terça-feira, 22 de setembro de 2009

COMERCIAL DA FIAT E ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA, considerações bíblicas sobre a doutrina do homem.

*Celson Coêlho

No estudo da Teologia um preceito é sempre defendido, seja nos manuais ou nas faculdades teológicas: a melhor forma de aprender teologia é com ilustrações do nosso dia-a-dia.
A Teologia é uma ciência com conceitos abstratos, ilustrações do cotidiano é uma grande ferramenta para que possamos aprender ou ensinar de forma mais criativa e de fácil compreensão.
O comercial da Fiat sobre o novo Pálio é uma dessas possibilidades de ilustração. Neste caso, vemos representada (de forma limitada) a doutrina do homem. Muitos de nós vimos essas imagens e de forma repetitiva. Ainda as temos gravadas em nossa memória.
Assista ao vídeo e leia o texto abaixo.



“EU QUERO UMA COISA DA VIDA. MEU CORPO QUER OUTRA”

O apóstolo Paulo revelou esse conflito no interior do homem em Romanos capítulo 7:

(Verso 15) “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto.”
(V18) “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.”
(V19) “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.”

O ser humano se encontra em uma luta constante com seus valores interiores. Essa ideia é reforçada também com relação aqueles que já estão salvos. Gl 5.17 nos fala da luta da CARNE contra o ESPÍRITO.

A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM
Entre os estudos teológicos é senso comum que o homem é dividido em duas partes: uma parte material e outra imaterial. A grande divergência está na parte imaterial do homem. Uns defendem que o homem tem a alma (ou espírito, sendo intercambiáveis os termos). Outros teólogos defendem que a parte imaterial do homem é constituída de alma e espírito (sendo termos distintos).
Assim temos:

A DICOTOMIA
“Significa a divisão em duas partes, aplica-se na teologia àquele conceito da natureza humana que sustenta que o homem tem duas partes fundamentais no seu ser: o corpo e a alma.”[1] O ser humano é dividido em dois elementos. Um dos argumentos dos dicotomistas está em Gn 2.7, onde temos apenas duas partes distintas mencionadas. Mateus 6.25 e 10.28 também revelam que os componentes do homem são corpo e alma.

A TRICOTOMIA
“O termo, que significa uma ‘divisão em três partes’ é aplicado na teologia à divisão tríplice da natureza humana em corpo, alma e espírito.”[2] Os defensores da tricotomia se baseiam principalmente em 1Ts 5.23: “... e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” Hb 4.12 também é visto como referência deste conceito: “... alma e espírito, juntas e medulas” (estes últimos termos referem-se ao corpo). Paulo também parece demonstrar esta visão em sua ilustração sobre os tipos de pessoas em 1Co 2.14 – 3.4 (carnais, naturais e espirituais).

Encontraremos vários teólogos, homens de Deus e piedosos, defensores de um dos lados. Nossa intenção não é demonstrar qual dos conceitos está certo. E sim introduzir nosso leitor no tema como um todo.

“AGENTE QUER SE SEPARAR”

Quando a alma se separa do corpo?
O relato de Gn 2.7 afirma que o homem passou a ser alma vivente após Deus soprar o fôlego de vida em suas narinas. O elemento imaterial do homem foi soprado pelo próprio Deus. “O fôlego divino permeou o material e o transformou em um ser vivente.”[3] Assim temos a combinação do terreno com o divino.
Em outras passagens vemos que é Deus quem sustenta esse fôlego de vida no homem. Jó 12.10 declara: “Na sua mão [de Deus] está a alma de todo ser vivente e o espírito de todo o gênero humano.” No livro de Atos vemos o discurso de Paulo em Atenas, ele afirma que Deus “a todos dá vida, respiração e tudo mais.” (At 17.25)
Só há a separação entre a alma e o corpo por ocasião da morte. Tiago, em seu livro, afirma que o corpo sem o espírito é morto (Tg 2.26). No Antigo Testamento temos: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus que o deu.” (Ec 12.7)
O homem separar-se de sua alma, por seu querer, cometendo o suicídio.

“UM CARRO TEM QUE COMPLETAR VOCÊ”

O que ou quem completa o homem?
Millard Erickson nos esclarece que Deus criou “a raça humana para amá-lo e servi-lo, e para desfrutar de um relacionamento com Ele.” (pg. 208) Este relacionamento foi afetado pelo pecado do homem (“esconderam-se da presença do Senhor Deus” - Gn 3.8) O homem começa a ver Deus como um estranho. A comunhão com o Criador amoroso começa a dissipar-se. O apóstolo Paulo declarou que em Adão “todos morrem” (1Co 15.22). Devido a sua separação de Deus, o homem está perdido.
O homem só pode ter sua amizade restaurada com Deus através de Cristo: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 5.1 / ver também Jo 14.6)
O homem apenas se torna completo quando restaurado seu relacionamento com Deus. Como o primeiro Adão fez separação entre os seus descendentes e o Pai, o segundo Adão, Cristo, restaurou esse relacionamento. “Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para a condenação, assim também, por um só to de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá a vida.” (Rm 5.18)


O HOMEM FOI CRIADO de forma especial por Deus. Foi criado conforme a imagem e semelhança do Criador. Foi a única criatura que recebeu o FÔLEGO do criador. Este fator o fez superior aos animais e dominante sobre eles. Mas do que isso, tal peculiaridade o tornou amigo de Deus.
A restauração do relacionamento com Deus deve ser alvo do homem. Com suas capacidades naturais o homem não tem possibilidade de se achegar a Deus. Através de Cristo Jesus o homem tem a ponte que restaura sua amizade com o Pai e o torna completo.

[1]
Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, Vol. I, pg 465.

[2]
Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, Vol III, pg 575.

[3]
Comentário Bíblico Moody, Vol. I, pg 7.


REFERÊNCIAS:

ERICKSON, Millard. INTRODUÇÃO À TEOLOGIA SISTEMÁTICA. São Paulo: Vida Nova. 1997;

DUFFIELD, Guy P. e VAN CLEAVE, Nathaniel. FUDNAMENTOS DA TEOLOGIA PENTECOSTAL. São Paulo: Quadrangular. 1991;

URETA, Floreal. ELEMENTOS DE TEOLOGIA CRISTÃ. Rio de Janeiro: JUERP. 1995.

*Celson Coêlho
Diretor DEBQ-PE
Editor do Blog

(Reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

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Celson Coêlho