domingo, 12 de outubro de 2008

PADROEIRA DO BRASIL?

“Escolhendo por essencial padroeira e advogada da nossa Pátria, nós queremos que ela seja inteiramente Vossa. Vossa sua natureza sem par, Vossas as suas riquezas, Vossos os campos e montanhas, os vales e os rios. Vossa a sociedade, Vossos os lares e seus habitantes, com seus corações e tudo que eles têm e possuem; Vosso, enfim, é todo o Brasil... Por Vossa intercessão, temos recebidos todos os bens das mãos de Deus e todos os bens esperamos ainda e sempre por Vossa intercessão...”[1]

Estas palavras foram proferidas em 31 de maio de 1931. Na capital federal, na época o estado do Rio de Janeiro. Estavam reunidos Getúlio Vargas, o então Presidente da República, Ministros de Estado, membros do Corpo Diplomático, autoridades civis, militares e eclesiásticas. O ato de proclamação da senhora Aparecida como Padroeira do Brasil foi realizado pelo Cardeal Dom Sebastião Leme. No ano anterior, o Papa Pio XI assinara o decreto declarando Conceição Aparecida como Padroeira do Brasil.

I – O APARECIMENTO DA IMAGEM, uma história controversa.

Conforme FONSECA (p. 19 e 20) existem ao menos cinco hipóteses sobre o aparecimento da imagem.
A versão oficial da Igreja Católica Romana diz que em 1719 três pescadores lançavam suas redes próximas ao Porto de Itaguassu, no Rio Paraíba, norte do estado de São Paulo. Em uma das tentativas, juntamente com alguns peixes, ficaram surpresos ao encontrarem uma imagem sem cabeça. Numa tentativa seguinte, conseguiram encontrar a cabeça da imagem. De forma “milagrosa”, ao aproximar a imagem da sua cabeça, viram as duas partes colarem-se de forma exata.
Ainda conforme a Igreja Católica, outro milagre acontecera naquele momento. A frustração que imperava na pescaria até aquele momento fora transformada em uma pesca abundante após o aparecimento da imagem.
O ex-padre Aníbal Pereira dos Reis, ordenado em 1949, relata em seu livro, A Senhora Aparecida, que toda essa história não passou de uma grande armação de José Alves Vilela, padre da igreja em Guaratinguetá, que desejava chamar a atenção de Dom Pedro de Almeida, Conde Assumar, o então Governador das Capitanias de São Paulo e Minas Gerais, que passara pela localidade. O governante poderia sugerir ao Rei Dom João V, que o tal padre fosse indicado a ao cargo de bispo.

II – O BRASIL DE TANTOS SANTOS

Nosso país é respeitado por sua liberdade religiosa (não foi sempre assim). Essa autonomia pessoal permite que cada um faça suas escolhas, às vezes até mais de uma escolha de religião. Assim temos o sincretismo religioso. Nesse sistema, as pessoas aceitam e vivem os princípios de duas ou mais religiões.
Por isso temos tantos católicos em nossa pátria. São católicos-espíritas, católicos-ubandistas e até católicos-evangélicos (pasmem).
A facilidade de estar no catolicismo é que ele oferece um santo para cada tipo de problema (ou um santo para cada dia. Veja você mesmo: clique AQUI ou AQUI)
SOUZA nos fala que os mais requisitados estão ligados a soluções imediatistas. Ele traz em seu artigo, Os Santos de Cada Dia, a declaração de um padre da Arquidiocese de São Paulo: “Os santos que vêm sendo mais cultuados são aqueles diretamente ligados à questão econômica. Pode-se dizer que os quatros preferidos são os que atendem às urgências do povo: Santo Expedito, Santa Edwiges, São Judas Tadeu e Santa Rita de Cássia.”[2] (SOUZA, Márcio. p. 41) Para completar o quinteto, acrescenta-se a devoção a Senhora Aparecida. Temos assim os “intercessores” das causas do povo.
Para não esquecer nenhum, a editora Paulus chegou a publicar um anuário contendo os santos para todos os dias do ano.

III – UM PARALELO BÍBLICO

“...todos, a uma voz, gritaram por espaço de quase duas horas: Grande é a Diana dos efésios!” (At 19.34)

Poderíamos fazer algumas citações de versículos bíblicos que desaprovam a idolatria, são muitos e sem necessidade de longas interpretações.
Porém, acredito que o relato em Atos 19.23-41 é comparável com a situação da senhora Aparecida. Paulo se depara com uma região dominada por uma deusa, a Diana. Ela era adorada em pelo menos 33 locais da antiguidade. Éfeso era a sede da sua adoração.
Seu templo era uma das sete maravilhas do mundo antigo. “Media 67 por 130m, com 127 colunas de mármore, tendo cada uma 19m de altura. As bases inferiores das 36 colunas do lado oeste eram esculpidas em relevo.” (Bíblia de Estudo de Genebra, p 1300).
É dito em At. 19.35 que sua imagem “... caiu de Júpiter”, ou seja, do céu. Essa imagem deve ter sido encontrada por alguém, reverenciada e colocada em local de destaque para receber adoração, algo que perdurou por séculos. Semelhante ao caso da Aparecida.
O que abalou essa estrutura idólatra foi a pregação de Paulo por um período de 2 anos naquela localidade (At. 19.10).
Um ourives chamado Demétrio sentiu-se prejudicado pela aceitação do Evangelho por parte daquele povo que não adquiria mais as imagens. Na verdade, ele tentou convencer seus pares argumentando sobre o descrédito da profissão e depois, sutilmente, demonstrou a possibilidade de Diana e seu templo serem destruídos (At. 19 27). Nesse segundo momento, o artífice recebeu apoio da população (At 19.29).

IV – O QUE APRENDEMOS?

1. Devemos saber escolher líderes políticos que possam estar debaixo de princípios bíblicos;
2. A fé da maioria das pessoas está alimentada pelo imediatismo. Sirvo ao deus que responder primeiro;
3. O interesse de alguns não está na religião que pratica, antes, no lucro que pode conceder;
4. A massa, em quase sua totalidade, é influenciada por argumentos infundados; e
5. A pregação do Evangelho tem o poder de libertar as pessoas dos seus cativeiros.


[1] REIS, Aníbal Pereira dos. A SENHORA APARECIDA. São Paulo: Caminho de Damasco. 20ª Ed 1988. Pg 12.
[2] Santo Expedito: das causas urgentes; Santa Edwiges: dos endividados; São Judas Tadeu e Santa Rita de Cássia: das causas impossíveis.

REFERÊNCIAS

FONSECA, Alberto Alves. CONCEIÇÃO APARECIDA. Revista Defesa da Fé. Ano 4. Nº 26.
LADD, George E. COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY (Atos dos Apóstolos). São Paulo: Batista Regular. 1980.
MARSHALL, I. Howard. ATOS. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão. 1982.
SOUZA, Márcio. OS SANTOS DE CADA DIA. Revista Defesa da Fé. Ano 5. Nº 39.
SOUZA, Hélio de. CULTO À DEUSA MÃE. Revista Defesa da Fé. Ano 7. Nº 49.
REIS, Aníbal Pereira dos. A SENHORA APARECIDA. São Paulo: Caminho de Damasco. 20ª Ed 1988.


Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog


(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

1 comentários:

Anônimo disse...

nunca catolico algum adorou a maria. é necessario os protestantes consutarem o catecisno da igreja catolica antes de ensinarem falsos conhecimentos. ensinem sobre deus sem tocarem na fe dos irmaos

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Celson Coêlho