quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A REFORMA PROTESTANTE, seus principais personagens.

Ninguém realiza uma grande obra sozinho!
O nome de Lutero obteve maior popularidade nos últimos anos devido ao filme com seu nome. Alguns acreditam que ele foi o único responsável pela Reforma Protestante. No âmbito humano, vários homens contribuíram para o início e desenvolvimento da Reforma. Com certeza os mais conhecidos são Martinho Lutero e João Calvino, nessa ordem. No entanto, homens de Deus contribuíram tanto antes como durante e após o estopim na igreja Católica.
Proponho nessa postagem considerarmos um pouco sobre esses personagens que vivenciaram um dos fatos mais importantes da Igreja.

I – OS PRÉ-REFORMADORES
JOÃO WYCLIFFE (1328-1384) – Foi aluno e professor em Oxford. Tinha como desejo reformar a igreja despojando os padres das propriedades (fonte da corrupção) e afastando os imorais. Criticava a falta de moral na liderança. Defendeu Cristo e não o Papa como cabeça da Igreja, autoridade da Bíblia e não da igreja. Possibilitou ao povo o entendimento dessas verdades realizando a primeira tradução da Bíblia para o inglês.

JOÃO HUSS (1373-1415) – Seguidor dos ensinos de Wycliffe, estudou na Universidade de Praga, onde também foi professor e reitor. Rejeitou as indulgências, considerava sem valor para o verdadeiro perdão divino. Em 6 de junho de 1415 foi condenado e queimado vivo. Seus seguidores deram continuidade a sua obra. Pelo seu testemunho de coragem exerceu grande influência sobre a vida de Lutero.

SAVONAROLA (1452-1498) – Desistiu da medicina e dedicou-se a vida monástica. Baseou sua ação em Florença. Atacou o mau caráter e a falta de governo do Papa Alexandre VI. Não o teve mesmo desenrolar de Wycliffe e Huss. Foi condenado e enforcado a mando do Papa em 23 de maio de 1498. Seu corpo depois fora queimado.

II – MARTINHO LUTERO, O Estopim da Reforma

O homem e a ocasião para Reforma se encontraram na Alemanha do século XVI. Assim expressa
CAIRNS (p. 233) ao falar sobre Lutero.
Tendo um pai com boas condições, nasceu no dia 10 de novembro de 1483. Teve uma educação rigorosa. Sofreu grande influência de sua mãe, uma crente supersticiosa.
Na universidade de Erfurt graduou-se em artes em 1502, obteve o título de mestre em 1505. Encaminhava-se para o estudo do direito, desejo do seu pai. Interrompeu seu trajeto por ocasião de uma grande tempestade onde sua vida esteve sob perigo. Prometera tornar-se monge se permanecesse vivo.
Ordenado em 1507 celebrou sua primeira missa. Em 1512 recebeu o grau de doutor em Teologia. Passara a ser professor. Destacou-se no ensino e na pregação. O reitor da Universidade declarou: “Este frade derrotará todos os doutores; introduzirá uma nova doutrina e reformará toda a igreja; pois ele se funda sobre a palavra de Cristo e ninguém no mundo pode combater em destruir esta palavra.” (FERREIRA, 24)
O estudo das Escrituras o incomodava. Sentia um clamor em sua alma. Romanos 1.17 abriu sua mente para a salvação pela fé somente.
Pregou veementemente contra as indulgências. Considerava uma relação reta e pessoal com Deus suficiente para trazer a salvação. Na porta da igreja do castelo de Wittenberg, local que servia para colocar os boletins da universidade, foi afixado seu protesto em forma de 95 teses. “Atacara a hierarquia, os sacramentos e a teologia da Igreja Romana.” (CAIRNS, p. 237)
Seu principal opositor era Tetzel, responsável pelas indulgências na igreja Católica. Lutero foi excomungado em junho de 1520, teve seus livros queimados. Levado por seus amigos passou algum tempo escondido. Nesse ínterim, traduziu o Novo Testamento para o alemão em 1 ano. Depois concluiu a tradução de toda a Bíblia.
WALKER descreve Lutero como “um dos poucos homens de quem se pode dizer que sua obra alterou profundamente a história do mundo. Não era organizador nem político. Movia os homens pelo poder de profunda fé religiosa resultante de inalterável confiança em Deus e relação direta, imediata e pessoal com ele.” (p. 9, V 2)
Faleceu em 18 de fevereiro de 1546, com 62 anos. Seu fúnebre fora realizado por seu substituto, Felipe Melanchton.


