segunda-feira, 13 de abril de 2015

POLÍTICA SEGUNDO A BÍBLIA, Wayne Grudem - RESENHA


GRUDEM, Wayne. Política Segundo a Bíblia: princípios que todo cristão deve conhecer. São Paulo, Vida Nova. 2014. 191 pg.

O envolvimento dos cristãos com a política no Brasil ganhou vasta visibilidade. A velocidade como isso ocorreu nos últimos anos tem chamado a atenção. Porém, a qualidade desse envolvimento deixou a desejar. Pelo que parece, falta coerência entre a prática política e os preceitos bíblicos. Como toda atividade da igreja, a ação política, seja de candidatos ou dos eleitores, precisa se fundamentar nos princípios bíblicos. Muitos esqueceram isso. O livro Política Segundo a Bíblia: princípios que todo cristão deve conhecer vem para nos lembrar essa verdade.

Wayne Grudem se popularizou em nosso país com sua obra de Teologia Sistemática. Esta se tornou livro texto em muitos cursos de teologia, o que possibilitou a vários líderes da atualidade criar um bom referencial sobre o autor.
Como bom biblicista, o autor expressa em seu prefácio sua motivação para escrever: “convicção de que Deus pretendia que a Bíblia oferecesse orientação para todas as áreas da vida, inclusive no tocante ao modo como os governos devem atuar!” (p. 16). Além do prefácio, o livro se divide em 6 partes. Sua visão sistemática permite expressar a boa estruturação do escrito, o que facilita bastante a leitura.

De início, na Introdução, revela que no desenvolvimento usará três tipos de argumentos para defender seu ponto de vista: os ensinamentos diretos da Bíblia, os princípios bíblicos mais amplos e a avaliação dos fatos do mundo.
No primeiro capítulo Grudem expõe as Cinco Visões Equivocadas a Respeito de Cristianismo e Governo. Com clareza peculiar, contrapõe os argumentos de cada visão incorreta sobre relação cristianismo e governo. A discussão torna-se interessante quando nos argumentos ele aborda questões com isenção fiscal, casamento de pessoas do mesmo sexo, liberdade de escolha da fé, o governo laico ou demoníaco e a dedicação ao evangelismo ou a política. Assim resumem-se essas visões (p. 76): (1) Imposição da fé pelo governo; (2) O silêncio do Governo em termos de fé; a igreja retirar-se da política por achar o (3) Governo demoníaco ou para (4) dedicar-se ao evangelismo; e (5) acreditar que o Governo pode salvar as pessoas.

Contrapondo as visões equivocadas, o autor propõe um caminho melhor no capítulo 2: A Influência Cristã Expressiva sobre o Governo. Não conhecendo os princípios defendidos por Grudem, muitos políticos cristãos brasileiros dirão que é exatamente isso que estão fazendo em terras tupiniquins. Acredito que não! Para não gerar dúvidas como essas, o autor deixa claro de início o que deseja com a expressão. Ele fala em “influência expressiva” com os padrões morais de Deus e conforme os propósitos dEle revelados na Bíblia. Isso não significa “influência irada, beligerante, intolerante, julgadora, desatina e cheia de ódio” (p. 77). De contínuo essa influência deve defender a liberdade religiosa. Tópicos relevantes são: a questão de cristão votar apenas em cristão (não defendida pelo autor, o que também concordo), a responsabilidade dos pastores em ensinar sobre política e as obrigações dos cristãos como cidadãos. Vejo os dois capítulos iniciais como os mais importantes do livro.

Os últimos capítulos tratam o que chamo de fundamentos para o envolvimento cristão com a política. No capítulo 3 temos Princípios Bíblicos a Respeito do Governo, onde Grudem nos concede mais uma aula sobre bíblia e governo. Como o governo deve tratar o bem e o mal, a prestação de contas ao Deus Soberano, a obediência as leis pelos cidadãos, a liberdade humana e princípios bíblicos que defendem a democracia são temas abordados.
Resumidamente o capítulo 4 apresenta Uma Cosmovisão Bíblica (o menor capítulo, apenas 9 páginas). Apesar do tamanho, o objetivo é alertar aos cristãos que não é possível agir como representante de Cristo se não tiver uma boa cosmovisão cristã. Aqui reside o grande erro do envolvimento cristão com a política em nosso país.

O autor conclui falando em Fé, Obras e Confiança em Deus ao Trabalhar na Política e no Governo. Lembra-nos que “Deus não costuma transformar o mundo miraculosamente sem usar uma medida considerável do esforço humano” (p.187).

Este livro é um resumo da edição norte americana que conta com cerca de 600 páginas. As partes não contempladas em nossa edição são exatamente aquelas que expressam a forma da política americana e as respostas do autor aquela realidade. Ainda encontramos muitos exemplos e conteúdos da história americana, o que em nada diminui o livro. Único senão que apresento está na demora em produzir a edição brasileira. O original foi publicado em 2010, a nossa edição saiu 4 anos depois.


Após vários anos de um envolvimento conturbado dos cristãos brasileiros com a política, surge um texto claro e objetivo sobre essa relação. São princípios bíblicos para nortear não apenas aqueles que almejam o cargo público, mas para todos que, como seguidores de Cristo, desejam o bem ao próximo. Compreendendo que o governo civil também tem sua parcela de contribuição para esse propósito como “instrumento de Deus” (Rm 13.4). A política envolve todas as áreas de nossa vida, não podemos fugir dela. Por isso, o texto deve ser leitura obrigatória para todos que desejam cumprir os preceitos bíblicos na ação política. Os líderes em especial, podem fazer uso desse livro para orientar suas ovelhas.

Celson Coêlho
Editor do Blog

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Celson Coêlho