quinta-feira, 7 de maio de 2009

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE DARWIN


O ano de 2009 despertou uma velha discussão entre os pensadores. Seja educador, teólogo, filósofo, biólogo, cientista... muitas pessoas estão envolvidas ou já dispensaram atenção sobre a questão da Evolução versus Criação. Este ano, o livro que deixou Darwin famoso (Das Origens das Espécies) completou 150 anos de lançamento.
Na verdade, esta discussão se insere num embate mais amplo: Ciência versus Fé.
Aproveitando a oportunidade e entendendo que os professores de nossas igrejas devem estar por dentro do tema, pois nossos alunos, vez por outra, levantam questões sobre a evolução e a criação, estou postando um pequeno ensaio feito por mim quando acadêmico de Teologia na Faculdade Batista de Teologia do Amazonas. A disciplina era Teologia Sistemática 1, cursada no segundo semestre de 2002.
Não encontrei o ensaio impresso, apenas localizei-o em mídia em um antigo CD. Infelizmente não recuperei a parte final que tinha a conclusão e as referências. Se encontrá-los, completarei a postagem. Por enquanto segue a forma original de 7 anos atrás.

Boa Leitura...


INTRODUÇÃO


“É pela fé que entendemos que o universo foi criado pela palavra de Deus e que aquilo que pode ser visto foi feito do que não se vê.” (Hb 11.3-BLH)

Não podemos estar alienados do mundo ao nosso redor. A Bíblia não tem valor só dentro da igreja ou apenas na vida do crente. Ou ela é verdadeira ou não é. Um embate que se estende há décadas e desestrutura a vida de muitos cristãos é fé versus ciência.
Entendemos que a Bíblia não é um compêndio científico, porém cremos que suas afirmações são totalmente verdadeiras. Na verdade, não existe nenhuma incompatibilidade da Bíblia com a ciência, o que realmente existe são cientistas que tentam desacreditar a Palavra de Deus.
Um desses homens chamou-se Darwin. Ao formular sua teoria da evolução, possivelmente sem ter noção das conseqüências, Darwin forneceu aos críticos do cristianismo extenso material para se desacreditar num Criador como afirma a Bíblia. Será que podemos aceitar passivamente a teoria da evolução?
Ao fazermos essa pequena análise da teoria da evolução e da doutrina da criação, estaremos nos propondo a responder: porque a doutrina da criação é essencial para firmarmos todos os outros tópicos da Teologia? Para isso, nos faremos valer de pesquisas feitas anteriormente por estudiosos do assunto, levando em conta suas afirmações e conclusões.

I – EVOLUÇÃO: UMA TEORIA FALIDA

Para alcançarmos nosso objetivo final, devemos realmente nos conscientizar da não validez da teoria da evolução como ciência. Sendo assim, não precisamos estar desconfortados ao destacar o valor da criação, mesmo sendo questionada como não ciência.
Em nossa pesquisa encontramos a seguinte definição para ciência: “um ramo de estudo que tem relação com um corpo sólido de verdades demonstradas ou fatos observados classificados sistematicamente, mais ou menos ligados e apresentados sob leis gerais, e que inclui métodos confiáveis para descobertas de novas verdades em seu domínio.” (ANKERBERG e WELDON)
Tomando como base esta definição o evolucionismo não pode ser considerado uma ciência. Na teoria dawirniana são inexistentes “fatos observados” e “verdades demonstradas”. Os fatos que são apresentados são totalmente questionáveis. Podemos considerá-la uma filosofia ao invés de uma ciência. “A probabilidade de a vida ter surgido por acidente é comparável à probabilidade de um dicionário completo ser resultado da explosão em uma indústria gráfica.” (Edwin Conklin)


II – O CRISTÃO E A EVOLUÇÃO

Júlio Severo considera “assombroso o fato de que podemos reconhecer como perigoso um espírita ensinando suas idéias aos nossos filhos, mas não conseguimos perceber o perigo de um professor que joga ao chão, diante de alunos inocentes, o valor de verdades tão importantes à nossa existência.” Vivemos lado a lado com a teoria da evolução sem esta nos causar incomodo. Aceitamos esses ensinos em nossas escolas (inclusive escolas cristãs) em detrimento da Palavra de Deus. Às vezes até brincamos com a afirmação que “o homem veio do macaco”. O mesmo autor continua: “em nenhum momento os adeptos de Darwin aceitam que as idéias de Darwin sejam tratadas do jeito que eles tratam a Palavra de Deus.” O mais absurdo é que nós cristãos não temos tal garra pelas Escrituras.
“No começo Deus criou o céu e a terra.”(Gn 1.1-BLH) A mesma palavra que afirmar nos conduzir à vida eterna também afirma que Deus “criou o céu e terra”. Se as Escrituras não são verdadeiras em uma passagem com certeza não serão em outras.
A evolução e a criação são totalmente incompatíveis. Vejamos o que afirmam os autores:
“Há os que crêem na evolução e criação ao mesmo tempo. Carece de fundamento crer-se na Bíblia e aceitar-se, simultaneamente, a doutrina da evolução orgânica. (Antenor Santos de Oliveira)”.
“Escolhendo acreditar em Deus, passamos a entender que há um autor para tudo que se vê no mundo natural... escolhendo acreditar que o homem veio do macaco, não precisamos nos preocupar com Deus...” (Júlio Severo)
Ao combater a tentativa de alguns cristãos tentarem harmonizar a criação e a evolução (a evolução teísta) Christiano P. da Silva Neto declara: “o evolucionismo é, por si só, suficiente para explicar todo o universo. Se você aceita a evolução, crer em Deus é absolutamente supérfluo.”


