sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

ESTAÇÃO SALVA-VIDAS


*Por Teston Gilpatrick 

Um pouco além de uma costa rochosa e muito perigosa, onde sempre ocorriam naufrágios, foi construída uma pequena estação salva vidas. O prédio em si nada mais era do que um simples barracão. Mais uma equipe treinada de doze membros dedicados vigiava constantemente, buscando atenta, no mar turbulento, as almas perdidas.
Muitas vidas foram salvas por este corajoso grupo e assim a estação se tornou famosa. Alguns dos salvo, por especial gratidão, quiseram associar-se à estação e dentro em pouco moradores da vizinhança faziam parte dela, oferecendo generosamente seu tempo e seus talentos para manter essa magnífica obra.
Com toda essa ajuda, foi possível comprar mais barcos e montar novas equipes. Era bom ver como crescia a pequena estação! Mas alguns dos novos membros estavam descontentes com as instalações simples demais do pequeno barracão. Sugeriram então que um local mais confortável e que abrigasse melhor todos que eram salvos do mar fosse encontrado.
Ficou afinal resolvido construir um novo prédio, muito mais adequado. Em lugar de leitos toscos de emergências colocaram camas autênticas e móveis compatíveis. A estação, em suas novas condições, adequava-se agora a realização de atividades sociais e seus membros decoraram o novo “clube” de maneira luxuosa.
Aconteceu, porém, que os sócios queriam cada vez menos arriscar a vida para salvar os náufragos e contrataram então equipes “profissionais” para substituí-los nesse difícil trabalho. O tema das decorações oficiais e os adornos artísticos do “clube” ainda representavam simbolicamente o mar e o heroísmo de seus fundadores. Havia também um barco simbólico no salão principal e os novos “salva vidas” eram iniciados através de um completo ritual.
Houve a seguir uma tragédia terrível. Um grande navio sossobrou e as equipes contratadas levaram até a estação centenas de vítimas. Estas, representando todas as raças e camadas sociais estavam encharcadas, com frio e exaustas. Colocadas nas bonitas camas e belos estofados, os pobres náufragos deixaram tudo em desordem.
A diretoria da estação ficou aborrecida e resolveu não receber mais pessoas sujas e encharcadas. Quando os sócios souberam dessa decisão resolveram dividir a sociedade. A maior parte achou melhor suspender inteiramente todas as atividades relacionadas com a salvação de vidas, pois elas interferiam com a vida social do “clube”.
Outros membros porém reclamara, lembrando que salvar vidas no mar era o objetivo principal da existência da estação. Mas foram derrotados pela maioria, declarando esta que se insistissem em continuar salvando vidas teriam que começar sua própria estação em outro local.
E foi isso que fizeram, no início salvaram muitas pessoas, mas com o passar dos anos a nova estação sofreu as mesmas modificações da primeira. Transformou-se em outro clube e surgiu assim a necessidade de abrir mais uma verdadeira estação salva vidas.
Você encontrará hoje muitos clubes exclusivistas do outro lado do mar. Os naufrágios são frenquentes naquela zona, entretanto, a maior parte das vítimas continua se afogando sem assistência alguma. MORAL: Esta triste história simboliza o quê? O cristianismo, leitor! A igreja tem seus aspectos sociais, mas seu propósito básico é salvar vidas espirituais, de toda raça, nação, cidade e povoado do mundo inteiro, quer essas pessoas sejam boas ou não. No desempenho dessa tarefa um templo confortável e ricamente adornado não é essencial. Não há também necessidade de se formar um clube de amigos íntimos. O que é vital, em toda cidade, é uma equipe dedicada e corajosa, para salvar muitas vidas do naufrágio espiritual.
Temos atualmente igreja por toda parte. Entretanto, por outro lado, são relativamente poucas as pessoas salvas pelos guarda-costas do Senhor. Todos procuram deixar nas mãos de algum profissional (seja evangelista, presbítero ou missionário) este trabalho difícil, preferindo conscientemente trocá-lo por uma outra atividade social ou de lazer. Onde estão as igrejas dedicadas inteiramente à árdua tarefa de salvar almas, cuja existência é nossa razão de ser?.

(Extraído na íntegra do livro A Missão de Deus, uma teologia com integridade, de Teston Gilpatrick, Editora Vida Cristã)

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Celson Coêlho