sábado, 21 de janeiro de 2012

IGREJA: natureza e características


*Por Celson Coêlho

“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja,
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16.18)

A concepção do que é a igreja tem variado muito em nossos dias. Essa diversidade de entendimentos deve-se a diversidade de fontes de pesquisa ou interesse. Alguns definem a igreja pela linha da psicologia, outros pela sociologia. Outros a vêem como empresa ou pelo viés mercadológico.

Desses entendimentos, não tão corretos, destacamos dois. Boa parte da sociedade acredita que igreja é o templo onde as pessoas se reúnem. Essa definição não revela a natureza da igreja. O templo é necessário e importante, mas não revela o significado principal do ser igreja.

Concepção também aceita é que igreja é a denominação. Essa, também necessária e importante, não expressa à verdadeira natureza da igreja. A denominação possibilita a ação conjunta de varias igrejas locais, visando um bem comum. Porém, não expressa o entendimento mais importante do que é a igreja.

Para clarearmos nosso entendimento sobre a igreja, vejamos o que a Bíblia diz. A natureza e algumas características da igreja, a partir de Mateus 16.18.

O termo igreja (gr. ekklesia, derivado de ek+kletos), usado pela primeira vez em o Novo Testamento em Mt 16.18, revela a natureza da igreja. No original, igreja significa os “chamados [kletos] para fora [ek].” Representa um grupo de pessoas convocadas em assembléia. Em termos espirituais podemos dizer que são os “chamados para fora do mundo”.

Os primeiros discípulos foram assim “chamados” pelo Mestre: “Vinde após mim...” (Mt 4.19). Após o “chamado”, eles “deixaram imediatamente...” a vida de pescador, a velha vida. Dias depois, no desenrolar do seu ministério, o Salvador convidou:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma. Porque meu jugo é suave, e meu fardo é leve.” (Mt 11.28-30)

Essas são as pessoas chamadas para pertencerem a Cristo (Rm 1.6) e não mais ao mundo, pois todos os que Ele chamou, também os justificou (Rm 11.30).

Essa é a natureza da igreja, sua essência: Unida com Cristo, separada do mundo!

Para Paulo, essa união foi tão completa que ele afirmou: “... já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” (Gl 2.20)

Somam-se a esta definição algumas características da igreja evidentes no texto de Mt 16.18.

A primeira característica advém do pronome possessivo “MINHA” usado pelo Senhor Jesus. “Minha igreja” revela propriedade de Cristo. A igreja pertence a Ele. Não andamos como ovelhas que não têm pastor! (Mt 9.36)

Paulo nos esclarece que “na cruz” Cristo cancelou o escrito de dívida (cédula) que era contra nós (Cl 2.14 e 15). Na Bíblia na Linguagem de Hoje a expressão é “...conta da dívida”. O termo grego [cheirographon] “era usado como um termo técnico para o reconhecimento escrito de um débito. Era como uma nota promissória, assinada pessoalmente pelo devedor.” [1]

Nós tínhamos uma dívida. Ela foi paga por Cristo!

Ao completar sua obra na cruz, Jesus declarou “Está consumado [gr. tetelestai]!” (Jo 19.30) Este termo era usado por mercadores da época para confirmar o pagamento completo de uma dívida. Quando a dívida era paga, recebia-se um recibo com palavra “tetelestai”. Está consumado! Está pago! [2]

Nós fomos comprados pelo Salvador! Pertencemos a Ele!


Ampliando nosso entendimento sobre a igreja, encontramos uma segunda característica no texto de Mateus (16.18): Ser edificado pelo Senhor. Jesus afirmou: “EDIFICAREI [oiko+domeso] a minha igreja.” Até a volta do seu Senhor a igreja será edificada. Mais importante que isso, a igreja é edificada por Ele. A verdadeira igreja é “edificada progressivamente e incessantemente, cada vez mais, desde a fundação.” [3]

Esta edificação tem como fundamento a Palavra de Deus. Em Mateus 7.24 Jesus afirma que “todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou [okodomesen] sua casa sobre a rocha.” Esta construção não ruirá, pois é edificada sobre a Rocha. O próprio Jesus que concedeu a Palavra também concedeu os ministradores da Palavra:

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para edificação [oikodome] do corpo de Cristo.” (Ef 4.11 e 12)

Somos edificados por Cristo!

Outra característica da igreja extraímos da expressão: “... e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” A igreja está em constante batalha espiritual. A oposição é real. Porém, as portas do inferno, que significa o poder da morte, não têm força contra a igreja; não têm domínio sobre ela.

Instruindo a igreja sobre esta batalha espiritual, Paulo em Efésios 6.10, exorta-nos a estarmos firmes no Senhor e na força do seu poder. Que poder é esse que devemos confiar? É o mesmo que Paulo descreveu em sua oração no início desta epístola:
“... a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua destra nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser cabeça de todas as coisas o deu à igreja, a qual é seu corpo, a plenitude daquele que tudo enche em todas as coisas.” (Ef 1.19-23)

O cristão, conforme Ef 6.10, é chamado a desfrutar desse poder. Ele próprio deve estar cônscio da batalha e responder a ordem descrita pelo apóstolo nos imperativos “fortalecei-vos” (6.10) e “revesti-vos” (6.11).

A igreja, por pertencer a Deus, é sempre alvo das “astutas ciladas do Diabo” (6.11). Contudo, se aceitarmos o chamado divino (real natureza da igreja); tornando-nos sua propriedade (1ª característica); e se continuarmos sendo edificados por ele (), certamente “as portas do inferno não prevalecerão” contra nós.


NOTAS:

[1] RIENECKER, Fritz e ROGERS, Cleon. Chave Linguistica do Novo Testamento Grego;
[2] Para um estudo mais detalhado o termo grego “tetelestai” sugiro o bom texto do Pr. Marcelo Oliveira: http://www.davarelohim.com.br/tetelestai-esta-consumado;
[3]Bíblia de Estudo Palavras-Chave, pg. 2317.

(Mensagem compartilhada na União Evangélica da Base Aérea do Recife; reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.ebqrecife.blogspot.com/)

Celson Coêlho
Editor do Blog
ebqrecife@hotmail.com
Twitter: @celson_coelho

2 comentários:

Cleonice Souza disse...

Glória Deus! Continuamos firmes na rocha.
Que Deus continue te abênçoando Pastor.

EBQRECIFE disse...

Olá Cleonice!
PAZ!
Agradeço seu comentário. Que Deus, como nosso Edificador, nos dê graça e sabedoria para continuarmos firmes, glorificando seu Nome.
Abraços.
Conto com sua oração...

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Celson Coêlho