interrogam a Jesus sobre quem é o maior no Reino. A regra do Reino de Deus é inversa da concepção humana, “aquele que entre vós for menor de todos, esse é que é grande.” (v 48) O zelo humano muitas vezes também não coincide com o divino.
O critério que os discípulos estavam usando não era o adequado. Estavam avaliando de forma extrema. Pensavam que fossem donos da verdade, por isso poderiam eliminar aqueles que não correspondiam a “sua verdade”.

2) “Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (v 56) – Acredito que a parte mais dura da repreensão é essa. A função de Cristo não era, nem é, destruir. O agente da destruição, Satanás, já faz a sua parte. Jesus veio para salvar, restaurar as vidas. Veio para levantar o caído, não para massacrá-lo de vez.
A função da igreja não é destruir. A função dos discípulos de Cristo, seus seguidores e imitadores, também não é destruir. Se assim agirmos, estaremos seguindo os passos de outro mestre, o mestre do mal, o destruidor (Jo 10.10).

IV - Conclusão

Nessas considerações sobre o zelo de homens de Deus na Bíblia, vimos o zelo mal. “O zelo do tolo o mata!” Não é o zelo por si só, mas o zelo do tolo. O tolo é a pessoa de pouca inteligência, não sabe discernir; é facilmente enganada. É “uma pessoa que não criou juízo discriminador quanto ao que é certo ou errado.”

Zelo sem conhecimento é perigoso! Precisamos conhecer Deus através da sua Palavra!
Não podemos deixar que nosso zelo humano nos torne destruidores.
Que nosso zelo não seja auto-destrutivo, como quase estava sendo o zelo de Elias.
Que nosso zelo não tenha o poder de destruir aqueles que não se enquadram em nossas regras.
Que ele não distorça nossa função...

Tenhamos o mesmo sentimento de Paulo:

"Portanto, escrevo estas coisas, estando ausente, para que, estando presente, não venha a usar de rigor segundo a autoridade que o Senhor me conferiu para edificação e não para destruir." (2Co 13.10, negrito meu)

CONFIRAM A 1ª PARTE DESSE TEMA: CLIQUE AQUI

Celson Coêlho
Editor do Blog


(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)