sábado, 29 de dezembro de 2012

A MORTE DE JESUS: PORQUE TRÊS DIAS E ONDE ELE ESTEVE?

 1) Existe alguma representação especial para Jesus ter ressuscitado justamente ao terceiro dia?
2) O que aconteceu de fato no período entre a morte e a ressurreição de Cristo? O que ele fez? Por onde andou?

As perguntas acima foram dúvidas enviadas por um irmão. Tento esclarecê-las no texto abaixo. Boa leitura:

Por que 3 dias? Ou por que no terceiro dia?
Tem algumas passagens nos evangelhos que o próprio Jesus trata de sua morte e ressurreição. São elas:
Mateus 12.40; Marcos 8.31; e Lucas 9.22 – Falando de forma direta; e
Mateus 26.61; 27.40; Marcos 14.58; 15.29; e João 2.19-22 – Falando por analogia sobre a destruição do Templo de Jerusalém e sua reconstrução em três dias.
A mais significativa para nosso entendimento é a passagem de Mt 12.40. Antes de analisá-la, ressalto a importância do texto de João, principalmente no verso 22:
“Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto [que morreria e ressuscitaria]; e creram na Escritura e na palavra de Jesus.” (acréscimo entre colchetes é meu)
Sua declaração de morte e ressurreição ao terceiro dia foi uma profecia. Ele predisse e se cumpriu. Seu cumprimento serviu para solidificar a fé dos discípulos e a nossa também. (veja João 12.16)

VAMOS AO TEXTO de Mateus 12.38-42:
O que se destaca nessa passagem é o pedido de um SINAL (v. 38). Os judeus presenciaram muitos sinais, como a cura do endemoninhado, cego e mudo (Mt 12.22). Contudo, exigiam um sinal como credencial. Como se fosse um sinal “autorizador” para credenciar o que Cristo realizava.
Falando sobre o sinal que eles veriam, Jesus compara sua morte e ressurreição com a “quase” morte e ressurreição de Jonas no ventre o peixe. Lucas declara: “Assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, o Filho do homem o será para está geração.” (Lc 11.30)
Qual foi o sinal de Jonas? Jonas foi o sinal do verdadeiro amor de Deus por um povo pecador e alienado de Sua vontade. A “quase” morte e ressurreição de Jonas do ventre de um peixe e sua posterior pregação levaram os ninivitas ao arrependimento.
O sinal da morte e ressurreição de Jesus deveria levar muitos outros ao arrependimento pois Ele é maior que Jonas (Mt 12.41).
Então, a morte e ressurreição de Cristo após três dias foram prefiguradas por Jonas. E tem como objetivo (sinal) levar ao arrependimento.
Paulo afirma que Cristo “foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 14.4). Havia uma compreensão na igreja primitiva que o Messias ressuscitaria ao terceiro dia. Possivelmente a partir de passagens como Salmos 16.8-10; Isaias 53.10-12 e Oséias 6.2.

Onde Jesus esteve após sua morte?
A passagem de Mateus analisada acima traz o termo “coração da terra” (12.40). Não existe muito esclarecimento quanto ao que seria o “coração da terra”, a não ser sua idéia básica de centro da terra. Uma expressão semelhante encontra-se em Lucas 16.22, 23: “seio de Abraão”.
Existe um ensinamento que após a morte Jesus foi ao inferno. Acredito ser pouco provável esse entendimento. Primeiro por pouca (ou nenhuma) evidência bíblica. Segundo por falta de objetivo de uma ida ao inferno.
Os textos bíblicos que tentam fundamentar a ida ao inferno são basicamente Efésios 4.9,10 e 1ª Pedro 3.18,19. As duas passagens são de difícil entendimento. Por isso muitas interpretações são sugeridas. Vejamos o significado a partir do seu contexto e o respaldo em outros textos NÃO difíceis da Bíblia:
EFÉSIOS 4.9,10
“Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra?”
“Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.”

O que significa “regiões inferiores da terra”?
As regiões mais baixas da terra é um contraponto a “acima de todos os céus”. Aqui temos uma comparação de extremos. “Acima de todos os céus” refere-se à situação de Cristo glorificado. “Regiões inferiores da terra” refere-se a Ele como homem, humilhado quando deixou sua glória.
Leia João 3.13 e Filipenses 2.7-9. Principalmente Filipenses esclarece a humilhação de Jesus, sendo Deus, tornar-se homem e sua posterior glorificação.
Logo, “regiões inferiores da terra” significa seu estado humilhação quando se tornou homem e não usurpou ser igual a Deus.

