segunda-feira, 27 de julho de 2015

A CULPA NÃO É DAS ESTRELAS!


Você já passou uma noite em uma cidade do interior sem iluminação elétrica? Teve a oportunidade de olhar o céu estrelado?
Já tive essa satisfação por algumas vezes. Parece que não é o mesmo céu. Na cidade urbanizada, com a iluminação elétrica tão útil, perdemos a beleza das luzes naturais das estrelas. É encantador...

Tendo um céu desses a iluminar foi que aconteceu um encontro interessante na Bíblia: o de Rute com Boaz. É verdade que já haviam se conhecido anteriormente, mas agora o encontro é decisivo para eles.

“Então foi para eira e fez conforme tudo quanto sua sogra lhe ordenara. Havendo, pois, Boaz comido e bebido e estando já de coração um tanto alegre, veio deitar-se ao pé de um monte de cereais; então chegou ela de mansinho, e lhe descobriu os pés, e se deitou. Sucedeu que, pela meia-noite, assustando-se o homem, sentou-se; e eis que uma mulher estava deitada a seus pés.” (Rute 3.6 a 8)

Ao final de um dia de trabalho na eira havia uma festa. Era o “comes e bebes” como recompensa pelo trabalho. Para não perder tempo para o outro dia, se dormia na própria eira. Era local de dormida dos homens. Boaz, por ser dono, possivelmente estava em um local isolado.

Por volta da meia noite, com aquele “ceuzão” bonito, Boaz percebe algo estranho. Seus pés estão frios e uma moça está próxima. Ela está tomada banho, ungida e com o melhor vestido (Rt 3.3). Ela é bonita e jovem.

O que Rute desejava naquela noite preparada por ela e Noemi (Rt 3.1 a 5) era expressar o desejo de casar-se com Boaz (Rt 3.9).
Eles estão sozinhos. Embaixo do manto. Ela o deseja, ele a deseja. As estrelas estão encantadoras. O momento é propício...

Rute precisava de solução para seus problemas. Ela estava viúva, sem filhos, distante da terra dos pais, com dificuldades econômicas e ainda tendo que ajudar a sogra em situação semelhante.
A solução para ela era Boaz. Estava previsto na Lei de Israel o resgatador para esses casos de viuvez. Ela sabia disso. Noemi também. Agora o próprio Boaz toma conhecimento.

Pronto! Tudo certo. Seu problema encontrou solução num céu estrelado. Existe momento mais oportuno que esse?

Sim! Existe momento mais oportuno que esse. Existe o momento certo. Existe o momento de Deus.
Rute e Boaz temiam a Deus (Rt 3.11-13). Não precisavam trocar “os pés pelas mãos” para resolverem o problema. Diz o relato: “Ficou-se, pois, deitada a seus pés até pela manhã e levantou-se antes que pudessem conhecer um ao outro; porque ele disse: Não se saiba que veio mulher à eira” (Rt 3.14).

O que está em destaque aqui não está limitado apenas à questão da sexualidade. Vai além disso. O mais importante é não tentarem resolver o problema no lugar de Deus. Não aproveitaram o momento oportuno do ponto de vista humano para dar uma ajudinha a Deus.

É verdade que tomar a decisão certa, em alguns momentos, nos traz alguns percalços. Porém, isso é passageiro. O que vai trazer conseqüências boas é estarmos no centro da vontade de Deus. Para isso, não precisamos romper com seus princípios.

Os nossos problemas já têm a solução. Fiquemos firmes nos princípios de Deus nosso Senhor e o momento certo chegará.

Precisamos viver com tranquilidade e discernimento.
Não podemos ser levados pelo clima.
Não podemos ser empurrados pelo ambiente.
Não devemos ser impulsionados pelo encanto das estrelas. A culpa não será delas...

Celson Coêlho
Editor do Blog

sábado, 18 de julho de 2015

EU NÃO SENHOR, EU NÃO SOU COMO OS OUTROS!


Eita Pedrão.
Aquele da Bíblia, o discípulo de Jesus.

