sábado, 18 de julho de 2015

EU NÃO SENHOR, EU NÃO SOU COMO OS OUTROS!


Eita Pedrão.
Aquele da Bíblia, o discípulo de Jesus.

Ele é o personagem bíblico que muito se parece conosco. Suas falhas e limitações são semelhantes as nossas. Até suas posturas nos são similar. A Bíblia não esconde isso. Ela nos mostra para aprendermos. Por isso nos identificamos com ele.

Jesus próximo a crucificação alertou aos discípulos que seria abandonado por todos, inclusive por eles. Pedrão, muito rápido em suas respostas, afirmou: “Estou pronto para ir contigo tanto para prisão como para morte” (Lucas 22.33). Era como se ele falasse: “Os outros aí eu não sei. Podem até te abandonar. Mas eu não! Eles podem ficar pelo caminho, porém estou pronto para não desistir. Eu não sou como os outros!”

Como temos coragem na tranquilidade.
Como temos certeza na paz.
Quando tudo parece que está sob controle, nossa força se mostra maior. Já observou isso?
Contudo meu amigo, quando a realidade não bate bem com aquilo que esperávamos, o nosso “outro lado Pedro” aparece...

O apóstolo ao ver Jesus preso, acompanhou a distância. Durante a crucificação de Cristo, questionado se conhecia o Mestre, por três vezes o negou.
Pedro desistiu! Acreditou que não dava mais. Entendeu que aquele Jesus que ele jurou fidelidade não era tão bom assim.
Resolveu ficar no caminho e voltar atrás.

Algumas vezes ficamos semelhantes a Pedro. Paramos na caminhada e queremos ver de longe onde vai parar esse tal de Jesus.
Pensamos em desistir sim! Paramos e achamos que não valeu à pena. Isso faz parte da limitada natureza humana.

Acredito que naquele momento pensamentos de frustração invadiram a cabeça de Pedro: “Quanto tempo eu perdi nessa caminhada”; “Em quanta ilusão acreditei”; “Quantos sonhos ingênuos almejei.”
Sentimentos de decepção. A porta da desistência se abriu para ele.
Para Pedro só restava voltar ao barco, às redes, aos peixes. Mais um ao mar...

Amigo, presta atenção: Para Deus ainda não acabou!
Não aconteceu do jeito de Pedro, por isso ele pensou que tivesse chegado ao fim.
Eiiii! Se não aconteceu do seu jeito não quer dizer que chegou ao fim! Deus tem o jeito dele e o seu jeito de agir é melhor, bem melhor.

Após a ressurreição Jesus deixa um recado para as mulheres que foram ao túmulo: “Avisem aos discípulos que vou ao encontro deles. Avisem também a Pedro, quero olhar nos olhos dele.”
A notícia foi levada aos discípulos. Possivelmente veio a mente deles a ideia de reprovação pelo Mestre. Pensamentos de rejeição visitaram aqueles homens tristes e amedrontados.
Acredito que esse sentimento foi mais pesado para um deles, o Pedrão. Talvez os discípulos olhassem para Pedro com aquele olhar de julgamento e acusação que sabemos ter quando encontramos as pessoas debilitadas pelas lutas da vida.
Talvez o próprio Pedro andasse cabisbaixo: “O mestre quer me ver. Eu decepcionei Jesus.”

Lembre-se: Nem sempre o que temos em mente é o que está na mente de Deus. Principalmente em momentos de tristeza e dor. A amargura da alma traz cegueira ao coração.
“Não pense jamais que os pecados passados de sua vida significam que não há esperança para seu futuro.” (John Piper)
Pedro tinha que saber que não foi rejeitado...

O recomeço de Deus não precisa passar pelas avaliações humanas. A restauração de Deus não precisa da aprovação dos amigos. O renovo de Deus rompe com as limitações dos critérios humanos, por mais bem intencionados que sejam.

O palco estava montado: “Ao saltarem em terra, viram ali umas brasas e, em cima, peixes; e havia também pão” (João 21.9).
Jesus preparou a cena. Era um palco para Pedro. Não era palco de humilhação. Era palco de restauração.

No momento da negação Pedro também estava ao redor de uma fogueira, com desconhecidos. Estava se “aquentando” (João 18.25). Agora, acabou de sair do mar, ensopado estava. Que bom uma fogueira para ser aquecer, comida pronta e uma roda de amigos. Mas no meio estava Jesus...
Quando acaba o alvoroço da grande pescaria. Não tendo mais perguntas sobre sua ressurreição. Todos bem alimentados e tranqüilos, Jesus diz “agora é comigo.”

“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro” (João 21.15). Ele não esqueceu, pensou Pedro.
O Mestre vai direto ao assunto: “Pedro você realmente me ama mais do que esses outros me amam? Aquela sua afirmação feita antes da crucificação ainda está de pé?”

Jesus faz a pergunta “tu me amas?” por três vezes. Semelhante ao momento da negação. Nas duas primeiras a pergunta é feita com um termo grego que denota um amor superior, um amor sacrificial. E Pedro responde com um vocábulo diferente, que significa um amor entre irmãos, comum entre pessoas, um amor humano (digamos assim).

E vem a terceira pergunta:
“Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele ter dito pela terceira vez: tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor tu saber todas as coisas, tu sabes que eu te amo.” (João 21.17)

Dessa vez Jesus usa o termo que Pedro estava disposto a responder. Como se dissesse: “Pedro você me ama com amor de homens? Semelhante aos dos outros?” Pedrão se entristece e reconhece sua limitação: “Tu sabes como realmente é o meu amor.”
Pedro aprendeu um grande princípio: A base do nosso relacionamento com Jesus não é aquilo que afirmamos às vezes como “infalível” da nossa parte, mas aquilo que Jesus realmente sabe do âmago do nosso ser. Não podemos esquecer isso...

A confrontação de Jesus não é para humilhar, mas para reerguer!
Nesse momento de possível tristeza de Pedro, Jesus revela o quanto confia nele: “Apascenta as minhas ovelhas!”
“Pedro, isso passou. Você agora é outro. Aprendeu a lição. Eu sei a realidade do seu amor. Confio tanto em você que irei colocar sobre seus cuidados aquilo que tenho de mais importante: minhas ovelhas. Seu amor por mim será demonstrado cuidando daqueles que eu vim para salvar.”

Pedro é restaurado, revela arrependimento e tem a honra de cuidar das ovelhas do Senhor.
“Não é o que você é nem o que você foi que Deus vê com seus olhos cheios de misericórdia, mas o que você deseja ser.” (The Cloud Of Unknowing, via Philip Yancey)

Por mais que pareça que chegou ao fim, Jesus está disposto a escrever uma nova história para você...


Celson Coêlho

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