domingo, 30 de janeiro de 2011

QUANDO A CHUVA VEM...

*Por Celson Coêlho
A chuva é necessária!
Ela irriga a terra, provendo boas colheitas. Enche as barragens, possibilitando o fornecimento de água as nossas residências. O problema é quando a chuva vem em excesso e não estamos preparados.
Chuva em excesso e falta de preparação é transtorno certo. Talvez até destruição. As notícias recentes do estado do Rio de Janeiro nos mostram isso. Milhares desabrigados, centenas mortos. Várias construções destruídas. Aqui no estado de Pernambuco, no ano passado (2010), também tivemos semelhante ruína.
Você está preparado para enfrentar a chuva?

Deixe-me transferir o alerta da chuva para nossas vidas pessoas. Ao enfrentarmos as situações do dia a dia, a chuva pode ser usada como símbolo de coisas que nos acontecem. Chuva excessiva, ventos soprando, tempestades, são comparadas a situações difíceis que temos que passar.
Quando enfrentemos essas tempestades da vida, ficamos em pé ou temos nossas vidas destruídas? Em ruínas?
Em termos de nos ensinar através de figuras (exemplos práticos) Jesus foi um grande mestre. Ele trazia com clareza ensinamentos a partir de situações do dia a dia.

No evangelho de Mateus, capítulo 7, do verso 24 ao 27, ele nos revela grandes verdades sobre as “tempestades” que precisamos enfrentar na vida.
Jesus ensina que “caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto” contra dois tipos diferentes de casas. A primeira casa “não caiu porque foi bem construída.” A outra, “desabou, sendo grande sua ruína.”
Sabe qual a diferença dessas duas casas? Onde elas foram construídas!
A que se manteve construída, mesmo com a tempestade, obteve firmeza, pois foi construída sobre uma rocha. Por outro lado, a que ficou em ruínas foi construída sobre a areia.

As casas simbolizam nossas vidas. As tempestades, os problemas da vida. Todos têm que enfrentar. A rocha simboliza a Palavra de Deus, a Bíblia. Ao conhecermos e praticarmos as orientações de Deus, contidas na Bíblia, seremos semelhantes a casas bem construídas sobre uma rocha. As “tempestades” da vida não sumirão. Contudo, continuaremos firmes, sobre a rocha.
Sábio é aquele que aprende com as lições que a vida concede. Tiremos ensinamentos com os problemas gerados pelas tempestades em nossos dias. Não deixe sua vida (casa) ficar em ruínas com os problemas (tempestades) da vida.

Quer uma vida firme mesmo diante das “tempestades” do dia a dia?
Construa sua vida conforme a orientações de Deus contidas na Bíblia!

*Celson Coêlho
(Escrito originalmente para o site: http://www.barraconobairro.vitrinerecife.com/, em 21/01/2011)

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

LEVÍTICO, questões introdutórias (Subsídio para lição DEBQ 1T2011)



*Por Celson Coêlho

Lembremos um pouco sobre os últimos acontecimentos do livro de Êxodo. O povo de Israel está peregrinando, seu alvo é Canãa. Os últimos capítulos do livro que retrata a libertação do Egito descrevem a construção do Tabernáculo. O propósito do Tabernáculo era Deus se manifestar ao seu povo, através dos seus representantes, os sacerdotes. Vemos aqui a oficialização do culto a Deus.

Outro ponto relevante é que Israel estava caminhando para Canãa. Eles sairiam de uma vida de hábitos nômades e se firmariam em uma terra. Teriam novos hábitos, costumes de agricultores. Contudo, em Canãa já habitavam povos com vasta experiência em lavrar a terra, inclusive, experiência também relacionada com seus deuses (Baal era considerado um deus da fertilidade).

