sexta-feira, 4 de março de 2011

QUAL A SUA IGREJA?

(Imagem extraída de http://www.dignow.org/)

Na página Opinião, o jornal Diário de Pernambuco (04/03/2011) trouxe o artigo que publico na íntegra abaixo. Com título "Que tal abrir uma igreja?" o texto expõe a triste realidade da concorrência "igrejeira" no Brasil. O destaque em negrito e sublinhado feito por mim. Segue o nome do autor:

Paulo Artur Marenga // Executivo
"Recente reportagem do jornal Folha de São Paulo mostrou a facilidade com que se abre uma igreja no Brasil. Um editor e um repórter, com a ajuda de um escritório especializado na preparação da documentação para a Junta Comercial, gastando apenas R$ 418,42 com taxas e emolumentos, esperaram cinco dias úteis e já receberam o registro da sua Igreja Heliocêntrica do Sagrado Evangélio (assim mesmo!). Com CNPJ e documentos inerentes a uma nova empresa, abriram conta em bancos, fizeram depósitos e aplicações financeiras, tudo que uma empresa pode praticar legalmente.

Em uma lista publicada com os nomes de 115 'igrejas' abertas por seus 'donos' no Brasil em 2010 (dados até setembro), aparecem denominações singulares como Igreja Evangélica Abominação À Vida Torta, Igreja Automotiva do Fogo Sagrado (deve funcionar numa concessionária), Igreja Evangelista Fiel Até Debaixo D'Água (essa deve ficar na área inundável de São Paulo), Igreja Evangelista Florzinha de Jesus(Vige!), Igreja Pentecostal Cuspe de Cristo (quem a inventou devia estar doidão), Assembleia de Deus Batista Cobrinha de Moisés (coitado do Moisés!), Igreja Evangélica Fonte Santa do Biscoitão (Meu Deus!), Igreja Evangélica da Batalha dos Deuses (ôxente, quantos há?), e por aí vai a imensa lista. No fundo mesmo, os seus fundadores, aproveitando-se das brechas da lei, das carências e da credulidade da nossa gente, buscam nesses templos a arrecadação de dinheiro fácil e sem controle, bem como a lavagem de fortunas vindas do tráfico de drogas e de assaltos. Tudo dentro da lei, em nome de Deus e sob as vistas grossas da Receita.

Mas não são oportunistas só os seus donos, os seus fiéis também o são. Estes buscam nos picaretas travestidos de pastores, missionários e bispos, toda sorte de milagres em sessões teatrais, devidamente filmadas. Nelas assistem-se a cenas de cegos que passam a enxergar, aleijados que atiram longe as suas muletas, doentes 'incuráveis' que se curam, tomados pelo demônio que, após alguns segundos estribuchando no chão, levantam-se e anunciam estar livres do capeta, tudo com a imposição das mãos de um desses picaretas que, aos berros, invoca Jesus e anuncia glorioso as suas curas. Uma plateia apaixonada e extasiada não hesita em fazer as suas doações, mesmo que o único dinheiro disponível seja o do seu ônibus de volta para casa. Tudo para exibição teatralizada e editada na televisão para a atração de mais incautos.

Os donos dessas 'igrejas' são todos milionários, ou a caminho disso, e não escondem os seus bens, sejam eles carrões, mansões ou aviões. Tudo absolutamente livre de quaisquer tipos de impostos e às vistas de uma impotente Receita Federal que nada faz com os que ficam ricos da noite para o dia com essa picaretagem explícita.

Exércitos de alienados e fanáticos lotam todos os dias esses templos com nomes esdrúxulos fazendo a alegria dos seus donos picaretas e milionários que, livres, leves e soltos, arrebanham cada vez mais fiéis para as suas sessões de curas, exorcismos e milagres."

(extraído na íntegra de http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/03/04/opiniao.asp em 04/03/2011)

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Celson Coêlho