sábado, 29 de dezembro de 2012

A MORTE DE JESUS: PORQUE TRÊS DIAS E ONDE ELE ESTEVE?

 1) Existe alguma representação especial para Jesus ter ressuscitado justamente ao terceiro dia?
2) O que aconteceu de fato no período entre a morte e a ressurreição de Cristo? O que ele fez? Por onde andou?

As perguntas acima foram dúvidas enviadas por um irmão. Tento esclarecê-las no texto abaixo. Boa leitura:

Por que 3 dias? Ou por que no terceiro dia?
Tem algumas passagens nos evangelhos que o próprio Jesus trata de sua morte e ressurreição. São elas:
Mateus 12.40; Marcos 8.31; e Lucas 9.22 – Falando de forma direta; e
Mateus 26.61; 27.40; Marcos 14.58; 15.29; e João 2.19-22 – Falando por analogia sobre a destruição do Templo de Jerusalém e sua reconstrução em três dias.
A mais significativa para nosso entendimento é a passagem de Mt 12.40. Antes de analisá-la, ressalto a importância do texto de João, principalmente no verso 22:
“Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto [que morreria e ressuscitaria]; e creram na Escritura e na palavra de Jesus.” (acréscimo entre colchetes é meu)
Sua declaração de morte e ressurreição ao terceiro dia foi uma profecia. Ele predisse e se cumpriu. Seu cumprimento serviu para solidificar a fé dos discípulos e a nossa também. (veja João 12.16)

VAMOS AO TEXTO de Mateus 12.38-42:
O que se destaca nessa passagem é o pedido de um SINAL (v. 38). Os judeus presenciaram muitos sinais, como a cura do endemoninhado, cego e mudo (Mt 12.22). Contudo, exigiam um sinal como credencial. Como se fosse um sinal “autorizador” para credenciar o que Cristo realizava.
Falando sobre o sinal que eles veriam, Jesus compara sua morte e ressurreição com a “quase” morte e ressurreição de Jonas no ventre o peixe. Lucas declara: “Assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, o Filho do homem o será para está geração.” (Lc 11.30)
Qual foi o sinal de Jonas? Jonas foi o sinal do verdadeiro amor de Deus por um povo pecador e alienado de Sua vontade. A “quase” morte e ressurreição de Jonas do ventre de um peixe e sua posterior pregação levaram os ninivitas ao arrependimento.
O sinal da morte e ressurreição de Jesus deveria levar muitos outros ao arrependimento pois Ele é maior que Jonas (Mt 12.41).
Então, a morte e ressurreição de Cristo após três dias foram prefiguradas por Jonas. E tem como objetivo (sinal) levar ao arrependimento.
Paulo afirma que Cristo “foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 14.4). Havia uma compreensão na igreja primitiva que o Messias ressuscitaria ao terceiro dia. Possivelmente a partir de passagens como Salmos 16.8-10; Isaias 53.10-12 e Oséias 6.2.

Onde Jesus esteve após sua morte?
A passagem de Mateus analisada acima traz o termo “coração da terra” (12.40). Não existe muito esclarecimento quanto ao que seria o “coração da terra”, a não ser sua idéia básica de centro da terra. Uma expressão semelhante encontra-se em Lucas 16.22, 23: “seio de Abraão”.
Existe um ensinamento que após a morte Jesus foi ao inferno. Acredito ser pouco provável esse entendimento. Primeiro por pouca (ou nenhuma) evidência bíblica. Segundo por falta de objetivo de uma ida ao inferno.
Os textos bíblicos que tentam fundamentar a ida ao inferno são basicamente Efésios 4.9,10 e 1ª Pedro 3.18,19. As duas passagens são de difícil entendimento. Por isso muitas interpretações são sugeridas. Vejamos o significado a partir do seu contexto e o respaldo em outros textos NÃO difíceis da Bíblia:
EFÉSIOS 4.9,10
“Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra?”
“Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.”

O que significa “regiões inferiores da terra”?
As regiões mais baixas da terra é um contraponto a “acima de todos os céus”. Aqui temos uma comparação de extremos. “Acima de todos os céus” refere-se à situação de Cristo glorificado. “Regiões inferiores da terra” refere-se a Ele como homem, humilhado quando deixou sua glória.
Leia João 3.13 e Filipenses 2.7-9. Principalmente Filipenses esclarece a humilhação de Jesus, sendo Deus, tornar-se homem e sua posterior glorificação.
Logo, “regiões inferiores da terra” significa seu estado humilhação quando se tornou homem e não usurpou ser igual a Deus.

1ª PEDRO 3.18,19
“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim na carne, mas vivificado no espírito”
“No qual também foi e pregou aos espíritos em prisão.”

O que significa “espíritos em prisão”?
Temos duas opções: ou se refere a pessoas ou, literalmente, a seres espirituais. No contexto desses versos não encontramos referência alguma a seres espirituais. Em contrapartida, logo no verso 20, encontramos referência a pessoas que foram desobedientes nos dias de Noé. Torna-se plausível a conclusão de referir-se a pessoas quando juntamos o final do verso 19 com o início do verso 20: “... e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé...” Os que são desobedientes a Deus encontram-se aprisionados. São espíritos em prisão.
Então qual a ligação de Cristo com as pessoas da época de Noé? Cristo foi pregado, de forma prefigurada, por Noé. (ou Cristo pregou através do ministério de Noé)
No verso 18 temos: “morto na carne” e “vivificado no espírito.” A primeira frase refere-se a Cristo limitado na carne, ou seja, sua vida terrena, inclusive a morte. A segunda refere-se ao seu estado não limitado, ou seja, sua natureza divina antes da encarnação. Foi nessa segunda situação que ele pregou nos tempos de Noé.
Essa interpretação, que é aceita pela maioria dos comentaristas, além de ser compatível com outros ensinamentos da Bíblia, afasta o entendimento de se ter pregado para pessoas que já haviam sido condenadas e seus espíritos estavam em tormento (prisão). Essa seria uma possibilidade de salvação após a morte, o que se configura uma completa heresia.
Conforme os dois textos acima, acredito que Jesus não tenha comparecido ao inferno entre sua morte e ressurreição. Então para onde Ele foi?
O mais viável é que entre a morte e a ressurreição, Jesus esteve ao lado do Pai. Entendemos isso a partir de Lucas 23.43,46:
“Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.”
“Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!”

Entre sua morte e ressurreição Jesus esteve em intimidade com Deus. Assim é meu entendimento.