Eis a preocupação divina: “Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitaste, nem fareis segundo as obras da terra de Canãa, para qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos.” (Lv 18.3) O livro de Levítico se encaixa nessa situação histórica. Êxodo descreve o lugar do culto. Levítico descreve os detalhes da adoração. (LASOR, pg. 87)

Questões Introdutórias:

a) Nome: o nome “Levítico” foi dado pela igreja cristão com o passar do tempo, não se encontra no livro propriamente dito. Conforme William Lasor, o termo significa “o (livro) levítico”, com sentido de pertencente aos levitas. Conforme HOFF (pg. 155), seria um manual do sacerdócio. Porém, não restrito apenas aos sacerdotes. Constituísse uma instrução a nação de como proceder no culto. Em hebraico o livro recebe o nome da sua primeira palavra, significando “e ele (o Senhor) chamou”. Vemos aqui a autoridade e iniciativa do Senhor em estabelecer a adoração que seria aceita

b) Autor: Moisés é o autor do Pentateuco (os 5 primeiros livros do Antigo Testamento). Apesar de não ser declarado no próprio texto do Pentateuco, o testemunho de outros livros da Bíblia corroboram para isso. No Antigo Testamento: Quanto à autoria do Pentateuco: Js 1.7 e 8; 1Rs 2.3; 2Rs 14.6; Ne 8.1; Dn 9.11-13. Quanto à autoria de Levítico: Esdras 3.2: “...oferecerem holocaustos, como está escrito na lei de Moisés...” (Qual o livro que descreve as regras do holocausto?); Esdras 6.18: “Estabeleceram os sacerdotes nos seus turnos e os levitas nas suas divisões, para o serviço de Deus em Jerusalém, segundo está escrito no livro de Moisés.” (Qual o livro que descreve as orientações aos sacerdotes e levitas?) No Novo Testamento: Quanto à autoria do Pentateuco: Mt 8.4; Mc 7.10; Lc 16.31; At 13.39; Hb 10.28.

Qualidades de Moisés que o auxiliaram em sua obra:

  • “Educado em toda a ciência dos egípcios...” (At 7.22);
  • Testemunha ocular de boa parte dos acontecimentos;
  • Desfrutava de comunhão com Deus, que lhe concedia revelações (“Chamou o Senhor a Moisés... lhe disse...” Lv 1.1; Os Mandamentos, Ex 20.1-17; A descrição do Tabernáculo, Ex 25.1-31.18);
  • Como judeu conhecia às genealogias e tradições do seu povo.

c) Propósito: Temos alguns versículos que são importantes na compreensão do propósito central do livro: Lv 11.44, 45;19.2: SEREIS SANTOS, PORQUE O SENHOR É SANTO. Boa parte dos escritores defende que o versículo chave seja Lv 20.26: “Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos para serdes meus.” O ser santo significa SEPARADO e PERTENCER a Deus. HOFF alerta que o termo santo aparece 73 vezes em Levítico. “O tabernáculo e seus móveis eram santos, santos os sacerdotes, santas as suas vestimentas, santas as ofertas, santas as festas, e tudo era santo para que Israel fosse santo”, conclui HOFF (pg. 156, destaque meu). Essa santidade era possível seguindo as instruções e regulamentos expressos no livro.

As nações vizinhas de Israel tinham como base de seus cultos os relacionamentos sexuais e orgias. O relacionamento de Israel com seu Deus, conforme preceitos de Levítico, deveria testemunhar a esses povos a verdadeira natureza da santidade.

d) Teologia de Levítico:

  • Caráter de Deus: Temos evidenciado no livro o Senhor como o Deus vivo e onipotente. Ele é Deus presente na vida do seu povo através do Tabernáculo. Um Deus em relacionamento. Seu poder revelado na libertação do Egito é o mesmo que opera em preservar seu povo na terra prometida conforme suas orientações; Deus é a essência da santidade. Isso deve ter desdobramentos espirituais, éticos e morais na vida dos israelitas. Deve ser demonstrado no seu dia a dia. Para HARRISON a santidade de Deus significa a rejeição de qualquer coisa imoral ou pecaminosa (pg 28).

