sábado, 24 de novembro de 2012

CONFERÊNCIA MISSIONÁRIA NA IEQ UR 7 (Dia 18/11/2012)

A Conferência Missionária foi realizada nos dias 16, 17 e 18 de novembro/2012.

Compartilhando a mensagem: "As Dimensões de Missões Urbanas" (Lucas 10)
Da esquerda para direita: Missionária Ester (Organizadora da Conferência), Pr. Severino, Pra. Maria José e minha esposa, Fernanda Souza.

Com irmão Clécio e sua esposa, Cibelle

terça-feira, 20 de novembro de 2012

AS DIMENSÕES DE MISSÕES URBANAS

*Por Celson Coêlho
(Mensagem pregada na Conferência Missionária na Igreja do Evangelho Quadrangular em UR 7-Várzea, Recife-PE, em 18/11/12)
Lucas 10.1-12

INTRODUÇÃO
Nosso tema mais amplo é Missões Urbanas. Necessário se faz definir o que seja Missões Urbanas: É expandir o Reino de Deus na cidade ou expandir o Reino de Deus na sociedade urbana.
Resumidamente vejamos algumas características de nossa sociedade urbana:
a) Constante evolução do conhecimento: o que era verdade ontem já não tem valor hoje. Isso muda a forma de trabalho (vida profissional), mas também influencia na vida cotidiana. Os valores da família são tidos com ultrapassados.
b) Sociedade conectada: as vidas das pessoas ocorrem “on line”. Existe uma grande exposição da vida pessoal. Gera-se um conflito entre o que é particular e o que é público.
c) Sociedade sem amor: aqui se expressa a degradação dos relacionamentos. Entre cônjuges. Entre pais e filhos. Nas amizades. Nos relacionamentos impera a violência.

1. DIMENSÃO TEOLÓGICA
Refiro-me a teologia em sua compreensão mais geral. O que é teologia? É entender e explicar o agir de Deus na humanidade. Isso todos que estão na igreja fazem. Quando afirmamos que uma passagem da Bíblia tem determinado significado ou quando queremos explicar espiritualmente determinado fato vivido com alguém. Isso é teologia.
O problema se encontra quando não temos a fonte correta para fundamentar nossa teologia. Foi o que aconteceu com Nicodemos (João 3).  Ele tentou explicar o agir de Deus dessa forma: “... sabemos que és mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (João 3.2). Jesus foi taxativo em sua reposta: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3.3). Ou seja, ninguém pode explicar o agir de Deus se não nascer de novo. Se não for convertido, se não tiver vida com Deus, não entende o agir divino.
Em nosso texto básico, Lucas 10, a Dimensão Teológica se encontra na expressão SENHOR DA SEARA (v. 2). Ninguém pode realizar adequadamente a expansão do reino de Deus se não estiver de baixo dessa verdade bíblica: a seara tem o seu Senhor. Quem governa e orienta as ações na expansão do reino é o próprio Senhor. Ele deixou claro essa verdade na analogia da videira e os ramos em João 15: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (v. 5).
Devemos realizar a expansão do reino em total dependência do Senhor da seara. Somos seus instrumentos. Quem converte o perdido não somos nós. É o próprio Deus através do Espírito Santo (João 16.8).
O conhecimento científico da sociedade urbana está em constante mudança. Podemos até mudar os meios que utilizamos para compartilhar o Evangelho. Mas o Evangelho não muda. Ele é nosso referencial. Aqui está nosso destaque para a Dimensão Teológica de Missões Urbanas. Não podemos perder o referencial da verdade bíblica. Ela é imutável. Estamos falando em vidas na eternidade com ou sem Deus. Logo, não podemos compartilhar apenas nossas ideias. Elas são passageiras.
Veja o que afirma Pedro sobre essa verdade: “Pois fostes regenerados não da semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. Pois toda carne é como a erva, e toda sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai sua flor. Ora, está é a palavra que vos foi evangelizada.” (1ª Pedro 1.22-25)
A Dimensão Teológica de Missões Urbanas nos lembra de que temos que compartilhar aquilo que é permanente: a Palavra de Deus.