Ele é o personagem bíblico que muito se parece conosco. Suas falhas e limitações são semelhantes as nossas. Até suas posturas nos são similar. A Bíblia não esconde isso. Ela nos mostra para aprendermos. Por isso nos identificamos com ele.

Jesus próximo a crucificação alertou aos discípulos que seria abandonado por todos, inclusive por eles. Pedrão, muito rápido em suas respostas, afirmou: “Estou pronto para ir contigo tanto para prisão como para morte” (Lucas 22.33). Era como se ele falasse: “Os outros aí eu não sei. Podem até te abandonar. Mas eu não! Eles podem ficar pelo caminho, porém estou pronto para não desistir. Eu não sou como os outros!”

Como temos coragem na tranquilidade.
Como temos certeza na paz.
Quando tudo parece que está sob controle, nossa força se mostra maior. Já observou isso?
Contudo meu amigo, quando a realidade não bate bem com aquilo que esperávamos, o nosso “outro lado Pedro” aparece...

O apóstolo ao ver Jesus preso, acompanhou a distância. Durante a crucificação de Cristo, questionado se conhecia o Mestre, por três vezes o negou.
Pedro desistiu! Acreditou que não dava mais. Entendeu que aquele Jesus que ele jurou fidelidade não era tão bom assim.
Resolveu ficar no caminho e voltar atrás.

Algumas vezes ficamos semelhantes a Pedro. Paramos na caminhada e queremos ver de longe onde vai parar esse tal de Jesus.
Pensamos em desistir sim! Paramos e achamos que não valeu à pena. Isso faz parte da limitada natureza humana.

Acredito que naquele momento pensamentos de frustração invadiram a cabeça de Pedro: “Quanto tempo eu perdi nessa caminhada”; “Em quanta ilusão acreditei”; “Quantos sonhos ingênuos almejei.”
Sentimentos de decepção. A porta da desistência se abriu para ele.
Para Pedro só restava voltar ao barco, às redes, aos peixes. Mais um ao mar...

Amigo, presta atenção: Para Deus ainda não acabou!
Não aconteceu do jeito de Pedro, por isso ele pensou que tivesse chegado ao fim.
Eiiii! Se não aconteceu do seu jeito não quer dizer que chegou ao fim! Deus tem o jeito dele e o seu jeito de agir é melhor, bem melhor.

Após a ressurreição Jesus deixa um recado para as mulheres que foram ao túmulo: “Avisem aos discípulos que vou ao encontro deles. Avisem também a Pedro, quero olhar nos olhos dele.”
A notícia foi levada aos discípulos. Possivelmente veio a mente deles a ideia de reprovação pelo Mestre. Pensamentos de rejeição visitaram aqueles homens tristes e amedrontados.
Acredito que esse sentimento foi mais pesado para um deles, o Pedrão. Talvez os discípulos olhassem para Pedro com aquele olhar de julgamento e acusação que sabemos ter quando encontramos as pessoas debilitadas pelas lutas da vida.
Talvez o próprio Pedro andasse cabisbaixo: “O mestre quer me ver. Eu decepcionei Jesus.”

Lembre-se: Nem sempre o que temos em mente é o que está na mente de Deus. Principalmente em momentos de tristeza e dor. A amargura da alma traz cegueira ao coração.
“Não pense jamais que os pecados passados de sua vida significam que não há esperança para seu futuro.” (John Piper)
Pedro tinha que saber que não foi rejeitado...

O recomeço de Deus não precisa passar pelas avaliações humanas. A restauração de Deus não precisa da aprovação dos amigos. O renovo de Deus rompe com as limitações dos critérios humanos, por mais bem intencionados que sejam.

O palco estava montado: “Ao saltarem em terra, viram ali umas brasas e, em cima, peixes; e havia também pão” (João 21.9).
Jesus preparou a cena. Era um palco para Pedro. Não era palco de humilhação. Era palco de restauração.

No momento da negação Pedro também estava ao redor de uma fogueira, com desconhecidos. Estava se “aquentando” (João 18.25). Agora, acabou de sair do mar, ensopado estava. Que bom uma fogueira para ser aquecer, comida pronta e uma roda de amigos. Mas no meio estava Jesus...
Quando acaba o alvoroço da grande pescaria. Não tendo mais perguntas sobre sua ressurreição. Todos bem alimentados e tranqüilos, Jesus diz “agora é comigo.”

