terça-feira, 20 de novembro de 2012

AS DIMENSÕES DE MISSÕES URBANAS

*Por Celson Coêlho
(Mensagem pregada na Conferência Missionária na Igreja do Evangelho Quadrangular em UR 7-Várzea, Recife-PE, em 18/11/12)
Lucas 10.1-12

INTRODUÇÃO
Nosso tema mais amplo é Missões Urbanas. Necessário se faz definir o que seja Missões Urbanas: É expandir o Reino de Deus na cidade ou expandir o Reino de Deus na sociedade urbana.
Resumidamente vejamos algumas características de nossa sociedade urbana:
a) Constante evolução do conhecimento: o que era verdade ontem já não tem valor hoje. Isso muda a forma de trabalho (vida profissional), mas também influencia na vida cotidiana. Os valores da família são tidos com ultrapassados.
b) Sociedade conectada: as vidas das pessoas ocorrem “on line”. Existe uma grande exposição da vida pessoal. Gera-se um conflito entre o que é particular e o que é público.
c) Sociedade sem amor: aqui se expressa a degradação dos relacionamentos. Entre cônjuges. Entre pais e filhos. Nas amizades. Nos relacionamentos impera a violência.

1. DIMENSÃO TEOLÓGICA
Refiro-me a teologia em sua compreensão mais geral. O que é teologia? É entender e explicar o agir de Deus na humanidade. Isso todos que estão na igreja fazem. Quando afirmamos que uma passagem da Bíblia tem determinado significado ou quando queremos explicar espiritualmente determinado fato vivido com alguém. Isso é teologia.
O problema se encontra quando não temos a fonte correta para fundamentar nossa teologia. Foi o que aconteceu com Nicodemos (João 3).  Ele tentou explicar o agir de Deus dessa forma: “... sabemos que és mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (João 3.2). Jesus foi taxativo em sua reposta: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3.3). Ou seja, ninguém pode explicar o agir de Deus se não nascer de novo. Se não for convertido, se não tiver vida com Deus, não entende o agir divino.
Em nosso texto básico, Lucas 10, a Dimensão Teológica se encontra na expressão SENHOR DA SEARA (v. 2). Ninguém pode realizar adequadamente a expansão do reino de Deus se não estiver de baixo dessa verdade bíblica: a seara tem o seu Senhor. Quem governa e orienta as ações na expansão do reino é o próprio Senhor. Ele deixou claro essa verdade na analogia da videira e os ramos em João 15: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (v. 5).
Devemos realizar a expansão do reino em total dependência do Senhor da seara. Somos seus instrumentos. Quem converte o perdido não somos nós. É o próprio Deus através do Espírito Santo (João 16.8).
O conhecimento científico da sociedade urbana está em constante mudança. Podemos até mudar os meios que utilizamos para compartilhar o Evangelho. Mas o Evangelho não muda. Ele é nosso referencial. Aqui está nosso destaque para a Dimensão Teológica de Missões Urbanas. Não podemos perder o referencial da verdade bíblica. Ela é imutável. Estamos falando em vidas na eternidade com ou sem Deus. Logo, não podemos compartilhar apenas nossas ideias. Elas são passageiras.
Veja o que afirma Pedro sobre essa verdade: “Pois fostes regenerados não da semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. Pois toda carne é como a erva, e toda sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai sua flor. Ora, está é a palavra que vos foi evangelizada.” (1ª Pedro 1.22-25)
A Dimensão Teológica de Missões Urbanas nos lembra de que temos que compartilhar aquilo que é permanente: a Palavra de Deus.

