sábado, 15 de novembro de 2008

EVANGELHO QUADRANGULAR, uma perspectiva teológica.


Por Celson Coêlho*
No primeiro texto sobre a Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), tentei jogar luz sobre a perspectiva histórica de nossa igreja. Observando as raízes do nosso surgimento.
Neste texto pretendo olhar pela ótica teológica da IEQ. O que nos dá essa base é a história, que já vimos um pouco, a declaração de fé da igreja, a literatura produzida por nossos pastores (principalmente o livro Fundamentos da Teologia Pentecostal ) e a prática atual de nossas igrejas.
Uma pergunta inicial é necessária: o que significa teologia? Recorramos aos manuais!
Floreal Ureta, em Elementos de Teologia Cristã, cita algumas definições: “é a ciência de Deus e das relações de Deus e o universo”; “Teologia cristã é o estudo da religião cristã” (p. 8). No livro que virou referência no Brasil (Para Que Serve a Teologia?), Roldán é abrangente, menos acadêmico e mais útil para nosso objetivo: “... a partir do momento em que começamos a refletir e falar acerca de Deus, estamos fazendo teologia.” (p. 24)
A verdade é que todos nós fazemos teologia, consciente ou inconsciente; bem ou mal; preparado ou não. A partir do momento que tentamos explicar as ações de Deus, explicar a Bíblia (e isso fazemos freqüentemente), realizamos um discurso teológico, ou seja, fazemos teologia.
Sendo assim, pessoas têm visões teológicas diferentes. Por conseguinte, igrejas também têm visões teológicas diferentes. Aqui está a validade de vermos e refletirmos sobre a nossa visão teológica como igreja.

I – A TEOLOGIA DAS IGREJAS PENTECOSTAIS

Como vimos na postagem anterior (EVANGELHO QUADRANGULAR, uma perspectiva histórica), nossa igreja é uma igreja pentecostal, ou seja, surgiu do ramo pentecostal da igreja evangélica.
O nome pentecostal vem de Pentecostes, a festa judaica onde, em Atos 2.1-4, houve o derramamento do Espírito Santo sobre a Igreja Primitiva. Este revestimento concedeu uma nova dimensão para a vida da Igreja (a seqüência do livro de Atos revela isso).
As igrejas chamadas pentecostais são aquelas que acreditam que esse revestimento está disponível para os salvos de hoje, da mesma forma e intensidade como foi para os crentes do Novo Testamento.
Por outro lado temos as igrejas chamadas tradicionais (ou históricas) , igrejas que acreditam que a ação do Espírito Santo com poder e milagres visíveis, semelhante aos acontecidos nas páginas do Novo Testamento, não são mais comuns. Eram exclusivos daquela época.
A perspectiva teológica (o pensar sobre as ações de Deus) das igrejas pentecostais é permeada por essa visão da ação do Espírito Santo.

II – NOSSAS DOUTRINAS PRINCIPAIS

A mensagem Quadrangular está fundamentada em quatro doutrinas principais: 1) A salvação, 2) O batismo no Espírito Santo, 3) A cura divina, e 4) A segunda volta de Cristo. Isso não quer dizer que não acreditamos ou não professamos as outras doutrinas. Sendo que muitas outras doutrinas estão ligadas a essas. (Veja nossa declaração de fé, clique AQUI) Essas quatro doutrinas são vistas e proclamadas como uma ação de Cristo. Jesus salva, Jesus Batiza, Jesus Cura e Jesus Voltará. Assim, a visão doutrinária da IEQ é cristocêntrica. Cristo é o centro da visão teológica.

CRISTOLOGIA
“O Filho - Co-existente e Co-eterno com o Pai que, concebido pelo Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, assumiu a forma de homem [...] pelo derramamento de Seu precioso sangue sobre a cruz do calvário, adquiriu a redenção para todos os que n’Ele creiam [...]levantou-se da sepultura e subiu às alturas levando cativo o cativeiro, para que, como o grande Mediador entre Deus e o homem, pudesse estar à direita do Pai intercedendo por aqueles por quem entregou a sua vida.” (Declaração de Fé, p. 7)
Nossa declaração de fé revela como vemos e acreditamos na pessoa de Cristo:
Co-existente e Co-eterno – Cremos na deidade de Jesus (Cl 1.15-20). Ele é a segunda pessoa da trindade. Isso o habilitava a ser o Redentor da humanidade caída e distante de Deus (Hb 10.11 e 12). Quem morreu não foi um simples homem ou um animal (como no Antigo Testamento).
Forma de homem – Cremos também na humanidade de Cristo quando ele esteve aqui na Terra. Para que a humanidade tivesse sua comunhão com Deus renovada, era necessário haver a união Homem-Deus. Isso foi possível em Cristo.

