domingo, 19 de outubro de 2008

A REFORMA PROTESTANTE, Por quê e como aconteceu?

Não é novidade para ninguém que o cristianismo tem mais de 2000 anos de história. O que parece ser novidade são alguns fatos dessa história, por vezes tão mal conhecida por nós cristãos.
CAIRNS afirma que “a história da igreja é, pois, um assunto de enorme relevância para o cristão que deseja estar informado sobre sua herança espiritual, para imitar os bons exemplos do passado, e evitar os erros que a igreja freqüentemente tem cometido.” (p. 13)
Outro historiador da igreja, Roger Olson, alerta-nos: “aqueles dentre nós que se chamam de cristãos são moldados pela história cristã... Cristão é todo aquele que se identifica com essa história e procura viver segundo a visão da realidade que ela expressa. (OLSON, Roger. História da Teologia Cristã, p. 11).
Reconhecendo a importância de nossa herança cristã e aproveitando o ensejo da comemoração da Reforma Protestante (31 de outubro), proponho, em algumas postagens, tratar pontos importantes daquilo que foi o maior acontecimento da igreja cristã pós-apostólica.
Como nosso alvo primário são educadores das igrejas, na última postagem iremos abordar os desafios que a Reforma nos faz para a prática de nossa docência.

I – O QUE SIGNIFICA REFORMA PROTESTANTE?

É normal sermos chamados, nós evangélicos, de protestantes. Alguns se perguntam o porquê disso.
O termo tem origem no ato de um monge Católico Romano conhecido por nós como Martinho Lutero . Ele não concordava com os rumos que estava tomando a igreja em sua época. Em 31 de outubro de 1517, ele fixou na porta da igreja do castelo de Wittenberg suas 95 teses que protestavam contra algumas ações do Papa e dos clérigos de sua época. Esse foi o estopim.
Lutero foi despertado por Deus para realizar Sua vontade em uma igreja que estava decadente. Alguns dizem que ele dividiu a igreja. Não era seu alvo. Seu desejo era reformar a liturgia e teologia da igreja.
A Reforma Protestante pode ser definida, conforme CAIRNS (p. 224), como o movimento religioso, ocorrido entre 1517 e 1563, que procurava levar o Cristianismo de volta à pureza original do Novo Testamento e que findou com a ruptura da Igreja.


II – POR QUE ACONTECEU?

Poderíamos afirmar: VONTADE de Deus! Pronto!
Com certeza foi. Assim também cremos. No entanto, fica mais belo entendermos essa vontade vendo o Senhor guiando os acontecimentos dessa história. Vejamos alguns fatores que contribuíram com a Reforma:

A RENASCENÇA – Foi um movimento intelectual ocorrido entre 1350 e 1650 que marca a transição da idade medieval para a era moderna. Influenciou transformações na cultura, sociedade, economia, política e religião. Tinha como eixos principais o (1) interesse pelas fontes do passado, o (2) “destaque dos seres humanos como entidades humanas com direito a desenvolver suas próprias personalidades” (CAIRNS, p. 214) e (3) possibilidade das mentes humanas interpretarem os dados aos quais são submetidas. Esses três pontos contribuíram com a Reforma: o primeiro levou os reformadores a estudarem a Bíblia na língua original; o segundo permitiu voltarem à doutrina do sacerdócio de todos os crentes expressa no Novo Testamento (1ª Pe 2.9), ou seja, o cristão não está obrigado a ter o Papa como mediador entre ele e Deus; Por fim, descobriram a grandeza de interpretarem a Bíblia sozinhos sem terem que enxergar apenas o que o Magistério Católico ditava como interpretação.

O DECLÍNEO MORAL DOS CLÉRIGOS – A decadência moral permeava a igreja. Quanto à (1) sexualidade, os sacerdotes romanos contrariavam o celibato. Não conseguiam vencer a natureza humana. Por não poderem casar, possuíam concubinas. Começaram a surgir filhos dessas relações. Quanto ao (2) dinheiro, estavam mais preocupados com as propriedades que a igreja angariava e com as vendas de indulgências (prática adotada pela igreja católica para conceder perdão dos pecados). Também compravam e vendia cargos livremente. Esse declínio, despertou no povo o desejo de mudança.