  • Caráter do Homem: Os sacrifícios revelam que o homem é pecaminoso e precisa arrepender-se diante de Deus para ser perdoado. “As transgressões para as quais a expiação é providenciada são as da contaminação acidental ou da violação involuntária dos regulamentos cerimoniais... não havia perdão para o tipo de pecado que se constituía em repúdio das misericórdias da aliança.” (HARRISON, pg 28)

  • Graça Divina: Acreditamos, erradamente, que apenas o Novo Testamento traz demonstração da graça divina. Apesar de Levítico trabalhar a questão de como o homem se achegar a Deus, não são esses procedimentos que garantem a comunhão com Deus. Em última estância, foi o próprio Deus que garantiu que o homem seria aceito. O povo de Israel foi escolhido entre outros povos como propriedade do Senhor. Vós “sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos... vós me sereis reinos de sacerdotes e nação santa.” (Ex 19.5 e 6) Foi o próprio Deus que providenciou as variadas formas de ofertas para que o homem pudesse ser aceito. A ênfase das ofertas e sacrifícios não está na qualidade do ato humano, mas no valor do perdão divino.

  • Forma da Expiação: Os israelitas são ensinados que a expiação do pecado é pela substituição. Deve-se oferecer uma oferta a Deus e ser pago um preço por essa oferta. Também é revelado que nenhuma pessoa pode ser seu próprio salvador ou mediador.

e) Importância do Livro (porque estudá-lo?)

HOFF destaca 3 motivos pelos quais deve ser dado importância ao livro de Levítico (pg 156 e 157):

1) Sem ele seriam incompreensíveis outras partes da Bíblia. Não seria possível entender as referências posteriores sobre sacrifícios, cerimônias de purificação e o sacerdócio. Visões reveladas em profetas como Isaías, Jeremias e Ezequiel sobre simbolismo do templo, das ofertas, das festas e das pessoas são compreendidas tendo como base Levítico. O entendimento de Hebreus está ligado ao livro Levítico.

2) Seus preceitos revelam princípios permanentes para o relacionamento com Deus (formas antigas da lei versus princípios morais e espirituais). Deus reprova o pecado. Porém, Ele está interessado em remover o pecado do homem. Temos um princípio totalmente válido no Novo Testamento: “Amarás a teu próximo com a ti mesmo.” (Lv 19.18; ver Mt 5.43; 19.19; 22.39; Mc 12.31; Lc 10.27; Rm 13.9; Gl 5.14; Tg 2.8)

3) Grandes verdades do Novo Testamento são compreendidas tendo Levítico como pane de fundo. A obra sacrificial de Cristo é melhor compreendida a partir do simbolismo de Levítico.

f) Divisão do Livro

FONTES CONSULTADAS

1) BÍBLIA SAGRADA, Revista e Atualizada. São Paulo: SBB. 1993. 2ª Ed;

2) COLEMAM, Robert, Levítico in COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY. Vol. 1. São Paulo: Imprensa Batista Regular. 1984.

3) HOFF, Paul. O Pentateuco. São Paulo: Vida. 1983.

4) HARRISON, R. K. Levítico, introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova. 1983;

5) LASOR, William. HUBBARD, David. BUSH, Frederic. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova. 1999;

6) LIMA, Josadak. Levítico. Revista DEBQ, 1T2011. Curitiba: SGEC. 2010.

 

(Reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.ebqrecife.blogspot.com/)



*Celson Coêlho
Diretor do DEBQ-PE
Editor do Blog

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

CONGRESSO: Sexualidade, qual é a sua?


Dias: 28, 29 e 30 de Janeiro de 2011
Local: Faculdade de Boa Viagem (no Ipsep)
Valor e inscrição, acesse o link do Congresso no final desta postagem

Congresso


É comum ao jovem e ao adolescente desenvolverem algum tipo de problema na área da sexualidade.A falta de orientação, de apoio e até mesmo de conhecimento geram dúvidas, questionamentos e toda sorte de conflitos que trazem sentimentos de culpa, rejeição, medo e derrota.Como ajudá-los?

