segunda-feira, 24 de junho de 2013

CONFLITO DE GERAÇÕES, visão bíblica a partir de Mateus 11

 
*Por Celson Coêlho

(Mensagem pregada no Retiro Espiritual de Homens da IEQ UR-7, Recife-PE, no dia 10/03/2013)

Mateus 11.2-19

Definindo conceitos
• Geração: constitui-se de indivíduos nascidos numa mesma época. O termo vem do latim e significa gerar. Então podemos dizer que uma geração é um grupo de pessoas nascidos numa mesma época e influenciados (gerados) pela forma de pensar e agir dessa época. Estimava-se que o período que se formava uma geração era de 40 anos. Há alguns anos essa estimativa caiu para 10 anos. Acredito que esse intervalo tende a ficar menor.
São características de uma geração: linguagem (verbal ou não verbal); filosofia de vida (forma de lidar com os problemas, a família, o trabalho, os relacionamentos, as autoridades e sua posição na sociedade); preferências culturais (músicas, televisão, literatura); sistema de educação; e alimentação.[1]
• Conflito: significa oposição de interesses, sentimentos ou ideias. Choque de motivos ou ações. Pensando-se em gerações, os conflitos se dão pela distância que existe entre os jovens e os de mais idade. Temos assim os conflitos de gerações devido a distância de valores e estilos de vida.
 Esclarecido esses conceitos, voltemos ao texto de Mateus 12. Nele encontramos um contexto de diferentes gerações e alguns conflitos entre elas.

1. O Conflito
As gerações são: a) A dos homens que vestiam roupas finas e viviam nos palácios (Mt 11.8), caracterizando os homens que viviam acalentados pela riqueza e poder. Talvez abrindo mão de seus valores pelo “status”; b) A de João Batista, que levava uma vida de separação da sociedade. Vivia no deserto. Vestia-se de pêlos de camelo e cinto de couro. Alimentava-se de gafanhotos e mel (Mt 3.1 e 4); e c) A de Jesus, caracterizado pelo amor ao próximo, pelo diálogo e respeito.
O conflito é revelado na pequena história de crianças contada por Jesus para definir aquela geração (Mt 11.16-19). Aquela geração estava mais preocupada com seu “status”. Interessavam-se mais no que tinham e no que podiam ter. Não abriam mão do seu interesse próprio. Por isso não aceitavam João Batista, chegando a dizer que tinha demônio, porque não comia nem bebia da mesma forma que os demais. Queriam que ele fosse mais sociável. Contudo, ao surgir Jesus, também não foi agradável a eles. Jesus era o contrário de João. Vivia na cidade. Comia com todos, era sociável. Também não agradou àquela geração.
Eis o questionamento de Jesus: “A quem hei de comparar esta geração?” Era como se ele dissesse: “Que geração é essa?” Ele mesmo tem a resposta: “É semelhante a meninos.” As crianças daquela época imitavam as atividades dos adultos, semelhante aos nossos dias. Jesus cita dois tipos de brincadeiras daquela época. Brincar de casamento e de funeral.
No casamento havia músicas com flautas e todos deviam dançar alegres. No funeral, havia músicas de lamentações. Inclusive, eram contratadas mulheres chamadas de carpideiras, que eram especialistas em chorar, para destacar o clima de lamento. Deveria ter pranto; choro. Algumas crianças não se contentavam nem com brincadeira de casamento, com alegria e danças. Nem com a brincadeira de funeral, com tristeza e choro. Nada agradava. Assim era aquela geração.
A Bíblia nos esclarece sobre a origem dos conflitos. Em Tiago 4.1 diz: “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” A origem é nos prazeres. “Referindo-se a ‘prazeres’ o autor salienta o desejo de satisfação do nosso EU.”[2] As contendas ou conflitos tem raiz na satisfação do interesse próprio.

2. Evitando Conflitos
João e Jesus tinham idades próximas. Nasceram na mesma época e viviam no mesmo ambiente. Contudo, é evidente que não tinham o mesmo estilo de vida. Suas personalidades eram diferentes. A natureza da missão de cada um também era diferente. Eles tinham todas as ferramentas para um conflito. Mas isso não ocorreu.
Houve um indício de conflito. Mas foi solucionado. João parece duvidar se Cristo era aquele que estava para vir. Enviou seus discípulos para questionar Jesus: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outros?” (Mt 11.3) João Batista profetizará que Jesus traria julgamento (Lc 3.16, 17). Talvez esperasse que o Salvador agisse como ele. Confrontando de forma severa e direta. Mas, até aquele momento, não tinha ouvido nada sobre julgamento. Só tinha ouvido falar de misericórdia. Não é errado duvidar. O problema é quando a dúvida cresce e gera conflitos. As dúvidas podem ser evitadas com diálogo e respeito.
A resposta ao questionamento de João está naquilo que Jesus estava realizando. Jesus diz: “Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho.” (Mt 11.4,5) Os fatos relatados por Jesus foram profetizados por Isaias (35.5,6;61.1). Era a referência profética ao Messias esperado por João Batista. Jesus diz, em outras palavras: “Vejam os fatos. Falem para João. Ele poderá comparar com aquilo que está registrado no Antigo Testamento com relação à chegada do Messias. Assim saberá se eu sou aquele que estava por vir.”
O conflito deve ser solucionado esclarecendo as duvidas com base na Bíblia.

