sábado, 26 de dezembro de 2015

NÃO DEIXE O FACEBOOK FAZER SUA RETROSPECTIVA DO ANO



Por Celson Coêlho

O Facebook é uma ferramenta incrível. Um dos maiores meios de comunicação atual. Em seu balanço de usuários ativos para o segundo semestre de 2015, conforme Folha de São Paulo[1], seu alcance aproximou-se de 1,5 bilhões. Sendo 968 milhões de usuários ativos por dia.

Esse alcance permite inovações que visam “facilitar” a vida dos usuários. Seus aplicativos e “ajudas” on line já passam da centena de milhares. Uma dessas “ajudas” sugere para o usuário a recordação de momentos importantes (momentos que o Facebook julga importantes). No fim do ano essa lembrança aparece como “Sua Retrospectiva do Ano”.

Uma retrospectiva é uma lembrança de fatos marcantes em nossa vida em determinado período. O termo vem do latim retrospectare, significando "olhar para trás". Acredito que não devemos fazê-la sem objetivo, apenas por fazer. Funciona para rever nossa caminhada, repensar, revisar. É uma reflexão (re= retorno, para trás; flexão=dobra), alegrando-se e revivendo o que foi bom e repensando e melhorando o que não foi.

Essa reflexão ou retrospectiva deve ser feita por você mesmo. Não que a idéia do Facebook é algo horrível, um pecado ou o fim do mundo. Entendo que seja apenas uma forma de “curtir e compartilhar” momentos. Contudo, faz parte da idéia da sociedade atual de que tudo é feito para facilitar nossa vida, não precisamos se esforça para viver a vida. Tudo vai acontecendo... Mas a vida não é assim!

O maior rei de Israel esqueceu esse princípio. Após cometer uma sequência de erros, Davi não soube olhar para trás e refletir sobre sua história. O erro pode ocorrer em nossa vida, mas quando olhamos para trás e repensamos nossas ações, criamos oportunidade para correção. Davi precisou ser alertado pelo profeta Natã. Quando abordou Davi, o profeta contou-lhe uma história. Era uma analogia da própria história de Davi. O rei foi enérgico e disparou o julgamento sobre o personagem da história: “Tão certo como vive o Senhor, o homem que fez isso deve morrer” (1º Samuel 12.5).

Com firmeza arrematou Natã: “Esse homem é você” (1Sm 12.7). Era como se o profeta tivesse afirmado: “Essa é a sua história Davi.” Ele foi insensível e não teve condições de refletir sobre sua própria história. Às vezes somos assim, tanto para refletir sobre as coisas boas ou ruins. A vida é feita de altos e baixos. Alegrias e tristezas. Vitórias e derrotas. Devemos refletir sobre esses momentos, submetendo-os a Deus, para progredir na vida.

A Bíblia nos orienta a realização do autoexame:
Ø  “Esquadrinhemos os nossos corações, provemo-los e voltemos para o Senhor” (Lamentações 3.40);
Ø  “... tira primeiro a trave do teu olho...” (Mateus 7.5);
Ø  “Examine-se, pois, o homem a si mesmo... Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seriamos julgados” (1ª Coríntios 11.28,31);
Ø  “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estas na fé; provai-vos a vós mesmos” (2ª Coríntios 13.5)

Não é um autoexame paralisante onde nos afundamos pelas tristezas vividas ou ficamos “na lua” pelas alegrias obtidas. Pelo contrário, nossa retrospectiva deve nos guiar para o presente e o futuro. Deve colaborar para nosso crescimento como cristão. Deve nos impulsionar para sermos pessoas melhores.

Podemos rever e repensar nossa vida a qualquer momento. Mas o fim do ano torna-se uma boa oportunidade para isso.

Revise sua história.
Reveja seus momentos.
Repense suas ações.
Reviva suas alegrias.
Reavalie suas tristezas.
Não deixe que façam por você aquilo que você mesmo deve fazer. Isso será importante para seu 
crescimento.
Faça sua retrospectiva, isso não é função do Facebook.

Que Deus nos Abençoe!

Celson Coêlho




[1] http://www1.folha.uol.com.br/tec/2015/01/1581963-facebook-supera-estimativa-de-receita-de-analistas-usuarios-ja-sao-14-bi.shtml

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

FILME O “QUARTO DE GUERRA” – minhas impressões


Está semana assisti no cinema o filme Quarto de Guerra. Dos mesmos produtores de Prova de Fogo e Desafiando Gigantes, o longa tem um bom enredo e consegue de forma clara transmitir sua mensagem principal. Não é cansativo.

