sábado, 14 de julho de 2012

VERDADES SOBRE UMA VIDA AVIVADA


*Por Celson Coêlho
(mensagem pregada na IEQ-Ipsep, Recife-PE, em 08/04/2012)


“Oração do profeta Habacuque sob a forma de canto. Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da tua misericódia.” (Habacuque 3.1,2)

Introdução

De início nos vale o alerta vindo do tema desta mensagem. Não escolhi como tema “verdades sobre um avivamento” por dois motivos. Primeiro pois “avivamento” nos dá ideia de coletividade. Assim, pessoas ficam esperando que o avivamento ocorra e chegue a ela. Esquecem-se que tal renovo pode ocorrer em sua vida de forma individual, inicialmente. Essa é a realidade de Habacuque. Como veremos, ele desfrutou da renovação divina em meio a um povo desviado e idólatra. Outro motivo é conotação histórica. A história recente da igreja nos mostra que o entendimento sobre avivamento está deturpado. Entendem mal o que é um avivamento. Pensam ser muita gente, muito barulho, agitação e coisas do gênero.

Nesta análise de Habacuque, vejamos algumas Verdades Sobre uma Vida Avivada:


I – CONSTATAÇÃO NECESSÁRIA (Hc 3.2b)

O terceiro capítulo de Habacuque é uma oração. Nos 19 versos dessa oração existe apenas um pedido: “aviva tua obra no decorrer dos anos e, no decurso dos anos, faze-a conhecida.” O profeta entendeu que “no decorrer dos anos, no decurso dos anos”, ou seja, com o passar do tempo a obra (seu povo) do Senhor deveria ser avivada. A constatação é que com o passar do tempo o relacionamento entre Deus e o povo sofreria desgaste a ponto de esfriar. O povo se afastaria de Deus. Por isso, era necessário ser avivado.

Isso ocorre comumente com as pessoas. Adquirindo um objeto, seja um carro ou tênis, de início desprendemos atenção necessária para zelar por tal objeto. Assim como em uma nova pintura de nossas residências. Porém, com o passar do tempo, tudo volta ao normal e não temos o mesmo cuidado. Agimos igualmente errado nos relacionamentos. Numa amizade, namoro ou casamento, os primeiros dias são maravilhosos. Quando os dias passam, normalmente surge o esfriamento, o desinteresse.

Se não estivermos conscientes dessa possibilidade de nós mesmos esfriarmos nosso relacionamento, jamais buscaremos ser avivados.

Davi entendeu que passava por um esfriamento espiritual ao perder a alegria de servir ao Senhor:
“Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário.” Salmos 51.12

Lembremos que Salmos 51 expressa o arrependimento de Davi após ter adulterado com Bate-Seba e arquitetado a morte do seu esposo, Urias. (2Samuel 11) Davi chegou o ápice do esfriamento espiritual: o pecado, que afasta o homem de Deus. Por isso clamou: “Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito.” (Salmos 51.11)

O esfriamento espiritual pode nos separar de Deus. Se não estivermos consciente desse possível desgaste em nosso relacionamento, não buscaremos ser avivados. Eis a primeira verdade.


II – O QUE SIGNIFICA SER AVIVADO? (Hc 3.2a)

Entendemos que a história da igreja agrega valores importantes para compreendermos nossa fé. Contudo, não são valores determinantes. Os princípios eficazes para alicerçarmos nossa fé estão na Bíblia.

