terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

UMA QUESTÃO DE AUTORIDADE, anotações em Mateus 21

(Na manhã de segunda-feira, 15/02/10, em meu devocional, algo me chamou a atenção ao dar prosseguimento em minha leitura do evangelho de Mateus. Lendo Mt 21.23-27, percebi a freqüência do uso da palavra “autoridade” [4 vezes em 5 versículos]. Após finalizar minha leitura devocional, voltei ao texto e fiz algumas anotações. Compartilho as mesmas aqui com nossos leitores. O texto não está trabalhado de forma final. São apenas anotações.)

1) Necessidade de Confirmação (v 23)

“Com que autoridade? Quem te deu essa autoridade?”
A autoridade de alguém tem que ter uma origem. Pode ser concedida por um sistema, por herança. No caso da vida espiritual, dada por Deus.
Nessa passagem, os questionadores são aqueles que têm autoridade: “os principais sacerdotes e os anciãos.” O relato paralelo de Lucas ainda esclarece que os “fariseus” também faziam parte desta comissão (Lc 20.1).
O livro de Atos (At 19.13-16) revela o fato de judeus exorcistas tentarem usar a autoridade do Nome de Jesus para expulsar um demônio. Esses aproveitadores foram questionados pelo espírito maligno: “Conheço a Jesus e sei quem é Paulo, mas vós, quem sois?” (At 19.15)
A indagação era: Com que autoridade?

2 - Sendo eles os questionadores e detentores de autoridade, deveriam saber identificar quem tem autoridade (v 24, 25a)

Jesus os questiona sobre a autoridade do batismo de João Batista. Cristo queria provar que eles não sabiam reconhecer a autoridade de ninguém.
Nas palavras do Senhor também é expressa a questão da necessidade de se confirmar a autoridade. “... direi com que autoridade faço essas coisas”; “... de onde era [qual é a origem] do batismo de João [Batista].”

3 - A real autoridade espiritual tem origem em Deus (v 25b)

Os próprios questionadores sabiam, apesar de não reconhecerem, de onde se origina a real autoridade espiritual. A expressão “... dos céus” revela isso. Quando um dos seguidores de João Batista o questionou sobre a autoridade de Cristo (Jo 3.25 e 26), ele respondeu: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada.” (Jo 3.27)

4 - A Autoridade Precisa ser Reconhecida (v 26)

“... porque todos [o povo] consideram João [Batista] como profeta.” O evangelista Lucas expressa que o povo estava “CONVICTO” de ser João Batista um profeta (Lc 20.6).
Não adianta ter autoridade e ficar dentro de casa dizendo: - Eu tenho autoridade; - Eu tenho autoridade. Isso não adiantará nada. Também não terá valor em ficar em um escritório e talvez escrever compêndios que falem sobre a sua autoridade.
Ter autoridade precisa ter reconhecimento. Não se tem autoridade sobre coisas. Ela é desenvolvida com pessoas.

5 - Aprofundando a Questão com Duas Parábolas

As parábolas de Jesus nunca são histórias soltas ao vento, não apenas tem objetivo, mas também tem ligação com acontecimentos do contexto próximo.

5.1 - A primeira parábola (Mt 21.28–32) fala da posição de dois filhos diante da autoridade do pai.

“Qual dos dois fez a vontade do pai?” (v 25) Qual reconheceu a autoridade do pai? O que respondeu com palavras ou o que respondeu com atitudes? O que responde apenas com palavras simboliza os saduceus, anciãos e fariseus (os questionadores de Jesus). Reconhecem a autoridade só com as palavras. O que responde com atitudes simbolizam os publicanos e as meretrizes. Reconheceram a autoridade com atitudes. (v 31 e 32a)
Alguns termos usados estão ligados a atitude de quem reconhece de forma verdadeira a autoridade espiritual: CRER, ACREDITAR E ARREPENDER (v 32).

Ainda é digno de nota: (a) A autoridade de João Batista, alvo dessa primeira parábola, foi fundamentada no “caminho da justiça” (v 32). Lembremos que a função dele era preparar o caminho do Senhor. (Mt 3.3, Mc 1.2, Lc 3.4). (b) “... vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes...” (v 32). O entendimento (reconhecimento) por parte deles apenas por meio de palavras não levaria a mudança de vida. Reconhecer uma autoridade é seguir o caminho por ela indicado (ensinado).

5.2 – “Atentai noutra parábola” (v 33).

A segunda ilustração fala sobre a não aceitação de Jesus como Filho: “A meu filho respeitarão” (v 37). A não aceitação da autoridade de Cristo (respeito denota aceitação da autoridade) também expressa a não aceitação da autoridade do Pai. “Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?” (v 40).

Mais uma vez é lembrado que reconhecer a verdadeira autoridade espiritual expressa-se com atitudes: “... remetam os frutos nos seus devidos tempos” (v 41); “... produza os respectivos frutos” (v 43)
A conclusão de tudo se dá nos versos 45 e 46. Eles “entenderam” o ensino de Jesus, porém a atitude é de quem não aceitava sua autentica autoridade, pois tentavam prendê-lo.

Sei que a questão da autoridade é mais abrangente. Também reconheço que o aprofundamento desse próprio texto pode nos conceder mais luz sobre o assunto. Contudo quis compartilhar apenas algumas anotações.

Celson Coêlho
Diretor Estadual do DEBQ-PE
Editor do Blog

(Reprodução autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

0 comentários:

Postar um comentário

Seu comentário é muito importante.
Porém, comentários ANÔNIMOS não serão publicados.
Celson Coêlho