O que fazer para evitar maiores danos no futuro e proporcionar-lhes alegria verdadeira e liberdade no presente?

O propósito do I Congresso LINK7 é esclarecer as dúvidas existentes, ampliando os conhecimentos dos nossos adolescentes e jovens através da visão bíblica, trazer esperança aos que buscam ajuda nesta área e fazê-los entender aquilo que Deus quer e deseja para sexualidade humana.

Abordaremos os seguintes temas:

■A Construção da Sexualidade

■Vício Sexual

■Abuso Sexual

■Homossexualidade

■Masculino e Feminino

■Avançando para o Alvo

■Família e prevenção

Nossos preletores serão:

Andréa Vargas, que é obreira do Avalanche Missões Urbanas, ministério referencial em todo o Brasil na prática do Ide com a geração tribal, e que trabalha especificamente na área da sexualidade como palestrante, conselheira e na ministração de cursos.

■Willy Torresin, diretor nacional do Exodus Brasil, um ministério criado por Deus para o tratamento e acompanhamento à pessoas que de alguma maneira envolveram-se ou estão envolvidas com a homossexualidade.

Denis Ferreira, também envolvido na obra de Deus junto ao Exodus Brasil como obreiro e que possui experiência como palestrante nessa temática.


(informações extraídas de http://www.congressolink7.com.br/)

domingo, 16 de janeiro de 2011

CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES DEBQ-PE, como foi...


O ano de 2011 já começou bem para o DEBQ Estadual em Pernambuco. A exemplo de 2010, iniciamos este ano treinando nossos líderes da Escola Bíblica. No início de 2010, realizamos as Capacitações para Professores de Crianças e para os Diretores Locais do DEBQ. Na Capacitação realizada no dia 12 de janeiro, do corrente ano, tivemos como alvo os professores de jovens e adultos. Com início as 19:30h, o local do evento foi o templo da IEQ Casa Amarela, sede do estado.

Tendo com palestrante o Diretor Estadual do DEBQ, Prof. Celson Coêlho, a ministração foi dividida em dois momentos:

1º Momento: Visou destacar os seis elementos essenciais da Revista do DEBQ. Foram revistos esses elementos estruturais a partir das orientações absorvidas nas palestras do Pr. Josadak (Simpósio Nacional e 1º Congresso Estadual de EBQ Pernambuco). Os professores presentes foram orientados a seguirem o trilho desses elementos, que são facilitadores para o desenvolvimento da lição.

2º Momento: Baseou-se na apostila elaborada pelo Diretor Estadual, Estudo Panorâmico de Levítico. Com objetivo de conceder uma visão geral do livro bíblico estudado na lição, foram trabalhados pontos importantes do texto bíblico, com algumas pinceladas sobre o fundo histórico de Levítico. Também foi lembrada a aplicação do simbolismo dos ritos judaicos na pessoal de Jesus e na sua obra. Principalmente, a partir das verdades reveladas no livro de Hebreus.

Na ocasião, contamos com a presença de 72 professores, representando 22 igrejas do Grande Recife. A Capacitação, visando um aprofundamento na revista do trimestre, será realizada antes do início de cada revista.


Nosso desejo e oração é que cada professor seja animado para se aperfeiçoar no ministério de ensino. Que as atividades da capacitação possam refletir em cada sala de aula de nossas igrejas.

O ano só está no início...