3. O Respeito Entre Gerações
Outro fator que contribuiu para uma relação bem sucedida entre Jesus e João Batista, apesar de estilos diferentes, foi o respeito que tinham entre si.
João Batista estava a todo vapor em seu ministério quando viu Jesus pela primeira vez. Pessoas viam ao se encontro e eram batizadas. Mas ao encontrar o Jesus lhe concede a decida reverência: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29)
Jesus também demonstrou respeito ao João e ao seu ministério: “Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista” (Mt 11.11a). Tinham um relacionamento de respeito independente das diferenças.
O respeito à geração posterior a deles também é lembrado: “Mas o menor no reino dos céus é maior do que ele [João]” (Mt 11.11b). Era como se dissesse: “João foi o maior dos nascidos de mulher na era dos profetas. Contudo, aqueles que pertencem à nova era, ao reino dos céus, o menor é maior que João.” Jesus reforça essa verdade em outro momento: “Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.” (Jo 14.12)
Tem que haver respeito entre as gerações.

4. A Importância de Entender sua Posição
João chamou a atenção de muitos judeus quando desenvolvia seu ministério. Ele foi questionado por sacerdotes e levitas se ele era o Cristo esperado: “Quem és tu?” (Jo 1.19). Ele poderia ter assumido a posição do Messias. O privilégio. O “status”. Não foi isso que fez. “Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo” (Jo 1.20). Essa posição não é minha, disse ele. Não me pertence. Não quero e não posso assumir a posição que é de outro.
Na verdade, disse João, eu entendo minha posição: “Eu sou a voz do que clama no deserto: endireitai o caminho do Senhor” (Jo 1.23). Inclusive, os seguidores de João deram início a um conflito. Queriam que João confronta-se a Jesus (Jo 3.25,26). Eis a resposta de quem entende sua posição: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada. Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua.” (Jo 3.27-30).
Entender nossa posição é importante para haver respeito entre as gerações. Isso afasta os conflitos.

5. Crescendo em Ambiente Saudável
O ambiente onde as novas gerações são formadas é ponto crucial para relacionamentos saudáveis.
Jesus e João Batista eram primos. Os pais de João eram Zacarias e Isabel. O testemunho deles é que “eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor” (Lc 1.6)
José, o pai humano de Jesus, ficou preocupado ao saber que Maria, sua noiva, estava grávida. Viu que tinha algo diferente acontecendo. Contudo, “sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente” (Mt 1.19). Ele fez isso ainda não sabendo da obra miraculosa de Deus. Ele era justo e não infamava. Infamar é manchar a honra de alguém. José não procedia assim.
Ao saber que estava grávida, Maria também foi informada que Isabel também estava grávida (Lc 1.36). Porém, Isabel já estava com 6 meses de gravidez. Ela também já era idosa. Maria não aguarda que sua prima venha visitá-la. Sendo mais nova, ela vai ao encontro de Isabel. Um relacionamento de respeito. Isabel abençoa Maria ao recebê-la: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre” (Lc 1.42).
Esse era o ambiente que nasceram e cresceram João e Jesus. Homens opostos na personalidade, sem abrir mão do respeito e da boa convivência.

6. Converter o Coração dos Pais aos Filhos e dos Filhos aos Pais
Finalizo esse estudo recorrendo ao texto de Malaquias 4.5,6. Ele é uma referência profética ao ministério de João Batista: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor; Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.
O conflito entre gerações é acima de tudo um conflito na família. Conflito entre pais e filhos. Esse conflito, conforme Malaquias, traz maldição sobre a terra. Essa maldição pode ser evitada se houver conversão dos pais aos filhos e dos filhos aos pais. Converter é se voltar para. Se os pais se voltarem para os filhos e se os filhos se voltarem para os pais, não haverá conflito. Não haverá maldição.
O conflito entre gerações será solucionado quando houver interesse de entendimento e respeito entre elas.


[1] Consultado em http://editorauea.blogspot.com.br/2010/11/o-que-e-uma-geracao-como-se-caracteriza.html (acesso em 08/03/2013)
[2] Celson Coêlho. Onde Está Teu Irmão? Desafios a comunhão cristã. Livreto de publicação do autor.

(reprodução autorizada desde que mantida a integridade do texto, mencionado o autor: Celson Coêlho e o blog: http://www.celsoncoelho.blogspot.com)

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