domingo, 6 de fevereiro de 2011

LEVÍTICO, ofertas e sacrifícios (Subsídio para lição DEBQ 1T2011)

(imagem extraída de http://gospelhymns.blogspot.com/)
*Por Celson Coêlho

Os primeiros 7 capítulos de Levítico falam sobre ofertas e sacrifícios. São as instruções divinas para o culto que lhe será prestado. O culto do Seu povo deveria ser “agradável” (Lv 1.9), ou seja, aceito pelo seu Deus.

Os princípios dessas orientações devem fundamentar nossas ofertas nos dia de hoje (que vai além do dinheiro) e balizar o entendimento sobre a Obra Redentora realizada por Cristo.

LASOR (pg 89) sugere que os capítulos que falam sobre sacrifícios sejam divididos em duas seções: 1) Ensinos básicos sobre os sacrifícios (1─5) e 2) Detalhes administrativo (6─7). A primeira parte fala da oferta tendo como ponto de vista o ofertante (o leigo). A segunda, traz observações a partir dos sacerdotes (“especialistas” em ofertas).

O termo oferta (heb.qorban) é derivado da raiz que significa “aproximar-se”. Logo, oferta significa “aquilo com que alguém se aproxima de Deus”.

Cinco tipos de ofertas são descritas nos primeiros cinco capítulos do livro: Holocausto (1.1-17); Oferta de manjares (2.1-16); Sacrifícios pacíficos (3.1-17); Oferta pelo pecado (4.1-5.13); Oferta pelo sacerdote (5.14-19).

O primeiro capítulo nos oferece algumas considerações que são válidas de forma geral para as ofertas vistas no livro:

a) A oferta era voluntária, espontânea – Isso está expresso no verso 2: “Quando algum de vós trouxer oferta...” As ofertas eram pessoais e espontâneas, ao passo que as festas eram coletivas e obrigatórias (ver cap. 23). Ninguém era obrigado a trazer sua oferta. Mas, aquele que deseja o perdão precisava ofertar.

b) Seu objetivo é obter aceitação divina“... para que o homem seja aceito perante Deus.” (v3). HARRISON esclarece que o ofertante expressava “ações de graças, o desejo de uma renovada comunhão com Deus e um aprofundamento da vida de oração, ou para indicar a necessidade do perdão do pecado.” (pg 38) Com o passar do tempo os israelitas agiam com se a oferta fosse mais importante que a atitude interior (1Sm 15.22; Sl 51.16; Is 1.11-17; Mq 6.6-8). Jesus corrige os judeus de sua época quanto à importância da atitude do coração (Mt 5.23 e 24; Mc 12.33).

c) Qualidade da oferta“... oferta de gado, de rebanho ou de gado miúdo.” (v2) “... sem defeito...” (v3; ler também os versos 10 e 14). O animal oferecido deveria ser domesticado. O animal silvestre não traria nenhum custo ao ofertante e não receberia o devido cuidado. A oferta deve ter um custo para quem a oferece. Deveria ser o melhor gado.

d) Expiação por substituição“... para que seja aceito em favor dele, para sua expiação” (v4). Expiação (heb. Kipper) significa “cobrir” ou “ocultar” a ofensa. Expressando que o pecado não esta mais na presença do Senhor.

e) Participação ativa de quem oferta – “E porá a mão sobre a cabeça do holocausto... Depois imolará o novilho perante o Senhor.” (v 4 e 5) O ato da oferta não era apenas levar o animal a presença do sacerdote, cruzar os braços e deixar que “acontecesse” a oferta. O ofertante não deveria assumir uma atitude passiva. COLEMAM (pg 115) esclarece que “...porá a mão...” implica em pressionar com força. Além disso, a obrigação de matar o animal também era do ofertante, Lv 1.5: “imolará”. A NTLH[1] traduz por “o homem matará...” O adorador deveria matar o animal, tirar sua pele e cortá-lo. Era um “participante ativo” (HARRISON, pg 40) na adoração através da oferta.

f) Todos poderiam ofertar (proporcional a condição financeira) – O verso 14 diz: “Se a oferta ao Senhor for holocausto de aves...” Nem todos teriam condições de ofertar um animal de qualidade. Para as pessoas pobres, havia a possibilidade de se ofertar uma ave. As exigências eram poucas, não se diz que a ave deveria ser macho e sem defeito (ver 5.7; 12.8), afirma HARRISON (pg. 43). Todos poderiam se consagrar ao Senhor. (Inclusive o sacerdote deveria ofertar por si mesmo)

g) “Aroma agradável” – Além de aparecer em 1.9, a expressão ocorre mais 16 vezes no texto de Levítico. A tradução revista e atualizada traz a expressão “cheiro suave”. A NTLH, “cheiro agradável”. A oferta, quando realizada de forma correta, é agradável ao Senhor. A aceitação divina foi o que ocorreu em Gn 8.1, “o Senhor aspirou o suave cheiro...” Vemos aqui uma linguagem humana (antropomórfica) para expressar que Deus aceita a adoração de seu povo.

Paulo faz referência a esta aceitação em Ef 5.2 referindo-se a obra de Cristo. Também somos convocados pelo apóstolo em Rm 12.1 para apresentarmos nosso corpo como sacrifício agradável a Deus.

Observe a não aceitação divina do "fogo estranho" oferecidos por Nadabe e Abiú em Lv 10.1-7.


NOTA
1. Nova Tradução na Linguagem de Hoje

FONTES CONSULTADAS

1) BÍBLIA SAGRADA, Revista e Atualizada. São Paulo: SBB. 1993. 2ª Ed;
2) COLEMAM, Robert, Levítico in COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY. Vol. 1. São Paulo: Imprensa Batista Regular. 1984.
3) HOFF, Paul. O Pentateuco. São Paulo: Vida. 1983.
4) HARRISON, R. K. Levítico, introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova. 1983;
5) LASOR, William. HUBBARD, David. BUSH, Frederic. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova. 1999;
6) LIMA, Josadak. Levítico. Revista DEBQ, 1T2011. Curitiba: SGEC. 2010.


(Reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.ebqrecife.blogspot.com/)


*Celson Coêlho
Diretor do DEBQ-PE
Editor do Blog
Contato: ebqrecife@hotmail.com

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