sábado, 27 de agosto de 2011

ENSINAR É CONVICÇÃO!




Por Celson Coêlho

1. Ensinar é convicção que a Bíblia é Palavra de Deus, infalível e padrão único de fé e conduta cristã; Não adianta ensinar a Bíblia sem crer em sua autoria divina;

2. Ensinar é convicção que seu ensino faz parte dos ministérios concedidos a Igreja; Não adianta realizar uma tarefa apenas para ocupar uma posição;

3. Ensinar é convicção que é Deus quem concede o ministério (dom); Não adianta preparação e esforço se não houver concessão divina do dom;

4. Ensinar é convicção que seu ensino, juntamente com os outros ministérios, é proveitoso para edificação do Corpo de Cristo; Não adianta brilhantismo sem edificação, estamos falando em vidas eternamente com ou sem Deus;

5. Ensinar é convicção no chamado real e pessoal; Não adianta formação, experiência ou indicação se não houver chamado. Este leva àqueles, aqueles não garantem este;

6. Ensinar é convicção que Deus, por de sua abundante graça, transforma a vida do mais viu pecador; Não adianta pensar que o ser humano não tem jeito. Nasceu assim, vai morrer assim; e

7. Ensinar é convicção que, na “escola de Deus”*, somos sempre alunos; Não adianta subir num pedestal de arrogância e pensar que já sabe muito, esta atitude é prejudicial à aprendizagem.

Convicções como essas são essenciais ao ensino, os outros aparatos são secundários!

Nota:
* Expressão emprestada de Calvino, para ele a Igreja é a escola de Deus.

Celson Coêlho
Editor do Blog

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

EVANGÉLICO NÃO PRATICANTE - Reportagem da Revista Isto É


Imagem extraída do site da revista, link abaixo

A revista Isto É dessa semana (20 a 29/08/11) traz a seguinte reportagem de capa: “O Novo Retrato da Fé no Brasil”. Num texto sobre o sincretismo religioso atual em nosso país, seu subtítulo, de cara, revela verdades que afetam diretamente a igreja: “Pesquisas indicam o aumento da migração religiosa entre os brasileiros, o surgimento dos evangélicos não praticantes e o crescimento dos adeptos ao islã.”

Compartilho trechos dessa reportagem, que estarão na cor azul. Os sublinhados são destaque meus, não constam na reportagem original. Após, trago considerações que são pequenas reflexões sobre o texto. Ao final, deixo o link da reportagem completa para que todos possam conferi-la. Vale a pena!

Acaba de nascer no País uma nova categoria religiosa, a dos evangélicos não praticantes. São os fiéis que creem, mas não pertencem a nenhuma denominação... nascem em berço evangélico – e, como muitos católicos, não praticam sua fé... evangélicos de origem que não mantêm vínculos com a crença...

Isso só é possível porque o universo espiritual está tomado por gente que constrói a sua fé sem seguir a cartilha de uma denominação. Se outrora o padre ou o pastor produziam sentido à vida das pessoas de muitas comunidades, atualmente celebridades, empresários e esportistas, só para citar três exemplos, dividem esse espaço com essas lideranças. Assim, muitas vezes, os fiéis interpretam a sua trajetória e o mundo que os cerca de uma maneira pessoal, sem se valer da orientação religiosa. Esse fenômeno, conhecido como secularização, revelou o enfraquecimento da transmissão das tradições, implicou a proliferação de igrejas e fez nascer a migração religiosa... desvinculados da sua instituição...
[...]

Em sua dissertação de mestrado sobre as motivações de gênero para o trânsito de pentecostais para igrejas metodistas, defendida na Umesp, a psicóloga Patrícia Cristina da Silva Souza Alves verificou, depois de entrevistar 193 protestantes históricos, que 16,5% eram oriundos de igrejas pentecostais. Essa proporção era de 0,6% (27 vezes menor) em 1998, como consta no artigo “Trânsito religioso no Brasil”, produzido pelos pesquisadores Paula Montero e Ronaldo de Almeida, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Para Patrícia, o momento econômico do Brasil, que registra baixos índices de desemprego e ascensão socioeconômica da população, reduz a necessidade da bênção material, um dos principais chamarizes de uma parcela do pentecostalismo. “Por outro lado, desperta o olhar para valores inerentes ao cristianismo, como a ética e a moral cristã, bastante difundidas entre os protestantes históricos”, afirma.