Habacuque percebe que seu povo mergulharia em grande mal se não fosse avivado pelo Senhor. O profeta “ouviu o Senhor” e teve um grande despertamento. A partir desse contexto, ser avivado significa “ouvir a Deus.” Ele ouviu e foi alarmado. A versão Almeida Revista e Corrigida usa a palavra “temor”. Ele ouviu e temeu. Esse é o temor que gera respeito pelo Senhor (Provérbios 1.7).
“O que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me VIVIFICA.” (Salmos 119.50)

O maior mau exemplo de não ser avivado era o próprio meio onde o profeta vivia:
“Que aproveita o ídolo, visto que o seu artífice o esculpiu? E a imagem de fundição, mestra de mentiras, para que o artífice confie na obra, fazendo ídolos mudos? Ai daquele que diz à madeira: Acorda! E à pedra muda: Desperta! Pode o ídolo ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas, no seu interior, não há fôlego nenhum.” (Hc 2.18, 19)
Aquele povo não ouvia mais o seu Deus. Chegaram a tão grande alienação das coisas divinas que pediam orientações a madeira (ídolo). Eles precisavam voltar a ouvir a voz do Senhor como Habacuque; Precisavam ser avivados.

“Filho meu, atenta para minhas palavras; aos meus ensinamentos inclina os ouvidos. Não os deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-os no mais íntimo do teu coração. Porque são vida para quem os acha e saúde para o seu corpo.” (Provérbios 4.20-22)

Mesmo que estejamos em momentos de maior dificuldade espiritual, ouvir o Senhor nos vivifica. Sua Palavra nos renova.
Voltemos ao Salmo que exalta a excelência da lei divina, o 119. No verso 25 somos lembrados que a Palavra do Senhor nos vivifica mesmo que estejamos no pó.
Ser avivado significa ouvir a voz do Senhor.


III – O QUE FAÇO PARA SER AVIVADO? (Hc 2.1,2)

“Por-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha queixa. O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a em tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo.” (Hc 2.1,2)
O que faço para ser avivado? Buscar a Deus através da oração.

Habacuque tinha uma queixa, um questionamento. Incomodou-se da triste realidade do seu povo. Veja como essa realidade era descrita nos primeiros 4 versos do 1º capítulo: iniquidade, opressão, destruição, violência, contendas, litígios, lei frouxa, justiça não manisfesta e torcida e o perverso perseguindo o justo. Eis o que inquietava o profeta...

Muitos teriam duas opções: ou se adequar àquela realidade ou sair do meio daquele povo. O profeta Habacuque cria uma terceira opção em meio ao caos: orar a Deus. Buscar a resposta e a solução do Senhor é a melhor saída.

A oração mais conhecida dos cristãos, a chamada oração do “Pai Nosso” (Mateus 6.9-13; Lucas 11.1-4), foi proferida a partir da necessidade de um discípulo de Cristo em aprender a orar: “ensina-nos a orar” (Lucas 11.1).
A oração foi fundamental no ministério de Cristo sobre a terra. Na ressurreição de Lázaro, Jesus, de forma pedagógica, demonstra está ligado com o Pai através da oração (João 11.41,42).
Habacuque se coloca como um vigia atento a ouvir o que o Senhor lhe diria. Ele obteve resposta. (Habacuque 2.2 em diante) O avivamento vem quando se busca ao Senhor.


IV – QUAL O RESULTADO? (Hc 3.17,18,19)

Analisando a realidade de Habacuque, vejamos a última Verdade Sobre uma Vida Avivada:
Qual o resultado de uma vida avivada pelo Senhor? Confiança gerada pela fé.

Veja o que expressa Habacuque no fim da sua oração:
“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é minha fortaleza, e me faz andar altaneiramente.” (Hc 3.17,18,19)

Quando somos avivados temos a verdadeira confiança no Senhor. Mesmo que tudo falte ou que todos falhem, “TODAVIA eu me alegro no Senhor”. Aquele que deposita sua confiança no Senhor anda por “lugares altos” (altaneiramente).
“Mas os que confiam no Senhor renovam suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” (Isaias 40.31)

Ouvir a voz do Senhor traz o verdadeiro avivamento. O verdadeiro avivamento gera a verdadeira fé no Senhor.

*Celson Coêlho
Editor do Blog

(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.ebqrecife.blogspot.com)

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