Celson Coêlho
Editor do Blog

Acessos:
Desceu Cristo ao inferno? Por Mário de Jesus Arruda in http://www.iprb.org.br/artigos/textos/art01_50/art39.htm (em 28/12/2012)
Descendit ad inferna”: uma análise da expressão “desceu ao hades” no cristianismo histórico por Heber Carlos de Campos in  http://www.thirdmill.org/files/portuguese/13874~9_19_01_10-42-34_AM~heber1.htm (em 28/12/2012)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

ESTAÇÃO SALVA-VIDAS


*Por Teston Gilpatrick 

Um pouco além de uma costa rochosa e muito perigosa, onde sempre ocorriam naufrágios, foi construída uma pequena estação salva vidas. O prédio em si nada mais era do que um simples barracão. Mais uma equipe treinada de doze membros dedicados vigiava constantemente, buscando atenta, no mar turbulento, as almas perdidas.
Muitas vidas foram salvas por este corajoso grupo e assim a estação se tornou famosa. Alguns dos salvo, por especial gratidão, quiseram associar-se à estação e dentro em pouco moradores da vizinhança faziam parte dela, oferecendo generosamente seu tempo e seus talentos para manter essa magnífica obra.
Com toda essa ajuda, foi possível comprar mais barcos e montar novas equipes. Era bom ver como crescia a pequena estação! Mas alguns dos novos membros estavam descontentes com as instalações simples demais do pequeno barracão. Sugeriram então que um local mais confortável e que abrigasse melhor todos que eram salvos do mar fosse encontrado.
Ficou afinal resolvido construir um novo prédio, muito mais adequado. Em lugar de leitos toscos de emergências colocaram camas autênticas e móveis compatíveis. A estação, em suas novas condições, adequava-se agora a realização de atividades sociais e seus membros decoraram o novo “clube” de maneira luxuosa.
Aconteceu, porém, que os sócios queriam cada vez menos arriscar a vida para salvar os náufragos e contrataram então equipes “profissionais” para substituí-los nesse difícil trabalho. O tema das decorações oficiais e os adornos artísticos do “clube” ainda representavam simbolicamente o mar e o heroísmo de seus fundadores. Havia também um barco simbólico no salão principal e os novos “salva vidas” eram iniciados através de um completo ritual.
Houve a seguir uma tragédia terrível. Um grande navio sossobrou e as equipes contratadas levaram até a estação centenas de vítimas. Estas, representando todas as raças e camadas sociais estavam encharcadas, com frio e exaustas. Colocadas nas bonitas camas e belos estofados, os pobres náufragos deixaram tudo em desordem.
A diretoria da estação ficou aborrecida e resolveu não receber mais pessoas sujas e encharcadas. Quando os sócios souberam dessa decisão resolveram dividir a sociedade. A maior parte achou melhor suspender inteiramente todas as atividades relacionadas com a salvação de vidas, pois elas interferiam com a vida social do “clube”.
Outros membros porém reclamara, lembrando que salvar vidas no mar era o objetivo principal da existência da estação. Mas foram derrotados pela maioria, declarando esta que se insistissem em continuar salvando vidas teriam que começar sua própria estação em outro local.
E foi isso que fizeram, no início salvaram muitas pessoas, mas com o passar dos anos a nova estação sofreu as mesmas modificações da primeira. Transformou-se em outro clube e surgiu assim a necessidade de abrir mais uma verdadeira estação salva vidas.
Você encontrará hoje muitos clubes exclusivistas do outro lado do mar. Os naufrágios são frenquentes naquela zona, entretanto, a maior parte das vítimas continua se afogando sem assistência alguma. MORAL: Esta triste história simboliza o quê? O cristianismo, leitor! A igreja tem seus aspectos sociais, mas seu propósito básico é salvar vidas espirituais, de toda raça, nação, cidade e povoado do mundo inteiro, quer essas pessoas sejam boas ou não. No desempenho dessa tarefa um templo confortável e ricamente adornado não é essencial. Não há também necessidade de se formar um clube de amigos íntimos. O que é vital, em toda cidade, é uma equipe dedicada e corajosa, para salvar muitas vidas do naufrágio espiritual.
Temos atualmente igreja por toda parte. Entretanto, por outro lado, são relativamente poucas as pessoas salvas pelos guarda-costas do Senhor. Todos procuram deixar nas mãos de algum profissional (seja evangelista, presbítero ou missionário) este trabalho difícil, preferindo conscientemente trocá-lo por uma outra atividade social ou de lazer. Onde estão as igrejas dedicadas inteiramente à árdua tarefa de salvar almas, cuja existência é nossa razão de ser?.

(Extraído na íntegra do livro A Missão de Deus, uma teologia com integridade, de Teston Gilpatrick, Editora Vida Cristã)

sábado, 8 de dezembro de 2012

CUIDADO COM A LEITURA DA BÍBLIA

*Por Celson Coêlho 
A leitura da Bíblia tem que ser cuidadosa. Sugiro, não apenas eu, mas os grandes biblicistas e pregadores, que seja uma leitura livro por livro. Leia um livro completo, do 1º ao último versículo. Não podendo fazer em uma única vez, volte na próxima leitura para a passagem onde parou. (Dia após dia)
Faça essa leitura sempre em oração e na expectativa de ser orientado por Deus.
Mesmo com esses cuidados, algumas passagens parecem desnecessárias no registro bíblico. São maçantes.
Em minha leitura devocional, finalizei o livro de Josué. Do capítulo 15 ao 21, encontrei um desses trechos que, a primeira vista, se fossem retirados da Bíblia não fariam diferença.
Aqui nos cabe outro cuidado. Primeiro devemos lembrar que os livros sagrados tiveram destinatários originais que não foram nós. Qual o significado desse registro bíblico para seus leitores originais? Essa pergunta é fundamental para uma boa interpretação da Bíblia. Mesmo não sendo de fácil resposta. Lógico que, devido à autoria divina e sua inspiração, o texto bíblico é palavra do Senhor para todas as gerações.
Outro cuidado proveitoso: quando encontramos tais trechos, devemos perceber quais conclusões esclarecedoras o contexto daquela passagem nos revela.
No exemplo citado por mim, Josué capítulo 15 ao 21, os versículos finais do capítulo 21 nos revelam o porquê dos relatos “detalhados” da divisão de posses da terra:
Desta maneira deu o SENHOR a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais; e a possuíram e habitaram nela.
E o SENHOR lhes deu repouso de todos os lados, conforme a tudo quanto jurara a seus pais; e nenhum de todos os seus inimigos pode resisti-los; todos os seus inimigos o SENHOR entregou-lhes nas mãos.
Palavra alguma falhou de todas as boas coisas que o SENHOR falou à casa de Israel; tudo se cumpriu.” (Js 21.43-45)

Fica claro que o objetivo desse relato detalhado e um pouco “maçante” é confirmar o cumprimento da promessa divina nos mínimos detalhes: “tudo se cumpriu” (v. 45)
Deus é fiel e sua palavra não é vã!

Mesmo que a leitura pareça um pouco difícil em determinados momentos, continue, pois o Senhor nos diz: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.” João 15.3

Celson Coêlho
Editor do Blog

sábado, 24 de novembro de 2012

CONFERÊNCIA MISSIONÁRIA NA IEQ UR 7 (Dia 18/11/2012)

A Conferência Missionária foi realizada nos dias 16, 17 e 18 de novembro/2012.

Compartilhando a mensagem: "As Dimensões de Missões Urbanas" (Lucas 10)
Da esquerda para direita: Missionária Ester (Organizadora da Conferência), Pr. Severino, Pra. Maria José e minha esposa, Fernanda Souza.