III – JOÃO CALVINO, O Sistematizador da Reforma

Enquanto Lutero foi a voz profética da Reforma, Calvino foi o organizador.
Seu nascimento ocorreu em Noyon, França, em 10 de julho de 1509. Estudou direito, filosofia e teologia. Era um humanista. Antes de sua dedicação aos tratados teológicos, já se destacava como humanista.
Em 1936, aos 26 anos, concluiu sua grande obra, reconhecida até hoje: As Institutas da Religião Cristã. Na teologia de Lutero se destacava a justificação pela fé, na de Calvino a soberania de Deus. Após a morte de seu pai, dedicou-se ao estudo do grego e hebraico. Isto permitiu que ele elaborasse excelentes comentários sobre os livros da Bíblia.
Foi um grande exegeta, teólogo e pastor. É considerado o pai da exegese moderna. Além de reformador foi um grande incentivador da educação. “Em substituição à Academia, ele criou em Genebra um sistema de educação em três níveis, hoje conhecida como Universidade de Genebra, fundada em 1559. Sua ênfase sobre a educação chegou aos Estados Unidos, quando algum tempo depois os puritanos, calvinistas, criaram escolas no novo mundo.” (CAIRNS, p. 254)
Sua obra, As Institutas, tornou-se a principal referência em termos de teologia reformada. A teologia decorrente de seus ensinos ficou conhecida como calvinismo, o que também servia para diferenciá-la da teologia luterana. A forma de governo de igreja concebido por ele ficou conhecida por presbiterianismo.
Seu último sermão foi pregado em 6 de fevereiro de 1564, quando muito enfermo, foi levado a igreja em uma cadeira de rodas. Em uma reunião com os ministros em Genebra, um mês antes de sua morte, declarou: “A respeito de minha doutrina, ensinei fielmente e Deus me deu graça de escrever. Fiz isso de modo mais fiel possível e nunca corrompi uma só passagem das Escrituras, nem conscientemente as distorci. Quando fui tentado a requintes, resisti à tentação e sempre estudei a simplicidade. Nunca escrevi nada com ódio de alguém, mas sempre coloquei fielmente diante de mim o que julguei ser a glória de Deus.” (FERREIRA, 54)
Faleceu em 27 de maio de 1564.


"Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;
visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé." (Rm 1.16 e 17)

Veja também:
O Justo Viverá Pela Fé, princípios da Reforma Protestante
A Reforma Protestante, por quê e como aconteceu?

Nota:
[1] Outro personagem importante foi Huldreich Zwínglio. Realizou grande obra na Suíça e também foi um dos organizadores do pensamento da Reforma. Não foi possível considerá-lo nessa postagem para não torná-la muito grande. Sobre Zwínglio veja AQUI ou AQUI.



REFERÊNCIAS:

CAIRNS, Earle E. O CRISTIANISMO ATRAVÉS DO SÉCULO. São Paulo: Vida Nova, 1984.
FERREIRA, Franklin. TEOLOGIA DA REFORMA. Apostila do Mestrado em Teologia da Faculdade Batista de Teologia do Amazonas, 2001.
OLSON, Roger. HISTÓRIA DA TEOLOGIA CRISTÃ. São Paulo: Vida, 2001
WALKER, Williston. HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ. Rio de Janeiro e São Paulo: JUERP/ASTE. 4ª Ed, 1983.

Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog



(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O EVANGELHO QUADRANGULAR, uma perspectiva histórica

“Olhe, olhe, é o E-v-a-n-g-e-l-h-o Q-u-a-d-r-a-n-g-u-l-a-r!”[1]
Essa foi a constatação de Aimee Semple McPherson. Ocorreu em Oakland, Califórnia, findando o mês de julho de 1922. Estava realizando uma grande campanha evangelística, uma das marcas de seu ministério. Acontecera antes da inauguração do Templo Ângelus em Los Angeles. A frase rompeu quando pregara em uma grande tenda, o tema era “A Visão de Ezequiel”. Aproximadamente 8 mil pessoas lotavam o recinto[2].
Passados mais de 80 anos, o Evangelho Quadrangular tem percorrido o Mundo. São 150 países já alcançados[3]. Como surgiu nossa igreja? Como estava o mundo evangélico no seu surgimento? Quais fatores podem ter influenciado a visão da fundadora de nossa igreja?
Esses questionamentos são válidos para melhor compreensão de nossas raízes. Neste texto, veremos pontos que reforcem nossa visão histórica sobre a Igreja do Evangelho Quadrangular, principalmente sobre seu surgimento. Ele é o primeiro de uma série de 4 postagens.[4]