A história se desenrola a partir de um casal que começa a ter atritos no relacionamento. O marido, com sucesso profissional, acredita que a esposa lhe cause problemas. Ela, tenta resolver os desentendimentos guerreando com seu marido. Nesse ambiente de conflito se encontra a filha única do casal que começa a sofrer as consequências.

O propósito do filme é demonstrar que a comunhão com Deus através da oração pode transformar realidades que para o homem já não têm mais esperança. Pode conceder vitórias em guerras que parecem perdidas.

O que achei interessante no filme:

1) Ele revela que é válido lutar pelo casamento e pala família. Vemos descaradamente conteúdos novelescos e também em filmes sobre a destruição da família, onde se propaga traição, violência, etc. Esse filme vai na contra mão dessa onda de ataques a família.

2) A mulher tem papel fundamental na estruturação da família. A mulher traz para o relacionamento familiar o “cimento” da união, do coletivo, da preocupação, da valorização dos sentimentos. A onda da independência feminina traz certa influência sobre a mulher que a faz perder essa função de “elo”. No filme, a esposa, mesmo trabalhando fora de casa, entende seu papel de unificadora e luta para consolidar a família.

3) A oração é a arma mais importante em qualquer guerra. O filme inicia mostrando cenas de guerras e destacando que em todo combate existe um local onde o inimigo é vencido através de estratégias aprendidas e orientadas a partir desse local. Em nossas vidas, esse “quarto” de aprendizado e orientação espiritual é o nosso ambiente de intimidade em oração.

4) O filme transmite conteúdo bíblico-evangélico claro e consistente. A criação de uma “cultura evangélica” não é salvação da humanidade. Não é isso que destaco. A relevância encontra-se em pessoas que não conhecem o Evangelho puderem ter o contato com seu conteúdo (valores) de forma criativa e em seu momento de lazer (talvez até com o cônjuge) em um filme bem produzido.

O filme vale a pena ser assistido. Principalmente pelos casais. Que possamos somar o despertamento gerado por suas cenas ao conteúdo bíblico relativo à oração e praticá-la confiante que Deus tem boas novas para nossa vida e nossa família.

“Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade”
(Salmos 145.18)

Celson Coêlho
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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O PODER DA ESCRITA


Por Celson Coêlho

Escrever é extremamente útil. Tão importante quanto ler, a escrita facilita a organização das idéias. A memória é muito curta, se precisamos rever e revisar nossas conclusões e posicionamentos, a melhor forma de fazer isso é registrando. Colocar os pensamentos no papel não deve ser o caminho apenas dos escritores ou intelectuais.

Por esses dias fui relembrado dessa importância ao ler os comentários de John Piper sobre David Brainerd*. O escritor nos lembra que a prática da escrita é essencial para o fortalecimento da vida espiritual.

Piper nos explica: “Há pelo menos duas razões pelas quais ele [Brainerd], eu e muitos outros consideramos o escrever como uma parte essencial da nossa vida espiritual – não somente da vida ministerial, mas da vida espiritual. Primeiro porque traz clareza a mente, acerca de grandes assuntos sobre os quais estamos lendo ou pensando. Segundo, porque intensifica os sentimentos que são acesos pela visão clara de verdades grandiosas” (pg. 171. Destaque em negrito meu).

Clareza a mente e firmeza nos sentimentos é o que precisamos para crescimento espiritual. Essa ferramenta não serve apenas para pregadores, escritores ou professores. A escrita deve ser usada por todos os filhos de Deus que estão na estrada do conhecimento espiritual.

Escrever não é tarefa fácil. Nossa base escolar destruiu nossa capacidade de pensar e fragilizou qualquer propensão para escrita. Por isso vemos os grandes traumas gerados pelas redações.

Contudo, podemos e devemos vencer esse obstáculo. Façamos algo simples como foi o caso de David Brainerd: faça seu diário. Já era aquele tempo de achar que diário era coisa de adolescente apaixonada. Também não é aquilo que muitos fazem nas redes sociais ao tentar “compartilhar” cada passo do seu dia.

Escreva aquilo que ocorreu de importante com você ou que leu na Bíblia ou em algum livro. Registre assuntos que lhe chamem a atenção no culto, na pregação, na aula ou nos meios de comunicação. Alguns ficarão no esquecimento, faz parte do processo. Outros serão revisados e ajudarão a melhorar sua forma de pensar e viver.