1ª PEDRO 3.18,19
“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim na carne, mas vivificado no espírito”
“No qual também foi e pregou aos espíritos em prisão.”

O que significa “espíritos em prisão”?
Temos duas opções: ou se refere a pessoas ou, literalmente, a seres espirituais. No contexto desses versos não encontramos referência alguma a seres espirituais. Em contrapartida, logo no verso 20, encontramos referência a pessoas que foram desobedientes nos dias de Noé. Torna-se plausível a conclusão de referir-se a pessoas quando juntamos o final do verso 19 com o início do verso 20: “... e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé...” Os que são desobedientes a Deus encontram-se aprisionados. São espíritos em prisão.
Então qual a ligação de Cristo com as pessoas da época de Noé? Cristo foi pregado, de forma prefigurada, por Noé. (ou Cristo pregou através do ministério de Noé)
No verso 18 temos: “morto na carne” e “vivificado no espírito.” A primeira frase refere-se a Cristo limitado na carne, ou seja, sua vida terrena, inclusive a morte. A segunda refere-se ao seu estado não limitado, ou seja, sua natureza divina antes da encarnação. Foi nessa segunda situação que ele pregou nos tempos de Noé.
Essa interpretação, que é aceita pela maioria dos comentaristas, além de ser compatível com outros ensinamentos da Bíblia, afasta o entendimento de se ter pregado para pessoas que já haviam sido condenadas e seus espíritos estavam em tormento (prisão). Essa seria uma possibilidade de salvação após a morte, o que se configura uma completa heresia.
Conforme os dois textos acima, acredito que Jesus não tenha comparecido ao inferno entre sua morte e ressurreição. Então para onde Ele foi?
O mais viável é que entre a morte e a ressurreição, Jesus esteve ao lado do Pai. Entendemos isso a partir de Lucas 23.43,46:
“Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.”
“Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!”

Entre sua morte e ressurreição Jesus esteve em intimidade com Deus. Assim é meu entendimento.

Celson Coêlho
Editor do Blog

Acessos:
Desceu Cristo ao inferno? Por Mário de Jesus Arruda in http://www.iprb.org.br/artigos/textos/art01_50/art39.htm (em 28/12/2012)
Descendit ad inferna”: uma análise da expressão “desceu ao hades” no cristianismo histórico por Heber Carlos de Campos in  http://www.thirdmill.org/files/portuguese/13874~9_19_01_10-42-34_AM~heber1.htm (em 28/12/2012)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

ESTAÇÃO SALVA-VIDAS


*Por Teston Gilpatrick 

Um pouco além de uma costa rochosa e muito perigosa, onde sempre ocorriam naufrágios, foi construída uma pequena estação salva vidas. O prédio em si nada mais era do que um simples barracão. Mais uma equipe treinada de doze membros dedicados vigiava constantemente, buscando atenta, no mar turbulento, as almas perdidas.
Muitas vidas foram salvas por este corajoso grupo e assim a estação se tornou famosa. Alguns dos salvo, por especial gratidão, quiseram associar-se à estação e dentro em pouco moradores da vizinhança faziam parte dela, oferecendo generosamente seu tempo e seus talentos para manter essa magnífica obra.
Com toda essa ajuda, foi possível comprar mais barcos e montar novas equipes. Era bom ver como crescia a pequena estação! Mas alguns dos novos membros estavam descontentes com as instalações simples demais do pequeno barracão. Sugeriram então que um local mais confortável e que abrigasse melhor todos que eram salvos do mar fosse encontrado.
Ficou afinal resolvido construir um novo prédio, muito mais adequado. Em lugar de leitos toscos de emergências colocaram camas autênticas e móveis compatíveis. A estação, em suas novas condições, adequava-se agora a realização de atividades sociais e seus membros decoraram o novo “clube” de maneira luxuosa.
Aconteceu, porém, que os sócios queriam cada vez menos arriscar a vida para salvar os náufragos e contrataram então equipes “profissionais” para substituí-los nesse difícil trabalho. O tema das decorações oficiais e os adornos artísticos do “clube” ainda representavam simbolicamente o mar e o heroísmo de seus fundadores. Havia também um barco simbólico no salão principal e os novos “salva vidas” eram iniciados através de um completo ritual.
Houve a seguir uma tragédia terrível. Um grande navio sossobrou e as equipes contratadas levaram até a estação centenas de vítimas. Estas, representando todas as raças e camadas sociais estavam encharcadas, com frio e exaustas. Colocadas nas bonitas camas e belos estofados, os pobres náufragos deixaram tudo em desordem.
A diretoria da estação ficou aborrecida e resolveu não receber mais pessoas sujas e encharcadas. Quando os sócios souberam dessa decisão resolveram dividir a sociedade. A maior parte achou melhor suspender inteiramente todas as atividades relacionadas com a salvação de vidas, pois elas interferiam com a vida social do “clube”.
Outros membros porém reclamara, lembrando que salvar vidas no mar era o objetivo principal da existência da estação. Mas foram derrotados pela maioria, declarando esta que se insistissem em continuar salvando vidas teriam que começar sua própria estação em outro local.
E foi isso que fizeram, no início salvaram muitas pessoas, mas com o passar dos anos a nova estação sofreu as mesmas modificações da primeira. Transformou-se em outro clube e surgiu assim a necessidade de abrir mais uma verdadeira estação salva vidas.
Você encontrará hoje muitos clubes exclusivistas do outro lado do mar. Os naufrágios são frenquentes naquela zona, entretanto, a maior parte das vítimas continua se afogando sem assistência alguma. MORAL: Esta triste história simboliza o quê? O cristianismo, leitor! A igreja tem seus aspectos sociais, mas seu propósito básico é salvar vidas espirituais, de toda raça, nação, cidade e povoado do mundo inteiro, quer essas pessoas sejam boas ou não. No desempenho dessa tarefa um templo confortável e ricamente adornado não é essencial. Não há também necessidade de se formar um clube de amigos íntimos. O que é vital, em toda cidade, é uma equipe dedicada e corajosa, para salvar muitas vidas do naufrágio espiritual.
Temos atualmente igreja por toda parte. Entretanto, por outro lado, são relativamente poucas as pessoas salvas pelos guarda-costas do Senhor. Todos procuram deixar nas mãos de algum profissional (seja evangelista, presbítero ou missionário) este trabalho difícil, preferindo conscientemente trocá-lo por uma outra atividade social ou de lazer. Onde estão as igrejas dedicadas inteiramente à árdua tarefa de salvar almas, cuja existência é nossa razão de ser?.