I – O ÂMBIENTE EVANGÉLICO NA ÉPOCA

A fundadora da IEQ[5] internacional nasceu em 09 de outubro de 1890. Na adolescência participava da igreja Metodista. Sua conversão deu-se aos 17 anos. Casou-se com Robert Semple em 22 de agosto de 1908. Neste ano ingressou no campo evangelístico. Suas primeiras grandes campanhas evangelísticas ocorreram entre 1915 e 1918.
Com essas informações iniciais sobre o desenvolvimento de Aimee e o surgimento de nossa igreja, poderemos ver alguns fatores que, possivelmente, colaboraram para as raízes da IEQ mundial.

FATOR 1: O Metodismo
Aimee teve suas bases cristãs na igreja metodista. Realizava visitas desde criança com seus pais.
CAIRNS revela que a igreja Metodista era uma das que mais cresciam no fim do século 19. Assim ele retrata: “Estima-se que cerca de 500.000 e 1.000.000 de pessoas foram acrescentadas à igreja, com os metodistas ganhando a maioria dos novos membros.” (p. 399)
Inicialmente não sendo uma igreja, esse movimento era um grupo de oração liderado por John Wesley (1703-1791). Receberam o nome de metodistas devido ao seu estudo bíblico metódico. Com surgimento na Inglaterra, não concordavam com a letargia e frieza que a igreja passara. Por isso desejavam uma piedade prática e não apenas doutrinária. Buscavam sua inspiração no estudo bíblico e na oração. Ao chegar aos Estados Unidos, tornou-se uma grande igreja. Conforme WALKER (p. 231, v. 2), sua ênfase religiosa era conversão, tendo uma fé confiante e vida religiosa demonstrada em obras ativas.

FATOR 2: Os Grandes Evangelistas
Os anos anteriores ao nascimento de Aimee caracterizaram-se com o surgimento das missões modernas. Seu precursor fora William Carey (1761-1834). Várias organizações missionárias surgiram nessa época, seus alvos principais eram Índia e China. Este clamor por vidas salvas acendeu a chama em crentes dedicados. Assim surgiram grandes evangelistas. “A ênfase reavivadora do protestantismo americano foi continuada fortemente” (WALKER, p. 280). Dwight L. Moody (1837-1899), seu expoente, fora evangelista leigo e pregador agressivo. Teve seus métodos de reavivamento largamente copiados. Tinha como característica a evangelização de massas, urbana e profissional, em lugares públicos.

FATOR 3: O Surgimento do Pentecostalismo
Podemos definir assim o pentecostalismo: “Movimento de reforma carismática evangélica que usualmente acha suas raízes num irrompimento do falar em outras línguas em Topeka, Kansas, em 1901, sob liderança de Charles Fox Parham, que tinha sido um pregador metodista.” (Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, p. 131)
O também chamado, carinhosamente, de avivamento da rua Azusa deu início a uma nova fase na vida da igreja. Surgiu um grande interesse pela pessoa e obra do Espírito Santo. Enfatizava-se o revestimento de poder com o batismo com Espírito Santo. Este renovo possibilitava a busca da cura divina e dos milagres semelhante àqueles ocorridos nas páginas da Bíblia.
O Rev. Durham, que tinha nossa fundadora em suas cruzadas evangelísticas, é citado por SYNAN (p. 132) como um dos pioneiros do movimento. O mesmo pastor, continua SYNAN (p. 133), influenciou as primeiras denominações pentecostais, inclusive a nossa.