Na era da informação, nem todas são relevantes. Temos acesso a muitas informações. Porém, poucas são valiosas. O registro escrito nos ajuda a filtrar o que devemos realmente investir tempo para compreender melhor.

Lucas, o escritor do terceiro evangelho, compreendeu essa importância. Ao escrever o texto bíblico salientou:
“Igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído” (Lucas 1.3,4)

Escreva. Algum momento desses será Deus falando com você e o que Ele fala é muito importante para que venhamos esquecer.

Praticar é o melhor exercício para aprender a escrever. Então, mãos a obra...

Celson Coêlho


(*livro O Sorriso Escondido de Deus, de John Piper, Shedd Publicações)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

CUIDADO COM O FRACASSO



*Por Celson Coêlho

O fracasso é um companheiro da jornada da vida. Os que ainda não perceberam são porque ainda são muito novos.

Para falarmos de fracasso precisamos entender o que é o fracasso. Lembremos seu significado: não atingir um objetivo desejado. Fracassar está na dimensão do anseio pessoal. Faz parte do meu mundo. Porque não dizer do “meu eu”.

A melhor forma de vermos aquilo que chamamos de fracasso é colocá-lo em uma visão mais ampla. Enxergá-lo em um plano maior. Não vê-lo apenas como uma “não conquista” ou um “sonho perdido.”

Como encaixamos o dito fracasso no plano maior da nossa vida?

Isso é muito saudável para quem deseja uma vida equilibrada e muito recomendável para quem crer em Deus. Fé em Deus é crer que Ele tem um plano para nossa vida e entender que esse plano é melhor que o nosso, mesmo que tenhamos que provar alguns “nãos” da vida.

Tomemos como exemplo um grande homem da história da igreja. Você já ouviu falar de David Brainerd?* Deixe-me falar um pouco sobre ele...

Perdeu o pai quando tinha 9 anos. Sua mãe faleceu quando ele tinha 14. Um dos seus irmãos morreu com 32 anos, outro aos 23 e a irmã, aos 34. Ele mesmo não passou dos 29.
Não fique triste, não pare a leitura. Entenda a vida dele ao ver o todo. Deixe-me falar mais...

Aos 24 anos ingressou na faculdade de Yale (EUA) para se preparar para o ministério pastoral. Muito doente, no 2º ano foi mandado para casa. Depois de tentativas conseguiu retornar. Tornou-se um dos primeiros da sua turma. Porém, no 3º ano, depois de uma polêmica, foi expulso da faculdade. Não podendo se formar, também não poderia assumir o ministério, seu sonho.

Quanta decepção, quanto fracasso não?

Pois bem, agora vejamos sua vida como um todo...

Sua vida parecia desmoronar. Não assumindo o pastorado ele foi enviado como missionário aos índios. Além de vidas salvas que talvez nunca conheceriam Jesus, Brainerd teve uma influência incalculável na história de missões da igreja cristã.
Teve uma vida curta, 29 anos e apenas 8 como cristão. Contudo, ele influenciou John Wesley, William Carey, David Livingstone, Andrew Murray e Jonathan Edwards (quem escreveu “O Diário de David Brainerd”).

Seu diário tornou-se um dos livros mais impressos no mundo e desempenha vasta influência na vida de muitos líderes desde que foi escrito (1749).

Impactados pela tentativa de estudos de Brainerd e sua “quase frustação”, líderes cristãos fundaram as faculdades de Priceton e Dartmouth (ambas nos EUA).

Aquela história desanimadora que você leu no início e que parecia frustrante, tornou-se em um dos maiores vultos da história da igreja, ao qual seu desdobramento não temos como calcular.

O que seria de David Brainerd se apenas existisse a tristeza e a dor das perdas?

O que seria de José do Egito se ele fosse apenas um homem jogado na cisterna ou mais um escravo vendido aos viajantes? Não conheceríamos o grande governador do Egito que preparou o caminho para sobrevivência e crescimento do povo de Deus.

O que seria de Moisés se apenas existisse sua fuga para o deserto? Não conheceríamos o grande libertador que liderou quase 2 milhões de pessoas no Êxodo do Egito.

O que seria de Pedro se após negar Jesus na crucificação ele procurasse se enforcar a semelhança de Judas? Não teríamos o apóstolo ousado e firme que no Pentecostes pregou para conversão de 3000 pessoas.