Com irmão Clécio e sua esposa, Cibelle

terça-feira, 20 de novembro de 2012

AS DIMENSÕES DE MISSÕES URBANAS

*Por Celson Coêlho
(Mensagem pregada na Conferência Missionária na Igreja do Evangelho Quadrangular em UR 7-Várzea, Recife-PE, em 18/11/12)
Lucas 10.1-12

INTRODUÇÃO
Nosso tema mais amplo é Missões Urbanas. Necessário se faz definir o que seja Missões Urbanas: É expandir o Reino de Deus na cidade ou expandir o Reino de Deus na sociedade urbana.
Resumidamente vejamos algumas características de nossa sociedade urbana:
a) Constante evolução do conhecimento: o que era verdade ontem já não tem valor hoje. Isso muda a forma de trabalho (vida profissional), mas também influencia na vida cotidiana. Os valores da família são tidos com ultrapassados.
b) Sociedade conectada: as vidas das pessoas ocorrem “on line”. Existe uma grande exposição da vida pessoal. Gera-se um conflito entre o que é particular e o que é público.
c) Sociedade sem amor: aqui se expressa a degradação dos relacionamentos. Entre cônjuges. Entre pais e filhos. Nas amizades. Nos relacionamentos impera a violência.

1. DIMENSÃO TEOLÓGICA
Refiro-me a teologia em sua compreensão mais geral. O que é teologia? É entender e explicar o agir de Deus na humanidade. Isso todos que estão na igreja fazem. Quando afirmamos que uma passagem da Bíblia tem determinado significado ou quando queremos explicar espiritualmente determinado fato vivido com alguém. Isso é teologia.
O problema se encontra quando não temos a fonte correta para fundamentar nossa teologia. Foi o que aconteceu com Nicodemos (João 3).  Ele tentou explicar o agir de Deus dessa forma: “... sabemos que és mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (João 3.2). Jesus foi taxativo em sua reposta: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3.3). Ou seja, ninguém pode explicar o agir de Deus se não nascer de novo. Se não for convertido, se não tiver vida com Deus, não entende o agir divino.
Em nosso texto básico, Lucas 10, a Dimensão Teológica se encontra na expressão SENHOR DA SEARA (v. 2). Ninguém pode realizar adequadamente a expansão do reino de Deus se não estiver de baixo dessa verdade bíblica: a seara tem o seu Senhor. Quem governa e orienta as ações na expansão do reino é o próprio Senhor. Ele deixou claro essa verdade na analogia da videira e os ramos em João 15: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (v. 5).
Devemos realizar a expansão do reino em total dependência do Senhor da seara. Somos seus instrumentos. Quem converte o perdido não somos nós. É o próprio Deus através do Espírito Santo (João 16.8).
O conhecimento científico da sociedade urbana está em constante mudança. Podemos até mudar os meios que utilizamos para compartilhar o Evangelho. Mas o Evangelho não muda. Ele é nosso referencial. Aqui está nosso destaque para a Dimensão Teológica de Missões Urbanas. Não podemos perder o referencial da verdade bíblica. Ela é imutável. Estamos falando em vidas na eternidade com ou sem Deus. Logo, não podemos compartilhar apenas nossas ideias. Elas são passageiras.
Veja o que afirma Pedro sobre essa verdade: “Pois fostes regenerados não da semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. Pois toda carne é como a erva, e toda sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai sua flor. Ora, está é a palavra que vos foi evangelizada.” (1ª Pedro 1.22-25)
A Dimensão Teológica de Missões Urbanas nos lembra de que temos que compartilhar aquilo que é permanente: a Palavra de Deus.

2. DIMENSÃO ESPIRITUAL
A Dimensão Espiritual é revelada no imperativo: “ROGAI” (v. 2). A expansão do Reino não ocorre separada da oração. A expressão é uma ordem: Rogai. A oração é indispensável para quem deseja ser instrumento de Deus na evangelização do perdido. A intimidade com o Senhor da seara, gerada pela oração, nos dá o discernimento de quando e como compartilhar o Evangelho. A vida espiritual com Deus nos permite sentir o pulsar do seu coração.
Em outra ocasião do ministério de Jesus os discípulos revelaram o quanto estavam desligados da necessidade das almas perdidas. O fato se encontra em João 4. Os discípulos disseram: “Mestre, come!” (v. 31). Eles não tinham conhecimento do que realmente alimentava a alma do Mestre. Sua comida era fazer a vontade de Deus e realizar a sua obra (versos 32 a 34). No verso 35, a insensibilidade espiritual dos seus seguidores vem à tona: “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até a ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa.” Vejam bem. Vejam melhor – Foi o que disse o Mestre. O que foi plantado já está maduro e pronto para colheita. Na continuação desse texto, em João 4.39-42, muitos samaritanos creram no Senhor pelo testemunho da mulher. Existiam pessoas sedentas por crer em Jesus e seus discípulos não conseguiram perceber.
A oração abre nossa visão espiritual. Ela é o caminho que o Espírito usa para nos guiar as pessoas certas, nos momentos certos, com as palavras certas. A oração nos faz enxergar a urgência do mundo perdido. Oswald Smith declarou: “Nós conversamos sobre a segunda vinda de Cristo. Metade do Mundo sequer ouviu falar da primeira.”
Ainda no envio dos setenta em Lucas 10, Jesus deixa claro o destino daqueles que não se arrependerem: “descerás até o inferno” (v. 15). Se não estivermos conscientes do destino do homem sem Deus, não veremos a urgência em pregar o evangelho.
A luz da urgência em pregar o evangelho é acesa em nossos corações através da comunhão com Deus na oração. Eis a Dimensão Espiritual de Missões Urbana.
  
3. DIMENSÃO PRÁTICA
Temos que entender corretamente a vontade de Deus para compartilharmos com o mundo perdido (Dimensão Teológica). Devemos ter uma vida de oração para sermos guiados aos necessitados. Mas devemos nos dispor a prática. Temos que estar disponíveis para ser instrumento de Deus para os perdidos.
O “IDE” (v. 3) expressa a Dimensão Prática. Significa estar pronto para compartilhar Jesus em qualquer momento em nossa sociedade urbana. Seguir Jesus não é uma ação de isolamento. Quanto mais perto de Jesus, mais afastados das pessoas. Não é isso! Quanto mais crescemos com Deus, mais nos aproximamos em compaixão pelo perdido. Mais nos aproximamos do próximo para servir.
Vejamos algumas características da prática em Missões Urbana:
3.1. “Enviou de dois em dois” (v. 1) – Nessa estratégia Jesus demonstrou cautela. Aqui vemos a precaução e cuidado de não cometer equívocos. Em outros momentos o Senhor orientou: “Acautelai-vos” (Mateus 7.15 e 10.17; Lucas 12.1). Esse pedido de cautela estava ligado à adversidade encontrada na pregação do Evangelho e no engano causado por homens que desejam anular essa pregação: “Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como serpentes e símplices como as pombas. E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas.” (Mt 10.16, 17) Lembre-se que para os judeus a verdade dos fatos era atesta pelo testemunho de duas pessoas (Deuteronômio 19.15);
3.2. “Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos” (v. 3) – é uma atividade envolta em perigos. Essa verdade não deve nos inibir. Antes, deve nos despertar para as armadilhas de Satanás. Jesus alertou sobre as aflições que sofreríamos no mundo. Contudo, nos garantiu: “tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16.33);
3.3. Bom censo (vv. 5-7) – Ter bom senso é ser sensato, é ter a capacidade de distinguir a melhor conduta em situações específicas. No verso 6, subtende-se que tem momentos que não adianta insistir. Não é o momento de Deus. No verso 7 diz para não se desesperar e ir de casa em casa. O próprio Jesus entendeu que não poderia realizar grandes coisas em sua terra, Nazaré, devido à incredulidade do povo. Por isso, passou a ministrar nas aldeias da vizinhança (Mateus 6.1-6). Paulo, o maior missionário da história da igreja, foi impedido pelo Espírito Santo de pregar o Evangelho (Atos 16.6).
3.4. “Curai os enfermos” (v. 9) – A mensagem do Evangelho é uma mensagem de cura para um mundo aflito sem amor e sem Deus. Disse Paulo: “Não me envergonho do evangelho, porque é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...” (Romanos 1.16).