II – AS BASES DO INÍCIO

Não pretendo ser conclusivo na apresentação dos fatores anteriores. Entretanto, acredito serem importantes para entendermos nosso início como igreja. Eles permeiam as ações primeiras de nossa fundadora.
Por ocasião de sua conversão e de seu batismo com o Espírito Santo, vemos uma inquietação e uma busca quase infindável, possível influência do metodismo. Foi marca das ações posteriores no ministério de Aimee. Também do metodismo pode ter herdado o interesse de encontrar respostas nas Escrituras. Assim fora quando desejou descobrir a poder para conquistar almas (estudou com afinco o livro de Atos) e quando procurou na Bíblia as bases para o Evangelho Quadrangular.
A inovação e dedicação evangelísticas também eram marcantes em sua vida. Assim não se contentou com poucas pessoas no início de suas campanhas e protagonizou um dos atos mais curiosos do seu ministério. Levou uma cadeira a uma esquina movimentada, com braços erguidos orou em silêncio. Chamou atenção de muitas pessoas que estavam próximas e as atraiu para local da pregação. Suas primeiras reuniões foram realizadas em grandes tendas. Fundou uma das primeiras rádios evangélicas.
A marca pentecostal também fazia parte de seu ministério. Milagres eram realizados por Deus através da vida de Aimee. Assim noticiavam os jornais da época[6]: “Mulher cega teve sua visão instantaneamente restaurada no avivamento no Lírico; Milagres acontecendo atualmente; Paralítico anda sem muletas; Surdo ouve instantaneamente.” Ante as manifestações de milagres e curas, sempre colocava em primazia o ministério de salvação de vidas.

III – O INÍCIO NO BRASIL

O fundador da nossa igreja no Brasil foi Harold Williams. Antes de se tornar pastor era ator de filme de “farwest”. Nasceu em 27 de novembro de 1913, em Hollywood, EUA.
O início da IEQ nacional foi em São João da Boa Vista, em 15 de novembro de 1951. Inicialmente chamou-se Igreja Evangélica do Brasil. Ficou famosa como igreja da tenda e igreja da cruzada. Isto por que no início os primeiro cultos eram realizados em tendas e grandes cruzadas evangelísticas eram feitas ao ar livre.
Algumas marcas que estiveram no início da IEQ com Aimee também permearam o início da IEQ no Brasil: (1) A utilização de tendas para dar início às primeiras obras; (2) A realização de grandes campanhas evangelísticas, com muitas pessoas sendo salvas; (3) A ênfase na cura e milagres como benção de Deus para seu povo; (4) Grande fervor missionário.
Nesse ano de 2008 completamos 57 anos de história. Contamos com aproximadamente 2 milhões e meio de membros distribuídos em mais de 8.300 igrejas no território nacional (confira os dados AQUI).

“Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.” (Sl 115.1)

“Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.” (Hb 13.8)

[1] COX, p. 13
[2] Evangelho Quadrangular, p. 5
[3] http://www.ieqmissoes.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=44:bases-historicas&catid=34:sgm&Itemid=53 (consultado em 26/10/2008 as 22:00)
[4] Os próximos serão: Uma Perspectiva Teológica, Uma Perspectiva da Educação Cristã e Marcas de Uma Educação Bíblica Quadrangular.
[5] Igreja do Evangelho Quadrangular.
[6] Apostila Evangelho Quadrangular, p. 19.

REFERÊNCIAS:

APOSTILA EVANGELHO QUADRANGULAR, Utilizada no Nível Avançado do DEBQ. Compilada pela SGEC, tendo como organizadoras Pastoras Mara Cristina Lau e Pastora Edinéia Pires Domingues. 2005.
CAIRNS, Earle E. O CRISTIANISMO ATRAVÉS DO SÉCULO. São Paulo: Vida Nova, 1984.
CAVICHIOLO, Norma Luiza Lau. EVANGELHO QUADRANGULAR. Apostila utilizada no ITQ. 2002.
COX, Raymond L. O EVANGELHO QUADRANGULAR. São Paulo: Quadrangular. 1991.
SYNAN, Vinson. PENTECOSTALISMO. In Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova.1990.
WALKER, Williston. HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ. Rio de Janeiro e São Paulo: JUERP/ASTE. 4ª Ed, 1983.

Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog



(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com/)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

VEM AÍ...


domingo, 19 de outubro de 2008

A REFORMA PROTESTANTE, Por quê e como aconteceu?

Não é novidade para ninguém que o cristianismo tem mais de 2000 anos de história. O que parece ser novidade são alguns fatos dessa história, por vezes tão mal conhecida por nós cristãos.
CAIRNS afirma que “a história da igreja é, pois, um assunto de enorme relevância para o cristão que deseja estar informado sobre sua herança espiritual, para imitar os bons exemplos do passado, e evitar os erros que a igreja freqüentemente tem cometido.” (p. 13)
Outro historiador da igreja, Roger Olson, alerta-nos: “aqueles dentre nós que se chamam de cristãos são moldados pela história cristã... Cristão é todo aquele que se identifica com essa história e procura viver segundo a visão da realidade que ela expressa. (OLSON, Roger. História da Teologia Cristã, p. 11).
Reconhecendo a importância de nossa herança cristã e aproveitando o ensejo da comemoração da Reforma Protestante (31 de outubro), proponho, em algumas postagens, tratar pontos importantes daquilo que foi o maior acontecimento da igreja cristã pós-apostólica.
Como nosso alvo primário são educadores das igrejas, na última postagem iremos abordar os desafios que a Reforma nos faz para a prática de nossa docência.

