quarta-feira, 14 de novembro de 2012

INTIMIDADE COM DEUS


 *Por Celson Coêlho
(mensagem pregada na IEQ-Ipsep, Recife-PE, em 23/09/2012)


Salmo 27

Qual a importância de sabermos o que realmente é intimidade com Deus?
A necessidade surge da nossa fraca referência do que é intimidade. É bem verdade que em nossos relacionamentos humanos pouco sabemos o que é uma intimidade verdadeira. Estão raras hoje. Isso devido à dinâmica da vida e as imposições de uma “sociedade da conquista”. A dinâmica da vida nos relembra que nossos relacionamentos não são mais como dos nossos pais e/ou avós. Eles nasceram e viveram sempre num mesmo bairro. Frequentaram uma mesma escola por anos. Hoje não é mais assim. A “sociedade da conquista” nos obriga olhar para o próximo não como amigo e sim como competidor. A vaga ou é minha ou dele. Assim, as pessoas escondem objetivos e sentimentos. Não se deixam conhecer.
O Salmo 27 é uma expressão de confiança no Senhor, mas também revela um coração desejoso por sua presença. Seu autor foi identificado como homem segundo o coração de Deus (Atos 13.22). Ele desfrutou da presença do Senhor. Desfrutou de intimidade.

1. INTIMIDADE É MORAR NA CASA DO SENHOR (V. 4)
“Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor...” Esse foi o desejo do salmista. Davi bem sabia o que era a casa de Deus. Foi ele quem intentou construir o templo (2ª Samuel 7.1-5). Logicamente que para o homem atual não é possível literalmente morar no templo, na igreja. O ensinamento é: estar continuamente na presença de Deus.
·         Morar significa viver com Deus, conhecer hábitos (Bíblia na Linguagem de Hoje);
·        Morar no templo era permitido apenas aos sacerdotes. Eles eram separados para isso. Morar acarreta separação, santidade.
O desejo de morar é completado por duas ações desejadas pelo salmista: para contemplar e meditar. Contemplar significa olhar com inteligência, demoradamente. Meditar é buscar, perguntar, considerar, refletir. A realização dessas duas ações requer tempo. Intimidade com Deus exige tempo dedicado a Ele. Não há espaço para o imediatismo. Não existem atalhos.
Uma das coisas mais difíceis  para o ser humano é eleger prioridades. O tempo é o mesmo para todos. O dia tem 24 horas para todas as pessoas. Uns poucos aproveitam bem seu tempo e outros muitos reclamam não ter tempo. Qual o tempo que temos dedicado para intimidade com Deus?
Alguns pensam que o planejamento do tempo não tem nada de espiritualidade. Dizem: – Isso é algo burocrático; limita a ação do Espírito.
Não foi essa a visão do apóstolo Paulo. Na epístola de Efésios, capítulo 5, o apóstolo está falando sobre obras das trevas e frutos da luz. Ou seja, vida cristã correta. Ele enumera as obras das trevas: impudicícia, impureza, cobiça, etc (verso 3 a 7). Como também explica o fruto da luz: bondade, justiça e verdade (v. 9). Nos versos 15 e 16 assevera o apóstolo: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios, REMINDO O TEMPO, porque os dias são maus” (destaque meu). Remir o tempo é aproveitar o tempo. Para sermos cristãos que agradam a Deus, tempos que cuidar do nosso tempo, planejando e investindo tempo com Deus.

2. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACIONAMENTO DE MÃO DUPLA (VV. 7 E 8)
Para os motoristas essa é uma afirmação muito simples. Mão dupla significa um caminho que o veículo vai e vem.
Expressou o salmista: “Ouve Senhor a minha voz; eu clamo...” (v. 7) Seu desejo era ser ouvido em sua oração. Assim ocorreu. Ele foi ouvido em sua oração. O verso 8 nos diz que a resposta veio ao seu coração.
Contudo, em intimidade com outra pessoa, nós falamos e a outra pessoa também quer falar. O homem fala. Deus quer falar também. O Senhor ouviu a oração do salmista e falou com ele: “... buscai a minha presença” (v. 8) Intimidade com Deus é falar com Ele através da oração, mas também estar atento a sua resposta.
Uma das passagens mais citadas sobre oração é Jeremias 33.3: “invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.” Essa é a orientação de Deus ao profeta: “Você ora a mim, fala comigo e eu te responderei.”
Às vezes estamos como Marta (Lucas 10.38-42). Não ficamos atentos ao falar do Senhor. Enquanto sua irmã, Maria, estava atenta às diretrizes do Mestre, Marta se ocupava com muitas tarefas (Lucas 10.40 e 41).
Intimidade é um relacionamento ao qual falamos com Deus e Ele fala conosco. Você está atento quando o Senhor fala?

3. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACIONAMENTO DE OBEDIÊNCIA (V. 8)
No verso 8 diz o salmista: “Ao meu coração me ocorre: Buscai a minha presença.” Deus estava falando ao seu coração. Deus o orientava a buscar a Sua presença. De pronto surge à resposta: “Buscarei, pois, Senhor a tua presença.” (v. 9) O Senhor orientou e o salmista se prontificou a obedecer.
Obediência verdadeira não é para qualquer um. Saul foi um grande general, mas não foi obediente como Davi.
Sansão se destacou por sua força. Contudo, não foi firme na obediência.
Salomão foi reconhecido por sua sabedoria. Mas sua desobediência desmoronou a nação após seu reinado.
Obediência é um sinal de quem tem intimidade com Deus.

4. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACIONAMENTO QUE DESEJA APRENDER (V. 11)
“Ensina-me, SENHOR, o teu caminho...” Quando conhecemos alguém e tornamos íntimos. Queremos mais conhecê-lo para sermos mais íntimos. Cria-se um ciclo: a intimidade dá conhecimento, o conhecimento do Deus gera mais intimidade.
O aprender de Deus não é para pastor, líder, obreiro ou missionário. É para todos que desejam ter comunhão com Ele.
Esse é um clamor constante no livro de Salmos:
Faze-me, SENHOR, conhecer os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem eu espero todo dia.” (Salmo 25.4,5)
“Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; dispõe-me o coração para só temer o teu nome.” (Salmo 86.11)

5. INTIMIDADE COM DEUS É UM RELACINAMENTO DE CONFIANÇA (VV. 1 a 3)
Os três primeiros versos desse salmo é a mais pura expressão de confiança. Confiança gerada pela intimidade.
Confiança é diferente de não ter problemas. Confiança é esperar o melhor de Deus apesar das adversidades. O salmista diz: “quando malfeitores me sobrevêm... Ainda que um exército se acampe contra mim... se estourar contra mim um guerra...” As dificuldades eram reais. A perseguição era verdadeira. O salmista passa momentos de aflições. Contudo, mantinha-se firme: “...AINDA ASSIM TEREI CONFIANÇA.” Aleluia!
Essa confiança em Deus, apesar das adversidades, leva a alegria e ao agradecimento: “Agora, será exaltada minha cabeça acima dos inimigos que me cercam. No seu tabernáculo oferecerei sacrifício de júbilo; cantarei e salmodiarei ao SENHOR.” (v. 6)

Celson Coêlho
Editor do Blog
(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.celsoncoelho.blogspot.com)

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