III – AS CONSEQUÊNCIAS DA TEORIA DA EVOLUÇÃO

Para chegarmos a solução do nosso problema: Por que a fé na criação é essencial para firmar todos os outros tópicos da Teologia? Vamos citar, observando os autores consultados, as más influências da teoria da evolução.
Em seu artigo “Evolução, uma Heresia em Nome da Ciência”, Júlio Severo aponta três conseqüências inevitáveis: 1) remove Deus como criador do ser humano; 2) dá crédito às idéias do homem, prestando assim adoração ao homem; e 3) tira a dignidade do homem, que ele recebeu quando Deus o criou a sua imagem.
Wayne Grudem (em Teologia Sistemática) diz que as “influências incrivelmente destrutivas” da teoria da evolução nos vêem como (1) mero produto da matéria, tempo e acaso, por isso não temos importância eterna. Se não existe um Deus que nos criou, logo, (2) “não há um Juiz que nos faça moralmente responsáveis.” Crendo-se na seleção natural (3) não devemos nos preocupar com os mais fracos ou menos capazes, podendo até defender as guerras usando-se desse artifício.
Expondo de forma clara as conseqüências do evolucionismo, Hélio de Souza, no seu artigo “Os Caminhos de uma Bio-Heresia”, afirma que o (1) determinismo biológico inocenta o homem de suas más ações, pois “todas suas vontades e ações não são livres (no sentido de uma escolha racional e espontânea), mas, sim, resultado de um mecanismo biológico.” O mesmo autor diz que (2) “a teoria de Darwin forneceu aos ateus a base para negar a necessidade de um criador para o universo e proporcionou a Nietzsche os princípios da moralidade não-cristã, baseada no ódio, no egoísmo, na força, completamente satânica em seus fundamentos.”
Em “Os Fatos Sobre Criação e Evolução”, seus autores citam algumas conclusões evolucionistas: 1) a matéria foi criada mediante eventos causais sem um propósito final; 2) Homem algum tem valor ou dignidade eterna. 3) a moralidade é relativa porque cada pessoa é a autoridade suprema para si mesmo.

A IMPORTÂNCIA DA CRIAÇÃO PARA A TEOLOGIA

Após termos observado a invalidez da evolução, estando consciente que não podemos harmonizar a criação e a evolução e baseados nas conseqüências “destrutivas” da teoria de Darwin, podemos nos ater a importância da doutrina da criação para firmarmos a Teologia. Vejamos o valor da criação:


1) Se não cremos na criação estaremos também desacreditando a Bíblia. A Escritura é a ferramenta para se fazer qualquer teologia.

2) Deus criou o universo do nada. A matéria, em algum tempo na história, não existia. Sendo assim Deus é infinito. Para os evolucionistas a matéria é eterna.

3) Conforme o relato de Gênesis 1, tudo que Deus criou era bom. Logo, não há razão em afirmar que a matéria por si é má conforme as teorias gnósticas.

4) Rejeitar a criação nos leva ao ateísmo.

5) Se o homem não tem valor ou dignidade eterna, conforme as conclusões dos darwinistas, não precisamos nos preocupar com a salvação desse homem.

6) Rejeitando o determinismo biológico devemos nos preocupar com a raça humana, os homens não são inocentados de seus maus atos por um “mecanismo biológico”.

7) A encarnação de Cristo só tem valor se realmente existe um criador que criou tudo bom e deseja que sua criação retorne ao estado original.

8) Se a humanidade está em evolução cada geração é superior a anterior. Portanto não tem porque nos apegarmos as crenças dos nossos ancestrais, antes, podemos criar novas crenças e adorar inclusive o homem.


*Celson Coêlho
Diretor DEBQ-PE
Editor do Blog

(Reprodução autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

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Celson Coêlho