I – O QUE SIGNIFICA REFORMA PROTESTANTE?

É normal sermos chamados, nós evangélicos, de protestantes. Alguns se perguntam o porquê disso.
O termo tem origem no ato de um monge Católico Romano conhecido por nós como Martinho Lutero . Ele não concordava com os rumos que estava tomando a igreja em sua época. Em 31 de outubro de 1517, ele fixou na porta da igreja do castelo de Wittenberg suas 95 teses que protestavam contra algumas ações do Papa e dos clérigos de sua época. Esse foi o estopim.
Lutero foi despertado por Deus para realizar Sua vontade em uma igreja que estava decadente. Alguns dizem que ele dividiu a igreja. Não era seu alvo. Seu desejo era reformar a liturgia e teologia da igreja.
A Reforma Protestante pode ser definida, conforme CAIRNS (p. 224), como o movimento religioso, ocorrido entre 1517 e 1563, que procurava levar o Cristianismo de volta à pureza original do Novo Testamento e que findou com a ruptura da Igreja.


II – POR QUE ACONTECEU?

Poderíamos afirmar: VONTADE de Deus! Pronto!
Com certeza foi. Assim também cremos. No entanto, fica mais belo entendermos essa vontade vendo o Senhor guiando os acontecimentos dessa história. Vejamos alguns fatores que contribuíram com a Reforma:

A RENASCENÇA – Foi um movimento intelectual ocorrido entre 1350 e 1650 que marca a transição da idade medieval para a era moderna. Influenciou transformações na cultura, sociedade, economia, política e religião. Tinha como eixos principais o (1) interesse pelas fontes do passado, o (2) “destaque dos seres humanos como entidades humanas com direito a desenvolver suas próprias personalidades” (CAIRNS, p. 214) e (3) possibilidade das mentes humanas interpretarem os dados aos quais são submetidas. Esses três pontos contribuíram com a Reforma: o primeiro levou os reformadores a estudarem a Bíblia na língua original; o segundo permitiu voltarem à doutrina do sacerdócio de todos os crentes expressa no Novo Testamento (1ª Pe 2.9), ou seja, o cristão não está obrigado a ter o Papa como mediador entre ele e Deus; Por fim, descobriram a grandeza de interpretarem a Bíblia sozinhos sem terem que enxergar apenas o que o Magistério Católico ditava como interpretação.

O DECLÍNEO MORAL DOS CLÉRIGOS – A decadência moral permeava a igreja. Quanto à (1) sexualidade, os sacerdotes romanos contrariavam o celibato. Não conseguiam vencer a natureza humana. Por não poderem casar, possuíam concubinas. Começaram a surgir filhos dessas relações. Quanto ao (2) dinheiro, estavam mais preocupados com as propriedades que a igreja angariava e com as vendas de indulgências (prática adotada pela igreja católica para conceder perdão dos pecados). Também compravam e vendia cargos livremente. Esse declínio, despertou no povo o desejo de mudança.

A CRISE DE AUTORIDADE NA IGREJA – Você sabia que houve uma época em que a igreja católica tinha mais de um Papa? Você sabia que a sede do Papa, por um período, deixou de ser Roma? A saída de Roma ocorreu no pontificado de Clemente V, um francês que foi escolhido pelos cardeais em 1305. Sendo “de caráter fraco e moral duvidosa” (WALKER, p. 366), foi grandemente influenciado pelo rei da França, Filipe IV. Por solicitação deste, transferiu o papado para Avingon, França, em 1309. Foi um incomodo para o restante da Europa. Por volta de 1377, de volta a Roma, o pontificado foi assumido Urbano VI que contrariou os cardeais franceses, que era maioria. Estes elegeram outro Papa em pé de igualdade com Urbano. Sendo assim, a igreja dispunha de dois representantes divinos na Terra. Qual seria o verdadeiro?

