quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

LEVÍTICO, questões introdutórias (Subsídio para lição DEBQ 1T2011)



*Por Celson Coêlho

Lembremos um pouco sobre os últimos acontecimentos do livro de Êxodo. O povo de Israel está peregrinando, seu alvo é Canãa. Os últimos capítulos do livro que retrata a libertação do Egito descrevem a construção do Tabernáculo. O propósito do Tabernáculo era Deus se manifestar ao seu povo, através dos seus representantes, os sacerdotes. Vemos aqui a oficialização do culto a Deus.

Outro ponto relevante é que Israel estava caminhando para Canãa. Eles sairiam de uma vida de hábitos nômades e se firmariam em uma terra. Teriam novos hábitos, costumes de agricultores. Contudo, em Canãa já habitavam povos com vasta experiência em lavrar a terra, inclusive, experiência também relacionada com seus deuses (Baal era considerado um deus da fertilidade).

Eis a preocupação divina: “Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitaste, nem fareis segundo as obras da terra de Canãa, para qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos.” (Lv 18.3) O livro de Levítico se encaixa nessa situação histórica. Êxodo descreve o lugar do culto. Levítico descreve os detalhes da adoração. (LASOR, pg. 87)

Questões Introdutórias:

a) Nome: o nome “Levítico” foi dado pela igreja cristão com o passar do tempo, não se encontra no livro propriamente dito. Conforme William Lasor, o termo significa “o (livro) levítico”, com sentido de pertencente aos levitas. Conforme HOFF (pg. 155), seria um manual do sacerdócio. Porém, não restrito apenas aos sacerdotes. Constituísse uma instrução a nação de como proceder no culto. Em hebraico o livro recebe o nome da sua primeira palavra, significando “e ele (o Senhor) chamou”. Vemos aqui a autoridade e iniciativa do Senhor em estabelecer a adoração que seria aceita

b) Autor: Moisés é o autor do Pentateuco (os 5 primeiros livros do Antigo Testamento). Apesar de não ser declarado no próprio texto do Pentateuco, o testemunho de outros livros da Bíblia corroboram para isso. No Antigo Testamento: Quanto à autoria do Pentateuco: Js 1.7 e 8; 1Rs 2.3; 2Rs 14.6; Ne 8.1; Dn 9.11-13. Quanto à autoria de Levítico: Esdras 3.2: “...oferecerem holocaustos, como está escrito na lei de Moisés...” (Qual o livro que descreve as regras do holocausto?); Esdras 6.18: “Estabeleceram os sacerdotes nos seus turnos e os levitas nas suas divisões, para o serviço de Deus em Jerusalém, segundo está escrito no livro de Moisés.” (Qual o livro que descreve as orientações aos sacerdotes e levitas?) No Novo Testamento: Quanto à autoria do Pentateuco: Mt 8.4; Mc 7.10; Lc 16.31; At 13.39; Hb 10.28.

Qualidades de Moisés que o auxiliaram em sua obra:

  • “Educado em toda a ciência dos egípcios...” (At 7.22);
  • Testemunha ocular de boa parte dos acontecimentos;
  • Desfrutava de comunhão com Deus, que lhe concedia revelações (“Chamou o Senhor a Moisés... lhe disse...” Lv 1.1; Os Mandamentos, Ex 20.1-17; A descrição do Tabernáculo, Ex 25.1-31.18);
  • Como judeu conhecia às genealogias e tradições do seu povo.

c) Propósito: Temos alguns versículos que são importantes na compreensão do propósito central do livro: Lv 11.44, 45;19.2: SEREIS SANTOS, PORQUE O SENHOR É SANTO. Boa parte dos escritores defende que o versículo chave seja Lv 20.26: “Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos para serdes meus.” O ser santo significa SEPARADO e PERTENCER a Deus. HOFF alerta que o termo santo aparece 73 vezes em Levítico. “O tabernáculo e seus móveis eram santos, santos os sacerdotes, santas as suas vestimentas, santas as ofertas, santas as festas, e tudo era santo para que Israel fosse santo”, conclui HOFF (pg. 156, destaque meu). Essa santidade era possível seguindo as instruções e regulamentos expressos no livro.