O que seria de nós se na vida terrena de Cristo apenas existisse a sexta feira da crucificação e não chegasse o domingo da ressurreição?

A vida é feita de altos e baixos. Ganhos e perdas. Sucessos e fracassos. Torna-se difícil aceitarmos isso pois queremos resultados rápidos e queremos os nossos resultados. Porém na estrada da vida existem os resultados de Deus.

Não temos a plenitude de nossa vida sobre controle, mas tenhamos confiança naquele que pode ver o início, o meio e o fim.

O que seria de nós se desistíssemos da vida em cada fracasso?

Cuidado com o fracasso, ele não é o fim da vida. Ainda temos muito para viver e tenha certeza que Aquele que começou boa obra em vocês, é fiel para completá-la até o dia de Cristo Jesus (Filipenses 1.6).

“Deus está agindo para Glória do seu nome e o bem da sua igreja, mesmo quando as boas intenções dos seus servos falham.” (John Piper, sobre David Brainerd)

“Fracassos são placas na estrada do sucesso.” (C.S. Lewis)


(*Observação: Se você não conhece um pouco de grandes servos usados por Deus na história da Igreja, você está perdendo muito. Um bom texto com conteúdo introdutório sobre a vida de muitos desses grandes homens é o livro “Heróis da Fé” da editora CPAD)

Celson Coêlho


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O PROBLEMA NÃO É O SOL, O PROBLEMA É A RAIZ


*Por Celson Coêlho

As parábolas têm o poder de tornar concretas as verdades que são abstratas. Dessa forma, possibilitam ao ouvinte rápido entendimento e facilidade para lembrar-se.

Foi por isso que Jesus compartilhou muitas parábolas e entre elas a chamada Parábola do Semeador.

No registro dessa parábola o evangelista Mateus concede certo destaque para uma das sementes. Das quatro citadas, apenas a segunda tem dois versículos para sua descrição e mais dois para sua explicação. As outras três contam apenas com um versículo para descrição e um para explicação.

É sobre a situação da segunda semente que falaremos. Vejamos como está registrado em Mateus:

“Outra parte [da semente] caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se” (Mt 13.5 e 6)

Nós que vivemos em cidade urbanizada, temos pouco contato com a plantação e crescimento de alguma semente. Porém, não precisamos de grande conhecimento de agricultura para saber que o sol faz parte do desenvolvimento de qualquer planta.
Não foi o sol que destruiu a planta recém nascida. O sol apenas a queimou. Algo muito natural. Contudo, a conclusão é “porque não tinha raiz, secou-se.

O fato é que a semente não desenvolveu e nem frutificou por não ter raiz.

A própria continuação do texto de Mateus traz a explicação concedida por Jesus sobre essa semente:

“O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.” (Mt 13.20 e 21)

O sol retratado na parábola significa os momentos de angústia ou perseguição advindos por viver em conformidade com a palavra. Quando Lucas fala da mesma parábola (Lc 8.6 e 13) assim ele explica: “na hora da provação, se desviam” (Lc 8.13).

Outras traduções colocam “no tempo da provação”. O termo grego usado nesse versículo para hora ou tempo é kairós. Sendo assim, de forma geral poderíamos entender essa frase como “no tempo certo da provação” ou “no tempo oportuno para provação”. A provação é normal surgir. A angústia ou perseguição também. Como o sol é normal para qualquer planta. A provação, angústia ou perseguição é normal para qualquer seguidor de Cristo. Não é um acidente. Inclusive, faz parte do plano de Deus para nosso crescimento.

Então porque a planta secou e murchou? Porque alguns se desviam ou desistem de seguir a Cristo?

A resposta é: os que desistem não têm raiz. Interessante que na explicação da parábola concedida pelo Mestre não contém explicação para o que significa RAIZ. Não foi necessário a explicação pois aqueles que estavam ouvindo a parábola sabiam muito bem o que significava ter raiz. Como é bem claro para nós hoje que o que segura uma planta ou árvore em pé é a raiz.

Os textos bíblicos acima citados nos concedem entendimentos sobre ter ou não raiz para continuar de pé.

1) “Ouve a palavra e a recebe logo, com alegria (Mt 13.20) – A rapidez em “receber” a palavra não determina se uma pessoa vai continuar seguindo a Cristo. Ter alegria momentânea também não é fator determinante para ser duradouro na fé.