Em busca desses valores, o serralheiro paraibano Marcos Aurélio Barbosa, 37 anos, passou a frequentar a Igreja Metodista há um ano e meio. Segundo ele, nela o culto é ofertado a Deus e não aos fiéis, como acontecia na pentecostal Assembleia de Deus, a instituição da qual Barbosa foi devoto por 16 anos, sendo sete como presbítero. O serralheiro cumpria à risca os rígidos usos e costumes impostos pela denominação. “Eu não vestia bermuda nem dormia sem camisa, não tinha tevê em casa, não bebia vinho, não ia ao cinema nem à praia porque era pecado”, conta. Com o tempo, o paraibano passou a questionar essas proibições e acabou migrando. “Na Metodista encontrei um Deus que perdoa, não um justiceiro.”

... Preterir as denominações cristãs por religiões de origem africana é outro tipo de migração até então pouco comum...

A teóloga Lídia sugere que os sistemas simbólicos das religiões evangélica e afro-brasileira têm favorecido a circulação de fiéis da primeira para a segunda...
[...]

Antes de se fixar na Bola de Neve, Higuti experimentou outras quatro denominações evangélicas. Mobilidades intraevangélicas como as dele ocorrem com aproximadamente 40% dos adeptos de igrejas pentecostais e neopentecostais, segundo a especialista em sociologia da religião Sílvia, da UFRRJ. Os neopentecostais, porém, possuem uma particularidade. Seus fiéis trocam de igreja como quem descarta uma roupa velha: porque ela não serve mais. São a homogeneização da oferta religiosa e a maior visibilidade de algumas denominações que produzem esse efeito [...] E cada vez mais as pessoas estabelecem uma relação utilitária com a religião. De acordo com a pesquisadora Sandra, se não há o retorno (material, na maioria das vezes), o fiel procura outra prestadora de serviço religioso. [...] “Entre os neopentecostais não se busca mais um líder religioso, mas um mago que resolva tudo num estalar de dedos”, diz Sandra. “Essa magia faz sucesso, mas tem vida curta, uma vez que o fiel se afasta, caso não encontre logo o que quer.”
[...]

É cada vez mais comum, no País, fiéis rezando com a cartilha da autonomia religiosa. Esse chega para lá na fé institucionalizada tem conferido características mutantes na relação do brasileiro com o sagrado, defende a professora Sandra, de ciências sociais e religião da Umesp. “Deus é constituído de multiplicidade simbólica, é híbrido, pouco ortodoxo, redesenhado a lápis, cujos contornos podem ser apagados e refeitos de acordo com a novidade da próxima experiência.” Agora é o fiel quem quer empunhar a escrita de sua própria fé.


CONSIDERAÇÕES:
O que eu ouvia nas salas da Faculdade de Teologia anos atrás, agora é constatação do IBGE e da mídia: “evangélicos não praticantes”.

Lembremos que o termo “evangélico” tem sido usado historicamente, principalmente a partir da Reforma Protestante, para desginar os seguidores de Jesus. Seu uso expressava o desejo de retorno ao Evangelho, caminho contrário da igreja Romana.[1] Então, inicialmente, evangélicos eram os que defendiam o Evangelho (A Bíblia) como autoridade para a igreja.

Na Bíblia os termos para os seguidores de Cristo são, normalmente, discípulos e cristãos. Essas palavras aparecem juntas em Atos 11.26: “[...] Em Antioquia, foram os discípulos [gr. mathetes], pela primeira vez, chamados cristãos [christianos].” Cristão tem menor ocorrência, apenas 3 no Novo Testamento (At 11.26; 26.28 e 1Pe 4.16). Denota aquele partidário (defensor) da causa de Cristo [christos]. Semelhante ao termo herodiano [herodiano], partidário de Herodes (Mc 3.6). De forma literal cristão significa pequeno Cristo.

Vale salientar que os seguidores de Cristo não se auto intitulavam cristãos. Eles foram “chamados” [chrematidzo], ou seja, reconheceram que eles “pareciam com alguém”[2] ou faziam negócio no nome de alguém.[3]

O outro termo, discípulo, tem 260 registros no Novo Testamento. Seu significado é aprendiz (aluno). Este termo “emprega-se para total devoção a alguém, no discipulado.”[4] O alvo do discípulo ao ser bem instruído, era ser igual ao seu mestre (Lc 6.40).

No uso dos termos evangélico (histórico), cristão e discipulo (bíblicos), encontramos a ênfase da identificação da pessoa com aquilo ou aquele que ela segue. Na palavra evangélico, encontramos ligação com o Evangelho, aquele que vive segundo o Evangelho de Cristo. Os termos bíblicos expressam similaridade com Cristo (o Mestre).