CONCLUSÃO
A continuação do capítulo 10 de Lucas nos deixa alguns alertas quanto à realização de Missões Urbanas:
Lucas 10.21: “... ocultastes estas coisas aos sábios e instruídos e as revelastes aos pequeninos” – A expansão do Reino não é realizada fundamentada na sabedoria humana. Vem de Deus, é revelada. (leia do 21 ao 24)
• Lucas 10.20: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.” – Cuidado com a soberba espiritual. O poder não é nosso. (leia do 17 ao 20)
• Lucas 10.40, 41: Marta agitava-se em muitos serviços e muitas coisas – A expansão do Reino não ocorre pelo nosso ativismo. Temos que ter tempo para ouvir Jesus. (leia do 38 ao 42)

Celson Coêlho
Editor do Blog
(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.celsoncoelho.blogspot.com)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

INTIMIDADE COM DEUS


 *Por Celson Coêlho
(mensagem pregada na IEQ-Ipsep, Recife-PE, em 23/09/2012)


Salmo 27

Qual a importância de sabermos o que realmente é intimidade com Deus?
A necessidade surge da nossa fraca referência do que é intimidade. É bem verdade que em nossos relacionamentos humanos pouco sabemos o que é uma intimidade verdadeira. Estão raras hoje. Isso devido à dinâmica da vida e as imposições de uma “sociedade da conquista”. A dinâmica da vida nos relembra que nossos relacionamentos não são mais como dos nossos pais e/ou avós. Eles nasceram e viveram sempre num mesmo bairro. Frequentaram uma mesma escola por anos. Hoje não é mais assim. A “sociedade da conquista” nos obriga olhar para o próximo não como amigo e sim como competidor. A vaga ou é minha ou dele. Assim, as pessoas escondem objetivos e sentimentos. Não se deixam conhecer.
O Salmo 27 é uma expressão de confiança no Senhor, mas também revela um coração desejoso por sua presença. Seu autor foi identificado como homem segundo o coração de Deus (Atos 13.22). Ele desfrutou da presença do Senhor. Desfrutou de intimidade.

1. INTIMIDADE É MORAR NA CASA DO SENHOR (V. 4)
“Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor...” Esse foi o desejo do salmista. Davi bem sabia o que era a casa de Deus. Foi ele quem intentou construir o templo (2ª Samuel 7.1-5). Logicamente que para o homem atual não é possível literalmente morar no templo, na igreja. O ensinamento é: estar continuamente na presença de Deus.
·         Morar significa viver com Deus, conhecer hábitos (Bíblia na Linguagem de Hoje);
·        Morar no templo era permitido apenas aos sacerdotes. Eles eram separados para isso. Morar acarreta separação, santidade.
O desejo de morar é completado por duas ações desejadas pelo salmista: para contemplar e meditar. Contemplar significa olhar com inteligência, demoradamente. Meditar é buscar, perguntar, considerar, refletir. A realização dessas duas ações requer tempo. Intimidade com Deus exige tempo dedicado a Ele. Não há espaço para o imediatismo. Não existem atalhos.
Uma das coisas mais difíceis  para o ser humano é eleger prioridades. O tempo é o mesmo para todos. O dia tem 24 horas para todas as pessoas. Uns poucos aproveitam bem seu tempo e outros muitos reclamam não ter tempo. Qual o tempo que temos dedicado para intimidade com Deus?
Alguns pensam que o planejamento do tempo não tem nada de espiritualidade. Dizem: – Isso é algo burocrático; limita a ação do Espírito.
Não foi essa a visão do apóstolo Paulo. Na epístola de Efésios, capítulo 5, o apóstolo está falando sobre obras das trevas e frutos da luz. Ou seja, vida cristã correta. Ele enumera as obras das trevas: impudicícia, impureza, cobiça, etc (verso 3 a 7). Como também explica o fruto da luz: bondade, justiça e verdade (v. 9). Nos versos 15 e 16 assevera o apóstolo: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios, REMINDO O TEMPO, porque os dias são maus” (destaque meu). Remir o tempo é aproveitar o tempo. Para sermos cristãos que agradam a Deus, tempos que cuidar do nosso tempo, planejando e investindo tempo com Deus.

2. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACIONAMENTO DE MÃO DUPLA (VV. 7 E 8)
Para os motoristas essa é uma afirmação muito simples. Mão dupla significa um caminho que o veículo vai e vem.
Expressou o salmista: “Ouve Senhor a minha voz; eu clamo...” (v. 7) Seu desejo era ser ouvido em sua oração. Assim ocorreu. Ele foi ouvido em sua oração. O verso 8 nos diz que a resposta veio ao seu coração.
Contudo, em intimidade com outra pessoa, nós falamos e a outra pessoa também quer falar. O homem fala. Deus quer falar também. O Senhor ouviu a oração do salmista e falou com ele: “... buscai a minha presença” (v. 8) Intimidade com Deus é falar com Ele através da oração, mas também estar atento a sua resposta.
Uma das passagens mais citadas sobre oração é Jeremias 33.3: “invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.” Essa é a orientação de Deus ao profeta: “Você ora a mim, fala comigo e eu te responderei.”
Às vezes estamos como Marta (Lucas 10.38-42). Não ficamos atentos ao falar do Senhor. Enquanto sua irmã, Maria, estava atenta às diretrizes do Mestre, Marta se ocupava com muitas tarefas (Lucas 10.40 e 41).
Intimidade é um relacionamento ao qual falamos com Deus e Ele fala conosco. Você está atento quando o Senhor fala?

3. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACIONAMENTO DE OBEDIÊNCIA (V. 8)
No verso 8 diz o salmista: “Ao meu coração me ocorre: Buscai a minha presença.” Deus estava falando ao seu coração. Deus o orientava a buscar a Sua presença. De pronto surge à resposta: “Buscarei, pois, Senhor a tua presença.” (v. 9) O Senhor orientou e o salmista se prontificou a obedecer.
Obediência verdadeira não é para qualquer um. Saul foi um grande general, mas não foi obediente como Davi.
Sansão se destacou por sua força. Contudo, não foi firme na obediência.
Salomão foi reconhecido por sua sabedoria. Mas sua desobediência desmoronou a nação após seu reinado.
Obediência é um sinal de quem tem intimidade com Deus.

4. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACIONAMENTO QUE DESEJA APRENDER (V. 11)
“Ensina-me, SENHOR, o teu caminho...” Quando conhecemos alguém e tornamos íntimos. Queremos mais conhecê-lo para sermos mais íntimos. Cria-se um ciclo: a intimidade dá conhecimento, o conhecimento do Deus gera mais intimidade.
O aprender de Deus não é para pastor, líder, obreiro ou missionário. É para todos que desejam ter comunhão com Ele.
Esse é um clamor constante no livro de Salmos:
Faze-me, SENHOR, conhecer os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem eu espero todo dia.” (Salmo 25.4,5)
“Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; dispõe-me o coração para só temer o teu nome.” (Salmo 86.11)

5. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACINAMENTO DE CONFIANÇA (VV. 1 a 3)
Os três primeiros versos desse salmo é a mais pura expressão de confiança. Confiança gerada pela intimidade.
Confiança é diferente de não ter problemas. Confiança é esperar o melhor de Deus apesar das adversidades. O salmista diz: “quando malfeitores me sobrevêm... Ainda que um exército se acampe contra mim... se estourar contra mim um guerra...” As dificuldades eram reais. A perseguição era verdadeira. O salmista passa momentos de aflições. Contudo, mantinha-se firme: “...AINDA ASSIM TEREI CONFIANÇA.” Aleluia!
Essa confiança em Deus, apesar das adversidades, leva a alegria e ao agradecimento: “Agora, será exaltada minha cabeça acima dos inimigos que me cercam. No seu tabernáculo oferecerei sacrifício de júbilo; cantarei e salmodiarei ao SENHOR.” (v. 6)

Celson Coêlho
Editor do Blog
(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.celsoncoelho.blogspot.com)

sábado, 3 de novembro de 2012

PAZ SEJA CONVOSCO! (João 20.19-23)


Era tarde de um domingo. Verdade seja dita, não era mais um domingo normal. Três dias se passaram da crucificação de um homem considerado por muitos como inocente. Não só condenação. Houve escarnio, sofrimento, humilhação. Tudo para um grande público ver.
Isso ocorrera com o líder de um grupo de pessoas chamadas de discípulos. Agora, esses seguidores estavam isolados e desolados. Múltiplas indagações lhes vieram à mente. O que fazer? Para onde ir? O que farão com seus seguidores?
Talvez um deles já tivesse sugerido algo muito normal para o momento: voltar à vida antiga...
A SITUAÇÃO DOS DISCÍPULOS
O texto de João é claro: “estavam os discípulos com medo dos judeus” (v. 19). Outras passagens do evangelho de João revelam que alguns dos judeus imprimiam medo sobre os seguidores de Jesus. Em João 9.22 vemos os pais atemorizados em testemunhar o milagre do filho. Em 19.38 temos um homem de destaque, José de Arimatéia, também acuado.
Esses perseguidores revelaram seu “poder” ao condenarem e crucificarem Jesus. O medo levou os discípulos a trancarem as portas. Na parábola dos talentos, Mateus capítulo 25, foi o medo que levou um dos servos a enterrar seu talento (verso 25; BLH). Trancados na casa, talvez os discípulos estivessem enterrando seus talentos, enterrando seus futuros.
O Jesus ao qual eles dedicaram suas vidas por quase 3 anos não conseguiu “vencer”. O homem ao qual Pedro disse: “para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6.68) acabara de sumir de suas vidas. Estava na hora de refazer os planos...
DUPLA PAZ
Nesse momento Jesus entra em cena. O Senhor dos nossos planos intervém. “Veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!” A tradução literal é “paz a vós”. A paz outrora tratada pelo Senhor como “minha paz” (Jo 14.27) é declarada sobre a vida dos discípulos. Essa não é a paz do mundo. Não é o sentimento passageiro de tranquilidade.
A primeira declaraçãopaz seja convosco” de Jesus é acompanhada de uma demonstração do seu corpo. “...Lhes mostrou as mãos e o lado” (Jo 20.20) A primeira PAZ é acompanhada de uma IDENTIFICAÇÃO. Sou eu mesmo, confiram. Lucas esclarece que os discípulos estavam “surpresos e atemorizados” com o aparecimento do Salvador. Até pensaram ser um fantasma (Lc 24.37). Na verdade eles não creram nas palavras do Mestre quando lhes antecipou que morreria e ressuscitaria (Mt 16.21-23). Também não creram no testemunho de Maria Madalena (Jo 20.18). Era necessário um testemunho impactante para que se desfizesse a incredulidade: – Vejam meu corpo. Sou mesmo. Morri e ressuscitei. Minha vitória lhes garante a paz verdadeira.
A mudança deveria ser decisiva!
A segunda declaraçãopaz seja convosco” é acompanhada de um COMISSIONAMENTO: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.” (Jo 20.21) A missão de Cristo teria continuidade nos seus seguidores. O Salvador já demonstrara esse desejo em sua oração sacerdotal (Jo 17.18). Agora, torna efetivo o envio. A paz que ajudaria os discípulos a reestabelecerem a coragem para sair da casa trancada, também fundamentaria a consciência da grande comissão estabelecida para suas vidas pelo Senhor. Eles passariam de “medrosos a serenos, de espectadores a testemunhas, de fracos a cheios do Espírito, de vacilantes a intimoratos [destemidos]” (HULL, William. In Comentário Bíblico Broadman – Observação entre colchetes minha).
A primeira “paz” gera alegria, a segunda, concede o Espírito. A primeira traz conforto, a segunda, capacitação. Eles deveriam levar essa mensagem ao mundo hostil.
Por isso, em Cristo vos delcaro: “PAZ SEJA CONVOSCO!”
Celson Coêlho
Editor do Blog

(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.celsoncoelho.blogspot.com)

domingo, 28 de outubro de 2012

NOVO PROJETO



Capa de Nossa Apostila

Com sua graça Deus tem nos possibilitado empreender um novo projeto. Sob a bênção do meu pastor, Pr. Daniel Narciso, estamos compartilhando estudos bíblicos nas noites das segundas.

Designamos esse projeto de Escola de Discípulos. Além do estudo bíblico, evidenciamos a oração e comunhão como caminhos necessários para o crescimento com Cristo.

Nesse projeto foi um desafio pessoal escrever as lições para os estudos bíblicos. Por isso, há aproximadamente um mês e 10 dias, estou sem compartilhar textos no blog. O primeiro fruto desse desafio foi o incrível crescimento espiritual que Deus me concedeu. Ao mergulhar nos textos bíblicos de cada lição. Ao examinar. Houve muito “falar” de Deus comigo. Fui alvo do burilar divino. Sou muito grato ao meu Senhor por isso.

O segundo fruto desse desafio foi a compilação da apostila “Minha Vida com Cristo”. São oito lições com estudos bíblicos baseados em oito textos das Escrituras. Sendo aprendiz nessa arte, visei fazer uma exposição das passagens em foco. Abaixo segue as lições:

1. O HOMEM SEM DEUS (Efésios 2.1-10)
2. A VIDA COM CRISTO (João 3.1-36)
3. GERADOS PELA PALAVRA (1ªPedro 1.22-2.8)
4. DEUS, NOSSO PAI (Rm 8.12-17)
5. FÉ QUE AGRADA A DEUS (Rm 5.1-11)
6. ORAÇÃO (Mateus 6.9-15)
7. IGREJA, CORPO DE CRISTO (1ª Coríntios 12.12-27)
8. A RECOMPENSA DE SERVIR A CRISTO (Mateus 16.24-28)

Retomo as postagens aqui no blog e conto com as orações dos amigos que o acompanham.


