sexta-feira, 2 de abril de 2010

A PRESENÇA AJUDADORA DE DEUS (lição 1), subsídio para lições da EBQ

(OBS.: a apresentação que temos acima refere-se a um sumário da lição da revista e não da postagem em si)


I – Introdução

Nesta primeira lição, serão analisados fatos ocorridos de Mt 1.1 até capítulo 4. Por isso, será bem proveitoso que o professor tenha: (1) boa lembrança no momento da aula sobre esse versículos e (2) condições de explicar o seu significado. Possivelmente os alunos farão questionamento sobre esses textos, na verdade, é bom que se aguce o interesse pela compreensão das passagens.

II – Considerações Sobre o Texto Principal (Mt 1.18-25)

a) A situação de Maria: algumas palavras do texto em tela concedem uma visão da situação da Mãe de Jesus. Primeiramente ela era “...desposada com José...” (v18). Isso quer dizer que ela já estava pedida em casamento, estava comprometida, o que em nossos dias chamamos de NOIVAR, contudo, com maior compromisso. Era um contrato de casamento. Tasker explica que “o casal que estivesse contratado não poderia legalmente separar-se, exceto por divórcio ou pela morte de um deles, o que tornaria o outro viúvo”. (pg 27) Outro termo é “...sem que tivessem antes coabitado...” (v18) significa estar juntos, com conotação de relação sexual. Até o nascimento de Jesus, eles não tiveram relações sexuais. Por fim temos “Contudo, não a conheceu, até que deu a luz a seu filho... (v25). O termo CONHECER trás o mesmo entendimento de relação sexual visto em COABITADO. Porém, a continuação do verso 25 nos mostra que não tiveram relações até o nascimento de Jesus. Subtende-se que após isso eles tiveram relações (ver os irmãos de Jesus em Mt 12.46 e Jo 2.12 e 7.3,5).

b) O cumprimento da profecia: “Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta.” (v22) A expressão PARA QUE SE CUMPRISSE O QUE FORA DITO PELO PROFETA ocorre mais 9 vezes neste evangelho (ver 2.15, 17, 23; 4.14,; 8.17; 12.17; 13.35; 21.4 e 27.9). Sendo os judeus os leitores primeiros deste evangelho, era necessário que seu autor evidenciasse este CUMPRIMENTO do Antigo Testamento.

c) A missão de Jesus: “... porque ele salvará seu povo dos pecados deles.” (v21) Todo este relato de uma concepção miraculosa tem só um objetivo, evidenciar a função especial daquele que nasceria. Por isso, o autor faz questão de mostrar a origem desta concepção: “grávida pelo (gr. ek) Espírito santo” (v18) e “o que nela foi gerado é do (gr. ek) Espírito” (v20). O termo grego “ek” denota origem, causa, motivo. Sendo assim, o que foi gerado tem origem no Espírito Santo.

III – A Infância de Jesus

Poucos textos bíblicos revelam a infância de Jesus. O interesse maior por parte dos escritores dos evangelhos estava no ministério de Cristo, que foi o cumprimento de sua missão de salvador. Os evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) não são uma biografia como entendemos hoje. As biografias modernas tentam narrar à vida toda de um determinado personagem. Nos evangelhos não acontecem isso.
Por esta razão, muita celeuma tem surgido em torno do tema (veja a edição de n° 1980 da Revista Istoé, clique AQUI). Em Lucas 2.40, lemos que “crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria...” Aqui vemos parte do desenvolvimento de Jesus. Ele cresceu e se desenvolveu como qualquer ser humano, com exceção do pecado. Com relação a sua infância, Lucas tem mais detalhes. Ele foi circuncidado ao 8° dia (Lc 2.21) como todo menino judeu. Também fora levado ao Templo para ser consagrado pelo sacerdote Simeão (Lc 2.28). Seu crescimento era evidente perante Deus e os homens (Lc 2.50). Sua dedicação as coisas divinas também se revela quando ele é encontrado no templo (Lc 2.46 e 49).
Jesus nasceu em Belém da Judeia, foi criado em Nazaré. Tinha alguns irmãos e irmãs (ver Mc 6.3). Fora ensinado no ofício da carpintaria.