2) “Sendo de pouca duração” (Mt 13.21) – Não existe raiz profunda e saudável em pouco tempo. Não existem crescimento e amadurecimento relâmpagos, num passe de mágica. Isso leva tempo e no decorrer do tempo as provações virão. Vencendo elas com fé em Cristo será revelado a perseverança (raiz profunda).

A parábola ainda nos concede o exemplo da semente que “caiu em terra boa e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta e a cem, por um” (Marcos 4.8). Dar fruto que vingue, cresça e reproduza são características de árvore com boa raiz. Lembremos nossas aulas básicas de ciências na escola quando criança: a árvore se alimenta pela raiz.

“As sementes que caíram em terra boa são aquelas pessoas que ouvem e guardam a mensagem no seu coração bom e obediente; e produzem frutos porque são fiéis.” (Lc 8.15 – Bíblia na Linguagem de Hoje)

O sol pode até queimar um pouco, mas ele não é decisivo para destruir a árvore. O que mantém a árvore de pé ou não é a raiz. Uma raiz saudável e perseverante produz  bons frutos. Como está a sua raiz?


Celson Coêlho
Editor do Blog

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

COMO ESTÁ SUA VIDA ESPIRITUAL? O VÍCIO DA INTERNET E A DEPENDÊNCIA DE DEUS




“O que faremos nós, oh facebook? Só tu tens as palavras para vida completa”
*Por Celson Coêlho

A frase acima é uma paráfrase do texto bíblico de João 6.68, que relata o questionamento de Pedro: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna”. Nosso desejo com ela é refletirmos sobre nossa dependência das redes sociais.

A dependência das chamadas Redes Sociais é uma triste realidade do nosso tempo. Na verdade esses meios de comunicação deveriam se chamar Redes Sociais Virtuais, o que realmente são. Elas não substituem os relacionamentos reais e até colaboram para que as pessoas tenham menos habilidades de se relacionarem na vida real.

"Relacionar-se com máquinas não resolve o déficit real de atenção de pessoas. Essas questões podem levar a uma angústia e ansiedade. A tecnologia tem um papel. É preciso saber a diferença entre o papel da tecnologia e o papel das relações humanas." (Psicóloga Sueli, na reportagem do site de notícias Terra)

Vejam o que diz a reportagem da Isto É sobre o assunto:

“O vício em redes sociais é forte como o da dependência química. Como o viciado em drogas, que com o tempo precisa de doses cada vez maiores de uma substância para ter o efeito entorpecente parecido com o obtido no primeiro contato, o viciado em Facebook também necessita se expor e ler as confissões de amigos com cada vez mais fre­quência para saciar sua curiosidade e narcisismo. Sintomas de crise de abstinência, como ansiedade, acessos de raiva, suores e até depressão quando há afastamento da rede, também são comuns.”
Nessa mesma reportagem revela que o estudo chamado “Obcecados por Facebook” concluiu que metade dos usuários entre 18 e 34 anos realizam o primeiro acesso do dia assim que acordam. Destes, 28% o fazem ainda na cama.

A vida já não é mais a mesma. Isso também tem interferido na vida espiritual do cristão. Se nosso tempo já é tão escasso e ainda desperdiçamos tanto nas redes sociais, o que sobra para Deus? Como cristãos somo seguidores e imitadores de Cristo. Sendo assim, quanto tempo investimos no relacionamento com Jesus?

O fato é: a dependência das “Redes Sociais” tem interferido no relacionamento com Cristo, nosso Senhor.

O texto bíblico de João 6 fala sobre relacionar com Jesus e a dependência dEle. Uma multidão veio ao seu encontro e tentou demonstrar interesse por Ele: “Mestre, quando chegaste aqui?” (Jo 6.25). Conhecendo-lhes o coração, Jesus os advertiu:

Em verdade, em verdade vos digo: Vós me procurais não porque vistes os sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.” (Jo 6.26)

A partir daí o Mestre lhes ensinará sobre o verdadeiro alimento, o Pão da Vida, que é Ele. Por esse alimento deveriam se dedicar (Jo 6.27). A verdadeira vida é concedida pelo Pão de Deus (Jo 6.33).

Estar ligado a Jesus e se alimentar do relacionamento com Ele conduzirá a vida eterna: “quem crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47) e “quem comer este pão viverá eternamente” (Jo 6.58). Vida eterna não quer dizer apenas viver na eternidade. Refere-se também a vida completa na vida terrena. Viver com Jesus é viver uma vida plena.