Celson Coêlho
Diretor DEBQ-PE
Editor do Blog
Contato: ebqrecife@hotmail.com


domingo, 9 de janeiro de 2011

CAPACITAÇÃO PARA PROFESSORES DO DEBQ PERNAMBUCO


DATA: 12/01/2011
HORÁRIO: 19:30 às 21:30H
LOCAL: IGREJA SEDE, Casa Amarela
(Av. Norte, 6173, ao lado do Deskontão)

CAPACITAÇÃO BASEADA NA REVISTA DO DEBQ E NO LIVRO DE LEVÍTICO

PRELETOR:
Celson Coêlho
Diretor do DEBQ PE
Bacharel em Teologia
Pós-graduado em História da Religião

(No dia estará a disposição uma apostila sobre a capacitação, ao custo de R$ 5,00. Porém, não será obrigado comprá-la. A CAPACITAÇÃO SERÁ GRATUITA)

Teremos também outros materiais do DEBQ (Revista atual; revistas de outros trimestre; DVD´s da lição; Livros; Fascículos da História de Aimee)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

PROBLEMAS DE VISÃO, reflexão no capítulo 9 de João

(imagem:diariode1grandeamor.blogspot.com)

*Por Celson Coêlho
“Eu era cego e agora vejo.” (Jo 9.25)
Quando observamos determinado fato, sempre vemos por uma ótica preconcebida. São nossos preconceitos. Sejam os mais simples ou mais extremos. Quando 5 pessoas olham um mesmo fato, possivelmente estarão entendendo de 5 formas diferentes. Nossa maneira de entender o mundo depende de nossas experiências vividas, dos ensinos e tradição recebidos e dos princípios defendidos.
Se começarmos a falar de João 9 perguntando quantos cegos temos no relato, logo dirão: - Sem dúvida, temos um cego. A literalidade do texto mostra isso. Entretanto, esta pergunta deve ser respondida a partir de outra pergunta: que tipo de cegueira estamos falando?
Nesse texto, encontramos ao menos 4 tipos de cegueiras. Vejamos...

Cegueira Física: esta é bem explícita a uma leitura superficial do texto: “CEGO DE NASCENÇA” (Jo 9.1). É a falta de visão física. Não ver as cores, os formatos; não perceber as imagens. O ser humano percebe o mundo em sua volta por meio dos 5 sentidos do corpo: visão, audição, olfato, paladar e tato. Tornamo-nos totalmente dependentes de um dos sentidos, a visão. Ela é a que mais traz influência nas pessoas. Os “marketeiros” sabem disso. Nas propagandas usam de bastante apelo visual. Nós compramos o que vemos, não o que precisamos. A pessoa cega aprende a viver sem essa dependência. Ela aguça os outros sentidos. Por isso, tem a audição e o tato mais desenvolvidos.
Esta cegueira serve como pano de fundo das outras cegueiras que se apresentam no texto.

Cegueira Doutrinária: no 2º versículo encontramos o 2º tipo de cegueira. “MESTRE, QUEM PECOU, ESTE OU SEUS PAIS, PARA QUE NASCESSE CEGO?” (9.2) Não foi necessário ir muito longe para encontrarmos a cegueira doutrinária. Ela se apresentou nos próprios discípulos de Jesus. O Antigo Testamento deixa claro que a responsabilidade do pecado é pessoal (Leia Jr 31.27-40; Ez 18.1-4; Dt 24.16). Não passa de pai para filho. Pensaremos e agiremos conforme as doutrinas que aprendemos. A teoria nos leva a prática. Nesse sentido, gosto do exemplo do atentado de 11 de setembro de 2001. Ao destruírem as torres gêmeas, os terroristas estavam seguindo a doutrina de sua religião. A doutrina que eles aprenderam levou aquela prática. No exemplo do atentado terrorista, tínhamos homens com boa formação. Não eram ignorantes no âmbito humano. Seguiram sua doutrina...