2. DIMENSÃO ESPIRITUAL
A Dimensão Espiritual é revelada no imperativo: “ROGAI” (v. 2). A expansão do Reino não ocorre separada da oração. A expressão é uma ordem: Rogai. A oração é indispensável para quem deseja ser instrumento de Deus na evangelização do perdido. A intimidade com o Senhor da seara, gerada pela oração, nos dá o discernimento de quando e como compartilhar o Evangelho. A vida espiritual com Deus nos permite sentir o pulsar do seu coração.
Em outra ocasião do ministério de Jesus os discípulos revelaram o quanto estavam desligados da necessidade das almas perdidas. O fato se encontra em João 4. Os discípulos disseram: “Mestre, come!” (v. 31). Eles não tinham conhecimento do que realmente alimentava a alma do Mestre. Sua comida era fazer a vontade de Deus e realizar a sua obra (versos 32 a 34). No verso 35, a insensibilidade espiritual dos seus seguidores vem à tona: “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até a ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa.” Vejam bem. Vejam melhor – Foi o que disse o Mestre. O que foi plantado já está maduro e pronto para colheita. Na continuação desse texto, em João 4.39-42, muitos samaritanos creram no Senhor pelo testemunho da mulher. Existiam pessoas sedentas por crer em Jesus e seus discípulos não conseguiram perceber.
A oração abre nossa visão espiritual. Ela é o caminho que o Espírito usa para nos guiar as pessoas certas, nos momentos certos, com as palavras certas. A oração nos faz enxergar a urgência do mundo perdido. Oswald Smith declarou: “Nós conversamos sobre a segunda vinda de Cristo. Metade do Mundo sequer ouviu falar da primeira.”
Ainda no envio dos setenta em Lucas 10, Jesus deixa claro o destino daqueles que não se arrependerem: “descerás até o inferno” (v. 15). Se não estivermos conscientes do destino do homem sem Deus, não veremos a urgência em pregar o evangelho.
A luz da urgência em pregar o evangelho é acesa em nossos corações através da comunhão com Deus na oração. Eis a Dimensão Espiritual de Missões Urbana.
  
3. DIMENSÃO PRÁTICA
Temos que entender corretamente a vontade de Deus para compartilharmos com o mundo perdido (Dimensão Teológica). Devemos ter uma vida de oração para sermos guiados aos necessitados. Mas devemos nos dispor a prática. Temos que estar disponíveis para ser instrumento de Deus para os perdidos.
O “IDE” (v. 3) expressa a Dimensão Prática. Significa estar pronto para compartilhar Jesus em qualquer momento em nossa sociedade urbana. Seguir Jesus não é uma ação de isolamento. Quanto mais perto de Jesus, mais afastados das pessoas. Não é isso! Quanto mais crescemos com Deus, mais nos aproximamos em compaixão pelo perdido. Mais nos aproximamos do próximo para servir.
Vejamos algumas características da prática em Missões Urbana:
3.1. “Enviou de dois em dois” (v. 1) – Nessa estratégia Jesus demonstrou cautela. Aqui vemos a precaução e cuidado de não cometer equívocos. Em outros momentos o Senhor orientou: “Acautelai-vos” (Mateus 7.15 e 10.17; Lucas 12.1). Esse pedido de cautela estava ligado à adversidade encontrada na pregação do Evangelho e no engano causado por homens que desejam anular essa pregação: “Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como serpentes e símplices como as pombas. E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas.” (Mt 10.16, 17) Lembre-se que para os judeus a verdade dos fatos era atesta pelo testemunho de duas pessoas (Deuteronômio 19.15);
3.2. “Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos” (v. 3) – é uma atividade envolta em perigos. Essa verdade não deve nos inibir. Antes, deve nos despertar para as armadilhas de Satanás. Jesus alertou sobre as aflições que sofreríamos no mundo. Contudo, nos garantiu: “tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16.33);
3.3. Bom censo (vv. 5-7) – Ter bom senso é ser sensato, é ter a capacidade de distinguir a melhor conduta em situações específicas. No verso 6, subtende-se que tem momentos que não adianta insistir. Não é o momento de Deus. No verso 7 diz para não se desesperar e ir de casa em casa. O próprio Jesus entendeu que não poderia realizar grandes coisas em sua terra, Nazaré, devido à incredulidade do povo. Por isso, passou a ministrar nas aldeias da vizinhança (Mateus 6.1-6). Paulo, o maior missionário da história da igreja, foi impedido pelo Espírito Santo de pregar o Evangelho (Atos 16.6).
3.4. “Curai os enfermos” (v. 9) – A mensagem do Evangelho é uma mensagem de cura para um mundo aflito sem amor e sem Deus. Disse Paulo: “Não me envergonho do evangelho, porque é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...” (Romanos 1.16).

CONCLUSÃO
A continuação do capítulo 10 de Lucas nos deixa alguns alertas quanto à realização de Missões Urbanas:
Lucas 10.21: “... ocultastes estas coisas aos sábios e instruídos e as revelastes aos pequeninos” – A expansão do Reino não é realizada fundamentada na sabedoria humana. Vem de Deus, é revelada. (leia do 21 ao 24)
• Lucas 10.20: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.” – Cuidado com a soberba espiritual. O poder não é nosso. (leia do 17 ao 20)
• Lucas 10.40, 41: Marta agitava-se em muitos serviços e muitas coisas – A expansão do Reino não ocorre pelo nosso ativismo. Temos que ter tempo para ouvir Jesus. (leia do 38 ao 42)

Celson Coêlho
Editor do Blog
(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.celsoncoelho.blogspot.com)

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