Ouvindo esse discurso muitos dos seus discípulos se escandalizaram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (Jo 6.60). Achavam muito depender de Cristo para ter a vida completa. Isso era difícil de ouvir e de praticar. “À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele” (Jo 6.66).

Vimos aqui, resumidamente, a dificuldade de muitos discípulos dependerem realmente de Cristo. Essa dependência é revelada no se alimentar dEle. Em outras palavras, crer e andar com Ele. Essa dificuldade existe também em nossos dias. Para muitos é mais prazeroso depender das “Redes Sociais” do que depender de Jesus. Lógico que não assumirão essa inversão de valores. Contudo, o tempo que dedicam ao mundo virtual e o tempo que dedicam a Cristo revelam isso.

Examine a você mesmo:
  • O tempo que você gasta vendo as “notícias” das pessoas é maior que o tempo que você investe lendo a Bíblia?
  • O tempo que você gasta lendo e enviando mensagens é maior que o tempo que você investe orando?
  • O tempo que você gasta vendo as fotos é maior que o tempo que você investe na obra do Senhor?
  • Ao acordar você primeiro olha o celular ou faz uma oração a Deus?
  • Você permanece conectado a internet todo tempo, e o “orai sem cessar”? (1ªTs 5.17)

Jesus destacou: “as palavras que vos tenho falado são espírito e são vida” (Jo 6.63). A vida completa está no relacionar-se com Jesus. Para isso, precisamos dedicar tempo a esse relacionamento. Você crê nisso? Se acredita assim, seu tempo dedicado a Cristo corresponde com essa crença?

As palavras de Jesus também devem nos alertar: “Contudo, há descrentes entre vós.” (Jo 6.64)

No texto de João, a pergunta do Mestre chega aos nossos ouvidos hoje: “Vocês também querem me abandonar?” (Jo 6.67)

Tenhamos a coragem e firmeza de Pedro:

“Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.” (Jo 6.68 e 69)

“Tempo é um bem valioso. E se encurta diariamente. Cada dia, uma folha de nosso calendário é tirada e não é reposta. Não desperdice seu tempo. Se o Facebook ou a Internet tomam mais tempo seu que a  vida espiritual, desculpe-me: sua vida está sendo perdida. A não ser que você seja tão pobre que nem note isto. Não  perca seu tempo. E use-o para sua vida espiritual.”
(Isaltino Gomes)
Celson Coêlho

Fontes Consultadas:


sábado, 7 de novembro de 2015

O LÍDER QUE NÃO QUIS SERVIR



“Meu dedo mínimo é mais grosso do que os lombos de meu pai.” (1Reis 12.10)

Salomão reinou em Israel por 40 anos. Seu Reinado foi conhecido por sua sabedoria e pelas construções vultosas. Após sua morte, reinou em seu lugar Robão, seu filho.
De início, Roboão precisou tomar uma decisão que seria crucial para continuação do que seu pai havia começado. Os seus liderados, o povo de Israel, tinha um questionamento:

“Teu pai fez pesado o nosso jugo; agora, pois, alivia tu a dura servidão do teu pai e o seu pesado jugo que nos impôs, e nós ti serviremos.” (1Rs 12.4)
Ele pediu ao povo para pensar e ao final de três dias daria a resposta. Nesse período o rei buscou o conselho dos anciãos que eram sempre consultados nessas questões e que auxiliaram seu pai, Salomão, durante seu sábio reinado. Assim orientaram o novo rei:

“Se, hoje, te tornares servo deste povo, e o servires, e, atendendo, falares boas palavras, eles se farão seus servos para sempre.” (1Rs 12.7)
O direcionamento foi dado, cabia ao rei seguir ou não. Nas palavras dos anciãos encontramos algumas verdades valiosas para liderança. Vejamos elas:

1. A atitude de líder tem o “poder” de conquistar seus liderados (se hoje os servires, se farão seus servos);

2. O líder tem que observar com atenção os questionamentos dos liderados (atendendo; veja também o versículo 15: “o rei não deu ouvidos ao povo”);

3. Fale boas palavras, principalmente diante de uma possibilidade de divergências (falares boas palavras);

4. O que se planta em um determinado momento poderá gerar fruto duradouro (te servirão para sempre); e

5. O resumo da orientação: o segredo da liderança está em servir.

O reio na verdade não gostou desse conselho. Por isso buscou a opinião dos seus amigos. Contrariando o que vimos acima, seus jovens amigos assim sugeriram:

“Assim lhe falarás: meu dedo mínimo é mais grosso do que os lombos de meu pai. Assim que, se meu pai vos impôs jugo pesado, eu ainda vo-lo aumentarei; meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões.” (1Rs 12.10 e 11)
Ele buscou o conselho daqueles que estavam sempre ao seu lado, conheciam seu modo de vida e apoiavam sua forma de pensar. Por isso, ofereceram uma resposta compatível com o desejo do rei. Não pretendiam contrariá-lo, pois “haviam crescido com ele e o serviam.” (1Rs 12.8)

A resposta dura e insensata do rei deu início a uma revolta do povo e gerou a divisão do povo de Israel.

Sua atitude de servir os liderados poderia torná-los seus cooperadores para sempre. Sua decisão de ser carrasco dividiu o povo por vários anos.

Na escola da vida ele foi reprovado no teste da liderança. Tudo indica que também seria reprovado na escola do Carpinteiro de Nazaré. Assim disse o Mestre:

“Quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo. Tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mateus 20.27 e 28)
Roboão não conhecia as palavras de Jesus. Nós as conhecemos e poderemos segui-las, basta querer...

Celson Coêlho

sábado, 31 de outubro de 2015

O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ



A declaração no título dessa postagem faz parte do livro de Romanos (1.17). Inquieto com sua fé e questionando os dogmas da igreja predominante em sua época, um bispo, ao ler esse texto, foi despertado e impulsionado por Deus para ser o precursor na maior mudança da história da igreja cristã.

O nome do bispo é Martinho Lutero. O evento ao qual ele foi um dos personagens foi a Reforma Protestante. Seu início ocorreu em 31 de outubro de 1517 quando Lutero fixou as suas 95 teses que propunha para discutir sobre as práticas e rumos da igreja Católica.

Sendo assim, hoje é comemorado o dia da Reforma Protestante.

Por muito tempo aqueles que atualmente chamamos de evangélicos eram identificados como cristãos protestantes (ou simplesmente protestantes). Boa parte das igrejas evangélicas é descende da Reforma Cristã. Mesmo que não entenda ou até não aceite.

Existem algumas características que possibilitam identificar as raízes protestantes das igrejas evangélicas atuais. Essas características são reações contrárias a teologia adota pela igreja Católica.

As características que demonstram a origem protestante de uma igreja são 5 doutrinas basilares da Reforma, que também são conhecidas com os “Cinco Solas” (Sola, termo latim que significa somente). Vejamos resumidamente essas características:

1) Sola Scriptura (Somente a Escritura): Somente a Bíblia é a Palavra de Deus. Alguns evangélicos ao ler isso podem dizer que é lógico que sim e concordar com essa verdade. Contudo, a igreja Católica afirma que a tradição católica e as decisões papais têm a mesma autoridade da Bíblia. Além disso, a Bíblia tem um intérprete autorizado: o clero católico.
A Reforma Protestante propôs restabelecer a autoridade total da Escrituras conforme está registrado em suas próprias páginas. Ainda lembrou que a Bíblia é clara e acessível a qualquer pessoa.

2) Sola Fide (Somente a Fé): Não tem nada que possamos fazer para ser aceito por Deus. Isso apenas é possível pela fé em Cristo. A fé no que Jesus fez e não fé no que podemos fazer. Relembrar essa doutrina é um contra ponto à idéia de que a salvação é uma soma de fé e obra. Obra não é pré-requisito para salvação. Ela é fruto de quem é salvo por fé em Cristo. A fé que produz obra.

3) Sola Gratia (Somente a Graça): Graça, basicamente, é um favor imerecido. Somos pecadores e por natureza contrários a vontade de Deus. Apenas sua graça nos faz aceito e aprovado. Quando Deus nos olha, não vê nossos méritos. Ele nos olha e vê os méritos de Cristo em nós. Em Cristo satisfazemos as exigências da lei. Pela graça imerecida somos libertos do domínio do pecado.
Nenhuma liturgia, símbolo ou prática substitui a graça divina. Não somos alvos do amor de Deus por causa de nosso desempenho religioso, somente pela graça.