2. DIMENSÃO ESPIRITUAL
A Dimensão Espiritual é revelada no imperativo: “ROGAI” (v. 2). A expansão do Reino não ocorre separada da oração. A expressão é uma ordem: Rogai. A oração é indispensável para quem deseja ser instrumento de Deus na evangelização do perdido. A intimidade com o Senhor da seara, gerada pela oração, nos dá o discernimento de quando e como compartilhar o Evangelho. A vida espiritual com Deus nos permite sentir o pulsar do seu coração.
Em outra ocasião do ministério de Jesus os discípulos revelaram o quanto estavam desligados da necessidade das almas perdidas. O fato se encontra em João 4. Os discípulos disseram: “Mestre, come!” (v. 31). Eles não tinham conhecimento do que realmente alimentava a alma do Mestre. Sua comida era fazer a vontade de Deus e realizar a sua obra (versos 32 a 34). No verso 35, a insensibilidade espiritual dos seus seguidores vem à tona: “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até a ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa.” Vejam bem. Vejam melhor – Foi o que disse o Mestre. O que foi plantado já está maduro e pronto para colheita. Na continuação desse texto, em João 4.39-42, muitos samaritanos creram no Senhor pelo testemunho da mulher. Existiam pessoas sedentas por crer em Jesus e seus discípulos não conseguiram perceber.
A oração abre nossa visão espiritual. Ela é o caminho que o Espírito usa para nos guiar as pessoas certas, nos momentos certos, com as palavras certas. A oração nos faz enxergar a urgência do mundo perdido. Oswald Smith declarou: “Nós conversamos sobre a segunda vinda de Cristo. Metade do Mundo sequer ouviu falar da primeira.”
Ainda no envio dos setenta em Lucas 10, Jesus deixa claro o destino daqueles que não se arrependerem: “descerás até o inferno” (v. 15). Se não estivermos conscientes do destino do homem sem Deus, não veremos a urgência em pregar o evangelho.
A luz da urgência em pregar o evangelho é acesa em nossos corações através da comunhão com Deus na oração. Eis a Dimensão Espiritual de Missões Urbana.
  
3. DIMENSÃO PRÁTICA
Temos que entender corretamente a vontade de Deus para compartilharmos com o mundo perdido (Dimensão Teológica). Devemos ter uma vida de oração para sermos guiados aos necessitados. Mas devemos nos dispor a prática. Temos que estar disponíveis para ser instrumento de Deus para os perdidos.
O “IDE” (v. 3) expressa a Dimensão Prática. Significa estar pronto para compartilhar Jesus em qualquer momento em nossa sociedade urbana. Seguir Jesus não é uma ação de isolamento. Quanto mais perto de Jesus, mais afastados das pessoas. Não é isso! Quanto mais crescemos com Deus, mais nos aproximamos em compaixão pelo perdido. Mais nos aproximamos do próximo para servir.
Vejamos algumas características da prática em Missões Urbana:
3.1. “Enviou de dois em dois” (v. 1) – Nessa estratégia Jesus demonstrou cautela. Aqui vemos a precaução e cuidado de não cometer equívocos. Em outros momentos o Senhor orientou: “Acautelai-vos” (Mateus 7.15 e 10.17; Lucas 12.1). Esse pedido de cautela estava ligado à adversidade encontrada na pregação do Evangelho e no engano causado por homens que desejam anular essa pregação: “Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como serpentes e símplices como as pombas. E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas.” (Mt 10.16, 17) Lembre-se que para os judeus a verdade dos fatos era atesta pelo testemunho de duas pessoas (Deuteronômio 19.15);
3.2. “Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos” (v. 3) – é uma atividade envolta em perigos. Essa verdade não deve nos inibir. Antes, deve nos despertar para as armadilhas de Satanás. Jesus alertou sobre as aflições que sofreríamos no mundo. Contudo, nos garantiu: “tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16.33);
3.3. Bom censo (vv. 5-7) – Ter bom senso é ser sensato, é ter a capacidade de distinguir a melhor conduta em situações específicas. No verso 6, subtende-se que tem momentos que não adianta insistir. Não é o momento de Deus. No verso 7 diz para não se desesperar e ir de casa em casa. O próprio Jesus entendeu que não poderia realizar grandes coisas em sua terra, Nazaré, devido à incredulidade do povo. Por isso, passou a ministrar nas aldeias da vizinhança (Mateus 6.1-6). Paulo, o maior missionário da história da igreja, foi impedido pelo Espírito Santo de pregar o Evangelho (Atos 16.6).
3.4. “Curai os enfermos” (v. 9) – A mensagem do Evangelho é uma mensagem de cura para um mundo aflito sem amor e sem Deus. Disse Paulo: “Não me envergonho do evangelho, porque é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...” (Romanos 1.16).

