domingo, 12 de abril de 2009

A DIDÁTICA DO BOM PROFESSOR DE EBD

Por Celson Coêlho*

Todos temos lembranças de alguns professores que passaram por nossas vidas. Alguns são lembrados por aulas enfadonhas, monótonas, repetitivas, onde o que importava era decorar. Lembranças negativas! Outros, porém, são lembrados por grandes aulas. Na verdade cada aula tinha um quê de especial. Dinâmicas e participativas. Um bom terreno para construção do conhecimento. Estas... lembranças positivas!

Quando realizamos determinada tarefa, invariavelmente nos comparamos com outros desempenhos. Em nossa tarefa de ensinar, as comparações são válidas e necessárias. A qual tipo de professor nos assemelhamos? Ao bom ou ao ruim? Como nossos alunos se lembrarão de nós? De forma positiva ou negativa? Pelo enfado ou pela dinâmica? Pela mesmice ou pela construção?

Paulo, sendo um grande mestre, alertou aos que ensinavam na igreja: Se vocês são responsáveis pelo ensino, dediquem-se para fazê-lo da melhor forma (Rm 12.7). Nossa tarefa requer empenho! Falei em outro texto (clique AQUI) que não temos uma formação específica para o exercício da docência (muitos de nós). Contudo, isso não nos vale como desculpa ou como argumento em pró do “deixa como está”.

Como homens e mulheres chamados por Deus, devemos recorrer a sua ajuda e buscar meios que nos capacitem para melhor servi-lo na educação bíblica. Um desses meios é conhecermos melhor noções básicas de DIDÁTICA. Se não é possível através de cursos formais, que façamos através de livros ou da própria internet. Pretendo nesse texto abrir algumas janelas para uma melhor compreensão da nossa tarefa de ensinar.

O que é DIDÁTICA? É o “conjunto de processos de ensinar, de acordo com métodos específicos.” (Minidicionário Ruth Rocha)

Acredito que a DIDÁTICA do bom professor de EBD começa com o COMPROMISSO. Compromisso com Deus, com a Bíblia, com a igreja, com seus alunos. Se não houver um bom nível de compromisso por parte do docente, ele não alcançará boas aulas. MELLIN nos diz que “não somos responsáveis apenas pelo ensino de um tópico, mas também pelo desenvolvimento de um líder cristão.” (Pg 19) Discorrendo sobre educação relevante na igreja, CAGLIARDI nos alerta que “no ensino, é o amor que impede a acomodação, o desleixo, a improvisação e a preguiça.” (Pg. 46)

Outro fator importante nesse processo é aquilo que acontece antes de entrar na sala de aula: a PREPARAÇÃO do professor. Esta preparação não é apenas um bom conhecimento de uma aula específica. Lembremos que a “geração Orkut” adentra as aulas dominicais com um mundo de informações. Tentando desenvolver aulas construtivas, não podemos levantar barreiras para os conhecimentos que estão ao nosso dispor. Um bom acompanhamento de jornais diários e revistas nos darão um razoável entendimento de nossos dias. Leitura de bons livros que falem sobre a Escola Bíblica, sobre didática. Bibliografias sobre doutrinas e interpretação bíblicas, são ferramentas úteis. Nessa preparação não devemos abrir mão de uma leitura diária da Bíblia. Na verdade, a Bíblia é outro ponto de uma boa didática para EBD...

O professor deve ter a BÍBLIA como seu livro texto. A maioria das igrejas adota revistas para aulas dominicais. Entretanto, devemos lembrar que essas revistas são apoio e servem como um fio condutor para que se tenha um tema unificador das aulas. Mas, estas aulas têm como base a Bíblia. Por isso, o professor deve procurar entender as Escrituras de uma forma mais eficaz. Diferentes versões da Bíblia, um bom dicionário bíblico, alguns comentários e boa dose de oração vão facilitar essa tarefa.