Cegueira da Tradição: Tradição é o que se sabe por uma transmissão de geração em geração. Por si a tradição não é ruim. Porém, deve-se avaliar sua validade. A tradição judaica ensinava que no sábado não poderia trabalhar, nem para salvar uma vida. É verdade que o sábado era um preceito da Lei, mas eles haviam mudado seu entendimento. Jesus cumpria a Lei, enquanto orientação divina (Mt 5.17). Os rabinos haviam compilados interpretações da Lei (Torá; Pentateuco). Essas interpretações se tornaram mais importantes que a própria Lei divina. Jesus rejeitava esse tipo de tradição (ver Mc 7.9, 13; Mt 15.3) “ERA SÁBADO O DIA EM QUE JESUS FEZ O MILAGRE E LHE ABRIU OS OLHOS... POR ISSO ALGUNS DOS FARISEUS DIZIAM: ESTE HOMEM NÃO É DE DEUS, PORQUE NÃO GUARDA O SÁBADO.” (Jo 9.14 e 16) Uma má tradição pode engessar nossa prática; cegar nossa visão. Eles não acreditaram no milagre por causa da tradição (Jo 9.18). (Observação: as interpretações da Lei criadas pelos rabinos eram chamadas de Mishnah, Midrash e Talmude. Veja ao final do texto um link para esclarecimento dos seus significados)

Cegueira do Medo: “ISTO DISSERAM OS PAIS PORQUE ESTAVAM COM MEDO DOS JUDEUS” (Jo 9.22). Não é problema termos medo, somos humanos; somos suscetíveis a isso. O que não pode acontecer é sermos dominados pelo medo, escravizados. Os pais do jovem foram chamados para confirmarem o milagre (Jo 9.18). Eles fogem da pergunta “como [ele] vê agora?” O medo não os permitiu confirmarem o milagre feito por Jesus. Os pais não puderam confirmar os efeitos da “luz do mundo” (Jo 9.5). É interessante que no começo do capítulo 9 tentam relacionar a situação do filho com aquilo que os pais fizeram (Jo 9.2). Agora, os pais são convocados para testemunharem sobre a atual situação do filho. Eles retrucam: “perguntai a ele, idade tem; falará de si mesmo.” (Jo 9.21) Todo pai tem prazer em ver seu filho bem. Assim ocorreu com um oficial do rei em Caná da Galiléia (Jo 4.46-54). O mesmo rogou que Jesus curasse seu filho e acreditou na “luz do mundo”. O pai do jovem possesso também teve a mesma confiança e alegria (Lc 9.37-43). Os pais do cego não demonstraram esse mesmo sentimento. Foram encurralados pelo medo.
O ex-cego fora interrogado quatro vezes. Os fariseus queriam que ele próprio negasse ter recebido o milagre; negasse a ação da “luz do mundo”. Os acusadores queriam que o ex-cego rejeitasse a luz e aceitasse sua visão (ou falta dela): Diga que ele [Jesus] é pecador (Jo 9.24). Aceite meu ponto de vista! Aceite minha visão!
Na verdade, em cada um desses tipos de cegueira, é tentado passar sua visão do fato para a outra pessoa. Primeiro os discípulos tentam passar sua visão do fato para Jesus: “quem pecou, esses ou seus pais?” (v2); Depois vemos os fariseus empurrando sua visão: “esse homem [Jesus] não é de Deus” (v16). Eles repetem no verso 24; Os pais também vendem sua visão do fato: “Não sabemos como vê agora; ou quem lhe abriu os olhos também não sabemos.” (Jo 9.21)

Neste empurra-empurra de visão dos fatos, dois personagens não aceitam as visões preconcebidas. Jesus e o ex-cego. O realizador e o recebedor do milagre.Jesus afirmou: “Eu sou a luz do mundo” (v5).
O Cego foi categórico: “Se ele é pecador, não sei; uma coisa eu sei: eu era cego e agora vejo.” (v25) Em outras palavras: - “Se na visão de vocês ele é pecador, não estou nem aí. Eu fui alvo do milagre, recebi a luz do mundo e agora vejo.”

Nem sempre a cegueira física é a pior das cegueiras!


(Reflexão compartilhada na Manhã de Oração no domingo, dia 17/10/10, antes da EBQ na IEQ Sede Recife; reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.ebqrecife.blogspot.com/)

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Celson Coêlho
Diretor DEBQ-PE
Editor do Blog