Celson Coêlho
Editor do Blog

terça-feira, 18 de setembro de 2012

MUDANÇA NO BLOG


Nosso blog mudou de nome. Agora é: www.CELSONCOELHO.blogspot.com.

O início desse blog deu-se em 04 de maio de 2008. Decorrido quatro anos e meio de seu lançamento agradeço a Deus por tudo que ele permitiu viver através dessa grande ferramenta ministerial.

A mudança não altera em nada o objetivo e conteúdo do mesmo. Semelhante ao proposto em sua origem (Para ver postagem de lançamento deste blog clique AQUI), o objetivo principal é engrandecer o nome de Jesus Cristo. Isto, através do compartilhamento de textos com conteúdo bíblico que tragam edificação.

Procuraremos edificar e despertar, semelhante ao ocorrido por ocasião da eleição para presidente da IEQ no Brasil em março desse ano. Enquanto muitos se esquivaram de se pronunciar na internet, outros “vendiam seu peixe” com parcialidade. Publicamos um artigo sóbrio (palavra usada por um leitor da postagem). Imparcial quanto aos candidatos (mesmo tendo minha preferência). Porém, claro e incisivo nas considerações finais levando em conta os princípios bíblicos e regras de bom senso para vivência em comunidade. Esse texto foi o mais lido do blog no período de um mês. (Veja o texto clicando AQUI)

Com a graça divina possamos abrir os olhos dos leitores para continuar confiando em Deus. Como foi o caso do texto “Você Ouviu o Galo Cantar?” Onde em menos de uma semana quatro leitores postaram comentários sobre a relevância postagem.

Os artigos já postados continuarão da mesma forma como foram publicados.
Agradeço aos leitores que acompanham, compartilham ou comentam nossos artigos. Que Deus possa continuar vos abençoando maravilhosamente.

Conto, sempre, com suas orações.
Com a graça divina,

Celson Coêlho
Editor do Blog
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sábado, 1 de setembro de 2012

DEVEMOS INICIAR (entre aspas #5)

"Devemos iniciar a necessária reforma desafiando a validade espiritual do externalismo. Deve-se mostrar que o que o homem é, é mais importante do que o que ele faz. Enquanto a qualidade moral de qualquer ato é conferida pela condição do coração, pode haver um mundo de atividade religiosa que provém, não de dentro, mas de fora, e que parece ter pouco ou nenhum conteúdo moral. Esse comportamento religioso é imitativo ou reflexo. Brota do generalizado culto da comoção e não possui nenhuma vida interior veraz.


A mensagem “Cristo em vós, a esperança da glória” precisa ser restabelecida na igreja. Precisamos mostrar a uma geração de cristãos agitados, quase frenéticos, que o poder está no centro da vida. Velocidade e barulho são evidências de fraqueza, não de força. A eternidade é silenciosa; o tempo é ruidoso. Nossa preocupação com o tempo é triste evidência da nossa básica falta de fé. O desejo de sermos dramaticamente ativos é prova do nosso infantilismo religioso; é um tipo de exibicionismo comum no jardim da infância."
(A. W. Tozer, em “A Raiz dos Justos”, pg. 50; Destaque meu)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

POR QUE ANANIAS E SAFIRA?


Lendo sobre a origem da igreja cristã no livro de Atos vemos as grandezas que Deus realizava em meio ao seu povo. Milagres, curas, prodígios e crescimento sem igual (em qualidade e quantidade).

Porém, as confirmações do Senhor da Glória agindo em meio ao seu povo é abruptamente interrompida por um relato assustador. Um casal morre repentinamente diante dos olhos de alguns discípulos. Refiro-me a Atos 5.1-11, relatando sobre Ananias e Safira.

Questionamentos surgem dessa leitura: eles realmente morreram? Porque dessa forma repentina? Qual ensinamento devemos tirar desse relato?

Sugiro algumas ponderações para jogar luz em nosso entendimento:

FATOS:

• Quando se diz que, tanto Ananias quanto Safira, “expirou” (At 5.5,10), realmente eles morreram. Uma simples leitura dos versos subsequentes revela isso. É dito que eles morreram e foram sepultados (At 5.6,10).

• Existe outro relato de morte igual a esse? No Novo Testamento não. Assemelhasse a morte de Herodes relatada em At 12.23. Inclusive usando-se o mesmo termo “expirou”. Contudo, a morte do rei não expressa em seu relato o mesmo imediatismo da morte de Ananias e Safira. Sobre o casal é dito que “caiu e expirou”; imediato. Com o detalhe textual: “no mesmo instante” (At 5.10) referindo-se a esposa. Herodes foi ferido pelo anjo, comido de bicho e expirou. Não deixando claro no registro bíblico que sua morte foi imediata. Houve o imediatismo para o ferimento do anjo (At 10.23). Um relato histórico de Josefo diz que o rei morreu após 5 dias de sofrimento. Mas, acreditamos que sua morte não foi imediata, pois o texto bíblico nada diz.

ENSINAMENTOS:

• O contexto anterior sobre as doações na comunidade cristã e a oferta de Barnabé (At 4.32-37) mostra-nos o contraste. Um relato positivo e outro negativo. No relato positivo sobre doação compreendemos que era algo voluntário, de forma nenhuma compulsória; não obrigada.

• A pregação da palavra com poder traz junto consigo uma verdadeira comunhão, assim como em At 2.42-47. Ou seja, o verdadeiro agir do Espírito Santo por meio da palavra gerava verdadeira comunhão. A comunhão de dividir os bens originava-se no Espírito Santo.

• Ananias e Safira erraram “em acordo” (At 5.2) pois mentiram ao Espírito Santo por dois motivos: 1) Tentaram esconder algo que não foram obrigados a doarem; e 2) tentaram mostrar para a comunidade que sua doação também fora originada pelo Espírito. (hipocrisia)

Juízo divino: o relato evidencia que nossos atos são julgados por Deus. Se não nos arrependermos de nossos erros, morreremos espiritualmente. No caso de Ananias e Safira era necessário ocorrer de forma tão assustadora para servir de exemplo para igreja iniciante. Veja o que diz o verso 11, findando o relato sobre o casal: “E sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos quantos ouviram a notícia destes acontecimentos.” (ler também 5.5) Os fundamentos da igreja cristã estavam sendo postos. Esses alicerces não poderiam ser corrompidos pela hipocrisia. O caráter santificador do poder divino não poderia ser comprometido pelo caráter hipócrita do homem pecador.

Que Deus nos abençoe e que seu Espírito Santo nos oriente para que em nosso servir ao Senhor e em nossa adoração não sejamos levados a lhe oferecer ações falsificadas pela nossa corrupção do pecado.