“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro” (João 21.15). Ele não esqueceu, pensou Pedro.
O Mestre vai direto ao assunto: “Pedro você realmente me ama mais do que esses outros me amam? Aquela sua afirmação feita antes da crucificação ainda está de pé?”

Jesus faz a pergunta “tu me amas?” por três vezes. Semelhante ao momento da negação. Nas duas primeiras a pergunta é feita com um termo grego que denota um amor superior, um amor sacrificial. E Pedro responde com um vocábulo diferente, que significa um amor entre irmãos, comum entre pessoas, um amor humano (digamos assim).

E vem a terceira pergunta:
“Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele ter dito pela terceira vez: tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor tu saber todas as coisas, tu sabes que eu te amo.” (João 21.17)

Dessa vez Jesus usa o termo que Pedro estava disposto a responder. Como se dissesse: “Pedro você me ama com amor de homens? Semelhante aos dos outros?” Pedrão se entristece e reconhece sua limitação: “Tu sabes como realmente é o meu amor.”
Pedro aprendeu um grande princípio: A base do nosso relacionamento com Jesus não é aquilo que afirmamos às vezes como “infalível” da nossa parte, mas aquilo que Jesus realmente sabe do âmago do nosso ser. Não podemos esquecer isso...

A confrontação de Jesus não é para humilhar, mas para reerguer!
Nesse momento de possível tristeza de Pedro, Jesus revela o quanto confia nele: “Apascenta as minhas ovelhas!”
“Pedro, isso passou. Você agora é outro. Aprendeu a lição. Eu sei a realidade do seu amor. Confio tanto em você que irei colocar sobre seus cuidados aquilo que tenho de mais importante: minhas ovelhas. Seu amor por mim será demonstrado cuidando daqueles que eu vim para salvar.”

Pedro é restaurado, revela arrependimento e tem a honra de cuidar das ovelhas do Senhor.
“Não é o que você é nem o que você foi que Deus vê com seus olhos cheios de misericórdia, mas o que você deseja ser.” (The Cloud Of Unknowing, via Philip Yancey)

Por mais que pareça que chegou ao fim, Jesus está disposto a escrever uma nova história para você...


Celson Coêlho

sábado, 11 de julho de 2015

AO LIMITE, MAS NEM SEMPRE!

Por Celson Coêlho

Aprendi na minha prática “informal” de corrida que nem sempre devemos buscar o limite da atividade.

Vencer os limites é bom, seja de tempo, distância ou velocidade. É a motivação do desafio. É o algo a mais que nos faz querer continuar.

Contudo, não podemos trabalhar no limite rotineiramente. O corpo, como qualquer máquina, não suporta.

Com isso, são necessárias as atividades de manutenção. Elas servem para dar continuidade. Não ficar muito tempo parado. Na corrida, também são úteis para correção de passada, postura, respiração, etc. É um treinamento.

Uma verdadeira preparação para os momentos que serão exigidos vencer os limites.

Esse cuidado também nos serve como alerta para outras áreas da vida. Seja trabalho, estudo, atividade religiosa, etc.

Deseje vencer seus limites, mas busque preparação para isso!

Superar limites sem preparação adequada, na maioria das vezes, leva a frustração.

Que ótimo quando um tímido vence a barreira de falar em público. Quando o estudante supera as avaliações de um vestibular. Quando um trabalhador ultrapassa marcas profissionais.

Vença seus limites!

Mas cuide-se. Prepare-se para isso. Não deixe que a possibilidade de superação em uma etapa comprometa uma jornada de desenvolvimento e vitórias.

(Observação: minha prática de corrida é informal, porém sob orientação médica e balizada por algumas leituras e troca de informações com mais experientes no assunto.)


Celson Coêlho

sábado, 4 de julho de 2015

O QUE É NECESSÁRIO PARA MATURIDADE CRISTÃ?