(Extraído na íntegra do livro A Missão de Deus, uma teologia com integridade, de Teston Gilpatrick, Editora Vida Cristã)

sábado, 8 de dezembro de 2012

CUIDADO COM A LEITURA DA BÍBLIA

*Por Celson Coêlho 
A leitura da Bíblia tem que ser cuidadosa. Sugiro, não apenas eu, mas os grandes biblicistas e pregadores, que seja uma leitura livro por livro. Leia um livro completo, do 1º ao último versículo. Não podendo fazer em uma única vez, volte na próxima leitura para a passagem onde parou. (Dia após dia)
Faça essa leitura sempre em oração e na expectativa de ser orientado por Deus.
Mesmo com esses cuidados, algumas passagens parecem desnecessárias no registro bíblico. São maçantes.
Em minha leitura devocional, finalizei o livro de Josué. Do capítulo 15 ao 21, encontrei um desses trechos que, a primeira vista, se fossem retirados da Bíblia não fariam diferença.
Aqui nos cabe outro cuidado. Primeiro devemos lembrar que os livros sagrados tiveram destinatários originais que não foram nós. Qual o significado desse registro bíblico para seus leitores originais? Essa pergunta é fundamental para uma boa interpretação da Bíblia. Mesmo não sendo de fácil resposta. Lógico que, devido à autoria divina e sua inspiração, o texto bíblico é palavra do Senhor para todas as gerações.
Outro cuidado proveitoso: quando encontramos tais trechos, devemos perceber quais conclusões esclarecedoras o contexto daquela passagem nos revela.
No exemplo citado por mim, Josué capítulo 15 ao 21, os versículos finais do capítulo 21 nos revelam o porquê dos relatos “detalhados” da divisão de posses da terra:
Desta maneira deu o SENHOR a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais; e a possuíram e habitaram nela.
E o SENHOR lhes deu repouso de todos os lados, conforme a tudo quanto jurara a seus pais; e nenhum de todos os seus inimigos pode resisti-los; todos os seus inimigos o SENHOR entregou-lhes nas mãos.
Palavra alguma falhou de todas as boas coisas que o SENHOR falou à casa de Israel; tudo se cumpriu.” (Js 21.43-45)

Fica claro que o objetivo desse relato detalhado e um pouco “maçante” é confirmar o cumprimento da promessa divina nos mínimos detalhes: “tudo se cumpriu” (v. 45)
Deus é fiel e sua palavra não é vã!

Mesmo que a leitura pareça um pouco difícil em determinados momentos, continue, pois o Senhor nos diz: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.” João 15.3

Celson Coêlho
Editor do Blog