Com esta realidade, a igreja clamava por mudanças...

III – COMO ACONTECEU?

A reforma não aconteceu de um fato isolado. Foi um somatório de fatos e pessoas a disposição da vontade divina. Podemos parafrasear Paulo em Gálatas 4.4: vindo a plenitude dos fatos, Deus levantou seu filho, Lutero, nascido sob a túnica papal.
A Reforma surgiu dentro da igreja Católica, era uma ação interna. Lutero era um sacerdote católico, ensinava Bíblia na universidade Wittenberg e celebrava missa no castelo. Ele sabia o que a igreja estava passando, conhecia sua realidade.
Dedicando-se ao estudo da Bíblia, percebeu a disparidade entre a igreja e aquilo que Deus desejava para ela.
A faísca iniciou com a inquietação de Lutero com Romanos 1.17: “a justiça de Deus se revela no Evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.” Culminou com as suas 95 teses fixadas na porta do castelo em Wittenberg. O ato tinha um significado: revelava o anseio de debate por parte do seu autor.

P.S.: NÃO PERCA A PRÓXIMA POSTAGEM SOBRE O MESMO TEMA ( Conheça mais sobre os personagens da Reforma: Lutero, Calvino e outros)

REFERÊNCIAS:


CAIRNS, Earle E. O CRISTIANISMO ATRAVÉS DO SÉCULO. São Paulo: Vida Nova, 1984.
WALKER, Williston. HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ. Rio de Janeiro e São Paulo: JUERP/ASTE. 4ª Ed, 1983.

Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog


(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

HOMENAGEM AOS PROFESSORES

"PROFESSORES APAIXONADOS"
Texto de Gabriel Perissé



(Vídeo capturado no blog: www.altairgermano.blogspot.com)

domingo, 12 de outubro de 2008

PADROEIRA DO BRASIL?

“Escolhendo por essencial padroeira e advogada da nossa Pátria, nós queremos que ela seja inteiramente Vossa. Vossa sua natureza sem par, Vossas as suas riquezas, Vossos os campos e montanhas, os vales e os rios. Vossa a sociedade, Vossos os lares e seus habitantes, com seus corações e tudo que eles têm e possuem; Vosso, enfim, é todo o Brasil... Por Vossa intercessão, temos recebidos todos os bens das mãos de Deus e todos os bens esperamos ainda e sempre por Vossa intercessão...”[1]

Estas palavras foram proferidas em 31 de maio de 1931. Na capital federal, na época o estado do Rio de Janeiro. Estavam reunidos Getúlio Vargas, o então Presidente da República, Ministros de Estado, membros do Corpo Diplomático, autoridades civis, militares e eclesiásticas. O ato de proclamação da senhora Aparecida como Padroeira do Brasil foi realizado pelo Cardeal Dom Sebastião Leme. No ano anterior, o Papa Pio XI assinara o decreto declarando Conceição Aparecida como Padroeira do Brasil.

I – O APARECIMENTO DA IMAGEM, uma história controversa.

Conforme FONSECA (p. 19 e 20) existem ao menos cinco hipóteses sobre o aparecimento da imagem.
A versão oficial da Igreja Católica Romana diz que em 1719 três pescadores lançavam suas redes próximas ao Porto de Itaguassu, no Rio Paraíba, norte do estado de São Paulo. Em uma das tentativas, juntamente com alguns peixes, ficaram surpresos ao encontrarem uma imagem sem cabeça. Numa tentativa seguinte, conseguiram encontrar a cabeça da imagem. De forma “milagrosa”, ao aproximar a imagem da sua cabeça, viram as duas partes colarem-se de forma exata.
Ainda conforme a Igreja Católica, outro milagre acontecera naquele momento. A frustração que imperava na pescaria até aquele momento fora transformada em uma pesca abundante após o aparecimento da imagem.
O ex-padre Aníbal Pereira dos Reis, ordenado em 1949, relata em seu livro, A Senhora Aparecida, que toda essa história não passou de uma grande armação de José Alves Vilela, padre da igreja em Guaratinguetá, que desejava chamar a atenção de Dom Pedro de Almeida, Conde Assumar, o então Governador das Capitanias de São Paulo e Minas Gerais, que passara pela localidade. O governante poderia sugerir ao Rei Dom João V, que o tal padre fosse indicado a ao cargo de bispo.