CONCLUSÃO
A continuação do capítulo 10 de Lucas nos deixa alguns alertas quanto à realização de Missões Urbanas:
Lucas 10.21: “... ocultastes estas coisas aos sábios e instruídos e as revelastes aos pequeninos” – A expansão do Reino não é realizada fundamentada na sabedoria humana. Vem de Deus, é revelada. (leia do 21 ao 24)
• Lucas 10.20: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.” – Cuidado com a soberba espiritual. O poder não é nosso. (leia do 17 ao 20)
• Lucas 10.40, 41: Marta agitava-se em muitos serviços e muitas coisas – A expansão do Reino não ocorre pelo nosso ativismo. Temos que ter tempo para ouvir Jesus. (leia do 38 ao 42)

Celson Coêlho
Editor do Blog
(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.celsoncoelho.blogspot.com)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

INTIMIDADE COM DEUS


 *Por Celson Coêlho
(mensagem pregada na IEQ-Ipsep, Recife-PE, em 23/09/2012)


Salmo 27

Qual a importância de sabermos o que realmente é intimidade com Deus?
A necessidade surge da nossa fraca referência do que é intimidade. É bem verdade que em nossos relacionamentos humanos pouco sabemos o que é uma intimidade verdadeira. Estão raras hoje. Isso devido à dinâmica da vida e as imposições de uma “sociedade da conquista”. A dinâmica da vida nos relembra que nossos relacionamentos não são mais como dos nossos pais e/ou avós. Eles nasceram e viveram sempre num mesmo bairro. Frequentaram uma mesma escola por anos. Hoje não é mais assim. A “sociedade da conquista” nos obriga olhar para o próximo não como amigo e sim como competidor. A vaga ou é minha ou dele. Assim, as pessoas escondem objetivos e sentimentos. Não se deixam conhecer.
O Salmo 27 é uma expressão de confiança no Senhor, mas também revela um coração desejoso por sua presença. Seu autor foi identificado como homem segundo o coração de Deus (Atos 13.22). Ele desfrutou da presença do Senhor. Desfrutou de intimidade.

1. INTIMIDADE É MORAR NA CASA DO SENHOR (V. 4)
“Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor...” Esse foi o desejo do salmista. Davi bem sabia o que era a casa de Deus. Foi ele quem intentou construir o templo (2ª Samuel 7.1-5). Logicamente que para o homem atual não é possível literalmente morar no templo, na igreja. O ensinamento é: estar continuamente na presença de Deus.
·         Morar significa viver com Deus, conhecer hábitos (Bíblia na Linguagem de Hoje);
·        Morar no templo era permitido apenas aos sacerdotes. Eles eram separados para isso. Morar acarreta separação, santidade.
O desejo de morar é completado por duas ações desejadas pelo salmista: para contemplar e meditar. Contemplar significa olhar com inteligência, demoradamente. Meditar é buscar, perguntar, considerar, refletir. A realização dessas duas ações requer tempo. Intimidade com Deus exige tempo dedicado a Ele. Não há espaço para o imediatismo. Não existem atalhos.
Uma das coisas mais difíceis  para o ser humano é eleger prioridades. O tempo é o mesmo para todos. O dia tem 24 horas para todas as pessoas. Uns poucos aproveitam bem seu tempo e outros muitos reclamam não ter tempo. Qual o tempo que temos dedicado para intimidade com Deus?
Alguns pensam que o planejamento do tempo não tem nada de espiritualidade. Dizem: – Isso é algo burocrático; limita a ação do Espírito.
Não foi essa a visão do apóstolo Paulo. Na epístola de Efésios, capítulo 5, o apóstolo está falando sobre obras das trevas e frutos da luz. Ou seja, vida cristã correta. Ele enumera as obras das trevas: impudicícia, impureza, cobiça, etc (verso 3 a 7). Como também explica o fruto da luz: bondade, justiça e verdade (v. 9). Nos versos 15 e 16 assevera o apóstolo: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios, REMINDO O TEMPO, porque os dias são maus” (destaque meu). Remir o tempo é aproveitar o tempo. Para sermos cristãos que agradam a Deus, tempos que cuidar do nosso tempo, planejando e investindo tempo com Deus.

2. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACIONAMENTO DE MÃO DUPLA (VV. 7 E 8)
Para os motoristas essa é uma afirmação muito simples. Mão dupla significa um caminho que o veículo vai e vem.
Expressou o salmista: “Ouve Senhor a minha voz; eu clamo...” (v. 7) Seu desejo era ser ouvido em sua oração. Assim ocorreu. Ele foi ouvido em sua oração. O verso 8 nos diz que a resposta veio ao seu coração.
Contudo, em intimidade com outra pessoa, nós falamos e a outra pessoa também quer falar. O homem fala. Deus quer falar também. O Senhor ouviu a oração do salmista e falou com ele: “... buscai a minha presença” (v. 8) Intimidade com Deus é falar com Ele através da oração, mas também estar atento a sua resposta.
Uma das passagens mais citadas sobre oração é Jeremias 33.3: “invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.” Essa é a orientação de Deus ao profeta: “Você ora a mim, fala comigo e eu te responderei.”
Às vezes estamos como Marta (Lucas 10.38-42). Não ficamos atentos ao falar do Senhor. Enquanto sua irmã, Maria, estava atenta às diretrizes do Mestre, Marta se ocupava com muitas tarefas (Lucas 10.40 e 41).
Intimidade é um relacionamento ao qual falamos com Deus e Ele fala conosco. Você está atento quando o Senhor fala?

3. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACIONAMENTO DE OBEDIÊNCIA (V. 8)
No verso 8 diz o salmista: “Ao meu coração me ocorre: Buscai a minha presença.” Deus estava falando ao seu coração. Deus o orientava a buscar a Sua presença. De pronto surge à resposta: “Buscarei, pois, Senhor a tua presença.” (v. 9) O Senhor orientou e o salmista se prontificou a obedecer.
Obediência verdadeira não é para qualquer um. Saul foi um grande general, mas não foi obediente como Davi.
Sansão se destacou por sua força. Contudo, não foi firme na obediência.
Salomão foi reconhecido por sua sabedoria. Mas sua desobediência desmoronou a nação após seu reinado.
Obediência é um sinal de quem tem intimidade com Deus.

4. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACIONAMENTO QUE DESEJA APRENDER (V. 11)
“Ensina-me, SENHOR, o teu caminho...” Quando conhecemos alguém e tornamos íntimos. Queremos mais conhecê-lo para sermos mais íntimos. Cria-se um ciclo: a intimidade dá conhecimento, o conhecimento do Deus gera mais intimidade.
O aprender de Deus não é para pastor, líder, obreiro ou missionário. É para todos que desejam ter comunhão com Ele.
Esse é um clamor constante no livro de Salmos:
Faze-me, SENHOR, conhecer os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem eu espero todo dia.” (Salmo 25.4,5)
“Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; dispõe-me o coração para só temer o teu nome.” (Salmo 86.11)

5. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACINAMENTO DE CONFIANÇA (VV. 1 a 3)
Os três primeiros versos desse salmo é a mais pura expressão de confiança. Confiança gerada pela intimidade.
Confiança é diferente de não ter problemas. Confiança é esperar o melhor de Deus apesar das adversidades. O salmista diz: “quando malfeitores me sobrevêm... Ainda que um exército se acampe contra mim... se estourar contra mim um guerra...” As dificuldades eram reais. A perseguição era verdadeira. O salmista passa momentos de aflições. Contudo, mantinha-se firme: “...AINDA ASSIM TEREI CONFIANÇA.” Aleluia!
Essa confiança em Deus, apesar das adversidades, leva a alegria e ao agradecimento: “Agora, será exaltada minha cabeça acima dos inimigos que me cercam. No seu tabernáculo oferecerei sacrifício de júbilo; cantarei e salmodiarei ao SENHOR.” (v. 6)