As nações vizinhas de Israel tinham como base de seus cultos os relacionamentos sexuais e orgias. O relacionamento de Israel com seu Deus, conforme preceitos de Levítico, deveria testemunhar a esses povos a verdadeira natureza da santidade.

d) Teologia de Levítico:

  • Caráter de Deus: Temos evidenciado no livro o Senhor como o Deus vivo e onipotente. Ele é Deus presente na vida do seu povo através do Tabernáculo. Um Deus em relacionamento. Seu poder revelado na libertação do Egito é o mesmo que opera em preservar seu povo na terra prometida conforme suas orientações; Deus é a essência da santidade. Isso deve ter desdobramentos espirituais, éticos e morais na vida dos israelitas. Deve ser demonstrado no seu dia a dia. Para HARRISON a santidade de Deus significa a rejeição de qualquer coisa imoral ou pecaminosa (pg 28).

  • Caráter do Homem: Os sacrifícios revelam que o homem é pecaminoso e precisa arrepender-se diante de Deus para ser perdoado. “As transgressões para as quais a expiação é providenciada são as da contaminação acidental ou da violação involuntária dos regulamentos cerimoniais... não havia perdão para o tipo de pecado que se constituía em repúdio das misericórdias da aliança.” (HARRISON, pg 28)

  • Graça Divina: Acreditamos, erradamente, que apenas o Novo Testamento traz demonstração da graça divina. Apesar de Levítico trabalhar a questão de como o homem se achegar a Deus, não são esses procedimentos que garantem a comunhão com Deus. Em última estância, foi o próprio Deus que garantiu que o homem seria aceito. O povo de Israel foi escolhido entre outros povos como propriedade do Senhor. Vós “sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos... vós me sereis reinos de sacerdotes e nação santa.” (Ex 19.5 e 6) Foi o próprio Deus que providenciou as variadas formas de ofertas para que o homem pudesse ser aceito. A ênfase das ofertas e sacrifícios não está na qualidade do ato humano, mas no valor do perdão divino.

  • Forma da Expiação: Os israelitas são ensinados que a expiação do pecado é pela substituição. Deve-se oferecer uma oferta a Deus e ser pago um preço por essa oferta. Também é revelado que nenhuma pessoa pode ser seu próprio salvador ou mediador.

e) Importância do Livro (porque estudá-lo?)

HOFF destaca 3 motivos pelos quais deve ser dado importância ao livro de Levítico (pg 156 e 157):

1) Sem ele seriam incompreensíveis outras partes da Bíblia. Não seria possível entender as referências posteriores sobre sacrifícios, cerimônias de purificação e o sacerdócio. Visões reveladas em profetas como Isaías, Jeremias e Ezequiel sobre simbolismo do templo, das ofertas, das festas e das pessoas são compreendidas tendo como base Levítico. O entendimento de Hebreus está ligado ao livro Levítico.

2) Seus preceitos revelam princípios permanentes para o relacionamento com Deus (formas antigas da lei versus princípios morais e espirituais). Deus reprova o pecado. Porém, Ele está interessado em remover o pecado do homem. Temos um princípio totalmente válido no Novo Testamento: “Amarás a teu próximo com a ti mesmo.” (Lv 19.18; ver Mt 5.43; 19.19; 22.39; Mc 12.31; Lc 10.27; Rm 13.9; Gl 5.14; Tg 2.8)

3) Grandes verdades do Novo Testamento são compreendidas tendo Levítico como pane de fundo. A obra sacrificial de Cristo é melhor compreendida a partir do simbolismo de Levítico.

f) Divisão do Livro

FONTES CONSULTADAS

1) BÍBLIA SAGRADA, Revista e Atualizada. São Paulo: SBB. 1993. 2ª Ed;

2) COLEMAM, Robert, Levítico in COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY. Vol. 1. São Paulo: Imprensa Batista Regular. 1984.

3) HOFF, Paul. O Pentateuco. São Paulo: Vida. 1983.

4) HARRISON, R. K. Levítico, introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova. 1983;

5) LASOR, William. HUBBARD, David. BUSH, Frederic. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova. 1999;

6) LIMA, Josadak. Levítico. Revista DEBQ, 1T2011. Curitiba: SGEC. 2010.

 

(Reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.ebqrecife.blogspot.com/)



*Celson Coêlho
Diretor do DEBQ-PE
Editor do Blog

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Celson Coêlho