Celson Coêlho
Editor do Blog

sábado, 14 de julho de 2012

VERDADES SOBRE UMA VIDA AVIVADA


*Por Celson Coêlho
(mensagem pregada na IEQ-Ipsep, Recife-PE, em 08/04/2012)


“Oração do profeta Habacuque sob a forma de canto. Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da tua misericódia.” (Habacuque 3.1,2)

Introdução

De início nos vale o alerta vindo do tema desta mensagem. Não escolhi como tema “verdades sobre um avivamento” por dois motivos. Primeiro pois “avivamento” nos dá ideia de coletividade. Assim, pessoas ficam esperando que o avivamento ocorra e chegue a ela. Esquecem-se que tal renovo pode ocorrer em sua vida de forma individual, inicialmente. Essa é a realidade de Habacuque. Como veremos, ele desfrutou da renovação divina em meio a um povo desviado e idólatra. Outro motivo é conotação histórica. A história recente da igreja nos mostra que o entendimento sobre avivamento está deturpado. Entendem mal o que é um avivamento. Pensam ser muita gente, muito barulho, agitação e coisas do gênero.

Nesta análise de Habacuque, vejamos algumas Verdades Sobre uma Vida Avivada:


I – CONSTATAÇÃO NECESSÁRIA (Hc 3.2b)

O terceiro capítulo de Habacuque é uma oração. Nos 19 versos dessa oração existe apenas um pedido: “aviva tua obra no decorrer dos anos e, no decurso dos anos, faze-a conhecida.” O profeta entendeu que “no decorrer dos anos, no decurso dos anos”, ou seja, com o passar do tempo a obra (seu povo) do Senhor deveria ser avivada. A constatação é que com o passar do tempo o relacionamento entre Deus e o povo sofreria desgaste a ponto de esfriar. O povo se afastaria de Deus. Por isso, era necessário ser avivado.

Isso ocorre comumente com as pessoas. Adquirindo um objeto, seja um carro ou tênis, de início desprendemos atenção necessária para zelar por tal objeto. Assim como em uma nova pintura de nossas residências. Porém, com o passar do tempo, tudo volta ao normal e não temos o mesmo cuidado. Agimos igualmente errado nos relacionamentos. Numa amizade, namoro ou casamento, os primeiros dias são maravilhosos. Quando os dias passam, normalmente surge o esfriamento, o desinteresse.

Se não estivermos conscientes dessa possibilidade de nós mesmos esfriarmos nosso relacionamento, jamais buscaremos ser avivados.

Davi entendeu que passava por um esfriamento espiritual ao perder a alegria de servir ao Senhor:
“Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário.” Salmos 51.12

Lembremos que Salmos 51 expressa o arrependimento de Davi após ter adulterado com Bate-Seba e arquitetado a morte do seu esposo, Urias. (2Samuel 11) Davi chegou o ápice do esfriamento espiritual: o pecado, que afasta o homem de Deus. Por isso clamou: “Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito.” (Salmos 51.11)

O esfriamento espiritual pode nos separar de Deus. Se não estivermos consciente desse possível desgaste em nosso relacionamento, não buscaremos ser avivados. Eis a primeira verdade.


II – O QUE SIGNIFICA SER AVIVADO? (Hc 3.2a)

Entendemos que a história da igreja agrega valores importantes para compreendermos nossa fé. Contudo, não são valores determinantes. Os princípios eficazes para alicerçarmos nossa fé estão na Bíblia.

Habacuque percebe que seu povo mergulharia em grande mal se não fosse avivado pelo Senhor. O profeta “ouviu o Senhor” e teve um grande despertamento. A partir desse contexto, ser avivado significa “ouvir a Deus.” Ele ouviu e foi alarmado. A versão Almeida Revista e Corrigida usa a palavra “temor”. Ele ouviu e temeu. Esse é o temor que gera respeito pelo Senhor (Provérbios 1.7).
“O que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me VIVIFICA.” (Salmos 119.50)

O maior mau exemplo de não ser avivado era o próprio meio onde o profeta vivia:
“Que aproveita o ídolo, visto que o seu artífice o esculpiu? E a imagem de fundição, mestra de mentiras, para que o artífice confie na obra, fazendo ídolos mudos? Ai daquele que diz à madeira: Acorda! E à pedra muda: Desperta! Pode o ídolo ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas, no seu interior, não há fôlego nenhum.” (Hc 2.18, 19)
Aquele povo não ouvia mais o seu Deus. Chegaram a tão grande alienação das coisas divinas que pediam orientações a madeira (ídolo). Eles precisavam voltar a ouvir a voz do Senhor como Habacuque; Precisavam ser avivados.

“Filho meu, atenta para minhas palavras; aos meus ensinamentos inclina os ouvidos. Não os deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-os no mais íntimo do teu coração. Porque são vida para quem os acha e saúde para o seu corpo.” (Provérbios 4.20-22)

Mesmo que estejamos em momentos de maior dificuldade espiritual, ouvir o Senhor nos vivifica. Sua Palavra nos renova.
Voltemos ao Salmo que exalta a excelência da lei divina, o 119. No verso 25 somos lembrados que a Palavra do Senhor nos vivifica mesmo que estejamos no pó.
Ser avivado significa ouvir a voz do Senhor.


III – O QUE FAÇO PARA SER AVIVADO? (Hc 2.1,2)

“Por-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha queixa. O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a em tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo.” (Hc 2.1,2)
O que faço para ser avivado? Buscar a Deus através da oração.

Habacuque tinha uma queixa, um questionamento. Incomodou-se da triste realidade do seu povo. Veja como essa realidade era descrita nos primeiros 4 versos do 1º capítulo: iniquidade, opressão, destruição, violência, contendas, litígios, lei frouxa, justiça não manisfesta e torcida e o perverso perseguindo o justo. Eis o que inquietava o profeta...

Muitos teriam duas opções: ou se adequar àquela realidade ou sair do meio daquele povo. O profeta Habacuque cria uma terceira opção em meio ao caos: orar a Deus. Buscar a resposta e a solução do Senhor é a melhor saída.

A oração mais conhecida dos cristãos, a chamada oração do “Pai Nosso” (Mateus 6.9-13; Lucas 11.1-4), foi proferida a partir da necessidade de um discípulo de Cristo em aprender a orar: “ensina-nos a orar” (Lucas 11.1).
A oração foi fundamental no ministério de Cristo sobre a terra. Na ressurreição de Lázaro, Jesus, de forma pedagógica, demonstra está ligado com o Pai através da oração (João 11.41,42).
Habacuque se coloca como um vigia atento a ouvir o que o Senhor lhe diria. Ele obteve resposta. (Habacuque 2.2 em diante) O avivamento vem quando se busca ao Senhor.


IV – QUAL O RESULTADO? (Hc 3.17,18,19)

Analisando a realidade de Habacuque, vejamos a última Verdade Sobre uma Vida Avivada:
Qual o resultado de uma vida avivada pelo Senhor? Confiança gerada pela fé.

Veja o que expressa Habacuque no fim da sua oração:
“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é minha fortaleza, e me faz andar altaneiramente.” (Hc 3.17,18,19)

Quando somos avivados temos a verdadeira confiança no Senhor. Mesmo que tudo falte ou que todos falhem, “TODAVIA eu me alegro no Senhor”. Aquele que deposita sua confiança no Senhor anda por “lugares altos” (altaneiramente).
“Mas os que confiam no Senhor renovam suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” (Isaias 40.31)

Ouvir a voz do Senhor traz o verdadeiro avivamento. O verdadeiro avivamento gera a verdadeira fé no Senhor.