Mediador – Ele é o único e suficiente mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5)
“Ninguém pode ser sinceramente quadrangular se negar ou sequer duvidar levemente dos conceitos fundamentais ligados à pessoa de Cristo.” (COX, p. 52)

A SALVAÇÃO
“Cremos que a salvação dos pecadores é inteiramente pela graça, que não temos justiça alguma ou bondade em nós mesmos, por onde procurar o divino amparo, havendo que lançarmo-nos, portando, à inabalável misericórdia e amor daquele que nos comprou e nos lavou no seu próprio sangue, clamando os méritos e a justiça de Cristo o Salvador, firmados na sua palavra e aceitando o livre dom de seu amor e perdão.” (Declaração de Fé, p. 10)
Salvação... pela graça – Cremos na salvação como dom de Deus. Não por mérito humano. As obras humanas são válidas e devem ser realizadas pois revelam nossa verdadeira fé (Tg 2.17), mas não são suficientes para a salvação. A graça divina nos resgata da perdição. “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 6.23)
“Nós pecamos, mas Jesus morreu por nós. Fomos sentenciados à morte, mas Ele morreu para que pudéssemos viver. Fomos condenados, mas ele suportou nossa condenação. Glória ao seu nome!” (Aimeé Semple McPherson)

O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO
“Cremos que o batismo no Espírito Santo é o recebimento do prometido Consolador, em poderosa e gloriosa plenitude, a fim de revestir o crente com poder do alto [...] e que, sendo esta ainda a dispensação do Espírito Santo, tem o crente todo direito de esperar o seu recebimento da mesma maneira pela qual o receberam judeus e gentios igualmente, nos dias bíblicos, conforme se encontra registrado na Palavra, de modo que possa ser dito de nós o que foi com respeito à casa de Cornélio; o Espírito Santo caiu sobre eles, no princípio, assim como em nós agora.” (Declaração de Fé, p. 16)

O recebimento... em poderosa e gloriosa plenitude – Podemos considerar que o Espírito Santo foi, por algum tempo, o Deus esquecido da igreja. Não vemos na história da igreja uma atenção a terceira pessoa da trindade até o momento do reavivamento pentecostal em 1900 (ver postagem anterior, clique AQUI). Entendemos que é uma experiência definida, subseqüente a salvação. (Fundamentos da Teologia Pentecostal, p. 61) É a ação do Espírito com poder na vida cristã. (At. 1.8; 2.4, 15, 21; 11.15).

Sendo esta a dispensação do Espírito – Assim Aimee expressou essa verdade sobre a atuação do Espírito: “O poder de Deus e os ‘sinais e prodígios’ sobrenaturais operados pelo seu Espírito não cessam, não conhecem limites nem fronteiras, exceto os colocados para eles pela nossa falta de fé.”

A CURA DIVINA
“Cremos que a cura divina é o poder do Senhor Jesus Cristo para curar os enfermos e os aflitos, em resposta à oração sincera; que Ele, sendo o mesmo ontem, hoje e para sempre, jamais mudou; mas é, ainda, um auxílio plenamente suficiente na hora da dor, capaz de saciar as necessidades, vivificar o corpo, a alma e o espírito a uma novidade de vida, em resposta à fé daqueles que oram com submissão à sua vontade divina e soberana.” (Declaração de Fé, p. 21)

Curar os enfermos – A cura divina fez parte do ministério de Cristo sobre a Terra (Mt 8.16, 17). Também faz parte do ministério da Igreja. Jesus comissionou os 12 com esse propósito (Lc 9.1, 2 e 6), depois os 70 (Lc 10.1, 8, 9 e 19). Ele também concedeu esta autoridade à igreja pós-apostólica (Mc 16.17, 18).

Vontade divina – Cura está à disposição da igreja, devemos desejá-la e ministrá-la. Mas lembremos que Deus é quem é “o” Deus, não nós. Tudo ocorre conforme sua vontade soberana.

A 2ª VOLTA DE CRISTO
“Cremos que a segunda vinda de Cristo é pessoal e iminente; [...] E que, nesta hora, a qual ninguém sabe antecipadamente, os mortos em Cristo se levantarão, e os remidos que estiverem vivos serão levados acima, junto com eles, nas nuvens a encontrar o Senhor nos ares, para estarem sempre com o Senhor [...] cada dia deve ser vivido como se Ele fosse esperado aparecer antes de findar o dia. Todavia, em obediência à sua ordem categórica ‘trabalhai até que eu venha’ [...]” (Declaração de Fé, p. 21)
Pessoal e iminente – A segunda vinda de Cristo, como Rei, não será invisível, também não é a morte do crente. Ele virá buscar sua igreja e julgar os ímpios de forma visível e gloriosa. (Jo 14.13; At 1.11). Apesar de ser seguida de sinais (Mt 24.15, 21 e 29), não sabemos o tempo exato desse acontecimento. A consumação da História da humanidade se dará. O mal terá seu salário, a fé e fidelidade receberão sua recompensa.


REFERÊNCIAS

McPHERSON, Aimeé Semple. DECLARAÇÃO DE FÉ DA IGREJA DO EVANGELHO QUADRANGULAR. São Paulo: Quadrangular.
DUFFIELD, Guy. e CLEAVE, Nathaniel. FUNDAMENTOS DA TEOLOGIA PENTECOSTAL. São Paulo: Quadrangular. 1991. V. I e II.
COX, Raymond L. O EVANGELHO QUADRANGULAR. São Paulo: Quadrangular. 1991.
MARQUES, Cairo. e PRESTES, Nelson Oliveira. DOUTRINAS BÍBLICAS. Quadrangular. 1999.

PRÓXIMA POSTAGEM SOBRE A IEQ: UMA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO BÍBLICA (AGUARDEM!)

*Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog



(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.ebqrecife.blogspot.com/)

1 comentários:

EBQRECIFE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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Celson Coêlho