quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

SIFRÁ E PUÁ, VOCÊ JÁ VIU ESSES NOMES?


Por Celson Coêlho

Se já é porque ou tem boa memória ou alguém te alertou em alguma ocasião. Porém, muitos, se não todos, estão em uma 3ª opção: nunca viram nomes tão estranhos...

Com certeza você, igual a mim, já passou por esses nomes e os achou insignificantes. Nem vimos que estava ali. Somos assim! Estamos à procura dos grandes heróis e dos grandes feitos. Até porque também desejamos ser grandes e fazer grandes coisas.

Esses nomes estão no meio de grandes nomes. Na descrição de grandes nações, uma consolidada e outra nascendo. Na origem de um destacado feito.

A ação dessas mulheres e seu registro revelam que existe agir de Deus de modo simples e sem alarde. E talvez essas ações sejam as mais significativas.

Sifrá e Puá estão agindo no início do livro do Êxodo (Ex). Os grandes ali são José, que acabara de morrer, e Faraó (um título), que desconhecia a importância de José. As grandes nações eram Israel, se tornando populoso e na iminência de se tornar uma nação, e o Egito, com grande poderio bélico, mas incomodado com a multiplicação dos filhos de Israel. O grande feito é o Êxodo deste povo, sua saída da escravidão do Egito. Registrada no decorrer do livro e que sinaliza princípios da historia da salvação.

O grande José estava morto. O grande Faraó é anônimo. Os nomes dos filhos de Israel citados no início do capítulo 1 servem apenas para confirmar a genealogia dos que entraram no Egito. Agindo de forma significativa ali aparecem Sifrá e Puá, duas parteiras.

Faraó armou uma estratégia para impedir o crescimento de Israel: 1) amargar dura servidão; 2) matar os filhos homens no parto; e 3) por fim, os que nascerem lançar no Nilo. Obtendo êxito nessa estratégia o povo de Israel não viria a existir. As promessas antes registradas não se cumpririam. E a história da salvação não seria tão bela.

Mas aí Deus age através de Sifrá e Puá. Interessante que uma afirmação significativa nesse texto é que “Faraó não conhecia José” (Ex 1.8). Porém, o mais importante é que Deus conhecia Sifrá e Puá. Sabia quem eram e que poderia contar com elas. Elas decidiram não obedecer à ordem de Faraó para matar os recém nascidos.

Sifrá e Puá revelam como pessoas comuns são inseridas na historia da salvação de Deus. Enquanto não entendermos a importância da participação pessoal e comum na história da salvação, viveremos uma vida cristã forçada pelas opressões dos “Faraós”.

Se encontrares Sifrás e Puás por aí, coloque-se ao lado delas. São simples e sem alarde. Mas são parteiras, geram vidas...

domingo, 25 de dezembro de 2016

ISSO É O NATAL, ASSIM SOMOS NÓS...

Por Celson Coêlho

Esse fim de semana estava participando de um culto. Como de se esperar no Natal, celebrações e comemorações.

Em momento de destaque das celebrações se preparava a cantata e iniciava aquela apresentação planejada, organizada e bonita. Contudo, ao meu lado, duas pessoas quase discutiam sobre a reserva de um assento dentro da igreja. Aquela coisa que conhecemos bem de colocar Bíblia, bolsa, chave, etc, para guardar lugar para alguém...

Não cabe aqui juízo de valor sobre a atitude de guardar lugar no culto, isso cabe a consciência de cada um e aos responsáveis pelo culto público nas igrejas.

Pensamentos vieram à mente sobre o momento: celebração do Natal e nossos interesses humanos. Não interessa aqui o “Jesus não nasceu nessa data”; “isso é uma festa pagã” e todo aquele blá blá blá...

Falamos da importância do Nascimento, do Deus que “se tornou carne e habitou entre nós”, do criador de céu e terra que se esvaziou da sua majestade e “vestiu” a forma humana. Algo tão grandioso de pensar e repensar, de ficar maravilhado e de viver. Mas, paralelo a isso temos nós... Ah! Nossas complexidades, nossos interesses, nossas limitações.

Assim foi a época quando Jesus esteve aqui em carne. Assim também acontece hoje. Esquecemos o Natal, colocamos de lado o Nascimento e damos uma pausa na celebração da presença do Cristo para buscar nossos interesses. E quem não os tem não é?

Mas foi para isso que Ele veio. Deixou sua glória para nos dar o exemplo e nos transformar.