A CRISE DE AUTORIDADE NA IGREJA – Você sabia que houve uma época em que a igreja católica tinha mais de um Papa? Você sabia que a sede do Papa, por um período, deixou de ser Roma? A saída de Roma ocorreu no pontificado de Clemente V, um francês que foi escolhido pelos cardeais em 1305. Sendo “de caráter fraco e moral duvidosa” (WALKER, p. 366), foi grandemente influenciado pelo rei da França, Filipe IV. Por solicitação deste, transferiu o papado para Avingon, França, em 1309. Foi um incomodo para o restante da Europa. Por volta de 1377, de volta a Roma, o pontificado foi assumido Urbano VI que contrariou os cardeais franceses, que era maioria. Estes elegeram outro Papa em pé de igualdade com Urbano. Sendo assim, a igreja dispunha de dois representantes divinos na Terra. Qual seria o verdadeiro?

Com esta realidade, a igreja clamava por mudanças...

III – COMO ACONTECEU?

A reforma não aconteceu de um fato isolado. Foi um somatório de fatos e pessoas a disposição da vontade divina. Podemos parafrasear Paulo em Gálatas 4.4: vindo a plenitude dos fatos, Deus levantou seu filho, Lutero, nascido sob a túnica papal.
A Reforma surgiu dentro da igreja Católica, era uma ação interna. Lutero era um sacerdote católico, ensinava Bíblia na universidade Wittenberg e celebrava missa no castelo. Ele sabia o que a igreja estava passando, conhecia sua realidade.
Dedicando-se ao estudo da Bíblia, percebeu a disparidade entre a igreja e aquilo que Deus desejava para ela.
A faísca iniciou com a inquietação de Lutero com Romanos 1.17: “a justiça de Deus se revela no Evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.” Culminou com as suas 95 teses fixadas na porta do castelo em Wittenberg. O ato tinha um significado: revelava o anseio de debate por parte do seu autor.

P.S.: NÃO PERCA A PRÓXIMA POSTAGEM SOBRE O MESMO TEMA ( Conheça mais sobre os personagens da Reforma: Lutero, Calvino e outros)

REFERÊNCIAS:


CAIRNS, Earle E. O CRISTIANISMO ATRAVÉS DO SÉCULO. São Paulo: Vida Nova, 1984.
WALKER, Williston. HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÃ. Rio de Janeiro e São Paulo: JUERP/ASTE. 4ª Ed, 1983.

Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog


(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

3 comentários:

Leandro disse...

a paz olha sou aqui da quadrangular de povilho e gostaria de fazer uma pergunta pq matinho lutero reformou a igreja,sendo ela catolica qual era o real proposito de deus para a igreja q ela fose reformada ou contruida ? essa são algumas duvidas q eu tenho qual quer coisa pode me add no msn é leguilger@hotmail.com desde já muito obrigado

EBQRECIFE disse...

Olá Leandro!
Paz!
Temos muita satisfação em sua visita ao NOSSO BLOG. Nós é que estamos agradecidos.
Quanto a sua pergunta, temos dois conceitos: construir e reformar. Se levarmos ao pé da letra, são diferentes. Porém, devemos considerar que a construção da Igreja na dimensão humana não está finalizada, é algo contínuo até a vinda de Cristo. Essa construção se dá com o desenrolar da História da humanidade, que é direcionada por Deus. Em determinado momento, uma parte dessa construção se chamou de Reforma Protestante, apenas um conceito histórico para mudanças no rumo da Igreja. Mudanças que, conforme unanimidade dos teólogos e historiadores evangélicos, foram realizadas por Deus.
Quanto ao momento histórico da Reforma, é necessário relembrar que não existiam dois ramos da igreja cristã como existem hoje: igreja Católica e igreja Evangélica. A Igreja em quase sua totalidade era de concepção católica. Existiram movimentos paralelos que pregavam e viviam a igreja como vemos nas páginas do Novo Testamento, contudo, de menor visibilidade e aceitação. O ramo mais forte e mais visível estava contaminado pela idolatria, pela autoridade papal (maior que a Bíblia), pela venda de indulgências, etc. Aqui surgem os reformadores como ferramentas de Deus.
Espero ter contribuído. Volte mais vezes e continue participando.

Celson Coêlho

Madá disse...

Impressionante como ninguém parece se importar com esse tipo de assunto. Isso julgando pela quantidade de comentários. Pena.
Eu acho assim, que Martinho Lutero não queria dividir a Igreja, e acho também que os Evangélicos, a maioria deles crucifica a igreja católica até hoje, mas isso foi no passado... Não foi?

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Celson Coêlho