II – O BRASIL DE TANTOS SANTOS

Nosso país é respeitado por sua liberdade religiosa (não foi sempre assim). Essa autonomia pessoal permite que cada um faça suas escolhas, às vezes até mais de uma escolha de religião. Assim temos o sincretismo religioso. Nesse sistema, as pessoas aceitam e vivem os princípios de duas ou mais religiões.
Por isso temos tantos católicos em nossa pátria. São católicos-espíritas, católicos-ubandistas e até católicos-evangélicos (pasmem).
A facilidade de estar no catolicismo é que ele oferece um santo para cada tipo de problema (ou um santo para cada dia. Veja você mesmo: clique AQUI ou AQUI)
SOUZA nos fala que os mais requisitados estão ligados a soluções imediatistas. Ele traz em seu artigo, Os Santos de Cada Dia, a declaração de um padre da Arquidiocese de São Paulo: “Os santos que vêm sendo mais cultuados são aqueles diretamente ligados à questão econômica. Pode-se dizer que os quatros preferidos são os que atendem às urgências do povo: Santo Expedito, Santa Edwiges, São Judas Tadeu e Santa Rita de Cássia.”[2] (SOUZA, Márcio. p. 41) Para completar o quinteto, acrescenta-se a devoção a Senhora Aparecida. Temos assim os “intercessores” das causas do povo.
Para não esquecer nenhum, a editora Paulus chegou a publicar um anuário contendo os santos para todos os dias do ano.

III – UM PARALELO BÍBLICO

“...todos, a uma voz, gritaram por espaço de quase duas horas: Grande é a Diana dos efésios!” (At 19.34)

Poderíamos fazer algumas citações de versículos bíblicos que desaprovam a idolatria, são muitos e sem necessidade de longas interpretações.
Porém, acredito que o relato em Atos 19.23-41 é comparável com a situação da senhora Aparecida. Paulo se depara com uma região dominada por uma deusa, a Diana. Ela era adorada em pelo menos 33 locais da antiguidade. Éfeso era a sede da sua adoração.
Seu templo era uma das sete maravilhas do mundo antigo. “Media 67 por 130m, com 127 colunas de mármore, tendo cada uma 19m de altura. As bases inferiores das 36 colunas do lado oeste eram esculpidas em relevo.” (Bíblia de Estudo de Genebra, p 1300).
É dito em At. 19.35 que sua imagem “... caiu de Júpiter”, ou seja, do céu. Essa imagem deve ter sido encontrada por alguém, reverenciada e colocada em local de destaque para receber adoração, algo que perdurou por séculos. Semelhante ao caso da Aparecida.
O que abalou essa estrutura idólatra foi a pregação de Paulo por um período de 2 anos naquela localidade (At. 19.10).
Um ourives chamado Demétrio sentiu-se prejudicado pela aceitação do Evangelho por parte daquele povo que não adquiria mais as imagens. Na verdade, ele tentou convencer seus pares argumentando sobre o descrédito da profissão e depois, sutilmente, demonstrou a possibilidade de Diana e seu templo serem destruídos (At. 19 27). Nesse segundo momento, o artífice recebeu apoio da população (At 19.29).

IV – O QUE APRENDEMOS?

1. Devemos saber escolher líderes políticos que possam estar debaixo de princípios bíblicos;
2. A fé da maioria das pessoas está alimentada pelo imediatismo. Sirvo ao deus que responder primeiro;
3. O interesse de alguns não está na religião que pratica, antes, no lucro que pode conceder;
4. A massa, em quase sua totalidade, é influenciada por argumentos infundados; e
5. A pregação do Evangelho tem o poder de libertar as pessoas dos seus cativeiros.


[1] REIS, Aníbal Pereira dos. A SENHORA APARECIDA. São Paulo: Caminho de Damasco. 20ª Ed 1988. Pg 12.
[2] Santo Expedito: das causas urgentes; Santa Edwiges: dos endividados; São Judas Tadeu e Santa Rita de Cássia: das causas impossíveis.

REFERÊNCIAS

FONSECA, Alberto Alves. CONCEIÇÃO APARECIDA. Revista Defesa da Fé. Ano 4. Nº 26.
LADD, George E. COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY (Atos dos Apóstolos). São Paulo: Batista Regular. 1980.
MARSHALL, I. Howard. ATOS. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão. 1982.
SOUZA, Márcio. OS SANTOS DE CADA DIA. Revista Defesa da Fé. Ano 5. Nº 39.
SOUZA, Hélio de. CULTO À DEUSA MÃE. Revista Defesa da Fé. Ano 7. Nº 49.
REIS, Aníbal Pereira dos. A SENHORA APARECIDA. São Paulo: Caminho de Damasco. 20ª Ed 1988.


Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog


(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

DATAS IMPORTANTES

“As pessoas vivem das histórias que moldam suas identidades.”
(Roger Olson)

Olharmos para o passado e aprendermos com nossa história é um exercício de grande importância, principalmente para nós cristãos.
Penamos quando não conhecemos nossas raízes; Não valorizamos nosso presente!
Na Bíblia nós vemos o imperativo divino ao recomendar ao povo de Israel: Lembrai-vos! Assim Deus revela ao seu povo a importância de rever os marcos do passado, a exemplo do Êxodo.

Nos meses de outubro e novembro contemplamos duas datas revestidas de grande importância. Em 31 de outubro é considerada a comemoração da Reforma Protestante. Nesse dia, em 1517, o até então monge Martinho Lutero, fixou suas 95 teses na porta da igreja castelo em Wittenberg. Iniciou-se publicamente seu ato de protesto.
A outra data é 15 de novembro, esta é mais restrita a Igreja do Evangelho Quadrangular. De grande importância para nós quadragulares e para Igreja evangélica no Brasil. Nosso pioneiro em terras tupiniquins foi Pastor Harold Edwin Willians que, em 15 de novembro de 1951, fundou a IEQ brasileira.

Para lembrarmos, interagirmos e aprendermos com os acontecimentos dessas datas iremos postar em nosso blog textos que lhes façam alusão e que nos relembrem os desafios que esses eventos nos deixaram.

ESCLARECIMENTO

Nessas últimas semanas, nossa igreja estava imbuída em uma grande obra. Estávamos, juntamente com nosso pastor, na batalha eleitoral. Agora estamos de volta a todo vapor. Iremos atualizar algumas postagens no blog e estaremos mais ativos em seu funcionamento.

Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O CRISTÃO E A POLÍTICA

"O Cristão deve ter coerência e ética na hora de votar."
Entrevista com : Pr. Ronaldo Fonseca - Presidente do Conselho Político da CGADB

Com a aproximação das Eleições Municipais, os debates sobre a coerência na hora de votar se acentuam. Em entrevista ao MP, o Pr. Ronaldo Fonseca, Presidente do Conselho Político da CGADB, fala sobre a postura do cristão na hora de escolher seus representantes.


MP- Qual a importância do cristão saber em quem votar? O brasileiro deve escolher bem seu representante. Como cristãos essa responsabilidade aumenta. Não se deve escolher apenas o melhor, ele tem que possuir caráter íntegro e ser temente a Deus.o brasileiro não deve decidir o voto apenas pelas informações veiculadas na mídia, pois o marketing eleitoral é muito forte e tenta persuadir a votar sem reflexão. Meus irmãos, não vamos comer gato por lebre.

MP - Como as igrejas devem lidar com assédio dos candidatos em busca de votos?
A primeira orientação é aos pastores: é preciso não aceitar candidatos que não tenham vínculos maduro e transparente com a igreja, bem como não receber ofertas financeiras de candidatos em troca de votos. Por outro lado, quem indica o candidato é o pastor, mas quem vota é o membro. Se a membresia perceber que o candidato é corrupto, leva uma vida pregressa e usa o poder econômico para ganhar votos, não vote nele.

MP - As igrejas devem indicar um candidato próprio?
Se a igreja puder oferecer um bom nome para ser representante, é ótimo. E se ele for cristão melhor ainda. Mas, não se pode indicar alguém só porque ele é evangélico e membro da igreja. É necessário saber se ele tem condições para ocupar este cargo, se o poder não vai lhe subir a cabeça e se é realmente incorruptível. A igreja não pode decidir de forma cega e apaixonada.

MP – Qual a postura do cristão em cobrar o cumprimento das promessas eleitorais?

O cristão deve fiscalizar as atitudes do prefeito e principalmente as dos vereadores, porque eles propõem leis que podem prejudicar principalmente os cidadãos evangélicos. A igreja não deve olhar para o próprio umbigo, mas para a sociedade onde está inserida. Muitos cristãos também devem parar com a busca por vantagens pessoais.


(Fonte: Mensageiro da Paz – Ano 78 – N° 1479 – Agosto de 2008)