Max Lucado nos lembrou a importância de Cristo em Nós: "Cristo entrou no nosso mundo. Por essa razão podemos entrar no mundo dele." (Deus está aqui, p. 13)

Viva ao Natal! Aleluia! Jesus está entre nós. Ainda temos esperança...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A TRAGÉDIA E A VISÃO EVANGÉLICA SOBRE O MAL

Por Celson Coêlho

Existe uma tendência evangélica em ver a ação do Diabo (ou dos demônios) em tudo. Se ocorrer alguma coisa errada foi um demônio que assim o fez, inclusive na vida dos próprios seguidores de Cristo.

Isso ocorre devido à visão equivocada sobre o mal. Lógico que esse é um debate histórico e permeia a teologia, a filosofia e áreas afins. Não se pretende aqui discutir a origem do mal nem muitos menos ser conclusivo sobre o exposto.

Robison Cavalcanti[1] nos concede uma visão didática sobre a manifestação do mal:
“A teologia bíblica tem nos ensinado uma tríplice manifestação da maldade: a) metafísica, representada pelas hostes satânicas; b) individual, representada pela natureza humana caída; c) estrutural, representada pelos sistemas sociais distanciados dos valores do reino (opressão, injustiça, desonestidade).”

O grande problema quanto à visão da manifestação do mal ocorre quando não existe um equilíbrio dessas 3 concepções. Comumente vemos uma tendência desenfreada na ênfase a metafísica. Ao mal ligado a ação demoníaca. Tudo é culpa do demônio.

Isso ocorreu devido à popularização da chamada batalha espiritual propagada pela Teologia da Prosperidade. Nessa doutrina os demônios são os únicos culpados por tudo de errado que acontece. Essa concepção leva ao que Hank Hanegraaff[2] chama de dualismo pernicioso. Expressa “duas forças combatendo-se, em busca do controle universal, e nunca se sabe quem, afinal, ai vencer”, se Deus ou os demônios.

A ênfase nesse tipo de batalha espiritual, conforme Robison Cavalcanti, é uma fuga. É um viver sem “batalha pessoal” e sem “batalha social”. Cria-se uma frouxidão quantos aos pecados individuais (o mal individual) e uma cegueira quanto aos pecados sociais (o mal estrutural).

A manifestação do mal vista apenas desse prisma traz graves consequências para visão do mundo, para compreensão de si mesmo e não permite um entendimento correto da obra de Cristo.
Fiquemos com este alerta:

“Quando não se tem uma missão na história, algo há que ser feito para encher o tempo entre a conversão e a morte ou o arrebatamento.” (Robison Cavalcanti)



[1] CAVALCANTI, Robison. A Igreja, o País e o Mundo. Viçosa: Ultimato, 2000.
[2] HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

sábado, 3 de dezembro de 2016

POR QUE MUITOS EVANGÉLICOS ESCOLHEM RESPOTAS BIZARRAS?

Avião da Lamia que caiu na Colômbia causando a tragédia
com a equipe da Chapecoense e convidados
Por Celson Coêlho

Quando uma tragédia traz comoção generalizada, as respostas mais bizarras aparecem para tentar explicar. Entre elas encontramos as respostas do povo evangélico.  O que nos chama atenção é a “criatividade” como fazem isso. Por isso uma pergunta se faz necessária nesses momentos: por que muitos evangélicos escolhem respostas bizarras para lidar com a realidade?

Primeiro, muitos no meio evangélico gostam de ter resposta para tudo. E de imediato. Ele não gosta de admitir que tenha dúvida. Muito menos de guardar um questionamento para posteriores esclarecimentos.

Segundo, muitos fazem isso porque na verdade são curiosos. Ahhhh! Está cheio de curiosos em nosso meio. É assim que a maioria lê a Bíblia. Apenas para matar sua curiosidade. Por isso a atração pelo livro do Apocalipse e o viés alegórico na interpretação da Bíblia.

Terceiro, essas repostas bizarras também são uma forma de “estar na moda”. Por isso que muitos abraçam essas idéias e a propagam com rapidez. Para demonstrar que estão “por dentro” do assunto. O modismo é reinante em nosso meio.

Por fim, as respostas bizarras são escolhidas por causa da superficialidade em que se encontram muitos evangélicos. Tratar algo com profundidade requer tempo e trabalho (estudo, pesquisa, etc.). Assim, infelizmente, é o nosso meio evangélico: é melhor ser superficial porque é mais fácil. Assim é com o entendimento da Bíblia. Assim também com as coisas espirituais. E claro que assim também tratam as tristes realidades da vida.

Olha que falo como quem vive do lado de dentro todas essas questões...


Porventura o ouvido não provará as palavras, como o paladar prova as comidas? (Jó 12.11)