quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O PROBLEMA NÃO É O SOL, O PROBLEMA É A RAIZ


*Por Celson Coêlho

As parábolas têm o poder de tornar concretas as verdades que são abstratas. Dessa forma, possibilitam ao ouvinte rápido entendimento e facilidade para lembrar-se.

Foi por isso que Jesus compartilhou muitas parábolas e entre elas a chamada Parábola do Semeador.

No registro dessa parábola o evangelista Mateus concede certo destaque para uma das sementes. Das quatro citadas, apenas a segunda tem dois versículos para sua descrição e mais dois para sua explicação. As outras três contam apenas com um versículo para descrição e um para explicação.

É sobre a situação da segunda semente que falaremos. Vejamos como está registrado em Mateus:

“Outra parte [da semente] caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se” (Mt 13.5 e 6)

Nós que vivemos em cidade urbanizada, temos pouco contato com a plantação e crescimento de alguma semente. Porém, não precisamos de grande conhecimento de agricultura para saber que o sol faz parte do desenvolvimento de qualquer planta.
Não foi o sol que destruiu a planta recém nascida. O sol apenas a queimou. Algo muito natural. Contudo, a conclusão é “porque não tinha raiz, secou-se.

O fato é que a semente não desenvolveu e nem frutificou por não ter raiz.

A própria continuação do texto de Mateus traz a explicação concedida por Jesus sobre essa semente:

“O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.” (Mt 13.20 e 21)

O sol retratado na parábola significa os momentos de angústia ou perseguição advindos por viver em conformidade com a palavra. Quando Lucas fala da mesma parábola (Lc 8.6 e 13) assim ele explica: “na hora da provação, se desviam” (Lc 8.13).

Outras traduções colocam “no tempo da provação”. O termo grego usado nesse versículo para hora ou tempo é kairós. Sendo assim, de forma geral poderíamos entender essa frase como “no tempo certo da provação” ou “no tempo oportuno para provação”. A provação é normal surgir. A angústia ou perseguição também. Como o sol é normal para qualquer planta. A provação, angústia ou perseguição é normal para qualquer seguidor de Cristo. Não é um acidente. Inclusive, faz parte do plano de Deus para nosso crescimento.

Então porque a planta secou e murchou? Porque alguns se desviam ou desistem de seguir a Cristo?

A resposta é: os que desistem não têm raiz. Interessante que na explicação da parábola concedida pelo Mestre não contém explicação para o que significa RAIZ. Não foi necessário a explicação pois aqueles que estavam ouvindo a parábola sabiam muito bem o que significava ter raiz. Como é bem claro para nós hoje que o que segura uma planta ou árvore em pé é a raiz.

Os textos bíblicos acima citados nos concedem entendimentos sobre ter ou não raiz para continuar de pé.

1) “Ouve a palavra e a recebe logo, com alegria (Mt 13.20) – A rapidez em “receber” a palavra não determina se uma pessoa vai continuar seguindo a Cristo. Ter alegria momentânea também não é fator determinante para ser duradouro na fé.

2) “Sendo de pouca duração” (Mt 13.21) – Não existe raiz profunda e saudável em pouco tempo. Não existem crescimento e amadurecimento relâmpagos, num passe de mágica. Isso leva tempo e no decorrer do tempo as provações virão. Vencendo elas com fé em Cristo será revelado a perseverança (raiz profunda).

A parábola ainda nos concede o exemplo da semente que “caiu em terra boa e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta e a cem, por um” (Marcos 4.8). Dar fruto que vingue, cresça e reproduza são características de árvore com boa raiz. Lembremos nossas aulas básicas de ciências na escola quando criança: a árvore se alimenta pela raiz.

“As sementes que caíram em terra boa são aquelas pessoas que ouvem e guardam a mensagem no seu coração bom e obediente; e produzem frutos porque são fiéis.” (Lc 8.15 – Bíblia na Linguagem de Hoje)

O sol pode até queimar um pouco, mas ele não é decisivo para destruir a árvore. O que mantém a árvore de pé ou não é a raiz. Uma raiz saudável e perseverante produz  bons frutos. Como está a sua raiz?


Celson Coêlho
Editor do Blog

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Celson Coêlho