IV – Emanuel, Deus conosco

O termo Emanuel nos concede o centro da ENCARNAÇÃO. A doutrina da encarnação nos revela que o próprio Deus, na segunda pessoa da Trindade, “vestiu a carne” humana. O termo em si aparece apenas 3 vezes em toda Bíblia. Duas no livro de Isaias (Is 7.14 e 8.8) e uma ocorrência em Mateus 1.23. Em hebraico, “immanuw´el”, é “o nome simbólico e profético do Messias, profetizando que ele iria nascer de uma virgem e seria ‘Deus conosco’ ou ‘conosco está Deus’” (Bíblia OnLine 3.0)
Em grego temos “emmanouel”, tendo o mesmo significado. Quando usado em Mateus 1.23, não se refere a um nome próprio ou sobrenome de Jesus. Expressa um título do Messias, demonstrando que Jesus era Deus unido com o homem, era a habitação de Deus (“shekinah”) estabelecida entre nós. João, no primeiro capítulo do seu evangelho, faz uma descrição monumental da presença de Deus entre nós (Jo 1.1-14). Nessa descrição, ele diz que “o verbo se fez carne e habitou (gr. “eskenosen”) entre nós.” O termo grego traz a concepção de viver em tendas, estabelecer-se. Sendo assim, “a carne de Jesus Cristo é a nova localização da presença de Deus na terra. Jesus substituiu o antigo tabernáculo.” (Rienecker e Rogers, pg 162)

Esta presença ajudadora é reconfirmada em sua despedida aos discípulos: “...ESTOU CONVOSCO TODOS OS DIAS ATÉ A CONSUMAÇÃO DO SÉCULO.” (Mt 28.20)

V – Entendendo o Batismo e a Tentação

BATISMO: o batismo era uma prática recorrente entre os judeus. Eles batizavam os aderissem ao judaísmo, tinha também o objetivo de cura e purificação. João Batista traz um novo sentido em seu batismo, um testemunho público de um arrependimento no coração. Tendo esse alvo o batismo, Jesus não necessitava passar por ele. Ele não precisava se arrepender. Porém, ele precisava demonstrar que estava cumprindo a vontade de Deus. Para cumprir sua missão, precisava identificar-se com o povo que salvaria.

TENTAÇÃO: alguns confundem TENTAÇÃO com PECADO. A tentação ANTECEDE o pecado, porém não quer dizer que a pessoa o cometerá. Em grego (“peirasmos”) significa “experimento, tentativa, teste, prova ou sedução ao pecado” (Bíblia OnLine 3.0). A tentação pode ter origem no (1) DIABO, como foi o caso de Jesus (Mt 4.1, no verso 3 o Diabo é chamado de o tentador); no (2) MUNDO, vemos na parábola do semeador (Mt 13.1-23) que o segundo exemplo da semente (entre espinhos) sofre com “os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas” (Mt 13.22). Em 1Tm 6.9 vemos que os que querem ficar ricos cedem a tentação; por fim, na (3) CARNE, isso vemos em Tg 1.14. Um dos textos mais esclarecedores sobre a tentação é o de Tiago 1.13-18. Ele deixa claro que a origem da tentação não é Deus. “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.” (1Co 10.13) O livramento da tentação vem de Deus (Mt 6.13) e podemos alcançar através da oração (Mt 26.41).


VI – Vocabulário Necessário

CIRCUNCISÃO
JESUS
GENEALOGIA
MESSIAS
LEI


REFERÊNCIAS
1. LIMA, Josadak. O REINO DE DEUS EM AÇÃO. Revista DEBQ 2T10.
2. KENT, Homer A. MATEUS. In: Comentário Bíblico Moody. Batista Regular. 1980.
3. RIENECKER, Fritz e ROGERS, Cleon. CHAVE LINGUISTICA DO NOVO TESTAMENTO GREGO. Vida Nova. 1985.
4. Softwere Bíblia OnLine – Módulo Avançado, versão 3.0. Sociedade Bíblica do Brasil. 2002.
5. TASKER. R. V. G. MATEUS: introdução e comentário. Vida Nova. 1980.

(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.ebqrecife.blogspot.com)

Celson Coêlho
Diretor DEBQ-PE
Editor do Blog

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Celson Coêlho