Deverá também conhecer sua IGREJA. Isto evitará que o docente cometa vários erros desagradáveis. Cada denominação tem uma história como sua identidade doutrinária (ou melhor, boa parte tem). Como professores, representamos uma instituição que tem suas características. Um bom conhecimento desses valores permitirá alunos firmes e comprometidos. Não sendo levados por qualquer vento de doutrina.

Um bom relacionamento PROFESSOR-ALUNO. Devemos nos interessar e demonstrar interesse por nossos alunos. Devemos gastar tempo com eles não apenas dentro da classe, mas também em outros momentos. Estamos influenciando uma nova geração de cristãos e líderes da igreja. As aulas dominicais têm pouco tempo para isso. Outros cultos, situações fora do templo, são momentos oportunos para melhor conhecer o aluno e se tornar seu amigo, não apenas professor.

Até agora contemplamos apenas fatores extra-aula. Eles são tão importantes quanto os fatores que são observados na aula em si.
Dentro da classe, o professor deve prezar por uma boa ORGANIZAÇÃO. O bom professor organiza sua classe (cadeiras, quadro, mesa, etc.) antes de começar a aula. Se for usar um equipamento elétrico/eletrônico (TV, retro, datashow) ele testa com antecedência. Demonstra zelo por sua Bíblia e revista. Não perde as avaliações de seus alunos. Todas essas atitudes estão sendo apreendidas pelos alunos, consciente ou inconscientemente e voltarão à memória deles em outros momentos.

Numa boa aula, focaliza a APRENDIZAGEM e não apenas o ensino. Numa aula do Instituto Teológico em Manaus, um aluno fez a seguinte pergunta ao professor: Em que momento da evangelização eu posso dizer que o ouvinte foi evangelizado? Ao ter realizado o evangelismo de uma pessoa não posso dizer em que momento ele foi evangelizado. Algo semelhante acontece na sala de aula. O ato de ensinar não garante que houve aprendizagem! Ensinar é “instruir; inclui apresentação, explanação e demonstração de um novo conceito”, aprendizagem é a “aquisição de informações e entendimentos novos” (MELLIN, pg 169 e 170) O ensino não estará completo se não houver a aprendizagem. A apresentação possibilita a aquisição, mas não a garante! A Bíblia de Estudo Pentecostal expõe essa verdade nesses termos: “o conceito bíblico de ensino e aprendizagem não é primeiramente transmitir conhecimentos ou preparar-se academicamente. É produzir santidade e uma vida piedosa que se conforme com os caminhos de Deus.” (pg 1864, nota sobre 1Tm 1.5)

DINÂMICO E INOVADOR. Para concluirmos nossas qualidades do bom professor de EBD, lembramos do espírito dinâmico e inovador. É o docente que não se contenta em ser um repetidor de textos. Está interessado que seu aluno construa conhecimento de forma ativa e produtiva. Possibilita diversidades na forma de explanação visando alcançar todos seus alunos.

Os bons exemplos foram deixados para imitarmos. Os maus, para aprendermos como não fazer. Reitero: nossa tarefa requer empenho!
Deus nos chamou e nos concedeu dons para cooperarmos em sua obra. Ele também deseja que utilizemos ferramentas que facilitem o ato de ensinar.
Queremos ser lembrados como bons ou maus professores? Como empenhados ou relapsos? Como quem influenciou de forma positiva ou negativa?
Professores, ao trabalho...

REFERÊNCIAS:

Ângelo Cagliardi Junior. EDUCAÇÃO RELIGIOSA RELEVANTE. Editora Vinde. 1993.

Cristina Mellin. APRENDENDO A ENSINAR. Editora Quadrangular. 2000.

Inácio Feitosa. A DIDÁTICA DO PROFESSOR RUIM, In: Diário de Pernambuco. 11 de junho de 2008.



*Celson Coêlho
Diretor DEBQ-PE
Editor do Blog

VEJA TAMBÉM:

(Reprodução autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

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