O texto de Hebreus (Hb) 5.11-14 nitidamente fala sobre maturidade cristã. Era o que faltava aos hebreus, recebedores originais dessa carta. Eles não entendiam nem aceitavam o sacerdócio de Cristo, que era superior ao de Arão (Leia Hb 5.1-10).

O autor de Hebreus até deseja falar mais sobre o tema: “A esse respeito temos muitas coisas que dizer...” (Hb 5.11), mas não era possível pela imaturidade dos ouvintes. Maturidade também é uma virtude importante em nossos dias. O que é maturidade? Qual caminho seguir para obtê-la? Como sei que a alcancei?

O capítulo 5 de Hebreus nos concede luz sobre o tema da maturidade cristã. Vejamos:

1. O que é necessário para maturidade cristã?

a) Tempo: “Devíeis ser mestre, atendendo ao tempo decorrido” (Hb 5.12). O tempo por si só não ensina nada. O aprendizado e as experiências vividas no decorrer do tempo possibilitam crescimento. Os hebreus, pelo que vivenciaram no decorrer do tempo, deveriam ter maturidade para ensinar a outros.

b) Alimento Sólido: “Alimento sólido é para os adultos” (Hb 5.14). Imagine um adulto, no auge da exigência física e mental imposta ao ser humano, alimentando-se apenas de comida para criança. Não terá energia nem disposição. Seu corpo ficará debilitado. Acredito que você já viu a imagem de uma pessoa mal nutrida, seu corpo é fraco. Aqui estamos falando da fraqueza espiritual, gerado pela falta de alimento sólido. Esse alimento é a Palavra do Senhor (Mateus 4.4).

c) Prática: “Pela prática, têm as faculdades exercitadas” (Hb 5.14). Para conseguir a maturidade cristã é necessário praticar a Palavra. Passado o tempo sem o alimento sólido temos o raquitismo espiritual. Tempo decorrido mais alimento sem a prática gera a obesidade espiritual. “A maturidade espiritual não advém dos eventos isolados nem de uma grande explosão espiritual. Advém de uma aplicação regular da disciplina espiritual” (Donald Guthrie).

A soma desses três ingredientes concederá maturidade ao cristão.

2. O que é maturidade cristã?

Conforme a analogia feita com o desenvolvimento humano, maturidade é deixar de ser criança (inexperiente – versículo 13) e tornar-se adulto (v. 14). Maturidade possibilita discernir não somente o bem, mas também o mal” (v. 14). Discernimento é a capacidade espiritual de distinguir as situações e até as intenções.

3. O que impede a maturidade cristã?

O maior empecilho para maturidade é ser “tardio em ouvir” (v. 11). Outras tradução dizem: “negligente para ouvir” (ARC) e “lentos para aprender” (NVI). O termo grego para tardio tem a conotação de preguiçoso. Ligado a audição expressava surdez, ou falta de capacidade para ouvir. O descaso e a descrença podem ser a origem dessa preguiça para aprender as verdades sobre Cristo. Isso é imaturidade.

4. Consequências da imaturidade:

a) Deixar de ser mestre (v. 11) – O autor não quer dizer que todos que são experientes serão mestres em termos de atividade ministerial. Para ele quem desfruta de maturidade tem a possibilidade de abençoar outras pessoas através de sua experiência de vida. O imaturo não desfruta dessa honra.

b) “Novamente... de novo” (v. 12) – Os ensinamentos sempre têm que ser repetidos para o imaturo. Ele está marcando passo. Não desenvolve.

c) Inexperiente (v. 13) – Literalmente significa “não aprovado”. O imaturo é aquele que não consegue ser aprovado na vida cristã por que o tempo não foi suficiente para ele aprender, sua alimentação ainda é para criança e não pratica a verdade.

Fiquemos com as palavras de John Stott e com o alerta de apóstolo Paulo:

“Cristãos imaturos parece que nunca conhecem sua própria vontade nem chegam a convicções firmes. Pelo contrário, suas opiniões parecem ser as do último pregador que ouviram ou do último livro que leram, e caem facilmente como presa de cada nova moda teológica.” (Stott)

“Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo , sede homens amadurecidos.” (1ª Coríntios 14.20)


Celson Coêlho
Editor do Blog