4) Solus Christus (Somente a Cristo): Jesus é o único mediador entre Deus e o homem. Com Ele cumprimos todos os requisitos para se tornar aceito por Deus. Sua obra é perfeita e suficiente para “salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7.25). Por isso Jesus é o único e suficiente salvador.

5) Soli Deo Glória (Somente a Deus a Glória): O objetivo único de nossas ações deve ser a glória de Deus. Ninguém é digno dessa glória. A qualidade de ninguém, nem de nenhuma instituição pode ser alvo da glória que pertence apenas a Deus.

A Reforma Protestante foi um evento histórico desenvolvido por Aquele que é o Senhor da história. Porém, os princípios destacados na Reforma foram na verdade um reavivamento das doutrinas bíblicas vivenciadas pelos apóstolos e esquecidas na história da igreja. Que esses ensinamentos bíblicos sejam relembrados por nós no desenvolvimento da nossa fé cristã.

Soli Deo Glória


Celson Coêlho

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A PRUDÊNCIA DESVIA A IRA



“Bendita seja a tua prudência” (1º Samuel 25.32)

No texto anterior fizemos observações sobre Nabal e seu modo vida conforme relatado no capítulo 25 de 1º Samuel (1Sm). Não tem como ler a história de Nabal e não observar a atitude de sua esposa, Abigail. Ela é nosso alvo...

Nabal era chamado de filho de Belial. Isso devido a sua dureza e malignidade. Destacou-se negativamente na sociedade que vivia. Porém, as qualidades de sua esposa anularam as consequências dos seus atos insensatos.

Davi, após uma resposta insensata de Nabal, juntou sua tropa e caminhavam armados até os dentes para eliminar Nabal e sua casa. A sentença estava decretada (1Sm 25.13). A ira de Davi se acendera.

Deslocando-se em direção ao seu alvo, Davi é interrompido por uma mulher, Abigail. Assim que o autor de 1º Samuel fala de Abigail no versículo 3, sua descrição é posta em oposição ao do seu marido: “Ela era sensata e formosa, PORÉM ele era duro e maligno”. Sua sensatez a fez ir até Davi.

Quando Davi é interrompido por Abigail ele reconhece: “Bendita seja tua prudência, e bendita sejas tu mesma, que hoje me tolheste de derramar sangue e de que por minha própria mãe me vingasse” (1Sm 25.33).

O livro de provérbios nos lembra que “o prudente encobre a afronta” (Pv 12.16). A prudência tem a qualidade de desviar a ira. Tanto da própria pessoa prudente quanto a de outros, como no caso de Abigail.

Prudência é a virtude de prever e evitar inconveniências ou perigos. Atitude muito necessária em todas as áreas da vida.

Vejamos algumas características da prudência em Abigail:

1) Não se deixou influenciar por quem autoridade sobre sua vida: O marido de Abigail tinha autoridade sobre ela. Contudo, ela na se deixou influenciar pela maldade dele. Respeitar a autoridade de alguém não significa seguir os passos errados dessa pessoa. (1Sm 25.3);

2) Não perde tempo: ser prudente não significa ser passivo e esperar que as coisas aconteçam. (1Sm 25.18 “a toda pressa”; 1Sm 25.23 “apressou-se”);

3) Procede com sabedoria: Abigail não foi a Davi de qualquer jeito. Estabeleceu uma estratégia: levou presentes (v 18); foi com os servos de sua casa (v 19); não falou para Nabal (v 19); chega-se a Davi com humildade (v 24). O livro de Provérbios nos lembra que “a sabedoria habita com a prudência” (Pv 8.12);

4) Evita a violência: A ação de Abigail impediu de Davi derramar sangue. (v 33);

5) Coopera para o estabelecimento da paz: Sendo uma conseqüência da não violência, a prudência ajuda a estabelecer a paz: “Sobe em paz a tua casa.” (v 35); e

6) A prudência é o agir de Deus em meio a tantos atritos da vida: Davi reconhece que a atitude prudente de Abigail foi uma intervenção divina: “Bendito o Senhor... que te enviou ao meu encontro.” (v 32);

A vida já tem seus próprios percalços. Problemas surgirão sem precisarmos procurar. Então, não sejamos causadores de novos problemas com um agir insensato e até maligno a semelhança de Nabal.

Procuremos a prudência de Abigail, sabendo que a vingança não nos pertence (1Sm 25.33 e 38).


“Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos em fazer o bem perante todos homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens[...] Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12.17,18 e 21)

Celson Coêlho
Editor do Blog