domingo, 6 de novembro de 2016

“ECA! VOCÊS ME ENOJAM!” ONDE ESTÁ A ESPERANÇA CRISTÃ?

Por Celson Coêlho

Conta-se que muitos anos atrás Nietzsche censurou um grupo de cristãos dessa forma: “Eca! Vocês me enojam!” Ao ser perguntado por que os criticava daquela forma, o filósofo respondeu: “Porque vocês, remidos, não parecem remidos. São tão cheios de temor, tão dominados pela culpa, tão ansiosos e tão sem direção quanto eu. Mas eu posso ser assim. Eu não creio. Não tenho nada sobre o que lançar a minha esperança. Mas vocês afirmam ter um salvador. Por que não parecem salvos?”[1]

Brennan Manning, ao falar sobre a esperança, nos alerta que ela está em relação intima com a qualidade da fé. Ou seja, quanto mais firme estiver a fé, mais segura será a esperança. O Apóstolo Paulo diz que não devemos nos afastar da esperança transmitida pela mensagem do Evangelho. Essa relação real com a esperança é que mantém o cristão “firme e alicerçado” na fé (Colossenses 1.23).
Em o Novo Testamento, o termo grego para esperança (Gr. Elpis) é derivado de uma palavra que significa antecipar (Gr. Elpos). “As palavras nunca indicam uma antecipação vaga ou temerosa mas, sim, sempre a expectativa dalguma coisa boa.”[2] Não significa uma angustiante ansiedade pelo que estar por vir. Contrário disso é a certeza confiante que a alegria virá ao amanhecer.

William Barclay ao analisar o termo esclarece que a totalidade da fé cristã está fundamentada em três colunas: fé, esperança e amor (1Corintios 13.13). Sendo assim, qual a origem da esperança cristã? Vejamos algumas fontes conforme Barclay[3]:

1) Em Cristo e na sua Obra: Jesus é a base da esperança cristã (1Timóteo 1.1). Ela não se baseia em algo que o homem tenha feito sozinho;

2) No Evangelho: a mensagem das boas novas “levanta o coração de qualquer homem que está pressionado pelo pecado” (Colossenses 1.27); e

3) Na experiência: Vivendo confiante em Deus, mesmo em tribulações, fortalecemos nossa esperança em dias melhores. Veja o que Paulo diz em Romanos 5.4: a tribulação produz perseverança, a perseverança gera experiência. Essa, testada e aprovada, transforma-se em esperança. Completa o apóstolo: “a esperança não confunde” (Rm 5.5).

O cristianismo não nega a realidade do sofrimento e do mal. Contudo, a esperança cristã nos mantém perseverante apesar deles. Quando fortalecidos pela esperança, não vivemos atemorizados por nós mesmos nem pelo mundo.

Fomos chamados para uma esperança viva (1Pedro 1.3). Isso nos lembra uma esperança renovada na confiança daquele que nos motivou nessa caminhada e nos fortalece a cada dia: Jesus, o Cristo.

Celson Coêlho
Editor do Blog



[1] MANNING, Brennan. Convite à Solitude. São Paulo: Mundo Cristão, 2010.
[2] Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. V. 2. São Paulo: Vida Nova, 1982.
[3] BARCLAY, William. Palavras Chaves do Novo Testamento. São Paulo. Vida Nova, 2000.

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Celson Coêlho