Celson Coêlho
Editor do Blog
(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.celsoncoelho.blogspot.com)

sábado, 3 de novembro de 2012

PAZ SEJA CONVOSCO! (João 20.19-23)


Era tarde de um domingo. Verdade seja dita, não era mais um domingo normal. Três dias se passaram da crucificação de um homem considerado por muitos como inocente. Não só condenação. Houve escarnio, sofrimento, humilhação. Tudo para um grande público ver.
Isso ocorrera com o líder de um grupo de pessoas chamadas de discípulos. Agora, esses seguidores estavam isolados e desolados. Múltiplas indagações lhes vieram à mente. O que fazer? Para onde ir? O que farão com seus seguidores?
Talvez um deles já tivesse sugerido algo muito normal para o momento: voltar à vida antiga...
A SITUAÇÃO DOS DISCÍPULOS
O texto de João é claro: “estavam os discípulos com medo dos judeus” (v. 19). Outras passagens do evangelho de João revelam que alguns dos judeus imprimiam medo sobre os seguidores de Jesus. Em João 9.22 vemos os pais atemorizados em testemunhar o milagre do filho. Em 19.38 temos um homem de destaque, José de Arimatéia, também acuado.
Esses perseguidores revelaram seu “poder” ao condenarem e crucificarem Jesus. O medo levou os discípulos a trancarem as portas. Na parábola dos talentos, Mateus capítulo 25, foi o medo que levou um dos servos a enterrar seu talento (verso 25; BLH). Trancados na casa, talvez os discípulos estivessem enterrando seus talentos, enterrando seus futuros.
O Jesus ao qual eles dedicaram suas vidas por quase 3 anos não conseguiu “vencer”. O homem ao qual Pedro disse: “para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6.68) acabara de sumir de suas vidas. Estava na hora de refazer os planos...
DUPLA PAZ
Nesse momento Jesus entra em cena. O Senhor dos nossos planos intervém. “Veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!” A tradução literal é “paz a vós”. A paz outrora tratada pelo Senhor como “minha paz” (Jo 14.27) é declarada sobre a vida dos discípulos. Essa não é a paz do mundo. Não é o sentimento passageiro de tranquilidade.
A primeira declaraçãopaz seja convosco” de Jesus é acompanhada de uma demonstração do seu corpo. “...Lhes mostrou as mãos e o lado” (Jo 20.20) A primeira PAZ é acompanhada de uma IDENTIFICAÇÃO. Sou eu mesmo, confiram. Lucas esclarece que os discípulos estavam “surpresos e atemorizados” com o aparecimento do Salvador. Até pensaram ser um fantasma (Lc 24.37). Na verdade eles não creram nas palavras do Mestre quando lhes antecipou que morreria e ressuscitaria (Mt 16.21-23). Também não creram no testemunho de Maria Madalena (Jo 20.18). Era necessário um testemunho impactante para que se desfizesse a incredulidade: – Vejam meu corpo. Sou mesmo. Morri e ressuscitei. Minha vitória lhes garante a paz verdadeira.
A mudança deveria ser decisiva!
A segunda declaraçãopaz seja convosco” é acompanhada de um COMISSIONAMENTO: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.” (Jo 20.21) A missão de Cristo teria continuidade nos seus seguidores. O Salvador já demonstrara esse desejo em sua oração sacerdotal (Jo 17.18). Agora, torna efetivo o envio. A paz que ajudaria os discípulos a reestabelecerem a coragem para sair da casa trancada, também fundamentaria a consciência da grande comissão estabelecida para suas vidas pelo Senhor. Eles passariam de “medrosos a serenos, de espectadores a testemunhas, de fracos a cheios do Espírito, de vacilantes a intimoratos [destemidos]” (HULL, William. In Comentário Bíblico Broadman – Observação entre colchetes minha).
A primeira “paz” gera alegria, a segunda, concede o Espírito. A primeira traz conforto, a segunda, capacitação. Eles deveriam levar essa mensagem ao mundo hostil.
Por isso, em Cristo vos delcaro: “PAZ SEJA CONVOSCO!”
Celson Coêlho
Editor do Blog

(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: www.celsoncoelho.blogspot.com)