Imaginemos se a expressão “evangélicos não praticantes” fosse substituída por “cristãos não praticantes”? Seria como dizer: “ser igual a Cristo sem ser igual”. Pensemos em “discípulos não praticantes”? Expressaria: “seguir o Mestre sem fazer o que ele ensinou”.

Aquele que conhece a Palavra do Mestre e não pratica é insensato, seu fim será de grande ruína (Mt 7.26 e 27).

NOTAS
[1] Para melhor compreensão do termo "evangélico" leia Evangelicalismo in ELWELL, Walter. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vida Nova; e Evangelicalismo in CHAMPLIN, Russel e BENTES, João. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Candeia. Na internet leia o texto equilibrado de Michael Horton http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/evangelico_horton.htm
[2] Cristão in Dicionário Internacional de Teologia do novo Testamento.
[3] Bíblia de Estudo Palavras Chaves; Confira o uso do termo em Rm 7.3: “...será considerada [chrematidzo] adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem...”
[4] Discípulo in Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento.


Site da revista com a reportagem completa:
http://www.istoe.com.br/reportagens/152980_O+NOVO+RETRATO+DA+FE+NO+BRASIL

Celson Coêlho
Editor do Blog

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

TAL PAI, TAL FILHO...

Com a proximidade do Dia dos Pais, tenhamos cuidado com o alerta:
Tem muito filho seguindo o exemplo do pai...



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

DUAS DESPEDIDAS E UMA REFLEXÃO


Os últimos dias de julho registraram duas despedidas de ingleses conhecidos. Refiro-me aos falecimentos de Amy Winehouse e de John R. W. Stott.

No dia 23 de julho, com toda badalação “prazerosa” da mídia, faleceu Amy Winehouse, aos 27 anos. Muito se falou sobre ela: um mito; ícone dos jovens; estrela pop... muitos adjetivos necessários para evidenciar a notícia.

Em sua vida hedonista, Amy se entregou a bebida e as drogas. Em várias apresentações revelava total descontrole e desrespeito ao público.

Morte precoce, talvez vítima de seu estilo de vida...

Quatro dias após a morte de Amy, em 27 de julho, outro inglês, não tão famoso, morre aos 90 anos, por causas naturais. Não se falou na mídia, mas John Stott foi pastor, escritor e ilustre teólogo. Assim ele é descrito: “um dos gigantes da fé cristã contemporânea, que ajudou a construir a Igreja Evangélica ao longo do século 20.” (Cristianismo Hoje)

Stott escreveu cerca de 40 livros (tenho 3 em minha biblioteca). “Cristianismo Básico”, tido como um dos mais importantes, vendeu 2 milhões de cópias e foi traduzido para 60 línguas. Foi capelão da coroa britânica por 30 anos. “Protagonista do movimento conhecido como Evangelho integral, ele organizou, na companhia do evangelista Billy Graham e outras lideranças, o Congresso Internacional de Evangelização, em Lausanne (Suíça), em 1974. O evento entrou para a história da Igreja Cristã por lançar as bases de uma abordagem da fé inteiramente contextualizada à sociedade, sem, contudo, abrir mão dos princípios basilares do Evangelho, consubstanciada no Pacto de Lausanne.” (Cristianismo Hoje) [grifo meu]

Apesar de certo prestígio e reconhecimento no meio evangélico, Stott, que decidiu não casar para dedicar-se ao Evangelho, vivia uma vida simples. Admirador de pássaros, aproveitava seus momentos de lazer nos bosques do Reino Unido. Sempre com binóculos, máquina fotográfica e caderno de anotações a mãos.

Estilos de vidas contrastantes. Finais opostos.

Cada um deles deixa um legado.

Qual será mais lembrado pela sociedade? Qual tem mais influencia sobre nossas vidas? Na verdade acredito que muitos cristãos nunca ouviram falar de John Stott. Enquanto Amy Winehouse...

 "O conhecimento é indispensável para a vida e para o serviço cristãos. Se não usamos a mente que Deus nos deu, nós nos condenamos à superficialidade espiritual e nos privamos de muitas das riquezas da graça de Deus". (John Stott)

Celson Coêlho
Editor do Blog

Mais textos:
Amy Winehouse e Lula (Por Augustus Nicodemos Lopes, pastor presbiteriano)
Faleceu um entre os santos: John R. W. Stott (por Mauro Meister, pastor presbiteriano)
Morreu Amy Winehouse (por Isaltino Gomes, pastor batista)
Livro como um pássaro (sobre Stott, por Esdras Bentho, pastor assembleiano)
Amy Winehouse (no Wikipedia)