*Celson Coêlho
Editor do Blog

(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.ebqrecife.blogspot.com)

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

ENSINANDO AOS JOVENS: gerando uma fé saudável (Tito 2)



*Por Celson Coêlho

Ensinar a jovens tem sua peculiaridade e suas dificuldades inerentes. Cada faixa etária têm suas características, assim como os jovens. Todas as ferramentas que facilitem o processo de ensino-apredizagem são bem vindas. Contudo, existem princípios na Palavra de Deus que são fundamentos para o ministério de ensino.

Falando-se em ministério de ensino, o apóstolo Paulo tem muito a nos orientar. Compartilhemos suas orientações ao jovem obreiro Tito.

I - INTRODUÇÃO

As epístolas de Paulo a Timóteo e a Tito são conhecidas com epístolas pastorais. Essa designação foi concedida pois estas cartas têm em comum o interesse de Paulo em orientar o desenvolvimento do ministério de jovens obreiros.

Em Tito, encontramos no início da carta a clareza dessa orientação: “por esta causa te deixei em Creta, para que puseste em ordem as cousas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi.” (Tt 1.5) O jovem Tito deveria continuar a tarefa que Paulo havia começado.

II - MINISTRANDO PELO ENSINO, BASE PARA FÉ SAUDÁVEL

Após prescrever as característica dos presbíteros (Tt 1.5-9) e descrever os falsos mestres (1.10-16), o apóstolo se volta ao seu sucessor, Tito: “Tu, porém” (2.1). Esta ênfase de Paulo também fora destinada a Timóteo (2Tm 3.10, 14 e 4.5). Em todas as ocasiões demonstra o desejo paulino de seguir caminho diferente dos falsos mestres. O termo “fala” indica discursar com objetivo de discipular: ensinar. Por isso, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) traz o termo “ensine”.

No caminho contrário aos falsos mestres, Tito deveria seguir o caminho “que convém a sã doutrina.” O seu ensino deveria ser apropriado (convém) ao que gera boa saúde na fé (sã doutrina). “Sã doutrina” também é o “reto ensino” (1.9) e a saúde na fé (1.13; 2.2). A “sã doutrina” é interesse de Paulo constante nas epístolas pastorais. (veja 1Tm 1.10; 6.3; 2Tm 1.13 e 4.3) Refere-se a “ser sadio na fé, com significado de sólido, firme, puro com respeito à doutrina e vida cristãs. Sobre a doutrina, com significado de doutrina genuína, isto é, verdadeira, pura, não corrompida.” (Bíblia de Estudo Palavras Chaves Hebraico e Grego, p. 5199)

O ensino que convém a sã doutrina é base para a ministração aos vários grupos: “homens” (2.2), “mulheres” (2.3) e “moços” (2.6).

III - ENSINANDO AOS JOVENS (Tt 2.6-8)

Os Alunos

O ensino aos jovens tem sua caracterização: “exorta-os para que, em todas as cousas, sejam criteriosos.” (2.6) Erradamente pensam que o termo exortar significa uma ríspida bronca, de forma bem ignorante. Até por que, dizem, os jovens são irresponsáveis. Este termo no Novo Testamento em nada é similar ao nosso falho entendimento de exortar. Exortar (grego parakaleo) significa literalmente “chamar para perto”. Tem o sentido de auxiliar, ajudar, consolar e encorajar. Para compreendermos a dimensão da importância deste termo ele é similar à palavra usada para designar o ministério do Espírito Santo: “Consolador” (parakletos – Jo 14.16, 26; 15.26; 16.7). Quando estamos “ao lado” com o objetivo de consolar, exercemos, em certo grau, o ministério do Consolador. A exortação, conforme esse parâmetro bíblico, equivale a edificação e não a acusação. Por isso, Paulo alista o exortar bíblico como um dom espiritual. (Rm 12.8) Exortar os jovens significa colocar-se ao lado deles encorajando-os.

Neste encorajamento, os jovens devem ser lembrados de serem “criteriosos”. O ser criterioso também é solicitado aos homens idosos (2.2, traduzido por sensato) e as moças (2.4, traduzido por prudente). Contudo, em relação aos moços, a construção verbal indica uma atitude contínua, constante. Lembremos que a “glória do jovem é sua força” (Pv 29.20). Nessa força, se tornam ansiosos e precipitados. Os jovens devem ser encorajados a “exercer autocontrole, ter cabeça no lugar, ter toda a vida sob o controle da mente.” (Rienecker e Rogers, Chave Linguistica do Novo Testamento Grego, pg 484)

O Educador

Nos versos 7 e 8 (Capítulo 2), Paulo fala das característica necessárias a Tito como mestre. Vejamos:

1) Ser exemplo: “Torna-te padrão” (Tt 2.7) foi a mesma orientação concedida a Timóteo (1Tm 4.12). O termo “padrão”, melhor traduzido por “exemplo” (NTLH), em grego é typos. Significa literalmente uma marca formada por um golpe. Ou seja, que o exemplo seja tão forte que deixe cicatrizes (no bom sentido);

2) Integridade: Esta integridade quer dizer incorruptível (assim traduzido em 1Co 15.54); que não se desgasta. “É pureza de motivos, sem desejo de lucro ou respeito das pessoas.” (Rienecker e Rogers, pg 484) Esta qualidade se contrapõe a “torpe ganância” dos falsos mestres (1.11 – ver também 1.7);

3) Reverência: Reverência no ensino faz lembrar que o que é ensinado é mais importante que o próprio ensinador. A Timóteo, o apóstolo salientou que o ensino correto contribuiria para salvação do próprio Timóteo e de seus ouvintes (1Tm 4.11-16);

4) Linguagem: Não existe ensino sem comunicação. O meio primário do ensino é a linguagem. Ela deve ser “sadia e irrepreensível.” Quando a linguagem não segue esse parâmetro, o apóstolo aconselha “fazer calar” (1.11), pois pode corroer como câncer (2Tm 2.17). Os falsos mestres, conforme Paulo, eram “palradores frívolos” (1.10). Palrar significa sons sem sentidos, tagarelar, papaguear. No original expressa “conversadores vazios, pessoas que só usam de conversa fiada, ou seja, usam linguagem impressionante, mas com pouco ou nenhum conteúdo de verdade.” (Rienecker e Rogers, pg 483)

IV - CONCLUSÃO

Paulo finaliza as orientações sobre ensinar a jovens ainda no verso 8 do 2º capítulo. “Para que” indica “com o objetivo de...” A finalidade de seguir as orientações paulinas é que o “adversário seja envergonhado.” Seguindo as orientações de Paulo, que originaram-se em Deus (Tt 1.3), Tito fará com que os adversários do Evangelho não tenham mau para falar sobre a igreja (“nosso respeito” – 2.8).

O ensino sadio edifica os de dentro da igreja e convence os de fora.

Celson Coêlho
Editor do Blog
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(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.celsoncoelho.blogspot.com)